Miraculous - Amor Revelado
15 Presente de gato
Adrien acordou cedo no dia seguinte. Ao chegar da casa de Marinette ele havia dormido quase que imediatamente. Um sono tranqüilo e reparador como há muitos dias não conseguia ter.
Lembrou-se de que ela havia falado que gostaria que Chat Noir estivesse na escola com ela naquele dia para apoiá-la. Não pode deixar de sentir uma pontinha de ciúme do seu alter ego. Marinette conversava com Chat de forma natural e graciosa, bem diferente de quando conversava com ele em sua forma civil.
Além disso, ela estava agradecida a ele e o considerava como um amigo confidente.
Por isso teve uma idéia para que ela se lembrasse de Chat Noir quando fosse para a escola.
Arrumou-se e desceu para tomar café empolgado com seu plano.
— Bom dia Adrien! Acordou cedo.
— Bom dia Nathalie! Sim e preciso de um favor.
Ela anuiu e ele continuou
— Preciso que peça ao gorila para me levar mais cedo para a escola. Eu tenho um trabalho importante para fazer antes do horário. – Adrien já tinha tudo planejado em sua mente
— Tudo bem. Não vai esperar seu pai para o café?
Ele lançou a Nathalie um sorrisinho cínico
— Ambos sabemos que ele quase nunca faz as refeições comigo – Já se acostumara com a distância do pai – Além disso, já estou terminando e não quero me atrasar.
— Está bem, vou avisar o motorista.
Quando Adrien saiu de casa faltava uma hora para o início das aulas. As ruas de Paris já começavam a ficar agitadas com o trânsito e o tráfego de pessoas que se deslocavam para a escola ou para o trabalho. Pensou que Marinette provavelmente ainda estaria acordando àquela hora.
Sorriu olhando as lojas que já começavam a abrir para o deleite dos consumidores.
Adrien sabia exatamente em qual delas precisava ir.
— Pare na próxima esquina pra mim, por favor!
O motorista olhou para ele pelo retrovisor e apenas grunhiu. Não era a toa que tinha o apelido de gorila.
Ele parou a limusine mesmo a contragosto. Não gostava de paradas surpresas quando precisava cumprir seu dever de deixar o jovem Agreste no seu destino pré determinado.
Adrien desceu do carro e avisou
— Procure uma vaga para estacionar. Eu não vou demorar.
Sem esperar resposta, Adrien entrou em uma das muitas joalherias famosas de Paris.
— O que vai fazer Adrien? – Plagg sussurrou colocando a cabeça para fora de seu casaco.
— Vou comprar um presente Plagg! Fique quietinho aí – respondeu empurrando a testa do kuami com o dedo indicador de volta para o bolso
— Hum... Que amor! – Riu quando ouviu a vozinha debochada do gatinho
***
Por um milagre dos céus, naquela manhã Marinette conseguiu acordar no horário.
Estava nervosa. Não sabia como iria sobreviver aquele dia! Teria que encarar Adrien e Chloé!
Sabia que poderia contar com o apoio dos amigos. Nino e Alya com certeza não a deixariam sozinha, mas isso não a fazia se sentir mais corajosa.
Terminou de prender os cabelos e deu uma última olhada no espelho. Estava bem. Parecia forte e equilibrada. Pelo menos por fora, pensou irônica.
— Tikki entre na bolsa porque já vamos descer!
A kuami voou para frente do seu rosto e deu-lhe um abraço na bochecha
— Boa sorte Marinette! Você vai conseguir!
— Obrigada. Assim espero!
Tikki entrou na bolsa e Marinette a ajeitou nos ombros. Ao levantar o olhar tomou um susto. Pelo espelho viu seu parceiro mascarado do lado de fora na janela.
— Chat Noir!
Ele estava pedindo para entrar. Mas a essa hora! Esse gato não dormia não?
— Bom dia princesa! – Ele a cumprimentou entrando no quarto pela janela que ela acabara de abrir.
— Bom dia Chat! Nossa! O que você faz aqui tão cedo? Você não dorme?
— Dormi muito bem e acordei bem disposto, obrigado por perguntar!
Ela riu, cruzando os braços
— E a que devo a honra de vê-lo logo pela manhã?
Ele se aproximou e só então ela reparou que ele estava com uma caixa retangular de veludo preto nas mãos.
— Eu fiquei pensando no que você me disse ontem à noite...
Ela franziu o cenho, pensando em todas as coisas que disse. Ele continuou
— Você me disse que gostaria que eu estivesse com você na escola hoje – ela corou quando se lembrou de que havia dito exatamente isso. Ele sorriu e continuou – Eu... Não posso estar lá com você, mas posso fazer você se lembrar de mim e então será como se eu estivesse – ele murmurou a última parte com o rosto bem perto do seu.
Chat abriu a caixa de veludo e estendeu para Marinette que olhou seu interior.
Havia uma delicada corrente de ouro com um pingente em forma de gato. Os olhinhos do gatinho dourado eram feitos de pequeninas pedras de esmeralda que incrivelmente tinham o tom exato dos olhos do gatuno.
Marinette não conseguiu conter as lágrimas quando viu o objeto. Olhou para Chat Noir
— Não posso aceitar Chat!
— Porque não? E porque está chorando chérie?
Ele passou o polegar no rosto da garota enxugando uma lágrima com cuidado
— Estou chorando por que... É lindo, mas não posso aceitar um presente desses!
Ele ficou contente por causar essa emoção nela com seu presente. Não aceitaria de volta.
— Mas é para você, escolhi pensando em você! Não vou levar de volta. Quero que se lembre de mim na escola e onde mais estiver.
Ele retirou a corrente da caixa, colocando a embalagem sobre a escrivaninha de Marinette. Foi para trás da garota e passou a corrente pelo pescoço dela, prendendo o fecho, tomando cuidado para não arranhá-la com suas garras.
Olhou para a nuca de Marinette e sentiu um desejo enorme de depositar alguns beijos bem ali. Ele sentiu o perfume doce de baunilha que embriagava seus sentidos. Aproximou-se um pouco mais do pescoço delgado e sua respiração a fez estremecer. Ele soltou um sorriso de satisfação.
— Prontinho! Ficou ainda mais linda... – murmurou com a voz rouca no ouvido dela
Marinette respirava com dificuldade. O que estava acontecendo com ela?
— Obrigada Chat – Ela se virou pra ele e em um impulso o abraçou – Nunca ninguém me deu um presente tão lindo!
Ele ficou surpreso com o gesto, mas estreitou ainda mais o abraço. Não queria soltá-la nunca mais!
— Marinette, você vai se atrasar para a escola filha! – Ouviram a voz de Sabine vindo do andar de baixo
— Estou descendo mãe! – Ela se soltou dos braços do loiro e sorriu – Tenho que ir... Até mais!
Ele beijou-lhe a mão
— Até princesa. – Saiu pela janela
***
Chat Noir estava muito satisfeito consigo mesmo. Marinette havia amado o presente e ele considerava mais um ponto a seu favor. Precisaria de muitos pontos ainda para reconquistar a confiança dela.
Havia gasto toda sua mesada no presente, mas não se importava nem um pouco. Ele tinha tudo o que o dinheiro poderia comprar, mas aquilo que realmente lhe era importante conquistava a duras penas!
E Marinette era exatamente um desses tesouros preciosos que ele não podia perder.
Lembrou-se de quando havia ido à casa dela a fim de treinarem para a o torneio de vídeo game.
Ela era incrível jogando e ele sentiu-se péssimo comparado a ela. Marinette então havia lhe dado um tipo de amuleto da sorte. Adrien ainda tinha o objeto guardado em sua mochila. Ele o levava para todo lugar.
Portanto seu presente também era uma forma de retribuir o gesto carinhoso da amiga.
Ele foi em direção a um beco. Precisava se transformar e encontrar o gorila a fim de chegar a tempo na escola. Sorriu feliz, pensando na garota de olhos azuis...
Ouviu uma freada brusca e barulho de explosão. Um acidente de trânsito? Olhou na direção do forte barulho e viu mais um akumatizado de Hawk Moth.
Estava bom demais para ser verdade!
***
Marinette despediu-se dos pais e saiu para as ruas de Paris. Andava rápido pois havia se atrasado um pouquinho por causa do gato mascarado. Sorriu acariciando o pingente de gatinho que ele lhe dera. Foi tão gentil da parte dele aquele gesto. Ele disse que havia escolhido pensando nela... Isso a comoveu tanto. Não esperava uma atitude assim do gatuno. Aliás, nos últimos dias Chat Noir a estava surpreendendo com freqüência...
Ela ouviu a explosão e olhou para trás. Fumaça preta subia de algum lugar próximo onde ela estava. Marinette correu para trás de uma árvore, abaixou-se e abriu a bolsa
— Paris precisa de nós – disse a Kuami que já estava do lado de fora
— TIKKI TRANSFORMAR!
***
Chat Noir lutava sozinho com o akuma, batizado de Traffic Evil. Ele possuía uma espécie de armadura de ferro preta com um colete onde no meio havia três círculos com as cores vermelho amarelo e verde, iguais aos de um semáforo. Desses círculos saiam raios que destruíam aquilo que atingissem. Ele também conseguia controlar todos os veículos e semáforos da cidade e podia usá-los para atingir quem quisesse.
— Aí! O sinal de trânsito ambulante! Porque não vai fazer sua blitz em outro lugar?
— Ah... Garoto, você é um infrator da Lei, merece a prisão – Ele vociferou e jogou uma das viaturas policiais que estavam estacionadas na rua para cima do mascarado. Chat pensou em suas alternativas para escapar de ser atingido pelo veículo. Antes que pudesse se decidir sentiu suas pernas presas pelo ioiô vermelho de bolinhas pretas e um segundo depois foi arrastado pelo asfalto até onde estava Lady Bug.
— Precisa de uma ajudinha Chat? — Ela lhe estendeu a mão.
Ele levantou-se com a ajuda da sua joaninha e beijou-lhe a mão
— Estava tudo sobre controle my lady, mas sempre é bom te ver
Ela riu
— E o que temos aqui?
— Um guarda de trânsito enfurecido intitulado Traffic Evil
— Só mesmo o trânsito ruim para deixar alguém irritado logo de manhã – Ela fez uma careta – Você já sabe onde está o akuma?
— Ainda não. Mas os poderes dele são impressionantes. Teremos trabalho.
— Então vamos acabar com isso! Confronto direto?
— Mal posso esperar...
Eles partiram pra cima do akumatizado com golpes precisos, porém o adversário lançava vários veículos de diversos tamanhos na direção deles que desviavam-se com dificuldade. Os raios que saíam do colete também iam causando estragos na cidade e só não atingiam os heróis porque estes usavam suas armas como escudos para bloquear os golpes.
Lady Bug olhou ao seu redor e percebeu que ali onde estavam uma boa parte das ruas haviam sido destruídas. Viu várias pessoas feridas e isso a preocupou ainda mais.
— Chat, não podemos ficar aqui! Ele tem controle sobre todos os carros e semáforos. São muitas armas contra nós dois e ele está destruindo a cidade.
— Tem razão my lady! – Chat olhou ao redor e viu uma motocicleta Yamaha FZ8-R – Tive uma idéia. Você se lembra da batalha com o jogador?
Ela o olhou confusa
— Sim, mas... O que isso tem a... – seus olhos brilharam – Claro! O estádio! Muito bom gatinho. Mas como vamos chamar a atenção dele para que nos siga até lá?
— Vem comigo! – Ele a puxou pelo braço e levou-a até a moto. Subiu e lhe deu uma piscada – Sobe aí joaninha.
Ela ficou receosa
— Chat tem certeza que sabe pilotar isso?
— Vamos descobrir!
— É sério?
— Vamos my lady! Me dê uma chance!
Mesmo a contragosto ela subiu na moto e suspirou
— Espero que saiba o que está fazendo!
— Segure-se em mim Bugboo!
Ela bufou e enlaçou a cintura do gatuno
— Ei seu guarda! – gritou chamando a atenção do akumatizado – Que tal heim! Como estou dirigindo?
Com uma arrancada brusca que quase fez a moto empinar, Chat saiu pilotando em alta velocidade pelas ruas de Paris em direção ao estádio.
Traffic Evil mordeu a isca e foi atrás dos heróis, lançando raios que saíam do seu colete de semáforo. Chat Noir se desviava virando a moto de um lado para o outro fazendo com que Lady Bug se agarrasse a ele com mais força. Ela morreria antes de admitir, mas estava morrendo de medo em cima daquela moto. Chat pilotava loucamente, acelerando, exigindo o máximo do motor do potente veículo e ela não podia fazer nada senão estreitar ainda mais o abraço e colar seu corpo nas costas do loiro.
Chat Noir estava amando aquilo! Além da adrenalina e sensação de liberdade ao pilotar a moto, o gatuno sentia os braços da sua lady firmemente agarrados no seu corpo. Ele fez uma curva acentuada e sentiu as mãos dela subirem da sua cintura para seu peito, precisou de todas as suas forças para se concentrar na direção e não causar um acidente.
Lady Bug sentia o calor do corpo do parceiro junto ao seu. Era uma agonia sentir os músculos do peitoral bem definido sobre o tecido do uniforme. Aquilo era tão sexy! Sentiu seu rosto esquentar mesmo com o vento frio. De onde tinha tirado esse pensamento maluco em um momento daqueles!
Quando se aproximavam do estádio, o vilão os alcançou. Lady Bug precisou falar ao ouvido de Chat Noir para se sobrepor ao barulho do motor da moto.
— Ele está bem atrás de nós Chat e pode controlar essa moto nos jogando no chão a qualquer momento!
Ele sentiu o perigo e não pensou duas vezes.
— Prepare-se para saltar my lady! – Disse diminuindo um pouco a velocidade
— O que?
— No três! Um, dois... – Ela não teve tempo para pensar, o raio do akuma já estava indo na direção deles – três!
Os dois saltaram da moto um segundo antes do raio a atingir e ela explodir em diversos pedaços.
— Isso foi demais Bugboo!
— Você é maluco Chat! Vamos!
Entraram correndo no estádio, seguidos por Traffic Evil.
— O tempo acabou para vocês pequenos infratores. Seus miraculous serão meus!
— Pequenos infratores? – Chat reclamou
— Agora me ofendeu – Lady Bug começou a girar o ioiô.
Novo combate direto entre heróis e vilão. Em dado momento da batalha Traffic Evil tirou um apito de dentro da farda de metal e quando apitou um som ensurdecedor saiu do objeto e lançou os heróis para longe, deixando-os sem audição temporariamente.
Ambos taparam os ouvidos com as duas mãos e olharam um para o outro.
Lady Bug foi a primeira a se recuperar. Já estava cansada daquilo!
— TALISMÃAAA!
Recebeu um spray de pimenta
— Parece útil my lady, mas vamos mais depressa com isso – Chat gritou girando seu bastão, livrando os dois de mais um raio.
— Já sei! Chat o akuma está no apito. Use o spray para distraí-lo.
— Entendi.
Ele pegou o spray que lady Bug lhe lançou e usando o bastão pulou por cima de Traffic Evil, aterrissando em seus ombros. Espirrou o spray de pimenta nos olhos dele que começou a gritar e com as mãos nos olhos deixando o apito livre para lady Bug pegar e despedaçar em suas mãos.
— Chega de maldade akuma! – Ela usou o ioiô para purificar a pequena borboleta negra e depois lançou o spray de pimenta para o alto, fazendo com que as joaninhas miraculosas restaurassem toda a cidade.
— Zerou! – Fizeram o costumeiro toque de punhos, enquanto o guarda de trânsito olhava ao redor confuso.
Os brincos da joaninha apitaram pela primeira vez e ela se despediu
— My lady espera – Chat segurou seu braço
— Seja rápido gatinho.
— E que... E-eu preciso te perguntar uma coisa.
— Está bem. O que foi?
— Hã... Quando enfrentamos o cupido negro... Eu fiquei enfeitiçado com aquela flecha e... Falei um monte de coisas horríveis pra você...
— Não se preocupe com isso Chat... – disse cautelosa – Já faz muito tempo. Eu sei que você estava sob influência do Cupido Negro. Está tudo bem!
— Não é isso... É que... Eu queria saber como você fez para me libertar do feitiço.
Droga! Porque havia contado do beijo para Chat Noir! A joaninha recriminou-se mentalmente.
— Porque você quer saber sobre isso agora Chat? — Ela perguntou tentando pensar em como responderia aquela pergunta.
— Porque eu... Só... Preciso saber!
O rosto da joaninha começou a esquentar de novo.
— Eu... Meio que... – suspirou. Não adiantava esconder – Eu precisei te dar um beijo.
Lady Bug ficou vermelha quase do mesmo tom que sua máscara.
Chat não podia acreditar! Então era verdade! Plagg sequer havia tido a decência de lhe contar! Era muita ironia, ele havia conseguido a coisa que mais desejava na vida, um beijo da sua lady e não se lembrava!
Diante da intensidade dos olhos felinos, ela se perturbou.
— Não me olhe assim Chat! Foi a única forma que encontrei para te tirar daquela situação
— C-como você pensou nisso...
— Eu... Não me lembro – mentiu — Chat... Desculpe não ter te contado antes, eu até tentei, mas foi tudo muito rápido e já íamos nos transformar... – Ela ouviu o segundo bip do brinco – Viu só? Não temos muito tempo para conversarmos depois das batalhas Chaton.
Ele se aproximou da joaninha rápido como um gato
— Podemos marcar um encontro... É só você me dizer quando e onde Bugboo... Você não gostaria de repetir a dose?
— Repetir a dose? – Ela o olhou. Ele estava perto demais. Colocou as mãos em seu peito na intenção de empurrá-lo, mas ele foi mais rápido e a enlaçou pela cintura. Ela sentiu calor, mas estremeceu com a proximidade sem ter nenhuma força de vontade para desvencilhar-se dele.
— O beijo my lady...
— Chat... – seus olhos estavam presos nas íris verdes – Não posso... Eu... – Os brincos apitaram mais uma vez. Ela conseguiu empurrá-lo – Eu preciso ir Chat! Nós conversamos em outra oportunidade.
— Eu vou cobrar – ele afirmou com a voz rouca
— Adeus Chat! – ela foi embora o mais rápido que conseguiu
Que droga de gato estúpido! Estava acabando com sua sanidade!
***
Fale com o autor