Miraculous - Amor Revelado
34 Não importa quanto tempo, nunca é suficiente
Aquela semana estava se arrastando, pensou Adrien, que antes das oito da manhã já estava de banho tomado e arrumado para mais um dia em que precisava cumprir seus compromissos de trabalho. Aquela era a primeira semana das férias de Natal e o loiro queria aproveitar para descansar e passar mais tempo com a namorada, já que tinham apenas duas semanas antes de retornarem as aulas. Porém estava sendo difícil se encontrarem. Adrien tinha várias sessões de fotos agendadas para as campanhas publicitárias de final de ano. Já estavam praticamente na semana do natal e sua agenda ainda estava cheia. Tudo para alimentar a indústria da moda, o comércio e o consumismo tão explorado naquela época.
Quando não eram os inúmeros compromissos do modelo, era Marinette quem estava atarefada ajudando os pais na padaria. Havia bastante movimento por lá também no final do ano. E eles tinham muito trabalho com as variadas encomendas de panetones, doces e bolos.
Nem mesmo Hawk Moth havia cooperado para que os dois se encontrassem! Nada de akuma naqueles dias. Deve ser o espírito de natal que deixa as pessoas menos irritadiças e menos propensas aos akumas, pensou. Também poderia ser uma nova artimanha do seu inimigo. Será que os poderes dele também estariam sendo aperfeiçoados? Afinal, Governant tinha sido um adversário muito poderoso e dera trabalho aos heróis. Mesmo sabendo que na verdade eles estavam fracos e fora de equilíbrio quando o enfrentaram, Adrien achava que aquela magia que o colocara em coma profundo era um tipo de poder muito além do que já haviam enfrentado antes. O loiro suspirou, preferindo não refletir muito a fundo sobre o assunto naquele momento.
O fato é que já era quinta-feira e Adrien só havia conversado com sua princesa por telefone. Ele evitara fazer visitas a Marinette desde domingo, porque havia prometido se comportar e seria muito difícil cumprir sua promessa indo visitá-la em seu quarto tarde da noite usando-se de seu alter ego. Ainda não confiava muito em si mesmo naquelas circunstâncias, então era melhor não arriscar...
Desceu para tomar café com Plagg já devidamente acomodado em seu casaco. Enquanto se sentava a mesa ficou pensando em como conduziria seu namoro com Marinette. Afinal ele não tinha experiência nenhuma no assunto e muito menos com quem conversar. Nino, seu único amigo, em quem tinha confiança para partilhar algo do gênero sabia pouca coisa além do que ele mesmo já sabia e também estava vivendo aquela nova experiência com Alya. Portanto, Adrien teria que se virar, mas só tinha uma certeza, queria fazer tudo certo com Marinette, ela merecia o melhor namorado do universo e era isso que ele pretendia ser, pelo menos pra ela. Por isso pedira permissão aos pais dela para namorá-la. Não iria começar um relacionamento escondido sabendo do bom convívio que ela tinha com os pais.
Ele era louco por ela e faria tudo para mantê-la do seu lado e feliz. Eles conversavam por horas ao telefone e a cada dia iam se conhecendo mais. E a mesma sintonia que tinham quando estavam transformados nos heróis de Paris, estavam adquirindo em suas formas civis. Conhecer os gostos um do outro, preferências e particularidades era algo fascinante. Aos poucos eles iam descobrindo as coisas que tinham em comum, como estilo musical, lugares preferidos e hobbies. Tinham diferenças é claro, de gostos e opiniões, mas isso só tornava tudo ainda mais interessante.
Ouviu passos se aproximando e seus pensamentos foram interrompidos pela chegada de ninguém mais ninguém menos que seu pai Gabriel Agreste.
— Bom dia Adrien! – ele o cumprimentou e sentou-se a mesa para o café. Adrien não poderia estar mais surpreso. Há quantos dias não via o pai? Quatro, cinco? Não sabia dizer...
— Bom dia pai! – respondeu calmamente antes de bebericar seu café
Gabriel pareceu perceber a surpresa do filho e suspirou com pesar
— Filho... Desculpe-me. Eu sei que andei muito ocupado essa semana com o trabalho. Acabei tendo que participar daquela reunião no domingo e em decorrência disso fiquei a semana toda atarefado.
Adrien ficou ainda mais perplexo com o pedido de desculpas do pai. Geralmente ele não se desculpava por suas faltas, tinha sempre boas justificativas para seus erros.
— Tudo bem pai, acabei não ficando sozinho no domingo.
Adrien pensou em ter visto uma sombra de sorriso no rosto do mais velho.
— Nathalie me disse que você passou a tarde toda na casa dos Dupain-Cheng.
O loiro não pode evitar um leve rubor que cobriu seu rosto
— Pois é. Eu liguei para a Mari e quando falei que iria passar o domingo em casa sozinho ela me convidou para o almoço. Os pais dela me receberam muito bem. Foi uma ótima tarde.
— Que bom. Realmente os Dupain-Cheng são ótimas pessoas – Gabriel havia passado bons momentos com eles no baile e a conversa agradável com os pais da amiga de Adrien tinha conseguido até mesmo distrai-lo de seus problemas.
— Eles são sim... – Adrien concordou. Não sabia se aquele era o momento ideal para falar de seu namoro com Marinette. Ficara tão ansioso em pedir os pais dela para namorá-la que sequer havia pensado em conversar com seu próprio pai antes. Agora ficou pensando que estaria bem encrencado se Gabriel não aprovasse seu namoro com a mestiça.
— Hum... E o que mais?
— Como?
— Não tem mais nada para me dizer Adrien?
— Sobre o que? – O garoto estava se fazendo de desentendido e o pai percebeu.
— Sobre a Marinette quem sabe...
Adrien suspirou. É claro que Nathalie já deveria ter contado alguma coisa para o patrão.
— Bom... O senhor já deve saber que a Marinette é muito importante pra mim. – ele fitou Gabriel nos olhos com o intuito de demonstrar ao mais velho aquilo que estava em seu coração – Na verdade eu a amo pai, e... No domingo eu pedi aos pais dela para namorá-la.
Foi a vez de Gabriel ficar surpreso
— Você está namorando a Marinette? – Os olhos azuis acinzentados dilataram-se um pouco, a xícara de café parou a meio caminho dos lábios finos.
Adrien respirou fundo. Era agora ou nunca
— Eu sei que deveria ter conversado com o senhor antes, mas demorei muito para perceber meus sentimentos pela Mari e quando finalmente nos entendemos eu não quis perder a oportunidade de falar com os pais dela no domingo... Espero que entenda pai e me desculpe.
Após o susto inicial Gabriel sorriu abertamente. Seu filho havia crescido tanto naquele último ano... Ele mostrava-se um rapaz responsável, compromissado, sempre obediente e com bons valores... Lembrava muito a mãe. Na verdade a personalidade de Adrien era idêntica a de Amelie. Havia tanta pureza nele e ao mesmo tempo muita força. Sentiu-se orgulhoso do homem que ele estava se tornando.
— Adrien, você já vai completar dezessete anos daqui a poucos meses e eu vejo como você amadureceu neste último ano. Realmente eu gostaria de ter ficado sabendo antes de você pedir aos pais dela, mas de qualquer forma assumo a culpa por não estar em casa para que você pudesse me contar. Além disso, respeito suas escolhas. Marinette parece ser uma garota fantástica, uma jovem muito doce, inteligente e talentosa. Estou feliz por tê-la escolhido.
Adrien sentiu-se aliviado com as palavras do pai.
— Acho que foi ela quem me escolheu primeiro pai... Ela é incrível sim, o senhor nem imagina quanto.
— Vejo que realmente está apaixonado por ela Adrien. Nathalie havia me dito, mas eu ainda tinha minhas dúvidas, mas agora estou vendo em seus olhos o quanto gosta dessa moça.
O loiro assentiu
— E apesar de eu aprovar seu namoro não abro mão de dar minha benção de maneira formal em um jantar aqui em casa.
— Jantar? Aqui? Com a Marinette?
Gabriel sorriu novamente. A garota nem havia entrado na família direito e já estava melhorando seu humor.
— Mas é claro! Quero jantar com você e com a Marinette no sábado. Combine tudo com ela está bem? – Ele se levantou com a certeza de que não seria contrariado – Agora preciso ir. Sei que você está com a agenda cheia até esta sexta, mas prometo que terá a próxima semana de folga.
Os olhos de Adrien brilharam e um sorriso de pura felicidade estava presente em seus lábios.
— Obrigado pai!
Gabriel apenas assentiu com a cabeça e subiu para o escritório. Adrien consultou o relógio de pulso e viu que ainda tinha alguns minutos. Terminou o café ainda perplexo com toda a conversa atípica que teve com o pai. Escutou a voz de Plagg vindo de seu casaco
— Seu pai está estranho. Será que está doente?
O modelo riu fitando os olhos felinos de Plagg que estava com a cabeça para fora do casaco.
— Não sei Plagg, mas a Mari tinha razão. Com um pouco de paciência e compreensão as coisas podem melhorar.
***
Marinette sorriu ao entregar a embalagem com vários macarrons coloridos ao policial Roger. Aquela semana estava bastante agitada na padaria. Muitas encomendas para as festas de fim de ano. Seus pais ficavam acordados até tarde da noite para dar conta do trabalho e Marinette os auxiliava em tudo que podia. Alya e Nino também haviam aparecido para dar uma força o que deixara Mari muito feliz e agradecida.
Porém com toda aquela agitação ela mal conseguira passar algum tempo com Adrien. Ele também estava cheio de compromissos do trabalho como modelo. Esse era um mundo dele ao qual ela ainda não fazia parte. Só sabia que ele tinha muitas sessões de fotos em estúdio e ao ar livre. Ele praticamente era o modelo principal de toda linha teen da marca Agreste. Não apenas roupas, mas também acessórios e perfumaria. Seu rosto estava estampado em outdoors pela cidade, backbus e outras mídias exteriores, além de várias revistas de moda. Imagina se soubessem que ele é o famoso herói de Paris! Um leve sorriso insinuou-se nos lábios da garota com aquele pensamento.
Ele ligava pra ela todos os dias e a noite ficavam horas conversando ao telefone. Era bom demais ouvir a voz dele, mas não era o suficiente.
Nem mesmo tivera chance de vê-lo em uma batalha porque nenhum akuma aparecera naquela semana também. Hawk Moth estava quieto demais e bem lá no fundo isso preocupava seu coração de heroína. Afastou os pensamentos sombrios quando ouviu o celular tocar. Adrien. O rosto de sorriso tímido apareceu na tela. Marinette amava aquela foto, mas porque ele estaria ligando àquela hora? Não era muito comum...
— Alô gatinho! – atendeu com voz sorridente. Qualquer hora era bom falar com ele.
— Ei princesa, como você está? Estou atrapalhando?
Ele sempre lhe perguntava isso, ela não sabia por que ele ficava com esse receio de incomodá-la. Será que ele ainda não sabia que ela pararia o que quer que estivesse fazendo para atendê-lo?
— Está tudo bem sim e você? Não tinha uma sessão de fotos agora de manhã?
— Sim, estou no estúdio agora — Ela podia ouvir um burburinho de conversa ao fundo – fizemos uma breve pausa e eu estou te ligando porque gostaria de te convidar para almoçar comigo hoje.
— Sério? Eu adoraria...
— Excelente! Vou pedir o gorila para te pegar às onze e meia pode ser?
— Não precisa de ele vir me pegar Adrien. Me passa o endereço que eu vou sozinha.
— De jeito nenhum! – Ela revirou os olhos quando ouviu a voz protetora dele do outro lado da linha. – Eu sei que você está revirando os olhos aí, mas não vou deixá-la vir sozinha. O estúdio é um pouco longe então prefiro que você venha de carro.
— Existe transporte público sabia Agreste?
— Eu sei, e ele é ótimo, mas ainda assim o gorila vai te buscar, será mais rápido e seguro. — Ele fez uma pausa e segundos depois continuou com voz baixa e sedutora - A não ser que você venha com uma ajudinha da Tikki. Adoraria te ver com aquele collant vermelho de bolinhas my ladyprincess!
— Argh, você é impossível sabia – ela falou rindo – está bem, vou esperar o gorila.
— Não sei se fico feliz por concordar comigo ou se fico triste porque não vou te ver de collant
— Desse jeito vou achar que você ama apenas o meu alter ego... – Ela disse
— Você sabe que eu te amo inteiramente chérie... Cada pedacinho seu, por dentro e por fora também. Com ou sem máscara, nunca duvide disso nenhum segundo sequer — Ela ouviu alguém chamar por ele. – Preciso ir Bugboo. Depois terminamos essa conversa. Até mais tarde!
— Até gatinho.
Ela ficou longos minutos sorrindo bobamente para o telefone. Ele realmente a amava não importa se era Lady Bug. Ele amava Marinette e ela sabia disso e ainda se surpreendia com isso.
***
Às onze e meia em ponto o motorista de Adrien chegou para buscá-la. Ela já havia conversado com os pais e estes a liberaram do trabalho da padaria na parte da tarde. Uma recompensa pelo esforço dela em ajudá-los naqueles dias.
Durante todo o trajeto até o estúdio fotográfico, Marinette ficou imaginando como seria. Estava com saudades do namorado, mas começou a ficar nervosa e pensar se era uma boa idéia encontrá-lo no estúdio. Mais uma vez pensou que aquele não era seu mundo. Todo o glamour, câmeras, luzes e flashes a intimidavam. Nem mesmo como Lady Bug ela se sentia a vontade com as câmeras, ao contrário de Adrien que já estava mais que acostumado. Deu uma boa olhada na roupa que havia escolhido com todo cuidado. Saia plissada preta com meia calça da mesma cor e blusa vermelha justa e um casaco preto por cima. Os sapatos eram de salto alto preto. Tikki havia dito que ela estava maravilhosa, parecendo uma modelo capa de revista. Marinette rira da sua pequena kuami, pois se sentia bem longe disso.
Chegaram ao estúdio por volta do meio dia. Era um prédio bonito, com lindas janelas de vidro fumê que brilhavam no sol daquela manhã de inverno. Enquanto o gorila estacionava Marinette entrou na recepção. Uma moça loira de olhos azuis claros estava ao telefone e fez sinal para que Marinette aguardasse. Ao término da ligação ela sorriu e perguntou
— Olá, seja bem vinda. Em que posso ajudar?
Marinette retribuiu o sorriso e respondeu
— Eu estou procurando Adrien Agreste. Sou Marinette Dupain-Cheng.
— Ah sim, muito prazer senhorita Dupain-Cheng, sou Madeline. O senhor Agreste me avisou que você viria. Só um instante.
Ela apertou um botão no telefone
— Pierre, a senhorita Dupain-Cheng está aqui. Tudo bem. Obrigada – Ela desligou e virou-se para Marinette – A senhorita pode subir. O senhor Agreste está no estúdio que fica no terceiro andar.
— Hã... eu não quero atrapalhar... Posso esperar aqui mesmo.
— De forma alguma! Ele pediu para que a senhorita subisse. Não se preocupe, não vai atrapalhar em nada.
— Está bem. Obrigada!
Marinette entrou no elevador vazio e apertou o botão que a levaria ao terceiro andar. Quando as portas se abriram, a garota assustou-se com a movimentação frenética das pessoas, dentre elas modelos, fotógrafos, maquiadores e estilistas. O clima era totalmente diferente da calma recepção. Ninguém ficou olhando para a garota que saía pelas portas do elevador e nem mesmo estranharam a presença dela naquele local, apenas a própria Marinette sentia-se totalmente deslocada naquele ambiente. Seguiu o longo corredor procurando o estúdio em que Adrien estava.
Quando finalmente entrou pela porta de vidro do estúdio fotográfico, deu de cara com uma mulher belíssima de cabelos castanhos e olhos amendoados que estava de saída. Era alta, muito mais alta que Marinette. Ela deu uma boa olhada de alto a baixo na garota de cabelos negros e olhos azuis a sua frente, sua expressão era de surpresa e um pouco de irritação.
— Mas o que você está fazendo aqui?
Marinette ficou parada, olhando para a mulher com total espanto.
Adrien já estava cansado daquela sessão. Geralmente ele conseguia suportar mais tempo de trabalho sem ficar entediado. Algumas vezes até conseguia se divertir, mas aquela semana tinha sido muito cansativa e somado a isso tinha o fato de estar ansioso para ver Marinette.
— Adrien, já estamos terminando. Tente melhorar essas expressões. Você está com uma cara de enfado que não condiz em nada com o produto que vamos anunciar
O modelo suspirou. Abriu a boca para pedir uma pausa quando viu uma movimentação vinda da porta de vidro. Désirée Lamartine, que ficava responsável em preparar as modelos para as fotos havia encontrado Marinette que acabava de entrar no estúdio.
— A sessão de vocês é no primeiro andar e você está atrasada mocinha. Precisa se trocar!
Adrien viu a boca de Marinette abrir e fechar umas duas vezes, no entanto nenhum som saiu. Ela estava totalmente confusa, mas o loiro já havia percebido o mal entendido. Fez sinal para o fotógrafo esperar e foi em direção as duas mulheres com um sorriso nos lábios.
— Desculpe... Isso é um engano... Eu não... – Marinette tentava explicar e Adrien notou a expressão de alivio estampada no rosto da garota quando o viu se aproximar. Precisou conter o riso. Ela estava linda com aquela roupa, elegante, de tirar o fôlego. Não foi a toa que Lamartine a tinha confundido com uma das modelos da agência.
— Désirrée, deixe-me apresentá-las – A morena virou-se para Adrien com a expressão confusa e depois voltou a olhar Marinette – Esta é Marinette Dupain-Cheng. Ela não é modelo, é minha namorada.
Agora foi a vez da mais velha ficar espantada. Porém logo a expressão de espanto foi substituída por uma genuína admiração.
— Oh meu Deus, querida, me desculpe. Muito prazer sou Désirée Lamartine – apertou a mão de Marinette – Mas você é linda. – virou-se para o modelo — Seu pai deveria contratá-la Adrien! Essa moça daria uma modelo perfeita!
Marinette sentiu o rosto esquentar. Droga, belo momento para ficar vermelha como um pimentão.
— Obrigada, mas não levo jeito pra isso não.
Désirée sorriu e tocou-lhe o queixo como se analisasse uma obra de arte.
— Ah querida, com uma beleza como a sua, o jeito é só uma questão de prática.
— Concordo. – Adrien a abraçou pelos ombros e concluiu com orgulho – Mas ela quer ser designer de moda e tem muito talento pra isso.
— Não duvido, mas deixo minha opinião profissional, você seria uma modelo excepcional senhorita Cheng.
— Obrigada. Pode me chamar de Marinette.
Désirée sorriu largamente. Ela conhecia o filho de Gabriel Agreste desde criança e foi sua auxiliar várias vezes no início de sua carreira como modelo. Presenciou várias top models juvenis se lançarem em cima do garoto nos últimos dois anos, claro que sempre havia um interesse por parte das modelos, já que o pai dele era um dos designers mais famosos da França. No entanto Adrien nunca se deslumbrou por nenhuma delas e muitas vezes sequer as enxergava. Ele parecia sempre frio, distante e até um pouco triste, exceto pelos últimos meses quando o loiro parecera mais... feliz. Agora vendo a forma apaixonada com que ele olhava para a garota de cabelos azulados, entendeu o motivo da mudança.
— Finalmente alguém conquistou seu coração não é garoto? Fico Feliz! – Désirée olhou novamente para Marinette e depois virou-se para o fotógrafo que aproveitava a pequena interrupção para ajeitar os equipamentos – Ei Maurice! Vê se tira umas fotos desse casal lindo pelo amor!
O fotógrafo veio cumprimentar Marinette e olhá-la mais de perto. Seu rosto se iluminou quando viu a beleza estonteante da garota.
— Mas que idéia genial Désirée! – Ele falou ainda com os olhos fitos em Marinette, analisando cada detalhe do rosto da garota. Ela sentia-se como um experimento de laboratório. Adrien não cabia em si de tanto orgulho da namorada.
— Eu sempre tenho ótimas idéias meu caro! – Lamartine piscou para o casal — Preciso ir queridos. Foi um prazer Marinette!
A mais velha deixou o estúdio com um sorriso nos lábios.
— Olá minha querida, muito prazer em conhecê-la! – Maurice pegou a mão de Marinette e beijou
Ela sorriu timidamente
— O prazer é meu.
— Então é namorada do senhor Agreste?
Os dois jovens assentiram com rubor na face
— Mas que maravilha! Vamos tirar belas fotos de vocês dois!
Adrien praticamente a arrastou até o local certo onde deveriam se posicionar. Estava se divertindo com toda a situação.
— O-olha acho q-que não é uma b-boa idéia... A-adrien! Adrien! Eu realmente não sei fazer isso. – Marinette resistia enquanto ele a levava pelo curto trajeto até que chegaram no espaço que tinha um fundo verde e vários equipamentos de iluminação.
Ele a tomou nos braços e segurou seu queixo como sempre fazia quando queria lhe falar algo importante.
— Ei princesa, relaxe... São apenas fotos. Vai dar tudo certo. Apenas tente se divertir! – Ele lhe deu aquele sorriso maravilhoso que a fazia concordar com qualquer coisa e antes que pudesse responder os flashes da câmera do fotógrafo já pipocavam diante de si.
— Está bem... Não deve ser tão ruim assim eu acho – ela sorriu timidamente olhando para as lentes da câmera
— Vamos lá mocinha, aumente esse sorriso. – orientou Maurice — Lembre-se de que você é a namorada do senhor Adrien Agreste! Deveria estar rindo de uma orelha à outra.
Marinette precisou se segurar para não revirar os olhos. As pessoas pareciam sempre enxergar Adrien como um bom partido, uma oportunidade de ouro. Parecia que ninguém sabia o quanto ele era gentil, doce, inteligente, sensível, leal e mais um monte de adjetivos que nada tinham a ver com sua conta bancária. Sentiu a boca do modelo encostar-se ao seu ouvido e ouviu a voz sedutora
— Não ligue pra ele. Pense que você namora o gato mais sexy de Paris, além de um herói fantástico! Isso sim fará você rir de uma orelha a outra.
Ela não resistiu. Riu com vontade, jogando a cabeça pra trás enquanto mais flashes os atingiam
— Excelente! Maravilhoso! – O homem com a câmera começou a se animar
Adrien a abraçou por trás e sorriu para mais uma foto. Deu um beijo na bochecha de Marinette fazendo com que ela virasse a cabeça para fitar-lhe os olhos com ternura. Mais flashes disparados
— Perfeito! Continuem assim.
Os dois se perderam no olhar apaixonado. Estavam com tanta saudade um do outro que não conseguiam se desgrudar. Enquanto eram atingidos pelos flashes suas expressões demonstravam claramente amor e paixão, ternura e desejo. O fotógrafo estava ficando cada vez mais satisfeito com aquelas imagens.
Adrien esqueceu-se completamente onde estava assim que fitou as íris azuis de Marinette. Ela estava tão linda, perfumada, quente... Acariciou os cabelos de ébano sentindo-lhes a maciez. Ele só queria beijá-la, nada mais. E foi exatamente o que ele fez. Beijou-a lentamente, carinhosamente, levando o fotógrafo a loucura que disparava mais e mais flashes sem parar.
— Ah isso foi demais garoto! Lindo! – o homem falou aplaudindo assim que o beijo terminou. Marinette queria ficar ali pra sempre, mas lembrou-se de onde estava e corou novamente, totalmente envergonhada com aquela situação. O homem pegou a mão de Marinette e agradeceu
— Obrigado minha querida. Sem você essa sessão teria sido um desastre!
Adrien fingiu-se de ofendido
— Ei, muito obrigado!
Ela riu e Maurice o encarou
— Você estava com uma cara de tédio durante a maior parte das fotos, seu sorriso apenas se iluminou quando esta garota maravilhosa – apontou para Marinette – entrou por aquelas portas. Então devo o sucesso do meu trabalho de hoje a ela!
O loiro deu de ombros
— Tudo bem. Sou obrigado a concordar. Ela trouxe luz para o meu dia cinzento.
Marinette meneou a cabeça, sorrindo para o fotógrafo e depois fitou o namorado
— Dramático!
Ele sorriu e lhe deu um beijo rápido
— Aceita almoçar comigo princesa?
Ela assentiu.
Os dois saíram da agência e foram caminhando até um restaurante próximo. Durante o trajeto Adrien foi parado diversas vezes para distribuir autógrafos. Algumas garotas olhavam para Marinette com simpatia, porém algumas lhe dirigiam olhares de desdém e até inveja. Marinette sustentou o olhar de todas elas com um sorriso nos lábios, mesmo que por dentro estivesse se sentindo insegura.
O restaurante era pequeno, mas muito bonito e aconchegante. Eles escolheram uma mesa mais ao fundo, onde teriam certa privacidade.
— Eu sempre venho almoçar aqui quando estou no estúdio. – Adrien contou – A comida é deliciosa e eles têm um ótimo atendimento.
— O lugar é lindo e a vista é perfeita. — Ela viu uma praça com parquinho onde havia várias crianças brincando.
— Boa tarde senhor Agreste! – Uma garçonete ruiva de olhos verdes apareceu. Aparentava ter uns vinte anos. Sorriu com simpatia para o casal.
— Boa tarde Alícia! – Adrien retribuiu o sorriso
Marinette reparou em como a garota era bonita. Pensou se toda vez que Adrien almoçava ali seria atendido por ela. Tentou afastar o aguilhão do ciúme, não tinha porque ficar pensando sobre isso.
Fizeram os pedidos e logo que a garçonete saiu Adrien pegou a mão de Marinette sobre a mesa. Ele havia notado uma expressão diferente passar pelos olhos da namorada.
— O que foi princesa? Algum problema?
Ela suspirou.
— Desculpe Adrien. É só que... Esse mundo em que você vive é tão diferente do meu. Você chama muita atenção por onde passa e são tantas garotas lindas, modelos, fãs que te cercam. Sei que devo estar parecendo uma boba ficando assim tão insegura, mas... – ela balançou a mão como se quisesse esquecer o assunto — Ainda preciso aprender a lidar com isso.
Ele entendia os sentimentos de Marinette. E temeu que aquela parte de sua vida fosse um empecilho para a felicidade deles. Aquilo era algo que ele não poderia mudar por enquanto. Mas precisava tirar aquelas preocupações da cabecinha de sua princesa.
— Mari, eu te amo e só tenho olhos pra você. Eu convivo com várias garotas nesse meio, modelos de todos os tipos de beleza. Confesso que algumas já se atiraram pra cima de mim, mas nenhuma delas despertou em mim o que só você consegue. Nenhuma garota é como você mon amour! Você é a única que eu quero.
Ele tinha que ser tão romântico? Marinette sorriu, os olhos brilhavam de pura felicidade com as palavras do loiro.
— Eu te amo gatinho.
Os pedidos chegaram e eles começaram a comer. Durante a refeição conversavam sobre assuntos variados e como havia sido aquela semana pra eles. Quando terminaram a refeição Adrien achou o momento oportuno para falar do convite do seu pai.
— Conversei com meu pai hoje. – ela o fitou curiosa e ele prosseguiu – Por algum milagre dos céus ele tomou café comigo e pediu desculpas por estar ocupado esses dias e quase não ter tido tempo para conversarmos.
— Que bom Adrien. Ele está se esforçando...
— Pois é. Eu não estava bravo porque sei que foi uma semana difícil para ele assim como foi pra mim. Mas, enfim, nós conversamos sobre você...
— Sobre mim? – Ela não escondeu a surpresa
— Sim. Nathalie já tinha dito alguma coisa pra ele então... ele meio que já sabia que tínhamos alguma coisa. Eu apenas confirmei que estamos namorando.
— Como é que é? – Ela arregalou os olhos azuis
— O que foi princesa? O que esperava que eu fizesse? Eu já tinha pedido permissão a seus pais. Faltava falar com o meu...
— E-e... O que e-ele disse?
Adrien percebeu a ansiedade dela por sua resposta. Uma idéia surgiu em sua mente
— Ele só disse que iria me deserdar e... – o loiro já estava começando a rir, mas se arrependeu imediatamente da brincadeira quando viu o horror estampado nos olhos azuis – Mari...
Ela respirou fundo e fechou os olhos como se fizesse um esforço para proferir tais palavras
— Adrien, eu não quero ser um impedimento para o bom relacionamento entre você e seu pai. Se ele não me aceita, prefiro terminarmos...
Ele apertou a mão da garota com força sobre a mesa o que a fez abrir os olhos. Aquilo era a cara dela. Sempre se sacrificando pelos outros. Sempre deixando sua própria felicidade em segundo plano. Abnegação. Uma das características mais marcantes de sua princesa.
— Nem pense em uma coisa dessas! Ninguém vai nos separar, nunca! – suspirou – Me desculpe Mari, eu só estava brincando... Meu pai não disse que iria me deserdar. Ele basicamente citou vários adjetivos a sua pessoa como uma garota incrível, inteligente e talentosa e que estava feliz por eu tê-la escolhido.
Ela o fulminou com o olhar
— Você quer me matar Adrien! – O alívio dela foi tanto que ambos começaram a rir – Não faça mais isso!
Ele levantou as mãos pro alto
— Me desculpe princesa, foi idiotice. Bom mas ainda tem mais. Meu pai quer jantar com você no sábado
Marinette quase engasgou com o suco
— O que? Jantar? Com seu pai?
Adrien sorriu, a reação dela tinha sido idêntica a dele.
— Sim chérie, jantar. Ele disse que quer dar sua benção pessoalmente.
— Ai meu Deus!
— Ei está tudo bem, vai dar tudo certo, você vai ver!
Mil coisas passavam pela cabeça da garota. E se ela falasse alguma bobagem ou quebrasse alguma coisa na mansão? E se Gabriel Agreste pensasse que ela não era boa o suficiente para o filho? E se o jantar fosse uma espécie de teste? Que roupa usaria? Como arrumaria o cabelo?
Adrien a olhava e percebia as engrenagens funcionando na cabeça da namorada a todo vapor. Ela estava surtando com a idéia do jantar.
— Mari... confie em mim. Sei que ele é um pouco intimidador, mas — abaixou o tom de voz — você é a heroína de Paris e já enfrentou muitas situações difíceis, perigosos vilões e...
— Nenhum deles era o pai do meu namorado Adrien... É totalmente diferente!
Ele sorriu, ela estava mesmo nervosa e ele compreendia muito bem, pois há poucos dias também ficara assim quando almoçara na casa dela.
— Seja você mesma Mari...
Ela já ia responder que aquilo não funcionava quando se tratava dela, mas foram interrompidos pelo alarme do celular do modelo.
— Droga! Tenho mais uma sessão em quinze minutos. – informou com pesar. Não tinha matado a saudade dela ainda. Desconfiava que mesmo que ficassem horas juntos não seria suficiente. – Preciso ir princesa. Vou pedir o gorila para te levar pra casa.
Ela assentiu um pouco triste porque seu tempo juntos havia acabado. Adrien pagou a conta e a conduziu para fora do restaurante de mãos dadas. Já do lado de fora ficaram esperando o motorista.
— Obrigado por almoçar comigo princesa. Esse tempo juntos foi pouco para matar minha saudade, mas pelo menos o restante do meu dia será menos tedioso quando me lembrar desses momentos com você.
— Ah gatinho – ela o abraçou – Eu também sinto sua falta. É errado desejar que algum akuma apareça só para que possamos lutar juntos?
Ele riu
— Se for, então estamos errando feio my lady, você e eu... – Ele segurou seu rosto com as duas mãos e beijou-lhe os lábios com ternura. Amava aquele gosto, a maciez dos lábios rosados, o perfume de baunilha agora misturado com uma nova fragrância que ele achou que era morango. Inebriante.
Separaram-se apenas com a chegada da limusine. Adrien abriu a porta para que Marinette entrasse. Gorila o deixou no estúdio e levou a garota para casa.
***
Quando Adrien chegou à mansão já era bem tarde. Estava sem fome por ter comido um lanche no estúdio após a sessão de fotos. Foi tomar banho para tentar relaxar. Saiu do banheiro e encontrou Plagg devorando um pedaço de queijo muito maior do que ele. Novidade! Trocou de roupa e sentou-se na beirada da cama. Não estava com nenhuma vontade de dormir, apesar de exausto.
Seus pensamentos foram invadidos pela imagem da sua princesa. Estar com ela no almoço foi maravilhoso, mas não o suficiente para aplacar a saudade que sentira dela durante toda aquela semana. Pensou em ligar, mas estava muito tarde, ela provavelmente estaria dormindo. Ele queria continuar cumprindo sua promessa de ir mais devagar e não ficar fazendo visitas noturnas, porém naquela noite a vontade de vê-la estava queimando dentro de si. Queria apenas olhar pra ela, mesmo que dormindo. Somente admirar o rosto angelical já ajudaria a aplacar aquela urgência em seu coração.
Olhou para Plagg que acabara de comer o queijo e o fitava com os enormes olhos verdes e braços cruzados.
— Faça logo o que você tanto quer garoto.
Adrien arqueou a sobrancelha
— Ué, sem reclamações e sermões sobre a forma errada de usar os poderes?
— Digamos que estou generoso essa noite...
— Sei... E também com muita vontade de ver a Tikki não é? – o loiro deu um sorrisinho zombeteiro
— Não sei do que você está falando... – o kuami fez-se de desentendido
— Quem não te conhece que te compre Plagg! Mostrar as garras!
***
Já era tarde da noite e Marinette estava sentada no divã do seu quarto, as pernas encolhidas, abraçava os próprios joelhos, o olhar perdido na paisagem do lado de fora da janela. Tikki estava sentada em seu ombro e também tinha os pensamentos distantes, compartilhando daquele silêncio incomum com sua portadora.
A garota ficou repassando tudo o que acontecera durante o dia. A visita ao estúdio, o almoço com Adrien e o convite de jantar de Gabriel Agreste. Ela realmente estava preocupada com aquilo. Não podia negar que ela e Adrien vinham de mundos diferentes e não pertenciam a mesma classe social. Ele combinava muito mais com garotas tipo Chloé Bourgeois.
Sem querer Marinette lembrou-se das palavras da loira no dia em que a humilhou no banheiro “Ele é filho de Gabriel Agreste, um dos maiores designers de moda do país! Além de um modelo famoso... Como ele iria se interessar pela filha do padeiro?” Lágrimas inundaram seus olhos, mas a garota recusou-se a derramá-las. Porque estava pensando nisso agora? Ela sabia que Adrien a amava e que para ele pouco importava seu nome ou posição social, mas e o pai dele? Adrien disse que Gabriel gostava dela e havia aprovado o namoro, mas...
— O que foi Mari? Parece que vai chorar a qualquer momento – A voz suave de Tikki soou em seus ouvidos. Por um momento havia esquecido que a pequena estava em seu ombro.
— Estou só pensando Tikki...
— Você está preocupada não é? Sei que tem alguma coisa te afligindo...
— Eu sou uma boba Tikki... – Após alguns instantes, a garota começou a falar ainda com o olhar perdido na paisagem lá fora — Hoje foi um dia bem atípico e eu entrei um pouco mais na vida do Adrien, uma parte glamourosa a qual eu não estava acostumada e que me intimidou um pouco – suspirou – além disso, estou preocupada com o jantar na mansão.
— Mari, pare de se preocupar. O Adrien é completamente apaixonado por você e você sabe que essa parte aparentemente glamourosa da vida dele não é bem a que ele mais gosta. Além disso, ele já conversou com o pai sobre o namoro de vocês... – A kuami flutuou até ficar em frente seu rosto — Afinal do que você tem medo?
Marinette refletiu sobre aquela pergunta e chegou à conclusão de que ela estava com medo de... perdê-lo. Desde que havia enfrentado Volpina, antes mesmo de realmente tê-lo, o maior medo de Marinette era perdê-lo. E havia tantas formas para isso acontecer... A desaprovação do pai era uma delas, mas essa era a menor de suas preocupações...
Ela fora tola achando que poderia protegê-lo do mal que ameaçava Paris na figura de Hawk Moth. Mal sabia que era ele quem sempre a protegia, atirando-se na frente do perigo para salvá-la a cada batalha. Chegava a ser irônico. Ele tinha aquele instinto protetor que era uma das características mais admiráveis nele, mas também a que mais lhe dava medo.
Ah como amava aquele gatinho, como queria estar com ele agora...
Como se a força dos seus pensamentos o tivessem trago até ali, Marinette viu o rosto do loiro mascarado aparecer do lado de fora. Ela demorou alguns segundos para perceber que ele não era fruto da sua imaginação. Levantou-se e abriu a janela, deixando ele entrar. Tikki soltou uma risadinha e flutuou até a mesa do computador. Tinha certeza que as preocupações de Marinette seriam dissipadas, pelo menos por enquanto.
Chat fitou os brilhantes olhos azuis de um modo intenso, fazendo com que todo corpo da garota se aquecesse.
— Não está muito tarde para você estar acordada princesa? – Ela ouviu a voz baixa e rouca
— Ora gatinho, até parece que você queria que eu estivesse dormindo...
Chat a abraçou, mergulhando o nariz na curva do seu pescoço e aspirando o delicioso perfume.
Ele queria apenas vê-la, sem correr o risco de tocá-la e se perder de vez naqueles olhos, naquele sabor, naquele doce perfume, por isso desejara que ela estivesse dormindo... Ou talvez não...
Beijou-a de maneira profunda, deliciando-se com a maciez e doçura daqueles lábios. Separaram-se em busca de fôlego. Chat mordeu-lhe levemente o lábio inferior.
— Só acho estranho uma hora dessas você ainda não estar na cama sonhando comigo princesa...
— Hum... E você também não deveria estar em casa chaton?
— Não conseguia dormir, mesmo estando exausto. Ver você no almoço fez isso comigo.
Ele a beijou novamente, intensamente, estilo Chat Noir! Acariciando seus cabelos e invadindo sua boca com a língua cálida, fazendo-a sentir um leve sabor de menta. Delicioso. Ela sentia tanta saudade dele!
Enquanto se beijavam ele desfez a transformação e quando abriu os olhos ela se viu nos braços de Adrien.
— Olá Plagg! – ela sorriu para o gatinho negro
— Boa noite my lady! – Plagg tascou-lhe um beijo na bochecha. Marinette sabia que ele fazia isso para provocar o loiro. Adrien estreitou os olhos
Marinette riu baixinho
– Tikki, leve o Plagg para comer lá na cozinha, em silêncio.
— Está bem Mari.
Adrien viu a joaninha se aproximar e sorriu
— Olá Tikki, desculpe não tê-la visto antes.
— Claro que esse mal educado não conseguiu te ver nem com a visão noturna Tikki! Quando ele vê a Ladyprincess dele, não vê mais nada mesmo que esteja bem na sua cara!
— Cala a boca Plagg! – Adrien o fuzilou com os olhos
Marinette e Tikki caíram na risada
— Tudo bem Adrien, não tem problema. – a joaninha o tranqüilizou e virou-se para Plagg — Vem gatinho abusado, vamos encontrar queijo pra você
— Abusado? Você também está com ciúmes?
— Cala a boca Plagg!
Eles saíram ainda discutindo
— Você dá muita trela pra esse gato folgado – Adrien bufou
— É porque eu gosto dele. Não precisa ficar enciumado
Adrien deitou-se no divã trazendo-a consigo. Ela sentou-se e ele ficou deitado com a cabeça em seu colo.
— Não estou com ciúmes. Eu sei que sou seu preferido
Ela riu
— Convencido! Mas você é mesmo – começou a acariciar os cabelos dourados. Ela já sabia que ele amava aquele carinho, semelhante a um gatinho manhoso.
— Princesa...
— Hum?
— No que estava pensando quando eu cheguei?
— Em você!
Ele virou a cabeça para encontrar os olhos azuis que o encaravam cheios de amor e carinho
— Não faça isso comigo... Também pensei em você o dia todo sabia? Essa semana foi um tormento pra mim.
— Eu sei, pra mim também. Falar ao telefone não é o bastante. Será que somos normais Adrien?
Ele riu
— Claro que somos mon amour! Somos apaixonados e não conseguimos ficar longe um do outro por muito tempo.
Ela sorriu concordando com ele, porém o loiro era muito perspicaz
— Eu acredito que esteve pensando em mim princesa, mas o que exatamente a estava preocupando?
Ela cessou de acarinhar os cabelos loiros por um instante, fazendo o modelo se remexer em protesto
— Adrien... Você já teve aquela sensação de que as coisas estão boas demais para ser verdade? E que a qualquer momento tudo pode começar a desandar?
— Não pare Mari, por favor – ela sorriu e voltou a acariciar a cabeleira dourada – Respondendo sua pergunta, sim eu já tive essa sensação algumas vezes e isso se chama pessimismo chérie!
— Tomara que seja gatinho. Prefiro pessimismo a... Pressentimento.
— Está preocupada com Hawk Moth? Ele não aparece há algum tempo.
— Verdade... – ela desconversou — Mas acredito que ele tenha ficado com medo da minha ameaça e por isso esteja recuado.
— Como assim?
— No dia em que você... Na nossa última batalha, depois que você foi atingido, eu avancei contra o prefeito Bourgois e o agarrei pela lapela do paletó. Olhei naqueles olhos de fogo tentando achar uma maneira de falar com aquele monstro. Eu disse que se algo acontecesse com você, eu o encontraria e mataria com minhas próprias mãos.
Adrien ficou boquiaberto. Não conseguia imaginar sua doce princesa com tanta raiva e proferindo ameaças de morte.
— Não me olhe assim! – ela pediu enrubescendo. Era difícil admitir sentimentos tão negativos, indignos de uma heroína — Você não tem idéia do pavor que senti ao vê-lo desacordado. Fiquei com muito medo e canalizei todo aquele pavor, transformando-o em uma fúria violenta contra aquele imbecil.
— Eu não a estou julgando mon ange. Mas não posso evitar pensar que você poderia ter ficado igual a mim se Governant tivesse lançado o raio em você quando o agarrou. Não pensou nisso?
— Só depois, na hora realmente não pensei em nada. Apenas voei pra cima dele furiosa, acho que isso o desestabilizou impedindo que ele lançasse aquele maldito poder novamente.
Adrien a abraçou com força
— Sinto muito que tenha passado por tudo isso.
— Eu que sinto por você gatinho. Sei que ainda tem pesadelos por causa daquilo.
— Como sabe?
— Estamos ligados lembra? Eu apenas sinto.
Ele a beijou e voltou a deitar em seu colo
— Acontece apenas algumas vezes, não é todo dia... Principalmente em noites como essa que eu fico com você antes de dormir. São minhas melhores noites, as que eu durmo como um bebê.
Ela arqueou uma sobrancelha
— Isso tudo é para me convencer a deixar você vir aqui todas as noites chaton?
— Pode ser... funcionou?
Ela riu e abaixou-se para beijar-lhe a testa.
— Não, mas uma vez ou outra quem sabe...
— Já é um avanço!
Ela continou acariciando os cabelos de Adrien e ficaram em silêncio até que ela ouviu a respiração regular do namorado. Pensou se poderia fazer alguma coisa para remover aqueles pesadelos utilizando-se de seu novo poder. Depois perguntaria a Tikki. Suspirou e chamou baixinho
— Adrien, você não pode dormir aqui. Meus pais podem aparecer e vai ser complicado explicar porque meu namorado está dormindo no meu quarto.
— Hum... Só mais um pouquinho princesa. Esse carinho é delicioso.
Ela sorriu e ficou olhando a paisagem pela janela. De repente percebeu os flocos brancos que caíam lentamente na noite sem vento. Finalmente a neve havia chegado.
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