Miraculous - Amor Revelado

11 A vida cor de rosa - Final


As apresentações começaram. Um verdadeiro show com danças, teatro e poesia. Logo seria a vez de Adrien e Marinette subirem ao palco. Adrien sentiu o nervosismo dela.

— Você está bem Mari?

Ela respirou fundo, mas não adiantou

— Não estou não. Ai meu Deus!

— Ei se acalme – Ele segurou em seus ombros – Nós ensaiamos muito, trabalhamos muito nesse projeto. Não podemos desistir agora. Você canta muito bem, não tem o que temer. Olhe pra mim — Pediu. Quando seus olhos se encontraram, ele prosseguiu — Eu estou nessa com você. Vamos fazer isso juntos!

Ela não sabe por qual motivo a imagem de certo gato preto lhe passou rápido pela cabeça, mas as palavras de Adrien foram o suficiente para fazer sua confiança voltar. Eles fariam aquilo juntos!

Ele viu nos olhos de Marinette o exato momento em que ela teve sua confiança renovada. Sorriu e pegou na mão dela.

E para mais uma belíssima apresentação, interpretando a canção La vie em rose, de um dos maiores nomes da música francesa, Edith Piaff, com vocês nossos alunos Marinette Dupain-Cheng e Adrien Agreste!

Eles subiram de mãos dadas no palco enquanto o público aplaudia eufórico. Adrien a deixou em frente ao pedestal do microfone e sentou-se ao piano. Fez-se total silêncio.

Marinette respirou fundo, fechou os olhos e ao ouvir os acordes da canção ela esqueceu-se de todo o resto.

Começou a cantar com voz suave, sentindo cada nota que Adrien tocava. Em sua mente começaram a vir lembranças dos momentos que passara com ele. Desde aquele primeiro dia de aula, chuvoso, em que Adrien lhe emprestara o guarda chuva... Lembranças ainda tão vívidas em sua mente apaixonada. Os olhares no parque, os ensaios e as longas conversas, a divertida guerra de massa na sua cozinha, cada toque, cada beijo inocente, cada olhar...
E mais uma vez todo aquele sentimento que parecia inundá-la, ela colocou na canção.
Adrien sentiu a mudança na intensidade da música e foi junto com ela. Marinette abriu os olhos, não tinha mais medo, soltou a voz potente e fez o público ir ao delírio.

Quando eles finalizaram a canção, foram aplaudidos de pé. Os alunos mais eufóricos assobiavam e gritavam o nome deles. Marinette olhou para Adrien e sorriu. Haviam conseguido!
Ele saiu do piano e tomou sua mão. Agradeceram ao público como haviam ensaiado, porém ao se erguerem, ele beijou sua mão e disse em seu ouvido:

— Obrigado. – Ela não deixava de surpreendê-lo. Mais uma vez ficara perplexo ao ouvi-la cantar e transbordar sentimentos tão intensos que o faziam perder o fôlego.

Adrien apontou para a entrada do palco e Marinette viu Alya subir com um enorme buquê de rosas cor de rosa que entregou a Marinette. Mais uma explosão de aplausos. Ela não conseguiu conter as lágrimas ao pensar no significado das rosas... A vida em rosa... Com Adrien ela sempre veria a vida assim. Olhou para ele com gratidão e todo amor que sentia estava em seus olhos.

— Você merece... – Ele murmurou completamente vidrado naquele olhar.

Que homenagem linda! Que apresentação maravilhosa! Encerrando com chave de ouro a nossa exposição! Parabéns a todos os alunos que hoje nos proporcionaram momentos de muita emoção.

Eram as palavras do diretor Damocles ao microfone.

— Gostaria de agradecer a presença do nosso querido Prefeito André Borgeois... — Ele prosseguiu enquanto Adrien e Marinette deixavam o palco.

Enquanto o Prefeito fazia um pequeno discurso, Marinette e Adrien foram recepcionados em seu estande pelos pais de Marinette.

Sabine e Tom os abraçaram emocionados.

— Vocês estavam tão lindos! – Sabine não disfarçou as lágrimas que marejavam seus olhos

— Você toca como um pianista profissional Adrien! – Tom elogiou apertando sua mão

Gabriel Agreste se aproximou do grupo e abraçou o filho

— Foi maravilhoso Adrien... Foi como se estivesse ouvindo sua mãe tocar... Me emocionou.

— Obrigado pai! Significa muito pra mim.

— E a senhorita... Que outros talentos tem escondidos? – Gabriel dirigiu-se a Marinette.

Ela sorriu corando

— Não muitos senhor Agreste.

— Parabéns Adrien e Marinette. Vocês também conseguiram me emocionar – Nathalie elogiou com um leve sorriso

— Obrigado Nathalie! – Em um gesto espontâneo Adrien a abraçou deixando a assistente surpresa

— Amiga! – Alya veio correndo com Nino e a abraçou – Vocês a-rra-sa-ram!

— Foi demais – Nino também abraçou Marinette levantando-a no ar

— Cara, você toca muito! – Deu um soco no braço do amigo

— Valeu gente! – Adrien agradeceu sorrindo

— Parece que o resultado de quem ganhou só vai sair na segunda-feira, mas eu não tenho dúvidas que somos os vencedores! – Alya se entusiasmou

Marinette riu

— Veremos Amiga! Veremos.

— Creio que chegou a hora de irmos – Gabriel disse para o filho. Já havia recuperado sua postura imponente e fria – Despeça-se de seus amigos Adrien.

— Hã... Pai eu gostaria de ficar um pouco mais... Com... Meus amigos. O gorila pode voltar para me buscar... Tudo bem?

Depois de alguns segundos que pareceram horas para o jovem, Gabriel aquiesceu

— Tudo bem, pode ficar. Mandarei o motorista de volta, mas não chegue muito tarde em casa. Vamos Nathalie. Boa noite a todos.

— Obrigado pai. Boa noite!

— Marinette, eu e seu pai também já vamos. Amanhã abrimos a padaria cedo.

— Deixe ela ficar com a gente mais um pouco Sra. Cheng – Alya pediu

— Eu a deixarei em casa se não se importarem – Adrien reforçou

Marinette olhou para os pais com olhar suplicante

Sabine sorriu compreensiva e após uma troca de olhares com o marido, sorriu

— Tudo bem filha. Desde que não chegue muita tarde está bem?

— Obrigada mãe! – Marinette abraçou Sabine agradecida porque a mãe havia entendido perfeitamente que ela queria ficar. – Boa noite pai! Leve minhas flores para mim, por favor!

— Claro querida! Boa noite meninos e parabéns a todos pelo belo trabalho!

***

Marinette, Adrien, Alya e Nino haviam acabado de recolher os materiais utilizados no estande. Haviam sobrado alguns profiteroles e eles se deliciavam com o doce, rindo das histórias engraçadas que Nino estava contando:

— Eu não sabia que precisava descascar as batatas ora, achei que era só colocar na água e pronto!

— O pior foi ele ter conseguido deixar as batatas derreterem na água porque não sabia o ponto certo – Alya entregou o amigo rindo sem parar.

Nino fingiu-se de ofendido

— Eu disse que não sabia nem fritar um ovo!

Todos caíram na risada.

— Ei galera, a gente podia ir ao parque aqui do lado, o que acham? A vista é bem mais bonita que a do colégio!

— É verdade Alya! – Nino concordou – E aí Adrien e Marinette vamos?

— Vamos. – Responderam em uníssono

Já era finalzinho de tarde e o sol começava a se pôr no horizonte deixando o céu em tons de vermelho e laranja. Alya tinha razão, a vista do parque era muito linda. Havia uma grama verdinha e árvores em todo o derredor. Marinette já tinha estado ali várias vezes. Lembrou-se de quando tiraram as fotos da turma naquele mesmo local e Adrien havia elogiado sua idéia, como sempre tão gentil. Ele agora caminhava a seu lado em silêncio. Alya e Nino haviam ficado para trás, a fim de comprar crepes em uma barraquinha.

Sentaram-se em um dos vários bancos de praça que ficavam sob as árvores. Um vento mais frio começou a soprar e ela involuntariamente abraçou os próprios ombros. Adrien tirou seu paletó e colocou sobre ela. Marinette sorriu

— O-obrigada.

Estavam sozinhos e Marinette pensou ser a oportunidade de revelar seus sentimentos, mas não conseguia nem mesmo fitar os olhos verdes, quanto mais abrir a boca para falar. Suas mãos tremiam e não era por causa do frio. Ela desviou seu olhar para a fonte que estava bem em frente de onde estavam, iluminada com uma linda luz azul.

Adrien também estava nervoso. Ele não esperava ficar sozinho com Marinette, mas não podia negar que estava adorando passar esse tempo com ela ali no parque. Porém não contava com a avalanche de sentimentos confusos que o assolava. Ele ainda tentava entender o que sentia pela garota de olhos azuis. Ele temia esse sentimento, refletiu. Por um lado ele não sabia como ela se sentia em relação a ele e de outro lado não queria magoá-la. Afinal ele amava Lady Bug, tinha certeza de sua paixão pela heroína de Paris! E acreditava ser impossível amar duas pessoas ao mesmo tempo. Era loucura! Então o que estava acontecendo com ele que toda vez que olhava para sua amiga tinha ímpetos de beijar-lhe os lábios? Por quê? Só tinha uma certeza nesse momento, precisava tê-la em seus braços. A conhecida e intensa necessidade de tocá-la o atormentava desde que haviam descido do palco após a apresentação.

Ele pegou a mão dela.

— Você foi maravilhosa naquele palco sabia...

Marinette fitou os olhos verdes e sentiu o rosto esquentar. Já imaginava como devia estar corada.

— E-eu... hã... G-gentileza s-sua... v-você t-também foi... E... — Respirou fundo para se acalmar — Obrigada pelas rosas, são lindas! Eu adoro flores!

— Foi um prazer – ele respondeu beijando a mão que segurava.

Ela abaixou os olhos e fingiu estar interessada no bordado do vestido.

Adrien lembrou-se do olhar que ela lhe lançou quando havia recebido as rosas e as lágrimas que se formaram nos olhos brilhantes.

— Mari, eu... Preciso... – Adrien pegou em seu queixo e levantou com delicadeza. Fitou os dois oceanos de azul profundo e se afogou neles.

Marinette perdeu o fôlego. Aquilo era demais para sua sanidade. Pensou que morreria ali mesmo diante da intensidade do olhar de esmeralda.

— Adrien... – ela murmurou ainda com os olhos presos nas íris verdes. Todas as células do seu corpo ansiavam pelo toque dos lábios dele.

Como se tivesse lido seus pensamentos Adrien venceu a distância entre seus lábios e a beijou.
Um leve roçar em seus lábios que a fez fechar os olhos e prender a respiração. Aquilo era uma tortura deliciosa, se é que isso poderia existir! Logo depois ele aprofundou o beijo, fazendo-a estremecer. Ele acariciava seu rosto com o polegar enquanto os lábios se exploravam em um beijo longo e intenso.

Marinette se derreteu em seus braços, totalmente entregue aquela carícia. Adrien sentiu o gosto do doce que haviam experimentado momentos antes, mas ainda havia mais doçura naqueles lábios do que em qualquer doce já inventado. Exatamente como ele havia imaginado. Deixou os lábios dela de forma relutante, apenas pelo simples fato de que precisavam respirar... Ficaram alguns segundos apenas se olhando como se não existisse mais ninguém ao redor deles, apenas os dois naquela atmosfera eletrizante que havia se formado.

A poucos metros dali, Alya e Nino estavam perplexos

— Você está vendo o mesmo que eu? – Alya segurou forte o braço do amigo

— Estou e ainda não consigo acreditar! – Ele respondeu surpreso, mas feliz pelos amigos

— Finalmente! – Alya exclamou sem conter a alegria e claro algumas lágrimas emocionadas que encheram seus olhos.

Nino a olhou com ternura

— E o que nós fazemos agora?

Ela o olhou ainda maravilhada

— Vamos sumir daqui, lógico!

Ele riu

— Está bem – Passou o braço pelos ombros da ruiva – E para onde vamos?

— Para casa. Acho que nossa missão de hoje foi cumprida com louvor!

— Você é a melhor Srta. Cupido!

— Eu sei. Você também não é nada mal.

— Sei... vem, te levo em casa.

Eles se foram sem se despedir dos amigos que a essa altura, com certeza haviam se esquecido deles.

***

Marinette estava sem palavras, pensou se tudo aquilo não passava apenas de um sonho e que logo ela acordaria. Na verdade nem mesmo em seus mais lindos sonhos aquele momento tinha sido tão maravilhoso como ela estava vivendo agora.

— Você está bem Mari? – Adrien sussurrou com a voz rouca

— E-estou... eu... só... f-fiquei s-surpresa... eu... – ela suspirou. Não iria conseguir proferir uma palavra coerente naquele momento.

Adrien temeu a reação dela. E se não fosse isso que ela queria? E se por causa daquele beijo ela se afastasse dele? Ele não queria colocar a amizade dos dois em risco?

— Não quero magoar você Mari... – ele disse preocupado.

— Eu... Você... Não me magoou... E-estou bem – Porque ele estava pensando que a magoaria? Havia acabado de lhe conceder a noite mais memorável de sua vida!

Ele se levantou e estendeu-lhe a mão

— Vamos? Já está ficando tarde...

— Sim... Tem razão – Ela anuiu segurando a mão estendida

O Gorila já os esperava próximo dali. Adrien abriu a porta para que ela entrasse e sentou-se a seu lado.

— Vamos deixar Marinette em casa – disse ao motorista

Durante o curto trajeto até a casa dela eles ficaram em silêncio, de mãos dadas, mas inacreditavelmente absortos em seus próprios pensamentos e conjecturas.

Chegaram à casa de Marinette e Adrien desceu do carro, acompanhando-a até a porta.

— Foi uma noite inesquecível Mari...

— F-foi s-sim... — Ela queria falar algo mais, fazer o que seu coração mandava, dizer a ele que o amava, mas ao invés disso apenas agradeceu — Obrigada por me trazer em casa... B-boa n-noite.

Ele não podia ir sem levar com ele o gosto dos lábios dela. Só mais uma vez...
Adrien a beijou com leveza e acariciou os cabelos negros, completamente livres.

— Devia usá-los assim mais vezes...

— O-o que... a... s-sim... Vou pensar nisso – sorriu

— Boa noite Mari. Durma bem

— V-você... t-também.

Ele entrou no carro e se foi.

Marinette entrou em casa ainda com o pensamento longe, tocou os lábios com os próprios dedos e sorriu. Mal podia acreditar que ela e Adrien haviam se beijado.
Avisou os pais de sua chegada e subiu para o quarto. Foi só fechar a porta e Tikki surgiu na sua frente após sair do bolso do vestido.

— Mas o que foi aquilo? Uau! Como se sente Marinette?

— Ai Tikki não sei explicar! – ela rodopiou pelo quarto – Me sinto maravilhosa – riu de si mesma e deitou na cama pegando o diário – Tenho que registrar tudo enquanto está fresco na memória e antes que a Alya comece a me ligar porque eu tenho certeza de que ela e o Nino viram tudo!

***

Da enorme janela de seu quarto Adrien olhava o céu escuro de Paris. Não conseguiria dormir tão cedo! Não parava de pensar nos acontecimentos daquele dia. Tentava racionalizar seus sentimentos, mas era impossível! Ele não conseguia mensurar tudo aquilo... Foi inocente ao cogitar que talvez se saciasse o desejo louco de beijar Marinette fosse suficiente para colocar os sentimentos em ordem, aquietar seu coração... Mas claro que não foi assim! Como pôde pensar que beijá-la uma vez seria suficiente?

— Qual o problema garoto? – Plagg havia acabado de se deliciar com seu camembert e prestava atenção no semblante carregado do loiro.

— Todos Plagg!

— Comece a falar...

— Para que? Você não entende nada sobre o amor!

— Você se surpreenderia meu caro... se soubesse!

Adrien olhou para o kuami ainda desconfiado, mas precisava falar o que estava dentro de si. Deu de ombros e começou a falar:

— Estou confuso Plagg... eu amo a Lady Bug! Tenho certeza disso! Então o que estou sentindo pela Marinette? Ela é minha amiga, mas eu desejo mais do que a amizade dela, tenho uma necessidade insaciável de tocá-la, de estar com ela... Do mesmo jeito que acontece com...

— A Lady Bug?

— Estou ficando maluco...

— Adrien, acorda! Você está apaixonado pela sua melhor amiga, não vê isso? Seu amor pela Lady Bug é totalmente platônico, mas a Marinette está ao seu alcance e parece gostar de você também.

Adrien ainda estava pensando na primeira frase que Plagg havia lhe dito. Estava apaixonado pela Marinette?

— Eu não estou apaixonado pela Marinette, Plagg! Claro que ela é linda, atraente, uma fofa quando fica envergonhada, vou admitir. Ela é doce, meiga e talentosa, não estou negando isso... Mas estar apaixonado? Não pode ser...

Plagg ficou olhando para seu portador com uma cara que dizia: Você está se ouvindo?

O kuami deu de ombros. Não adiantava discutir! Seres humanos eram muito teimosos e complicados.

— Continue mentindo para si mesmo então.

Adrien suspirou. Seria verdade que ele havia sido tão cego quanto ao que sentia pela Marinette?
E ela? Será que também gostava dele? Ou o considerava como amigo apenas?
Apesar do beijo deles ter sido tão sensacional, depois ela havia ficado... Diferente, um pouco surpresa...
Talvez ela estivesse tão confusa quanto ele... E se houvesse outra pessoa na vida dela?
Nem queria cogitar tal possibilidade!

Aquela seria uma longa noite, pensou. Ainda bem que só veria Marinette de novo na escola na segunda-feira. Isso lhe dava tempo de colocar as idéias no lugar. E depois falaria com ela.
Ah sim... eles precisavam muito conversar!

***