Miraculous - A Luz Entre As Trevas
10 Contrato
POV Marinette
Parece que conquisto um pouco mais o Chat Noir, aquela breve troca de olhares me mostrou isso, ficamos conversando até o momento que olhamos o relógio. Passei tanto tempo focada no Adrien que nunca notei o quanto o Chat é inteligente, talentoso, mas nunca o vi tão concentrado como hoje, enquanto ele lia os papéis sua postura havia mudado, o Chat Noir divertido, convencido e bobo, havia dado lugar a uma pessoa firme, decidida e analista. Ele está me permitindo ver um Chat Noir que ninguém viu, nem mesmo eu quando estava de Ladybug.
— Está ficando tarde — comentei secando o último prato para guardar
— Eu sei — Chat Noir falou, mas parecia um pouco triste
Guardei o prato, coloquei o pano pra secar, me aproximei da escada enquanto Chat apagava a luz da cozinha, comecei a subir a escada sendo seguida por ele. Chegamos ao meu quarto, me aproximei da cama e sentei, Chat fez o mesmo.
— Vou mandar a nova proposta amanhã e mais uma vez obrigada — falei olhando-o
— Não precisa agradecer, princesa — ele falou sorrindo para mim
— Agora é torcer pra dar certo — falei pegando a almofada — Se der certo, vou fazer alguma coisa pra recompensar seus esforços.
— Como o quê? — ele perguntou curioso
— Que tal... um jantar? — falei depois de pensar um pouco
— Você faria o jantar? — ele perguntou, eu assenti e ele sorriu — Então eu aceito. Aguardarei ansioso por isso.
— Vai ser apenas se der certo — falei olhando-o e ele me olhou sorridente
— Acredite, vai dar certo — ele falou me olhando nos olhos e se aproximou de mim
Senti meu coração bater um pouco mais rápido, a medida que ele se aproximava e ele me deu um beijo carinhoso bem no canto da boca, fechei os olhos aproveitando aquele toque e os abri quando o senti se afastar, acabei deixando escapar um sorriso discreto.
— Acho melhor eu ir dormir — falei puxando a coberta, mas ele me deteve
— Deixa que eu faço isso — ele falou se levantando e pegando o cobertor
Ajeitei o travesseiro e me deitei, Chat me cobriu com carinho e sentou ao meu lado fazendo carinho no meu cabelo.
— Boa noite, gatinho — falei fechando os olhos
— Boa noite, Princesa — ele falou e pude sentir o carinho em suas palavras
Não demorou muito para que eu adormecesse sob o carinho do gatinho que de maneira lenta ganhou espaço no meu coração.
POV Adrien
A reação dela ao beijo que deu confirmou, ela também sente algo por mim e irei lutar para conquista-la como Adrien. Depois que ela deitou, em poucos minutos ela adormeceu. Me levantei com cuidado para não acorda-la, fui até a mesa pegando um papel em branco escrevi um bilhete, deixei no criado mudo ao lado da cama dela e sai pela claraboia.
Segui correndo pelos telhados indo para minha casa, entrei pela janela e a fechei.
— Esconder garras — falei me aproximando do armário que guardo o queijo do Plagg — Aqui está.
Coloquei o queijo na mesa e fui em direção ao banheiro por uma roupa confortável para ir dormir. Deitei na cama, lembrei novamente da reação da Mari e sorri. Passei quatro anos tentando conquistar a Ladybug, mas não consegui. A Ladybug sempre será a My Lady, meu primeiro amor, minha parceira, minha amiga, mas nunca tive com ela o que hoje estou desfrutando, reciprocidade, sinto que a Mari corresponde aos meus sentimentos, mas será que é na mesma intensidade?
Aos poucos irei descobrir, agora é só esperar o resultado da contra-proposta. Ouvi o som dos roncos do Plagg no travesseiro ao lado, me acomodei, fechei os olhos e fui dormir com a lembrança dos olhos azuis e o sorriso que não saem mais da minha mente e pra ser sincero, não quero que saia.
POV Autora
Na Manhã Seguinte
Marinette acordou com o despertador, se sentia um pouco cansada devido ao horário que foi dormir, mas ao mesmo tempo feliz por estar conquistando o seu gatinho. Quando foi se levantar da cama para se arrumar viu o papel.
"Bom dia, My Princess!
Espero que tenha conseguido descansar e que tenha tido bons sonhos, tenho certeza que eu terei.
Deixe a claraboia aberta.
Nos vemos em breve!"
Marinette sorriu ao ler o bilhete e o guardou na caixa do diário. Foi até a cozinha preparou a cafeteira e a ligou, pegou alguns cookies e voltou para o quarto, pós os cookies próximo a Tikki, que acordou assim que a portadora colocou os cookies no quartinho dela.
— Bom dia, Mari — Tikki falou sonolenta
— Bom dia, Tikki — Marinette respondeu sorrindo — Parece cansada.
— Tive que ficar escondida na cozinha até o Chat Noir ir embora — Tikki respondeu olhando a dona
— Desculpa, Tikki — Marinette falou olhando-a — Não deveria ter segurado o Chat aqui por tanto tempo.
— Tudo bem, você parece bastante animada — ela comentou e fazendo Mari sorrir — O que aconteceu?
— Vou me arrumar e te conto durante o café, pode ser? — a portadora perguntou e ela assentiu
Marinette pegou a roupa e foi se arrumar enquanto a kwami comia os cookies.
Na mansão Agreste, Adrien já estava terminando de se arrumar e entregou o queijo pra Plagg.
— Parece feliz — Plagg comentou comendo
— Realmente estou — Adrien respondeu sorrindo
— Isso tem a ver com uma certa mestiça que anda visitando? — ele perguntou fazendo Adrien sorri apenas com a menção a Marinette
— Talvez — Adrien falou, mas Plagg sabia a verdade
Adrien terminou de se arrumar, se olhou no espelho e acabou sorrindo, desde o desaparecimento da mãe, Adrien não se sentia tão feliz. Assim que Plagg terminou de comer foi se esconder na roupa do portador antes dele sair do quarto. Natalie que já estava na sala de jantar viu o Adrien descendo as escadas.
— Bom dia, Adrien — ela falou assim que ele se aproximou
— Bom dia, Natalie — Adrien respondeu sem conseguir esconder a animação
— Parece bastante animado — Natalie comentou e ele sorriu
— Eu estou... leve — Adrien respondeu se sentando — É um alívio saber que não tenho mais mil e uma coisas para dar conta depois da escola
— Mas ainda tem algumas responsabilidades — Natalie falou e entregou o tablet com os horários
Esta tarde ele teria uma reunião com o pai na empresa para discutir a proposta de Marketing para a próxima coleção voltada para o público jovem. Adrien assentiu devolvendo o tablet, o café foi servido, Adrien fez sua refeição e foi para a escola. Como de costume Alya e Nino já estavam lá, olhou rapidamente em volta e nem sinal da pessoa que ele realmente queria ver. Ele suspirou levemente e fechou a porta do carro de aproximando dos amigos.
POV Adrien
— Bom dia — falei e eles me olharam
— Bom dia, Adrien — Alya respondeu
— E aí, cara? — Nino cumprimentou como sempre — Parece animado
— Tive uma excelente noite de sono — falei sem conseguir conter o sorriso
— Parece que foi mais que uma boa noite de sono, não é, Adrien? — Alya perguntou curiosa
— Eu só dormir bem, Alya — insisti e ela sorriu
— Não é o que esse brilho nos seus olhos dizem e esse sorriso muito menos — Alya falou cruzando os braços — Anda, me fala, qual o nome dela?
— Vamos parar por aqui — Nino interferiu abraçando a namorada — Ele já disse que foi uma boa noite de sono e se realmente alguém conquistou o coração dele, ele vai falar pra gente quando for o momento certo.
— Só espero não ter que saber disso pelas revistas de fofoca — Alya falou nos fazendo rir — Mas só uma pergunta.
— Alya — Nino repreendeu levemente a namorada
— Tudo bem, Nino — falei olhando-o e desviei meu olhar pra Alya — Qual a pergunta?
— Tá gostando de alguém? — ela perguntou e levei a mão ao pescoço
— Talvez — respondi e ela sorriu comemorando
— Eu sabia — ela falou empolgada — A gente conhece?
— Você falou que ia ser uma pergunta — falei dando um passo como se fosse entrar na escola e ela me deteve
— Só mais essa — ela pediu e neguei com a cabeça — Por favor!
— Vamos fazer assim, quando der certo, vocês dois serão os primeiros a saber — falei e ela revirou os olhos
— Segunda pessoa que fala isso pra mim em menos de uma semana — ela falou e suspirou em frustração — Odeio ficar na curiosidade.
Antes que eu dissesse algo, vi a Marinette se aproximando da escada em frente a escola, ela parecia concentrada digitando no celular.
— Olha só quem chegou — Nino falou fazendo a Alya olhar a amiga
— Achei que tinha voltado ao hábito de chegar atrasada — Alya brincou, mas Marinette não ligou e nem desviou o olhar do aparelho — Tá tudo bem?
— Só um minuto — Mari pediu e parou de digitar, ela parecia ler com atenção o que havia escrito, clicou em na tela e guardou o celular — Desculpa. Bom dia
— Tá tudo bem, amiga? — Alya perguntou preocupada e Marinette sorriu
— Tá tudo bem, é só um assunto da padaria que estava resolvendo — ela respondeu
Provavelmente era a proposta que ela estava enviando.
— Algum problema? — perguntei e ela negou com a cabeça
— Uma oportunidade, mas não quero falar disso agora — ela falou nos olhando — Vamos?
Ela falou e fomos para a sala, por mais que ela estivesse prestando atenção na aula, ela parecia se desligar da realidade em alguns momentos. Ela estava preocupada com o negócio, como eu queria poder conforta-la, falar que ia dar certo enquanto a sentiria se acalmar em meus braços. Tentei desviar minha mente desses pensamentos e prestar atenção na aula.
Quando o sinal tocou informando que o intervalo havia iniciado, nos levantamos e saímos da sala.
— Mari, você tá bem? — Nino perguntou olhando-a — Parece um pouco desligada.
— Tô bem, só tô com a cabeça em outro lugar — ela falou olhando-o
— Em outro lugar ou em outro alguém? — Alya perguntou em tom provocativo e a Marinette sorriu, o mesmo sorriso que ela dá ao me ver como Chat Noir
— Em outro lugar, Alya — ela respondeu rindo — Só você pra fazer rir agora.
— Não fiz nada, mas acho que essa felicidade é por causa daquele assunto — Alya falou olhando-a
Será que a Marinette havia dito algo sobre ela e o Chat Noir? Não, ela não é assim. Mas o que será que ela contou? Antes que eu pudesse falar algo o celular da Marinette tocou, ela olhou a tela e parou de caminhar.
— Eu preciso atender, nos vemos daqui a pouco — ela falou se afastando indo em direção ao corredor vazio
Andamos um pouco, mas minha curiosidade estava grande.
— Preciso ir ao banheiro, no vemos depois — falei indo em direção ao corredor que a Marinette foi, havia um banheiro por ali.
Entrei no corredor e não a vi, andei mais pouco e a encontrei de costas, apoiada na janela, ouvi mais uma vez o toque do celular, ela ainda não havia atendido.
— Vamos, princesa. Você consegue — sussurrei baixo de onde eu estava ela não ouviria
Notei que ela respirou fundo, atendeu e prestei atenção nas falas dela.
— Alô... sim, sou eu... Como disse não tenho interesse na venda do prédio ou da padaria, mas ainda podemos fazer negócio — ela falava sem vacilar nas palavras, não evitei sorrir quando ela começou a propor o negócio, pelo sorriso que ela deu imagino que tenham recusado a primeira oferta — Entendo... procurei saber quem era antes de entrar em contato, devido ao bom histórico que tem, posso fazer algo melhor pra você... abro mão de 70% do valor inicial em troca de uma sociedade... 50/50... estarei aguardando... até mais.
Assim que ela encerrou a ligação, fechei totalmente a porta do banheiro, ouvi os passos dela se afastando e sai segundos depois. Quando fui para o pátio ela estava sentada a mesa com Alya e Nino.
— Era só um acordo, assim não fica tão pesado pra cuidar da padaria — Marinette respondeu provavelmente alguma pergunta feita pela Alya
— Que orgulho, além de uma talentosa estilista, minha amiga é agora uma mulher de negócios — Alya falou abraçando a Marinette que sorriu
— Desculpem a demora — falei me sentando ao lado do Nino — Achei que tinha esquecido o celular na sala.
— Pensei que tinha se perdido — Alya falou brincando e sorri
— Do que estavam falando? — perguntei me fazendo de desentendido
— Do quanto a Mari é maravilhosa — Alya falou e Marinette revirou os olhos
— Quanto exagero — Marinette falou olhando-a
— Dessa vez não é, Mari — Nino concordou com a Alya — Você amadureceu e tá muito mais responsável. Nem todo mundo conseguiria, muito menos na sua idade.
— Ele tem razão, desde que voltou você tem se superado — Alya falou olhando-a
— Eu tenho os melhores amigos do mundo — Marinette falou abraçando a Alya
Ficamos mais um pouco ali até o sinal tocar novamente e voltarmos para aula. Marinette parecia mais tranquila depois da ligação, as aulas seguiram normalmente, até o horário da saída. Saímos da sala, seguimos caminho até as portas da entrada, nos despedimos da Alya e do Nino, eles saíram pouco depois o celular da Marinette tocou novamente e dessa vez ela não demorou a atender.
— Alô... sim, sou eu... — apesar da voz tranquila notei a agitação em seu olhar, até que ela fechou os olhos e sorriu — Ótimo, podem enviar pro meu email?... Farei o possível para retornar até amanhã... Até mais.
— O que aconteceu? — perguntei mesmo sabendo o que havia acontecido.
— Vou fechar o negócio sobre a padaria — ela falou empolgada e não pude evitar ficar feliz por ela — Ainda não consigo acreditar.
— Parabéns, Mari — falei sorrindo e ela retribuiu
— Preciso ir ao mercado, tenho um jantar de agradecimento a fazer — ela falou empolgada e começou a se afastar
— Agradecimento a quem? — perguntei apenas para saber a resposta e vi o meu carro se aproximando
— A um amigo, sem ele não teria conseguido — ela respondeu e Gorilla buzinou
— Preciso ir, tenho um almoço de negócios com meu pai — falei e ela assentiu
— Até amanhã, Adrien — ela falou se afastando
— Até amanhã, Mari — falei e fui em direção ao carro.
Estava tão feliz por ela que não me desliguei um pouco do mundo.
— Com quem estava falando? — ouvi a voz do meu e o olhei surpreso, não sabia que ele viria
— Ah... é a Marinette Dupain-Cheng, a garota que venceu o concurso de chapéus que o senhor fez — falei olhando-o — O senhor lembra?
— Lembro, uma garota talentosa — meu pai falou com frieza — Assim como lembro que pedi que se afastasse dela. Essa garota não é boa influência para você.
— Ainda não entendo, como pode saber disso se nem a conhece — falei olhando-o
— Aqui estão as roupas para a reunião — Natalie entregou a caixa com a roupa na tentativa de mudar de assunto, mas dessa vez não vou desistir
— Como pode falar sobre ela, sendo que nunca se permitiu conhecê-la? — perguntei olhando-o, Natalie parecia nervosa
— Não precisamos de muito para saber o tipo de garota que ela é — meu pai falou olhando para frente
— Como assim? — perguntei intrigado
— Você não pode ser tão ingênuo, Adrien — meu pai falou como se estivesse que conter a raiva — Aquela garota não pertence ao mesmo ciclo social, quer ser estilista e qual a melhor maneira de fazer nome do que ser próxima a um modelo com fama. Ela enxerga uma oportunidade de mudar de vida.
Olhei incrédulo por alguns segundos, antes de começar a rir. Natalie e meu pai me olharam confusos, nunca havia feito isso antes, praticamente discutir com meu pai e começar a rir do nada.
— Por acaso acha que sou uma piada? — meu pai perguntou sério
— Desculpa, é que... É isso que acha da Marinette? — perguntei recuperando o fôlego
— Eu sei que é — Ele falou seguro e balancei a cabeça negativamente
— Então realmente não conhece a Marinette — falei olhando-o — Ela é uma garota incrível, talentosa, inteligente, determinada, doce, corajosa e desde a morte do pai vem se mostrando cada vez mais independente e responsável.
O carro parou em frente ao hotel onde eu iria trocar de roupa e iríamos para o restaurante onde seria a reunião.
— E se tivesse a oportunidade de conhecê-la, saberia disso — falei antes de sair do carro.
POV Gabriel Agreste
Vi o Adrien sair e fechar a porta do carro em seguida.
— Eu não compreendo — falei pensativo
— O quê, senhor? — Natalie perguntou me olhando
— Quatro anos e ele continua a defender essa garota — falei olhando-a e ela ficou pensativa — Tivemos informações dela, fizemos de tudo um pouco para afasta-lo dela, até mesmo usar a Laila Rossi, mas ele continua a defender.
— E se fomos enganados, senhor? — Natalie perguntou
— Como assim, Natalie? — perguntei intrigado
— De todos os colegas de escola do Adrien, ela foi a única que não teve um incidente — Natalie falou me olhando — E o senhor mesmo disse que a senhorita Rossi era ardilosa, manipuladora, existe uma possibilidade dela ter nos enganado.
— Admito que cheguei a pensar nessa possibilidade, Natalie — falei olhando-a
— Se ela nunca teve um incidente isso mostra que ela tem um coração bom, que perdoa as pessoas e um mente pura — Natalie falou — Chegando até mesmo a ser ingênua.
Pensei um pouco nas palavras da Natalie, talvez a amizade dela com o Adrien não seja tão ruim, se ela for tão pura de coração quanto a Natalie acredita que ela é, ela poderia me ajudar a fazer o Adrien entender o porquê de me tornar o Hawk Moth, quando eu conseguir pegar os Miraculous.
— Talvez ela seja uma peça chave no futuro — falei e ela assentiu — Preciso saber quem realmente é a Marinette Dupain-Cheng.
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