Miraculous - A Luz Entre As Trevas
23 Sorvete
Já era domingo a tarde, Adrien estava descendo as escadas para ir se encontrar com a Marinette.
— Vai sair, Adrien? — a voz do Gabriel fez com que o filho parasse no meio do caminho e olhasse em direção a porta do escritório
— Sim, havia avisado a Natalie — Adrien falou olhando-o
— Para onde está indo? — Gabriel perguntou olhando-o seriamente
— Visitar uma amiga — Adrien falou simplesmente
— Essa amiga tem nome? — Gabriel perguntou firme e Adrien respirou fundo
— Marinette — Adrien falou olhando o pai
— Não chegue muito tarde — Gabriel ordenou e entrou no escritório
Adrien não havia entendido o que aconteceu, mas decidiu sair indo em direção a padaria, quando chegou tocou a campainha da casa e pouco tempo depois a Marinette abriu a porta.
— Oi, Adrien. Pode entrar, só tô terminando de arrumar a cozinha — ela falou dando espaço pra ele entrar — Quer beber alguma coisa?
— Aceito um copo d'água, obrigado — Adrien falou e a acompanhou até a cozinha
Ela o serviu e voltou a organizar a louça que estava seca no armário. Ele a observou, ela estava linda. Usava uma calça jeans azul escura, uma blusa vermelha de manga 3/4, sapatilhas brancas, o cabelo tinha as mechas laterais presas atrás da cabeça por uma presilha e a franja caída sobre a testa.
— Tá tudo bem? — Mari perguntou notando o silêncio do Adrien
— Sim, está — ele respondeu desviando o olhar dela antes que ela percebesse — Como tem sido morar sozinha?
— Cansativo — ela respondeu em tom divertido — Tem a padaria, a escola, já comecei a pesquisar inscrições pra fazer os vestibulares pra faculdade.
— Já? — Adrien perguntou olhando-a — Ainda faltam cinco meses pro final do ano letivo.
— Eu sei, mas não quero perder tempo — Marinette falou fechando o armário — Sinto que estou perto de realizar meu sonho, entende?
— Sei como se sente — Adrien respondeu sorrindo — Você é a pessoa mais forte que já conheci.
Marinette apenas desviou o olhar e foi mexer em nos itens da bancada pra disfarçar a surpresa.
— Porque está dizendo isso? — ela perguntou reorganizando a bancada
— Depois de tudo que se passou nos últimos meses, seu pai, sua mãe no Japão, você morar sozinha — Adrien falou olhando-a — Enquanto muitos teriam desistido, você se fortaleceu.
— Tenho bons amigos que me ajudaram com isso — ela respondeu olhando-o e não notou que automaticamente tocou a pulseira em seu pulso, mas não passou despercebido pelo Adrien que sorriu
— Espero ser um deles — Adrien falou sorrindo e ela lembrou de quando o viu beijando a Chloe
— É sim — ela falou disfarçando o desconforto que a memória trouxe
Ela foi até a mesinha de centro, pegando o celular e colocou na bolsinha que estava a Tikki.
— Vamos? — ela perguntou olhando-o e ele assentiu indo colocar o copo na pia
Eles saíram, Marinette trancou a porta da casa e logo em seguida começaram a caminhar.
— Onde quer ir? — Adrien perguntou olhando-a
— Tem uma sorveteria em dois quarteirões — Marinette falou — Pode ser lá?
— Claro — Adrien falou e eles continuaram o caminho
Quando chegaram na sorveteria, eles escolheram uma mesa e sentaram frente a frente, não demorou para serem atendidos, Adrien pediu duas bolas de sorvete de morango, com calda de chocolate em uma casquinha tipo cesta. Marinette escolheu duas bolas de sorvete napolitano, cobertura de morango em uma casquinha tipo cesta. Eles optaram por tomar o sorvete na praça e caminharam até lá, saboreando o sorvete e conversando.
Na mansão Agreste, Gabriel estava lendo alguns documentos da empresa, chamou a Natalie soltando os documentos sobre a mesa e ela se aproximou.
— Se alguém me procurar diga que estou em reunião — Gabriel falou se levantando
— Sim, senhor — Natalie falou olhando-o sumir no elevador da sua passagem secreta. Ao chegar no esconderijo da mansão, Gabriel se transformou em Hawk Moth, não demorou para que ele captasse uma forte emoção ruim e mandou um akuma.
Adrien e Marinette estavam na praça, sentados em um banco na sombra de uma árvore, de frente pra fonte, que estava seca para manutenção.
— Eu realmente estava precisando de um sorvete — Marinette falou começando a comer a casquinha e Adrien riu — O quê?
— Tem sorvete no seu rosto — Adrien falou sorrindo, Mari tentou limpar, mas só espalhou mais — Deixa eu te ajudar.
Adrien pegou o guarda-napo e aproximou do rosto dela, limpando a sujeira.
— Pronto — Adrien falou amassando o guarda-napo sujo.
— Obrigada — Mari falou um pouco mexida com a aproximação
— Mari, eu... — Adrien foi interrompido pelos gritos que surgiram
Automaticamente eles olharam na direção, não viram nenhum akumatizado, apenas um carro indo na direção deles, por puro reflexo, Adrien segurou a mão da Marinette a puxando consigo e correram o suficiente para sair da trajetória do carro.
— Pra fonte — Adrien falou pouco antes do carro atingir o chão
Eles entraram a tempo, Adrien cobriu o corpo da Marinette com o seu, a explosão do carro espalhou estilhaços, algumas peças pequenas caíram dentro da fonte próximo a eles.
— Você tá bem? — Adrien perguntou olhando-a nos olhos
— Estou, obrigada — Mari falou e eles se levantaram — Temos que sair daqui, procurar um lugar seguro.
Eles saíram da fonte e começaram a correr em direção a saída, quando os gritos de medo e desespero ficaram ainda mais alto. O único desejo do Adrien era poder tirar a Marinette dali e deixá-la em segurança, mas naquele momento a única forma dela estar segura era derrotar o akumatizado.
— Espera — Adrien falou segurando a mão dela e eles pararam de correr
— Temos que procurar um lugar seguro, vai ser perigoso ficarmos aqui — Mari falou preocupada
— Eu sei, por isso... — Adrien sentiu seu coração contrair, mas tinha que falar — Temos que nos dividir, duas pessoas correndo chamaria mais atenção do akumatizado.
— Tem certeza? — ela perguntou ao notar um pouco de medo no olhar dele
— Tenho, Ladybug e Chat Noir já devem estar chegando — Adrien falou olhando-a e ela assentiu
— Não fica muito tempo na rua, encontre um lugar e se esconde — Mari falou olhando-o e ele assentiu
— Você também, assim que ele for derrotado, me encontra na Torre Eiffel — Adrien falou firme
— Te vejo lá — Mari falou e começou a se afastar
Logo o som de explosão veio da rua ao lado, Adrien foi para um beco e se transformou, indo em seguida atrás do akumatizado, segundo depois a Ladybug apareceu no telhado vizinho ao dele.
— Algum sinal do Akumatizado? — Ladybug perguntou pulando pro mesmo telhado do Chat
— Ainda não vi — Chat respondeu sem parar a corrida
Logo em seguida, eles viram um poste que foi arremessado por cima das casas em direção a rua da praça. Chat parou de correr olhando na direção que o poste caiu e sentiu um frio percorrer seu corpo.
— Chat, temos que parar esse akumatizado — Ladybug falou olhando-o
Chat resistiu a vontade de voltar e procurar a Marinette, seguindo o caminho da Ladybug.
— Espero que esteja segura, Princesa — Chat murmurou indo em direção ao akumatizado
— Todos vocês irão se arrepender por terem duvidado de mim — o akumatizado falou arrancando o hidratante do chão
O akumatizado tinha trajes de um lutador, a pele era azulada, olhos vermelhos, uma faixa com um brasão, antes que os heróis de Paris pudessem localizar o akuma, o vilão jogou o hidratante da direção de um grupo de pessoas que estavam correndo para sair da rua, rapidamente Ladybug lançou seu ioiô, o prendendo ao hidratante e o arremessou de volta acertando o vilão.
— Eu estava esperando vocês — O akumatizado falou se levantando — Vamos acabar com isso de uma vez, entregue os Miraculous e os deixarei viver.
— Se quer tanto os nossos Miraculous, vem buscar — Chat falou preparando o bastão
— Acham que podem me deter? — ele perguntou segurando um poste e jogou na direção deles que desviaram — Não existe ninguém mais forte do que eu.
— Não precisamos ser mais fortes — Ladybug falou para o Chat ouvir — Só mais espertos.
— Consegue distrai-lo? — Chat perguntou determinado — Ainda tem gente aqui na rua, vou tira-las daqui.
— Enquanto isso, procuro o akuma — Ladybug falou e eles se separaram
Ladybug atacava com o ioiô, enquanto o Chat guiava as pessoas pra fora daquela rua, durante um ataque, o akumatizado segurou o ioiô, puxou a corda jogando a joaninha para o outro lado da rua e ela acertou uma parede a quebrando.
— Ladybug! — Chat gritou correndo na direção da parceira
Ao chegar ela estava saindo dos destroços da parede, um pouco de sangue escorria do canto da boca dela.
— Você está bem, My Lady? — Chat perguntou ajudando-a a sair
— Estou — ela falou limpando o canto da boca — O akuma está no brasão.
— Como vamos pegar, se mal conseguimos chegar perto dele? — Chat Noir perguntou se preparando
— Vamos dar um jeito — Ladybug falou e usou o talismã — Fique preparado para usar o cataclismo.
Eles começaram a atacar, mas o akumatizado se defendia facilmente, Ladybug então pegou o ioiô, prendendo-o no pulso do akumatizado, quando ele puxou o cordão na direção dele, ela de preparou para chuta-lo, mas o akumatizado desviou a perna dela e envolveu o pescoço dela com a mão dificultando a respiração.
— Achou mesmo que poderia vencer em uma luta? — o akumatizado falou com um sorriso maldoso
— Não... só precisava... chegar perto — Ladybug falou e chutou o brasão fazendo-o soltar da faixa
— NÃO — o akumatizado gritou olhando o Chat ativar o cataclismo e destruir o objeto
No momento que a borboleta negra saiu, o akumatizado soltou a Ladybug. Chat Noir foi até a parceira que estava tentando estabilizar a respiração.
— Consegue ficar de pé? — Chat perguntou estendendo a mão e ela aceitou
— Chega de maldade, akuma. Tá na hora de purificar a maldade — Ladybug falou e capturou o akuma — Tchau, tchau borboletinha. Miraculous Ladybug.
As joaninhas desfizeram todo o caos e curou todas os machucados da Ladybug.
— Zerou? — ela falou olhando pro lado, mas eles estava se afastando — Chat?
— Sinto muito, Ladybug, mas preciso ir — Chat falou com pressa — Minha namorada estava na outra rua, quase foi atingida por um carro, preciso ter certeza de que está bem.
— Será arriscado se for falar com ela assim? — Ladybug falou e o brinco apitou
— Não vou falar, só preciso ver se ela tá bem — Chat falou e usou o bastão para se impulsionar pros telhados
— Droga — ela murmurou e lançou seu ioiô para subir nos telhados e ir na direção oposta que levaria para a Torre
Se Chat iria procura-la teria que desfazer a transformação para alimentar o kwami e isso daria a ela uma vantagem. Se ele a viu quase ser atingida, provavelmente sabe para onde ela iria.
Chegou em um beco próximo a Torre e desfez a transformação, colocou a Tikki na bolsa para que a pequena kwami pudesse descansar e saiu em direção a Torre, ela pode ver o vulto preto passando sobre os telhados, mas ele não parecia tê-la notado e se a viu não demonstrou. Ele sumiu entre os telhados e ela seguiu para o ponto de encontro com o Adrien. Ela caminhou olhando pelos telhados esperando algum sinal do Chat Noir, mas ele havia sumido.
— Marinette? — ela ouviu alguém a chamando, se virou e viu o Adrien se aproximar correndo com uma expressão preocupada
— Oi, o quê... — a pergunta morreu no instante que ele a abraçou forte
— Estava tão preocupado com você — ele murmurou sentindo o corpo relaxar
— Tá tudo bem — ela respondeu um pouco surpresa pela atitude dele — Encontrei um lugar pra me esconder.
— Está bem — ele falou desfazendo o abraço, mas se mantendo próximo — Não foi a tarde que esperávamos, não é?
— Não, mas acho que não está perdida — Marinette falou olhando-o
— Alguma sugestão? — ele perguntou sorrindo levemente
— Você se divertiu quando assistiu um filme na minha casa com o pessoal, não foi? — ela perguntou e ele assentiu — Se estiver livre da pra gente assistir um filme hoje.
— Tá perfeito pra mim — ele falou sorrindo — Até porque adoro os croissants da padaria.
— Bom saber que só vai a minha casa pela comida — ela provocou e começou a caminhar
— A comida é um detalhe, vou mesmo pela companhia — Adrien falou acompanhando-a
Nesse instante ela lembro que Chat havia dito algo semelhante, não com essas palavras, mas com esse sentido. Ela automaticamente olhou para os telhados esperando ver o gatinho a observando de algum telhado, mas não o encontrou.
— Está tudo bem? — Adrien perguntou notando que ela olhava para os telhados como se procurasse algo
— Está — ela falou abaixando a cabeça e seguiram o caminho até a casa dela
Mas ao invés de entrarem pela porta principal eles entraram pela padaria, Adrien escolheu alguns croissants, Marinette escolheu um pedaço de torta de morango, quando entraram na casa, Marinette foi para a cozinha preparando um chocolate quente para ambos enquanto Adrien escolhia um filme.
— O que escolheu pra gente assistir? — Marinette perguntou colocando as canecas sobre a mesinha de centro
— Gostei da sinopse desse — Adrien falou e ela olhou a tela da TV
— Passageiros — Marinette falou sentando ao lado dele — Não assisti ainda
— Perfeito — Adrien falou e deu play no filme
Eles pegaram seus respectivos lanches e as bebidas, enquanto o filme começava. Eles faziam alguns comentários durante o filme até que ele terminou.
— Gostei do filme — Mari falou recolhendo as canecas e os pratos — Vou indicar para Rose, ela adora histórias de amor a primeira vista.
— Acredita que é possível se apaixonar por alguém a primeira vista? — Adrien perguntou olhando-a e ela parou para olha-lo
— Não sei, já aconteceu de me apaixonar por alguém que eu mal conhecia, mas não foi a primeira vista — ela respondeu sem olhar e continuou o caminho para a cozinha — E você, acredita em amor à primeira vista?
— Acredito, me apaixonei assim uma vez — Adrien respondeu
— Sério? — ela perguntou olhando-o
— Sim, fiquei por muito tempo gostando dela — Ele falou indo em direção ao balcão da cozinha
— E o que aconteceu? — ela perguntou olhando-o
— Não era correspondido — Adrien falou
— Sei como isso é ruim — Mari falou olhando-o — Sinto muito
— Não sinta — Adrien falou olhando-a — Com o tempo, sem que eu me desse conta, me apaixonei por outra pessoa.
— Fico feliz por você — Mari falou sorrindo — É correspondido?
— É complicado — Adrien falou olhando-a — E você?
— Eu, o quê? — Marinette perguntou fingindo desentendimento
— Disse que se apaixonou por alguém que mal conhecia — Adrien falou olhando-a — Quem ele era?
— Não importa, é passado — Marinette falou guardando as canecas
— Ele deve ser um imbecil por ter deixado uma garota como você escapar — Adrien falou olhando-a e ela teve uma crise de riso
— Essas são suas palavras, não minhas — ela falou tentando controlar a respiração
— Qual foi a graça? — Adrien perguntou confuso
— Nada — ela respondeu sorrindo — Só achei interessante a suas escolhas de palavras
— Tá bem — Adrien falou um pouco confuso e olhou o relógio — Preciso ir, prometi que voltaria cedo
— Tudo bem, te acompanho até a porta — Marinette falou, quando ele estava saindo ela perguntou — Eles desconfiaram de alguma coisa ontem?
— Não, nem imaginam — Adrien falou tranquilamente
— Que bom, fiquei aliviada por não ter se metido em problemas por minha causa — Marinette falou olhando-o
— Obrigado pela tarde, me diverti muito apesar do susto — Adrien falou olhando-a
— Também me diverti — Marinette respondeu sorrindo
Adrien se aproximou e deu um beijo no rosto da Marinette.
— Te vejo na escola amanhã — Adrien falou próximo a ela
— Até amanhã — Mari murmurou olhando-o e ele se afastou
Mari ficou na porta até que Adrien sumiu de vista, só então entrou em casa.
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