POV Autora


Na segunda, Marinette não foi a escola, passou a manhã inteira na padaria com o sócio, ajudando-o no que ele precisasse. Ela mostrou as planilhas de custo, a de estoque, as de vendas e as fichas técnicas de cada produto vendido.

Já o sócio mostrou as planilhas financeiras que era necessário preencher para que ele pudesse acompanhar o progresso da padaria, como esse não era o único investimento dele, ser diariamente presente seria difícil, então como a Marinette já morava no mesmo prédio, ela iria continuar cuidando da padaria, mandando o relatório financeiro como ele havia ensinado e mensalmente eles se reunirão com um contador para fazer uma avaliação detalhada dos lucros e avaliar o crescimento da padaria comparando com os meses anteriores.

Na escola, Adrien estava ansioso para ver a sua princesa, mas ficou preocupado quando o sinal tocou e ela não apareceu. Pensou que a garota poderia ter se atrasado, a aula começou e o garoto não parava de olhar a porta a cada cinco minutos.

— Adrien Agreste? — a professora Bustier chamou, mas a cabeça do garoto estava em outro lugar

Nino cutucou o amigo e indicou a professora.

— Ham? Ah... sim, me desculpe — Adrien falou direcionando a atenção para a professora

— Você está bem? — a professora perguntou olhando-o

— Sim, só... — Adrien falou desviando o olhar pra a porta — Estou com um pouco de dor de cabeça.

— Vá para a enfermaria, será medicado e em poucos minutos estará bem — a Srta Bustier disse e ele assentiu

— Obrigado — Adrien se levantou e seguiu para a enfermaria

Conversou com a enfermeira, que deu um remédio e pediu que ele ficasse de repouso até o intervalo. Quando a senhora virou as costas, Adrien guardou o comprimido no bolso e bebeu a água fingindo ter tomado o remédio, deitou fechando os olhos, até ouvir os passos dela se afastando.

Ele se sentou e pegou o celular do bolso, desbloqueou a tela e cogitou a possibilidade de ligar para a Marinette.

— Vai ligar pra ela? — Plagg perguntou saindo do casaco

— O que eu poderia dizer? — Adrien perguntou olhando-o e suspirou — Ela está bem, se algo ruim tivesse acontecido já estaríamos sabendo.

— E o que vai fazer? — Plagg o olhou

— Esperar — Adrien falou se deitando novamente

— Eu tô com fome — Plagg falou simplesmente e Adrien rolou os olhos pegando um pedaço de queijo no bolso do casaco e entregando ao Kwami

Ele permaneceu deitando olhando o teto da enfermaria, desejando unicamente que a Marinette estivesse bem, próximo ao horário do intervalo, a enfermaria retornou, entregando ao Adrien a declaração de que ele esteve na enfermaria para a professora. Ele saiu, entregou a folha a senhorita Bustier e se sentou no seu lugar.

— Tá melhor, cara? — Nino perguntou assim que a professora ficou de costas para eles

— Tô bem, obrigado — Adrien agradeceu e eles esperando os poucos minutos que faltavam para o intervalo.

Foram para o refeitório, pegaram seus lanches e escolheram uma mesa.

— Você está bem mesmo, Adrien? — Alya perguntou olhando-o

— Sim, o remédio já fez efeito — Adrien respondeu

— Que bom — Alya falou aliviada

— Achei que a Mari chegaria no segundo horário — Nino falou, fazendo Adrien agradecer internamente por ele ter puxado esse assunto — O que será que aconteceu?

— Não sei, mas estou preocupada — Alya falou nervosa — Se a Mari adoeceu, ela está morando sozinha agora.

— Não vamos tirar conclusões precipitadas — Adrien tentou acalmar a Alya e a si mesmo

— Vou ligar pra ela — Alya falou determinada pegou o celular e iniciou uma ligação

Colocou o celular no viva voz e o deixou sobre a mesa para que todos pudesse ouvir.

— Oi, Alya — Mari atendeu normalmente

— Graças a Deus, amiga. Estava preocupada — Alya falou sentindo um alívio ao ouvir a voz da amiga — Porque não veio hoje?

— Desculpa não ter avisado, mas hoje a sociedade da padaria teve início e precisava acompanhar todos os detalhes para passar o relatório pro senhor Richards nos fins de semana. — Marinette respondeu e suspirou — Terei que me adaptar a algumas mudanças, a burocracia na questão administrativa serão um pouco mais rigorosas.

— Então tirou o dia pra aprender — Alya falou simplesmente

— Exatamente, depois pode me passar os assuntos de hoje? — Mari perguntou

— Claro, assim que der eu passo na sua casa pra levar o caderno — Alya falou tranquila

— Obrigada, até mais — Mari falou

— Até mais — Alya desligou a chamada — Estou feliz pela Mari.

— Ela surpreende a cada dia — Nino falou — Admito que não achava que a Mari daria conta de tanta coisa sozinha.

— Estou orgulhoso da pessoa que a Mari está se tornando — Adrien falou tentando não deixar seus sentimentos falarem mais alto.

A conversa entre eles, continuou tranquila, até o momento que o sinal tocou indicando que ele deveriam retornar para a sala e logo as aulas foram retomadas. No horário de saída, Alya recebeu uma ligação da mãe.

— Não vou poder levar meu caderno pra Mari — Alya falou guardando i celular após encerrar a ligação — Minha mãe vai ter que sair agora é vou ficar de babá.

— Eu posso levar, se quiser — Adrien se prontificou, afinal ele só queria uma desculpa para visita a Mari

— Sério? — Alya perguntou estranhando, ele nunca tinha feito algo assim

— Claro, é caminho pra minha casa — Adrien respondeu simplesmente

— Tudo bem — Alya falou entregando o caderno a ele — Diz que ela não precisa ter pressa e amanhã ela me devolve.

— Tá bem — Adrien falou pegando o caderno e logo ouviu uma buzina

Ele foi em direção ao carro, acenou para os amigos e saiu. Falou com o motorista dizendo que precisava levar o material na casa da Marinette e indicou o caminho, prometendo que seria rápido.

Assim que chegou, Adrien desceu do carro e entrou na padaria, ao ouvir o sino da entrada a funcionária olhou na direção da porta e parou totalmente surpresa ao ver o Adrien Agreste no estabelecimento.

— Bom dia — Adrien falou e olhou o relógio que indicava o horário 12h15min — Boa tarde, na verdade.

— B-bo-oa Tar-ar-de — a garota gaguejou nervosa e limpou a garganta — Em que po-posso ajudar?

— Eu gostaria de falar com a Marinette, por favor — Adrien falou normalmente

— C-claro, só um instante — a funcionária da padaria estava se virando para ir em direção ao escritório e Adrien ficou olhando as guloseimas da vitrine

Antes que ela chegasse a porta foi aberta e saindo de lá a Marinette e o sócio que estava indo para o almoço.

— Marinette, tem uma pessoa querendo falar com você — a funcionária falou e Mari olhou para a área da loja e notou o Adrien.

— Obrigada- Marinette falou e foi até ele — Adrien?

— Oi Mari — ele falou desviando o olhar da vitrine de doces para ela — Como você tá?

— Bem... E surpresa pra ser sincera — Ela respondeu o olhando — Achei que a Alya iria trazer o caderno.

— Ela ia, mas a mãe ligou e ela teve que ir pra casa — Adrien falou entregando o caderno — Então trouxe no lugar dela.

— Muita gentileza, Adrien — ela falou pegando o caderno — Obrigada.

— A senhorita não tinha dito que os Agrestes eram clientes da padaria — o sócio se aproximou deles

— Ele geralmente não aparece aqui — Marinette respondeu simplesmente

— Mas meu pai sempre manda a Natalie ou o Gorilla pra comprar aqui — Adrien falou tranquilamente — Sabemos que essa é a melhor padaria da cidade.

— Devo concordar — O senhor Richards falou e estendeu a mão — Há quanto tempo, Adrien? Um ano?

— Nove meses — Adrien corrigiu o cumprimentando

— Se conhecem? — Marinette perguntou surpresa

— Sim, a família Richards são clientes da Agrestes há alguns anos — Adrien falou tranquilamente

— Volto às 14h, Marinette — Oliver falou olhando-a e se virou para o Adrien — Foi bom reve-lo, Adrien.

— Igualmente, senhor Richards — Adrien falou e o Oliver se retirou do estabelecimento

— Mari? — Adrien falou e ela o olhou — Eu...

Antes que ele pudesse dizer algo Gorilla buzinou para que Adrien voltasse.

— Eu tenho que ir — Adrien falou cabisbaixo — A gente se vê amanhã.

— Espera um instante — Mari falou e Adrien parou próximo a porta

Ela foi até a vitrine, pegou uma caixinha de encomenda, colocou alguns docinhos, fechou e foi em direção a ele. Pela distância, Adrien não conseguia ver detalhadamente o que ela fazia, ela foi em direção a ele com a caixinha.

— Como um agradecimento por trazer o caderno — Mari falou abrindo a mochila dele, colocou a caixa e a fechou — Sei que não deixariam você comer isso se vissem.

— Obrigado — Adrien sorriu e saiu da padaria

Ao entrar no carro, Gorilla rapidamente deu partida indo em direção a mansão Agreste, Marinette guardou o caderno da amiga, almoçou e foi adiantar um pouco da copia do assunto que havia perdido. Adrien ao chegar na mansão, colocou a mochila no quarto e foi almoçar, quando terminou retornou ao quarto, o trancou e rapidamente abriu a mochila tirando a caixinha.

Assim que abriu sorriu ao ver meia dúzia de macarrons de maracujá, pegou um e comeu lentamente saboreando o doce.

— Como ela sabia que esses são meus favoritos? — Adrien perguntou a si mesmo

— Você é famoso, deve ter saído em qualquer lugar — Plagg falou dando de ombros e voou até o armário dos queijos — E pelo que disse, ela sempre acompanha o mundo da moda e etc.

— Tem razão — Adrien falou sem ânimo

— O que foi? — Plagg perguntou sem entender

— Por um momento, achei que ela pudesse saber disso por gostar de mim — Adrien falou e soltou um suspiro frustrado

— Ela ser sua amiga, não quer dizer que ela gosta de você? — Plagg perguntou confuso

— Sim, mas... queria que ela gostasse de mim, como gosta do Chat Noir — Adrien falou

— Como ela vai gostar do seu lado Adrien, se o Chat Noir tá sempre perto? — Plagg falou simplesmente enquanto comia o queijo

— Como Chat é a única forma de poder ficar com ela frequentemente — Adrien falou e suspirou — Mas você tem razão, ela nunca vai me notar se só tiver olhos pro Chat Noir.

— Então o que vai fazer? — Plagg questionou terminando de comer o queijo

— Terei que ve-la com menos como Chat Noir, pra ter uma chance como Adrien — ele falou olhando os doces em seu colo

— E o que vai dizer a ela? — Plagg perguntou olhando-o

— Vou pensar em alguma coisa — Adrien respondeu e pegou outro doce

Ele desfrutou de cada um, lembrando dos momentos que passou com a Marinette, do sorriso, dos beijos, dos carinhos, das conversas e de como desejava que aqueles momentos durassem para sempre. E suspirou frustrado por saber que desfrutará menos desses momentos, se levantou, jogou a caixa e se preparou para cumprir a sua agenda do dia.

As horas se passaram e após o jantar, Adrien se transformou e foi em direção a casa da Marinette. A janela da garota já estava aberta, ele se aproximou, viu a Marinette com o cabelo amarrado nas marias Chiquinha que costumava usar e não conteve o sorriso, entrou sem fazer barulho e notou que ela estava concentrada escrevendo em seu próprio caderno.

— Copiando a lição dos outros, que vergonha Marinette — Chat Noir falou encostado na parede e ela se virou para ve-lo

— Não estou copiando a lição — Ela respondeu e voltou a atenção para o caderno enquanto Chat se deitava em seu divã

— Então o que está fazendo? — ele perguntou como se não soubesse a resposta

— Copiando o assunto, não tive como ir a aula — Ela respondeu sem desviar a atenção do que fazia.

— Porque? — Chat perguntou olhando-a

— Tive que ficar na padaria, precisava de adaptar a algumas mudanças — Ela respondeu

— Começou hoje a sociedade? — ele perguntou e ela assentiu — E como foi?

— Acredito que foi tudo bem — Marinette respondeu fechando o caderno

— Não precisa parar, se eu estiver te atrapalhando, posso voltar depois — Chat Noir falou se levantando

— Não se preocupe, já terminei — Marinette respondeu guardando os cadernos na bolsa que leva diariamente para a escola

— Isso significa que a sua atenção agora é minha? — Chat perguntou se aproximando dela

— Totalmente — Mari o abraçou, beijando com carinho

— O que... acha... de um... filme? — Chat perguntou entre os selinhos nos lábios da Marinette.

— Por mim... Pode... ser — Mari respondeu da mesma forma — Mas... você... tem... que... me soltar

— Não... preciso — Chat a abraçou com mais força e usando o bastão os impulsionou para a cama.

Chat Noir aterrissou deitado com a Mari por cima para que não tivesse risco dela se machucar, no momento em que ambos caíram tiveram uma crise de riso.

— Você é louco — Mari falou rindo

— Amo te ver sorrir — Chat Noir falou olhando-a enquanto colocava uma mecha solta atrás da orelha e Mari o beijou.

— Que filme quer assistir? — ela perguntou olhando-o

— Rei Arthur? — Chat perguntou e ela o olhou intrigada

— Uma boa escolha — Ela falou pegando o celular

— Sempre faço boas escolhas — Chat falou enquanto se sentavam e logo ficou sério

— Tá tudo bem? — Marinette perguntou ao notar que ele estava pensativo

— Está, é que... contei sobre você a Ladybug — Chat Noir falou e Mari abaixou o celular prestando atenção no que ele dizia

— Ela se opôs? — Marinette perguntou mesmo sabendo a resposta

— Não, mas disse que mais cedo ou mais tarde diria a você quem está atrás da máscara — Chat falou e suspirou — E sei como isso pode ser perigoso.

— Acha que eu diria quem é? — Mari perguntou preocupada

— Não, princesa — Chat sorriu olhando-a — Mas algum akumatizado poderia te machucar para saber quem sou.

— Está... querendo terminar? — Mari perguntou baixo

— Não, eu... acho que não tô me expressando bem — Chat suspirou e se ajeitou ficando de frente para ela — Estou dizendo que para a sua segurança, talvez eu precise vim te ver com menos frequência.

Ela assentiu voltando a mexer no celular.

— Ei, tenho vindo todos os dias, se algum dia alguém me seguisse e visse para onde venho, você poderia ser atacada e não me perdoaria se algo te acontecesse — Chat Noir falou olhando-a nos olhos — Eu te amo e por isso sua a segurança é a minha prioridade.

— Eu te entendo, não se preocupe — Mari falou com um sorriso triste — Você está certo.

— Mas não pense que não estarei de olho em você, Princesa — Chat Noir falou segurando as mãos dela

— Vai me seguir? — ela perguntou curiosa

— Não, no tempo que usava para ficar com você, irei patrulhar a cidade — Chat falou normalmente — Então mesmo que de longe, te verei todos os dias.

— Está bem — Mari falou e Chat a abraçou

— Quando você volta? — ela perguntou abraçada a ele

— Não sei ainda, mas terei que vim em dias aleatórios — Chat respondeu desfazendo o abraço

— Como vou saber quando vai ser? — Mari perguntou olhando-o e ele sorriu

— Eu te aviso — Chat respondeu sorrindo

— Como? — ela perguntou curiosa e ele deu ar de riso

— Você vai saber — Chat respondeu e ela assentiu — Vai querer assistir o filme?

Ela assentiu se sentando ao lado dele, Chat a abraçou e ele começaram a assistir o filme pelo celular dela