Em outro lugar do parque, não muito longe dali, estava um vendedor de balões, daqueles decorados com personagens infantis.

A fantasia de palhaço de tecido pesado e colorido estava começando a deixá-lo desconfortável por causa do intenso calor. Passou a mão na testa por baixo do chapéu a fim de limpar o suor. Estava cansado. Havia ficado o dia todo no parque vendendo seus balões, nem ao menos tinha parado para almoçar.

Sentou-se em um dos vários bancos que havia espalhados pelo parque para descansar um pouco. Amarrou os balões em um dos braços do banco a fim de que não saíssem voando. Ainda faltavam muitos para serem vendidos e o dinheiro das vendas era muito importante para o sustento de sua família, pensou preocupado. Mas acreditava que até o final do dia conseguiria vender todos eles, garantindo a alegria da criançada no parque e também de seus filhos e esposa que o aguardavam em casa.

Um grupo de jovens vinha fazendo algazarra após saírem da montanha russa, alguns mexiam com as garotas que passavam por eles e caíam na gargalhada.

“Babacas!”, pensou o vendedor, já se levantando do banco para prosseguir com o trabalho.

— E aí palhaço? Não deveria estar em um circo? – Um dos rapazes tirou-lhe o chapéu da cabeça, jogando-o no chão.

— Fala aí velhinho, faz alguma palhaçada pra gente rir! – gargalhou outro puxando a gravatinha borboleta de sua fantasia.

O idoso vendedor abaixou-se para apanhar o chapéu.

— Me deixem em paz! – Reagiu

— Olha como ele ficou nervoso – um jovem bastante alto se aproximou – não esquenta, já estamos de saída. – Falou puxando com toda força os cordões onde estavam presos os balões, deixando que todos escapassem pelos ares.

— Não! Ora seu... – o pobre senhor tentou alcançar os balões que começaram a subir flutuando livremente, mas foi em vão. – Você está louco? Esse é o meu trabalho e sustento para minha família! – O vendedor muito nervoso gritou com o jovem que havia soltado os balões, mas o cruel rapaz ainda o empurrou derrubando-o no chão e saiu dando risada com os amigos.

O vendedor de balões voltou a se sentar no banco com o chapéu nas mãos. O que iria fazer agora?

No esconderijo de Hawk Moth, a gigantesca janela redonda se abriu

— Ah... Raiva, decepção, tristeza e desejo de vingança! Eu posso sentir. Excelente combustível para meus akumas.

A pequena borboleta branca tornou-se negra em suas mãos.

— Voe meu pequeno akuma e traga essa alma sofrida para o mal.

***

Adrien já estava ansioso para que aquela sessão de fotos terminasse. Queria estar com os amigos e também desejava um pouco mais de tempo com Marinette, para poder explorar aqueles novos sentimentos que haviam aflorado há pouco tempo, enquanto a contemplava no parque.

Seus pensamentos foram interrompidos por gritos que vinham da parte de trás de onde estavam. Adrien virou-se para olhar o que se passava e viu várias pessoas correndo e uma fumaça preta invadia o local. Crianças choravam no colo de suas mães que corriam em desespero.
Ele imediatamente olhou para onde Marinette esteve sentada na última hora, mas ela já não estava mais lá.

Marinette percebeu a movimentação logo que começou a ouvir os gritos. Pulou de um salto do banco e foi para trás da primeira árvore que encontrou. Claro, tinha que ser um akuma! Justo hoje, justo agora!

— TIKKI TRANSFORMAR!

Adrien correu para o meio da multidão, aproveitando-se da distração do segurança. O gorila, como o chamava, sequer conseguiu ver para que lado ele tinha ido. Precisava encontrar um lugar para se transformar. Estava preocupado com seus amigos. “Onde estava Marinette? Como pôde perdê-la de vista em tão pouco tempo?”

Encontrou um carrinho de sorvete que a essa altura já estava abandonado. Apoiou-se atrás dele e olhou para os lados. Não havia ninguém

— PLAGG MOSTRAR AS GARRAS!

Lady Bug encontrou o akumatizado. Um Palhaço com uns três metros de altura, com uma expressão nada engraçada no rosto desfigurado. As bombas estavam penduradas em um cinturão preso no abdômem avantajado. Quando lançadas soltavam uma fumaça negra que fazia as pessoas rirem sem controle até perderem as forças. O parque virou um caos! O som das risadas desesperadas das vítimas era um tormento para seus ouvidos.

— Saiam todos daqui agora! – gritou para os retardatários que ainda estavam perplexos com a figura do palhaço.

Ela viu Nino e Alya que para variar estava com o celular registrando tudo. “Mais que droga Alya!” “Será que não tinha noção?”

Girou o ioiô mágico o mais rápido que podia formando um escudo contra as bombas malignas do Palhaço.
Ainda haviam vários civis sendo atingidos e Lady Bug tentava chegar onde seus amigos estavam para os obrigarem a sair dali. Percebeu pelo canto dos olhos que Nino estava puxando Alya com toda força, mas a garota era dura na queda e estava relutante em deixar o local.

Quando estava quase chegando até eles, Lady Bug viu o palhaço avançar contra seus amigos. Não ia dar tempo de chegar, a bomba já estava indo em direção ao lugar onde estavam, seriam atingidos em cheio!

Chat Noir apareceu bem na hora girando o bastão e rebatendo a bomba para longe.

— Saiam daqui, agora! – Ordenou a Nino e Alya com uma autoridade que Lady Bug sentiu vontade de aplaudir.

Eles saíram correndo sem questionar.

— Como é bom ver você Chat Noir – disse aliviada.

— Você está bem My Lady? – Perguntou com um olhar preocupado.

— Estou sim e com você? – Ela percebeu que havia algo errado com ele, estava nervoso além do normal.

— Sim, tudo bem. O problema é que eu odeio Palhaços! – Respondeu com uma careta.

— Sério? Que bom, porque eu também não sou muito fã, então vamos acabar logo com isso!

Os dois avançaram contra o akumatizado, lutando juntos, atacando e se defendendo.

O Palhaço dava gargalhadas terríveis e vociferava:

— Entregue seus miraculos Lady Bug e Chat Noir, ou eu destruirei todo esse parque e farei muitas palhaçadas das quais vocês não vão rir!

Lady Bug olhou a sua volta. A maioria das pessoas já havia fugido do parque, porém as que foram atingidas pela fumaça das bombas já estavam chegando a um estágio crítico de exaustão. Precisava libertá-las antes que fosse tarde demais!

“Pensa Lady Bug, pensa”

Ela viu o Palhaço avançar em direção a um grupo de garotos que corriam desesperados!

— HAHAHA! O que acham agora de minhas palhaçadas heim meninos? – Sua voz denunciava toda a raiva que sentia dos jovens. Tirou uma bomba do cinturão e com rapidez lançou no grupo sem dar tempo dos heróis impedirem o ataque. Os garotos atingidos começaram a rir descontroladamente até caírem de joelhos no chão.

— Nãaaao! – Lady Bug gritou — Chat Noir, as bombas estão saindo do cinturão!

— Entendi! CATACLISMOOO! – Chat Noir avançou contra o Palhaço e puxou seu cinturão destruindo-o completamente.

— Ahhh seus pirralhos! – Toda sua fúria se voltou contra eles — Vou acabar com vocês e tomar os seus miraculous!

O Palhaço mesmo sem suas bombas ainda era grande e forte. Continuaram a lutar

— Agora não tenho muito tempo my lady – Chat Noir ouviu o primeiro som de alarme do anel

— TALISMÃAAAA! – Lady Bug recebeu uma rede de pesca.

— A que ótimo! Vamos pescar peixe palhaço – ironizou Chat acertando mais um golpe no akumatizado com seu bastão.

— Precisamos derrubá-lo — Lady Bug explicou – com isso. Segure em uma das pontas e corra o mais rápido que puder!

Correram em direção ao Palhaço. A rede de pesca era forte e não arrebentaria como uma corda comum. Quando a rede atingiu os pés dele, a dupla de heróis puxou com toda força, derrubando-o no chão.

— O akuma está no chapéu dele! – informou a joaninha.

Chat Noir pegou o chapéu e lançou para ela que o rasgou em duas partes libertando a borboleta negra.

— Chega de maldade akuma!

O processo de purificação terminou e tudo foi voltando ao normal

— Zerou!

Chat ouviu o terceiro sinal de alarme do anel

— Preciso ir My Lady. – Beijou a mão da joaninha como de costume – Até mais!

— Até mais Chat!

As pessoas começavam a se aglomerar no parque novamente. Lady Bug sabia que seus amigos voltariam para procurá-la. Escondeu-se para voltar a sua forma civil.
Logo que conseguiu sair do parque encontrou-se com Alya, Nino e Adrien.

— Graças a Deus! – Alya correu a seu encontro e a abraçou – Você está bem? Onde estava?

Marinette viu os três pares de olhos que a fitavam avidamente esperando uma resposta

— Eu hã... Ouvi os gritos e comecei a correr e... Me escondi. Só saí depois que percebi que já não havia mais perigo.

— Puxa pelo menos temos uma pessoa sensata nesse grupo – Nino falou olhando para Alya. Pelo visto os dois tinham discutido por causa da teimosia dela em ficar exposta ao perigo.

— Olha aqui Nino, eu sabia exatamente o que estava fazendo ok?

— É sério? Pois não parecia!

— Ei galera, abaixem a bola. Já passou e estamos todos bem – Adrien aplacou a discussão – Mas acho que nosso passeio vai ficar pra outro dia. O gorila já está a minha espera.

— Nós também precisamos ir. Nossos pais devem estar preocupados – concordou Marinette sem esconder o seu pesar. Havia perdido uma grande chance de passar um tempo com Adrien.

— Marinette, eu vou te levar para casa – Adrien resolveu – Nino você leva a Alya?

— Claro! Precisamos mesmo ter uma conversinha no caminho.

Alya estava irritada com o amigo, mas iria concordar em ir com ele porque era a chance de Marinette ficar com Adrien um tempinho sozinha. Seu plano não dera tão errado afinal.

Marinette sequer tinha forças para questionar. Estava cansada da batalha. A batalha que travara por fora com o inimigo e a que estava travando por dentro, consigo mesma. Escorregou para dentro do carro confortável enquanto Adrien falava com o motorista que a deixariam em casa.

Fechou os olhos e recostou no banco de trás do automóvel. Que dia!

***

Adrien sentou-se ao lado de Marinette e a observou enquanto ela estava de olhos fechados. Parecia cansada, mas era compreensível depois de toda aquela confusão no parque. Graças a Deus ela havia conseguido se esconder... O tempo todo em que lutava contra o terrível Palhaço pensava se ela havia conseguido fugir, se estava bem... E se houvesse sido atingida por uma das bombas? Todas essas dúvidas o assolavam e ficou ainda mais preocupado quando viu apenas Alya e Nino do lado de fora do parque. Suspirou voltando a reparar em seu rosto. Ela tinha uma pele suave com pequenas sardas próximas ao nariz que ele não havia percebido antes. A boca era rosada, os lábios estavam úmidos e Adrien teve vontade de beijá-los só para saber se eram tão doces quanto pareciam...

Endireitou-se no banco assustado com o rumo dos seus pensamentos. Ele amava Lady Bug, porque estaria interessado em beijar sua amiga Marinette?
Tentou afastar esses pensamentos de sua mente. Se ela soubesse o que se passava em seu interior provavelmente nunca mais iria querer falar com ele e deixaria de ser sua amiga. Adrien jamais se perdoaria se algo assim acontecesse. Ele continuou contemplando seu rosto, pela sua respiração constatou que ela dormira. Deixou-a descansar durante o curto percurso até sua casa.

Marinette despertou com uma leve carícia no seu rosto. Ao abrir os olhos, encontrou com o belo par de olhos verdes iguais aos do...

— Adrien! — Ela havia se esquecido completamente de onde estava

— Me desculpe por ter te acordado Marinette. – Ele sussurrou — mas nós já chegamos na sua casa.

— Ah s-sim, t-tudo bem! Muito o-obrigada! – agradeceu ao descer do carro.

— Eu que agradeço por ter ido à sessão de fotos – Ele sorriu – Nos vemos amanhã?

— S-sim, c-claro. – Ela sempre se derretia com aquele sorriso – A-até amanhã.

***

Já era noite e Adrien contemplava o luar da janela do seu quarto no segundo andar da mansão Agreste. Depois que chegara em casa, havia ouvido um sermão de seu pai que durara quase uma hora. Gabriel ficara muito alterado quando soube do ataque de akuma no parque. Falou sobre segurança, sobre ser mais cuidadoso, estar sempre perto do gorila e até mesmo ameaçou cancelar as sessões de fotos ao ar livre. Adrien suspirou. Parecia que até o pouco da liberdade que tinha lhe seria tirada por causa do comportamento super protetor de seu pai. Só havia liberdade mesmo quando ele se transformava em Chat Noir! Aí sim poderia dizer e fazer o que bem entendesse!
A boa notícia era que aquela era uma noite de patrulha. Ele e sua parceira saíam pelas ruas de Paris, a fim de vigiar a cidade e também tentar localizar o esconderijo de Hawk Moth. Lady Bug achava que não deveriam apenas ficar esperando o próximo ataque, precisavam aniquilar a maldade para sempre e Chat concordava com ela. Paris nunca estaria totalmente segura enquanto Howk Moth estivesse a solta por aí, distribuindo seus akumas do mal.

— Chegou a hora Plagg! – Adrien chamou pelo kuami que estava na mesa do seu computador terminando de saborear a última fatia de queijo camembert.

— Ah... Precisamos mesmo ir? Já lutamos contra um vilão nesta tarde, merecemos um descanso.

Adrien virou-se para o kuami com um meio sorriso

— Sabe Plagg, às vezes me pergunto se você realmente é o kuami de um dos miraculous mais poderosos da história! Você é muito preguiçoso.

— E você é convencido. Além disso, se tivesse a minha idade garoto, você me entenderia – Plagg respondeu enfiando na boca o resto do queijo – Pronto já terminei.

— PLAGG, MOSTRAR AS GARRAS!

Chat Noir saltava sobre os prédios de Paris com ajuda de seu bastão. Seu destino era a Torre Eifel, ponto de encontro com lady Bug. A patrulha dessa noite seria bastante providencial, já que precisava clarear as idéias. E como um bônus ainda teria a chance de rever pela segunda vez no mesmo dia sua joaninha.

Chegaram juntos na torre.

— Boa noite My lady! – Disse pegando na mão de lady Bug e beijando como de costume.

— Boa noite Chat! – Ela não retirou a mão. Progresso, ele pensou esperançoso.

— Vamos nos separar. Você cobre a parte leste da cidade e eu vou para oeste – instruiu a joaninha

— Certo. Você acionou seu localizador? – Chat Noir a lembrou, já acionando seu bastão.
Ela sorriu.

— Não dá para esquecer. Você sempre faz questão de me lembrar.

— Gosto de saber onde você está – Respondeu aproximando-se bem o seu rosto no dela – Pelo menos enquanto estivermos em... Horário de trabalho.

Ela o empurrou levemente

— Você não existe sabia? – Lançou o ioiô. — Qualquer novidade use o comunicador. Nos vemos em uma hora.

— Com certeza!

Chat Noir começou sua rota. Àquela hora a maioria dos cidadãos parisienses já estava recolhida em suas casas, porém ainda haviam alguns mais animados e turistas de férias perambulando pelas ruas. A noite estava bem tranqüila e iluminada pela lua cheia. Não haveria ataques do mal naquela noite, Paris estava em paz, pelo menos por enquanto. Verificou alguns galpões abandonados e prédios suspeitos, mas não havia sinal de Howk Moth. Já tinha uns seis meses que ele e Lady Bug começaram a procurar pela cidade o possível lugar de onde o vilão liberava seus akumas, mas até o momento não haviam chegado a lugar nenhum. Chat Noir ouviu o som do comunicador. Ao abri-lo visualizou o rosto da joaninha.

— Como estão as coisas Chat? – Ela ofegava um pouco

— Calmas até demais My Lady!

— Entendi, Aqui também. Nos encontramos na torre em dez minutos.

Lady Bug chegou primeiro ao ponto de encontro, no alto da torre Eiffel. Contemplou aquela vista maravilhosa da cidade que amava. Nunca se cansava daquela paisagem. Mas todo aquele esplendor não foi suficiente para impedir que seus pensamentos se tornassem sombrios de repente.
Estava com uma espécie de pressentimento ruim, um temor de que uma força maligna maior estivesse espreitando, esperando, aguardando o momento certo de atacar...

Com essa expressão fechada no rosto que Chat Noir a encontrou

— Espero que essa cara não seja porque demorei um pouquinho – disse apenas para ver se conseguia dissipar aquela nuvem dos olhos dela, mas a conhecia muito bem para saber que não era nada daquilo.

Lady Bug olhou pra ele, mas a expressão de preocupação não desapareceu do seu rosto.

— Não é isso! É que... Estou sentindo algo sabe... Não consigo explicar. – deu de ombros com uma sensação de impotência.

— Eu sei. Você está preocupada porque os ataques de How Moth estão fora do padrão. Às vezes ele fica vários dias sem agir e de repente estamos nós enfrentando inimigos muito poderosos um atrás do outro!

— Sim é verdade. É como se ele estivesse nos testando, fortalecendo ainda mais seus poderes – Ela se sentia frustrada. Chat Noir percebeu pela entonação de sua voz

— Às vezes eu penso que ele está bem debaixo do nosso nariz e não conseguimos enxergá-lo.

— Ei! Não fique assim – Chat falou colocando as mãos em seus ombros — Nós vamos encontrá-lo e acabar com isso, confie em mim! Eu estou com você e sempre vou estar. Vamos vencer esse idiota juntos entendeu?

— Entendi. – Ela sorriu agradecida pelo apoio dele.

— Você teve notícias do Mestre Fu? – Chat Noir quis saber

— Ainda não – ela cruzou os braços quando tirou as mãos de seus ombros – Já vai fazer um mês que ele está analisando o livro

Chat Noir suspirou. O livro que havia tirado do cofre secreto de seu pai e que por um descuido de sua parte havia parado nas mãos de Lila e depois encontrado por Lady Bug. Ele não se orgulhava disso.

— Eu me preocupo porque não sei quais problemas o garoto Adrien Agreste possa estar enfrentando por ter “perdido” o livro.

Chat engoliu seco. Ainda não havia sido questionado pelo pai, mas temia que esse dia chegasse.

— Como o livro foi parar em suas mãos my lady? – Perguntou de uma forma que achou que pareceria despreocupado.

Lady Bug assustou-se com a pergunta, mas achou melhor contar a verdade, ou pelo menos parte dela.

— Foi antes do confronto com a Volpina. Eu te contei que ela estava no parque com o Adrien e eu... Eu fiquei com ciú... com raiva porque ela havia dito mentiras a meu respeito. Então fui tirar satisfações. — Ela curvou levemente a cabeça envergonhada. Não se orgulhava de sua atitude. Continuou — Mas antes de me transformar o meu kuami viu o livro que ela havia jogado na lixeira e me pediu para pegá-lo porque precisava analisá-lo melhor... — Percebeu que Chat Noir virou-se para olhá-la — Depois eu confrontei a Lila e a desmascarei na frente do Adrien. E só para constar, não me orgulho disso. O restante você já sabe.

— Espera aí um pouquinho... Está querendo me dizer que pegou o livro no parque quando estava em sua forma civil?

— Isso mesmo. Por quê?

Chat Noir deu de ombros, mas não pôde deixar de pensar que esteve tão perto de saber quem era na verdade sua lady naquele dia. Se pelo menos tivesse visto quem estava no parque enquanto conversava com Lila... O problema era que ele estava tão ansioso para conversar com a garota a respeito da sua joaninha que não enxergou mais nada a seu redor, nem mesmo que havia perdido o livro de seu pai. Que ironia!

— Por nada. – respondeu — Só que... Você se arriscou my lady.

— Tem razão. Prometi para mim mesma que isso não voltaria a acontecer.

— Espero que mestre Fu nos acione o mais rápido possível, Estou curioso sobre os segredos que podem haver naquele livro. — É para pegá-lo de volta, pensou.

— Eu também – Foram interrompidos pelo sinal de alerta dos brincos da joaninha – Tenho que ir. Nos vemos depois.

— Espere – Chat Noir segurou a mão que já estava pronta para lançar o ioiô. Ele queria dizer que a amava e que faria qualquer coisa para tirar-lhe aquela expressão de preocupação do seu rosto, mas teve medo de ser rejeitado. Aquela não era a melhor noite para se declarar. Preferiu dizer – Boa noite my lady. Tenha bons sonhos. Beijou-lhe a mão.

— Boa noite Gatinho! Você também.

Ele a viu partir mais uma vez, levando uma parte do seu coração com ela.

Ela era seu sonho bom. Mas desejava ardentemente que ele se transformasse em realidade.

***