Miraculous - Amor Revelado
38 Eu sou dele e ele é meu
Já era tarde quando Adrien chegou com Marinette em casa. Despediram-se com um beijo longo, relutantes em se afastarem um do outro.
— Eu não quero deixar você my ladyprincess.
— Também não quero que você vá embora gatinho.
Uma ideia surgiu na mente do loiro
— Que tal uma patrulha essa noite? Podemos nos encontrar na torre em... — consultou o relógio na tela do celular – meia hora, o que acha?
Marinette o fitou indecisa
— Você sabe que não vai aparecer nenhum akuma hoje depois desse último não é?
Ele sorriu e piscou
— Nunca se sabe joaninha... Hawk Moth anda imprevisível! Além disso, os akumas não são o único motivo para patrulharmos. – ele começou a contar nos dedos – Temos que tentar localizar o esconderijo do nosso inimigo, ajudar a polícia com os crimes comuns que ocorrem na cidade, treinarmos nossas habilidades...
— Sei... Tantos argumentos, tanta persuasão...
— Diz que sim my lady... Por favor!
Ele tinha que fazer aqueles benditos olhinhos de gato abandonado? Droga de efeito Chat Noir!
— Está bem gato bobo. Você me convenceu. Nos encontramos na Torre em trinta minutos.
Ele sorriu largamente e despedindo-se dela com um beijo rápido, entrou no carro que o esperava.
Marinette encontrou seus pais na sala vendo o noticiário. Suspirou ao ver a notícia do akuma que surgira no cinema. Ela havia ligado para os pais enquanto estavam no bistrô avisando que estava tudo bem, mas sua mãe ainda ficara um pouco receosa por ela continuar fora de casa após o ataque.
— Oi filha, como foi o passeio com seus amigos? – Tom perguntou assim que a viu entrar
— Oi mãe, oi pai. Conseguimos salvar a noite apesar do ataque no cinema.
— Seu pai e eu ficamos preocupados querida. Ainda bem que Lady Bug e Chat Noir apareceram mais uma vez!
— Tem razão mãe. Bom, eu vou subir. Boa noite pra vocês e até amanhã! – beijou os pais e subiu a escada em direção ao quarto.
— Ate amanhã querida – ambos responderam também na intenção de se recolherem.
Marinette esperou que todas as luzes de sua casa fossem apagadas. Desceu até a cozinha onde pegou alguns cookies para Tikki. Voltou para o quarto e sorriu para sua kuami que havia acabado de acordar de um longo cochilo.
— Oi dorminhoca!
— Oi Marinette, já amanheceu?
A mestiça riu da cara de sono da joaninha e colocou o prato de cookies na mesa do computador.
— Não, mas já passa da meia noite e nós ainda vamos dar uma saidinha...
— Deixe-me adivinhar... – Disse enquanto voava até a mesa e se servia de um cookie — Chat convenceu você a fazer uma patrulha de última hora?
— Como é que você pode estar sempre certa Tikki? – elas riram e Marinette explicou – Ele usou vários argumentos bastante convincentes e eu realmente preciso conversar com ele sobre Gabriel Agreste lembra?
— Claro, entre outras coisas – A joaninha lançou-lhe um sorriso malicioso
— Você está passando muito tempo com o Plagg sabia?
Elas riram e Marinette admirou o fato da joaninha conseguir ficar mais vermelha do que já era.
Assim que Tikki terminou sua refeição, a mestiça transformou-se e saiu pela sacada indo em direção ao ponto de encontro com Chat.
***
Chat Noir já se encontrava na Torre esperando sua lady chegar. Ficou repassando na mente os acontecimentos daquela tarde. A batalha contra o akuma fora totalmente diferente de todas as outras, não por causa do inimigo, mas por causa deles mesmos. Estavam tensos, extremamente preocupados um com o outro. Não que antes não ficassem, porém agora essa sensação aumentara exponencialmente. Eles teriam que aprender a lidar com a preocupação constante, sem permitir que aquilo interferisse no desempenho e nas estratégias de ataque. Porém uma coisa ele não poderia mudar de maneira alguma. Sempre tentaria proteger a joaninha. Não importa qual preço tivesse que pagar, ele daria sua vida por ela. Se já pensava assim antes, quanto mais agora, mesmo sabendo que ela não aprovava sua atitude.
O importante é que continuavam sintonizados, atentos aos movimentos um do outro, completamente ligados, como deveria ser.
Sua mente o levou de volta aos momentos no bistrô, o que o deixou tenso novamente ao lembrar-se de como ficara enciumado com a atenção masculina que Marinette recebera. Plagg não perdera a oportunidade de provocá-lo enquanto devorava o maldito camembert, dizendo que ele era um ciumento de mão cheia, discursando sobre como o portador do miraculous da destruição deveria controlar as emoções intensas e que o ciúme era uma delas, assim como o ódio, desejo de vingança dentre outras... Quando Plagg estava a fim de falar, caramba! Ele só parou de tagarelar quando foi sugado por seu anel.
Chat refletiu sobre aquela sua faceta que nem ele sabia que existia. Sim, como Nino havia dito muito bem, ele era possessivo... Engraçado que não era apegado a nada material, não dava muita importância ao dinheiro, fama, bens... Eram coisas efêmeras que, apesar de úteis, não tinham muito valor a seus olhos. No entanto, as pessoas tinham muito valor pra ele. Família, amigos e... Marinette. Sua Marinette. Não foi a toa que arrumou aquela baita confusão com o Théo Barbot ou “Copy Cat”. Quando percebeu o interesse do rapaz pela sua lady, tratou logo de insinuar que os dois tinham "algo" além de uma parceria, mesmo que naquela época o sentimento fosse unilateral, quer dizer, ela já amava o Adrien, mas não o Chat. Assim como no dia da exposição de história quando ele se mostrou íntimo de Marinette na frente do Nathanael, deixando o garoto totalmente fora da jogada, por puro ciúme, não tinha como negar! Aquelas atitudes já eram sinais de que ele não aceitaria dividir sua princesa com ninguém. Ela era dele, assim como ele era somente dela.
Seus pensamentos foram interrompidos pelos passos suaves que ouviu atrás de si. Sorriu sabendo que sua lady havia chegado.
— Pensando na vida gatinho? – ela o abraçou pela cintura, recostando a cabeça em suas costas. Ele virou-se mantendo o abraço e fitou os olhos azuis profundos
— Pensando em você, o que é a mesma coisa.
Ela corou. Sempre ficava constrangida e maravilhada com o romantismo que ele lhe demonstrava. Jamais poderia imaginar que despertaria tanto amor nele.
Beijou-o rodeando-lhe o pescoço com seus braços, acariciando os fios dourados suavemente. Sentiu a boca dele se abrir dando passagem para sua língua entrar e deliciar-se com o sabor de menta. Chat aprofundou o beijo fazendo com que os dois gemessem de puro prazer com aquela carícia até que o ar lhes faltou.
Lady Bug respirou profundamente, era tão bom estar com ele, mas ainda precisava pensar em como abordar o assunto sobre o pai dele.
— Precisamos conversar chaton.
Mesmo estando um pouco escuro ele percebeu uma sombra de preocupação no semblante tão amado da sua joaninha.
— Que foi mon amour... Aconteceu alguma coisa?
Ela desvencilhou-se dos braços do loiro e aproximou-se da grade de proteção da torre
— Não necessariamente, mas estive pensando... Você pode me contar como encontrou o livro dos miraculous? Sei que ele estava com seu pai, mas... Como você achou?
— Bom, eu estava saindo para a aula de esgrima e ouvi meu pai discutir com alguém no telefone, um de seus funcionários com certeza. Ele estava no escritório. Então eu me aproximei da porta que estava entreaberta e o vi guardar alguma coisa em um cofre atrás da pintura da minha mãe.
— Um cofre? – a joaninha o interrompeu – Existe um cofre atrás daquele quadro?
— Sim – suspirou – Num impulso eu esperei ele sair e entrei no escritório me aproximando do quadro. Eu o abri e realmente havia um cofre com senha eletrônica. Claro que eu não poderia abrir, mas o Plagg que é um gato bastante curioso atravessou o cofre e o abriu por dentro.
— Gatinho esperto...
Adrien revirou os olhos
— Não diga isso pra aquele convencido, por favor! – ele juntou as mãos implorando, fazendo-a rir – Enfim, havia algumas coisas no cofre, eu não lembro muito bem... Lembro de uma foto da minha mãe, o livro dos miraculous e outro livro, acho que sobre o Tibet...
— Sobre o Tibet? – Aquela informação a deixou em estado de alerta
— Sim, acho que era isso mesmo. Enfim, a única coisa de valor parecia ser uma jóia em forma de pavão. Talvez pertencesse a minha mãe.
— Entendo. E depois daquele dia que ele te perguntou sobre o livro e ficou nervoso... Ele não falou mais nada?
— Estranhamente não. Na verdade ele mudou muito desde então, é quase como se aquilo nunca tivesse acontecido – Adrien ponderou e fitou a joaninha – Mas porque quer saber sobre esses detalhes Bugboo?
Ela ainda não sabia se devia dizer a verdade. Talvez seus temores fossem infundados afinal de contas, mas também não queria mentir pra ele.
— Depois do jantar na sua casa fiquei pensando sobre o quanto seu pai sabe sobre os miraculous e sobre... nós.
Aquilo era uma meia verdade, mas não era mentira. Chat ficou pensativo por alguns instantes, ele já havia parado para pensar sobre aquilo, mas não chegara a nenhuma conclusão.
Suspirou
— Infelizmente não tenho respostas para essas questões my lady. E eu sequer posso tocar no assunto com ele... – Ele focou o olhar no céu noturno — Às vezes eu me arrependo do dia em que coloquei minhas mãos naquele livro...
Ela se aproximou abraçando-o novamente
— Não fique assim chaton. Sou eu quem se arrepende de ter pegado o livro... Na verdade, me arrependo de tudo que fiz naquele dia... Foi a única vez que um akumatizado não ficou agradecido depois de purificado. Lila foi a primeira pessoa a declarar não gostar da Lady Bug. Fui culpada por ela ser vítima de akuma e também por ter colocado sua vida em risco... Se ao menos eu não tivesse ficado com tanto ciúme...
— Ei! – ele levantou o queixo da heroína com carinho, olhando bem no fundo dos seus olhos – Primeiro, Lila é uma mentirosa e manipuladora, cedo ou tarde ela acabaria sendo vítima de Hawk Moth. Segundo, em nenhum momento você colocou minha vida em risco, você tentou me proteger de todas as formas e sei que teria entregado seu miraculous para salvar a minha pele se esse fosse o caso. E por fim... – ele sorriu de canto — me conte mais sobre esse ciúme...
Ela o abraçou sem conter o sorriso
— Gato bobo. É claro que morri de ciúmes quando te vi com ela. Porque acha que a desmascarei na sua frente? Eu peguei pesado com ela porque o bichinho do ciúme já estava virando um monstro enorme dentro de mim!
Chat riu, colocando as duas mãos no rosto da joaninha e murmurou
— Acredite mon amour, eu conheço a sensação. Esse mesmo monstro aparece pra mim quando vejo qualquer idiota olhar pra você...
— Pra mim? Ora por favor, Chat! Você fala como se eu tivesse uma fila de admiradores!
— Ah Bugboo, mas você tem! Tanto como heroína quanto em sua forma civil. Só que eu vou tratar de manter todos bem longe de você! – ele a beijou de modo possessivo, as mãos na nuca da heroína, acariciava os cabelos azulados e a puxava de modo que as bocas estavam coladas no beijo intenso. Logo as línguas estavam entrelaçadas e só se deixaram após um longo momento. Chat ainda mantinha as mãos na nuca da joaninha, os lábios a centímetros de distância. Os olhos azuis como o oceano se mantiveram cativos aos olhos de esmeralda que não deixavam seu rosto – Minha Lady, minha princesa, meu anjo, meu amor! – Chat enfatizava o pronome possessivo deixando claro a quem ela pertencia. E ela sabia que sempre seria assim. Eles pertenciam um ao outro, ela era dele, mas ele também era dela, ele deixou isso claro muitas vezes. Eles eram tão jovens, mas ela sentia que aquele amor, aquela ligação seria para sempre, enquanto vivessem.
Voltaram a se beijar de modo apaixonado até perderem o fôlego novamente.
— Melhor irmos trabalhar um pouco – Lady Bug falou ainda tentando normalizar as batidas do coração.
Chat a olhou malicioso
— Precisando esfriar a cabeça my lady...?
— Haha... Acho que nós dois precisamos chaton!
— Concordo plenamente – a beijou mais uma vez antes de soltá-la – quero correr, mas também queria outra coisa...
— Chat... – ela disse em tom de advertência
— Que foi? Só ia dizer que gostaria de treinar luta com você!
— Como é que é?
— Isso mesmo my lady... Lutar ora, acho que seria bom treinarmos assim de vez em quando
— Hum... Vou pensar.
— Porque não apostamos uma corrida até o Trocadéro?
— Porque é óbvio que eu vou perder!
— Posso te dar alguma vantagem...
— Não adianta Chat. Nem tente me enganar, é impossível vencer você agora que está super veloz! — bufou cruzando os braços, fazendo com que uma ideia brotasse na mente do loiro mascarado.
— Pensando bem, você tem razão. Não tem como me vencer. Nem na corrida e nem na luta!
Ela estreitou os olhos
— Na luta? O que te faz pensar que eu não te venceria em uma luta?
— Só acho. Quer provar que estou errado?
— Pode apostar que sim! — ela empinou o narizinho delicado fazendo Chat se deliciar com a visão de sua joaninha de teimosia irresistível.
— Então depois da corrida, vamos à luta!
— Feito!
Ele sorriu, sentindo-se vitorioso. Ela caíra direitinho. Sua lady gostava de desafios.
Saltaram da torre e começaram a corrida até um dos pontos turísticos mais famosos da cidade, a adrenalina já infiltrando em seus corpos. Aquele cenário era diferente, pois não podiam pular pelos telhados, permanecendo em solo firme onde os obstáculos eram outros. As poucas pessoas que ainda perambulavam pelas ruas se surpreendiam ao ver os heróis em desembalada carreira, dando um show de agilidade para os poucos privilegiados que conseguiam acompanhá-los com os olhos. Eles riam como duas crianças atravessando a Pont d'Iéna, a ponte sobre o rio Sena. Amavam aquela sensação de liberdade, o vento gelado que fustigava-lhes o rosto e o sangue correndo mais rápido pelas veias. Era emocionante, divertido, empolgante. Chat atingiu seu ápice de velocidade e deixou o rastro de luz verde para trás, fazendo a joaninha esforçar-se para pelo menos não chegar tão depois dele em seu destino.
Quando ela chegou à praça do Trocadéro, Chat já havia se dirigido ao Palais de Chaillot. Ela subiu a escadaria, lembrando-se mais uma vez do dia em que enfrentaram Temporizadora e pela primeira vez experimentado a viagem no tempo. Aquilo ainda lhe dava nó no cérebro, pensou com um sorriso.
Chat estava se preparando para começarem a lutar.
— Não vou considerar minha vitória na corrida Bugboo! Tem razão, é muito desleal... — Ele falou de modo condescendente, o que lhe rendeu um soco no ombro vindo da heroína.
— Ai! Não sabia que a luta já tinha começado! — reclamou com um meio sorriso, esfregando o ombro
— Você mereceu. — ela ignorou o olhar de gato abandonado que ele lhe lançou — Tem certeza que é uma boa ideia lutarmos aqui? E se aparecerem curiosos?
— Já está muito tarde my lady, ninguém vai ficar perambulando por aqui a essa hora. Não me diga que está com medo... – Chat a provocou e viu os olhos azuis brilharem. Tudo que ele queria.
Ela se colocou em modo de ataque
— Vamos ver se consigo tirar esse sorrisinho convencido do seu rosto gatinho. Sem armas ok. Apenas embate corpo a corpo.
— Do jeitinho que eu gosto Bugboo – ele murmurou com voz rouca e ela sentiu um arrepio subir-lhe pelas costas, eriçando os pelos da nuca.
Ela avançou contra Chat Noir e iniciaram uma luta que mais parecia um espetáculo de dança com braços e pernas que se digladiavam de forma sincronizada, exalando força e poder de cada célula do corpo dos heróis mascarados.
Ela era boa, Chat tinha que admitir. Muito forte e poderosa. Ele suava para conseguir desviar de seus golpes precisos, mas estava adorando aquilo. Ele precisava descarregar todo aquele sentimento de fúria que estava dentro de si desde que estiveram no bistrô. Somente ela poderia ajudá-lo com aquilo, apenas ela estava no mesmo nível que ele. Chat não precisava reprimir a força e nem suavizar os golpes porque ela aguentava muito bem e rebatia a altura. Ela também não estava aliviando nenhum pouco pra ele. Avançava sem dó, desferindo golpes certeiros e violentos, parecendo também descarregar uma tensão acumulada dentro de si.
A luta entre eles já durava alguns minutos e Lady Bug começava a sentir que havia descarregado a maior parte do seu stress naquele embate. Deveria agradecer a Chat Noir por desafiá-la. Ela precisava liberar a tensão acumulada daqueles dias em que sua mente havia se enchido de dúvidas e preocupações. Estivera a maior parte daquele dia aflita pelo que acontecera no jantar com Gabriel Agreste e ansiosa com a suspeita que rondava seu coração. Mas por ora, poder se ver livre de todo aquele peso era simplesmente uma dádiva.
Lutavam em silêncio, apenas com o som de suas respirações pesadas, ofegantes e só o que se podia ouvir eram pequenos grunhidos diante de um golpe mais violento. Os olhos não se desgrudavam e aquilo era excitante.
De súbito Chat Noir conseguiu derrubá-la e ficar por cima dela, mas não a imobilizou. Ela lembrou-se quase que imediatamente do dia em que enfrentaram o cupido negro. O primeiro beijo deles, ou dela, já que ele não se lembrava. Um sorriso chegou a seus lábios e ela não pensou duas vezes, com as mãos livres, puxou o rosto do mascarado e beijou-lhe os lábios docemente. Sentiu que ele amolecia em seus braços e num movimento rápido ela trocou as posições ficando por cima dele e ao contrário do que ele havia feito, imobilizou-lhe os braços deixando-o fora de combate.
— Isso é golpe baixo joaninha. – ele murmurou com voz rouca. Ela já sabia onde aquilo iria dar. Provocara o felino e agora ele a olhava como uma presa prestes a cair em suas garras.
Ela levantou-se estendendo a mão e o ajudando a levantar-se
— Ora gatinho, você não especificou nenhuma regra, então pensei que era vale tudo. – ela piscou pra ele lançado-lhe aquele sorriso que o fazia enlouquecer
Ele não soltou-lhe a mão e em um movimento rápido a trouxe para seus braços. A adrenalina ainda corria por seu corpo e mais do que isso ela havia lhe despertado um desejo insano de tê-la nos braços e tomar-lhe a boca novamente.
— Você trapaceou mon amour. Vou ter que punir você... – falou bem baixo em seu ouvido fazendo ela se arrepiar de novo
— O-o que... – Ele a beijou desesperadamente, loucamente, profundamente.
Os lábios colados logo se abriram sofregamente para que as línguas se encontrassem. Beijavam-se com volúpia, totalmente entregues aquele momento, sedentos um do outro. Chat levou as mãos até as coxas da heroína e as levantou fazendo com que a mesma enlaçasse sua cintura com as pernas, enquanto ele prensava suas costas de encontro à mureta de proteção.
Lady Bug deixou que um gemido baixo escapasse dos seus lábios. Chat iniciou uma trilha de beijos quentes pelo pescoço da garota enquanto sussurrava com a voz embargada pelo mais puro desejo
— Você tem ideia de como fica maravilhosa nesse collant vermelho e o que ele faz com minha sanidade?
Ele a apertou ainda mais contra seu corpo e a joaninha sentiu exatamente o que ele estava falando.
Ela também não estava muito estável aquela altura. Seu corpo formigava, queimava, clamava pelo dele.
Se não estivessem em local público e transformados, com toda certeza já teriam passado dos limites.
Chat voltou a beijar-lhe os lábios já vermelhos e levemente inchados, mordendo levemente o lábio inferior, um gesto que provocava a libido de ambos. A respiração deles era ofegante e apesar do frio, suor escorria por seus corpos abrasados.
De repente ouviram vozes vindo da praça. Alguns jovens turistas perambulando pelo local e tirando fotos da iluminada Torre Eiffel.
Só então se deram conta de onde estavam e de como estavam. Lady Bug desenroscou-se da cintura do felino, voltando a recostar-se na mureta a fim de controlar as pernas bambas. Chat colocou uma mão de cada lado do corpo da joaninha ficando de frente pra ela. Os olhos verdes vários tons mais escuros que o normal, cheios de desejo contido. Ficaram em silêncio, apenas deixando que aquelas sensações fossem absorvidas, enquanto o grupo de turistas se afastava dali sem notar a presença deles.
Eles se entreolharam e riram baixinho por quase terem sido flagrados naquela situação... no mínimo delicada.
Chat tocou o rosto dela com ternura e a trouxe para seus braços. A tensão e adrenalina começavam a se dissipar e o cansaço vinha com toda força agora para ambos.
— Melhor irmos mon amour. Chega de emoções por hoje.
Ela assentiu, admirando o autocontrole dele. Chat a pegou nos braços levando-a pra casa do mesmo jeito que fizera da última vez. Chegaram à casa da heroína em tempo recorde e ela desligou a transformação. Tikki estava exausta e dormiu quase que instantaneamente em suas mãos.
— Acho que peguei pesado com ela hoje...
Chat olhou enquanto a namorada colocava a pequena joaninha na cama e a cobria com cobertor.
Ela virou-se pra ele com um sorriso preguiçoso e um meio bocejo. Ela ficava linda até mesmo sonolenta. Ele precisava sair daquele quarto antes que fizesse alguma bobagem.
— Preciso ir princesa. Plagg também deve estar exausto e vai me passar um baita sermão – disse com uma careta que a fez rir
— Boa sorte com isso gatinho. Eu vou tomar um banho e me deitar
Ele a abraçou
— Por favor, não me conte detalhes, isso traz imagens um tanto quanto impróprias a minha cabeça
Ela lhe deu um selinho
— Então vá esfriar essa cabeça chaton! Tome um banho frio também!
— Como se isso resolvesse!
Ambos riram e se despediram com mais um beijo apaixonado antes de Chat sair pela janela e sumir na escuridão das ruas de Paris.
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