Miracle

2 Capítulo Dois — The Vengeful Wolf


Notas iniciais
Espero que gostem REVISADO [19/10/2014]

Miracle

Capítulo Dois — The Vengeful Wolf

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Momentaneamente sem reação, Izaya encarou a jovem de longos cabelos negros e olhos azuis parada a sua frente. Ela, por sua vez, o fitava com um grande sorriso, como se tivesse sido uma agradável coincidência encontrá-lo ali.

— Então você também gosta de mitologia? — Perguntou animada, abaixando-se para pegar o livro que ele derrubara. — Que inesperado!

— Já eu não estou tão surpreso com o fato de você ter me seguido até aqui — rebateu com superioridade. — Aquilo que me pediu não era algo que uma pessoa normal diria.

— Você entendeu errado — respondeu, ficando emburrada. — Eu não te segui, estava nessa biblioteca muito antes de você. E não havia nada de errado com o meu pedido…

Izaya riu com desdém, pegando o livro das mãos dela e encaixando-o em seu antigo lugar.

— Se é assim, imagino que já tenha achado um lugar para ficar, não?

— Mais ou menos — murmurou, olhando para o chão. — O dono dessa biblioteca me deixou ficar aqui por alguns dias se eu prometesse ajudar a arrumar os livros, mas ainda sim não é bem isso…

— Então você deve saber onde fica os livros que falam sobre mitos envolvendo lobos, não e? — Ele interrompeu, pouco interessado em qualquer lamentação sua.

— Já disse, se chama A Vingança do Logo das Montanhas — repetiu amuada.

— E onde eu o acho? — Insistiu, percebendo o quão fácil era perder a paciência com ela.

— Na estante atrás de você — apontou.

Virando-se para trás, Izaya passou os olhos pelas fileiras de exemplares, até achar o título que procurava. Tirando o grosso livro da estante, sem dizer mais nada, ele deixou a jovem para trás e começou a se afastar dali.

— Sabe… — Ela o seguiu, mesmo o rapaz não dando sinais de que lhe daria alguma atenção. — É m livro muito bom, as informações são de fato precisas. Entretanto, há muito mais a ser contado, coisas que você não achará ai, mas que eu posso lhe dizer.

Franzindo o cenho, o informante parou de andar, pensativo. Se queria que seu plano realmente desse certo, precisaria coletar o máximo de informações que conseguisse, essas que vinham se mostrando um tanto escassas. Em sua situação, qualquer coisa a mais que lhe aparecesse seria de grande ajuda. O único problema nisso tudo era sua inesperada “fonte”, que pareciam particularmente questionável e desagradável de se lidar.

— Que gentil da sua parte — disse com pouco-caso. — Ou será que é apenas mais uma estratégia para conseguir algo de mim?

— Você está sendo cruel… — ela falou baixinho, soando magoada.

O rapaz deu de ombros, pouco arrependido de suas palavras.

— Se não me pedir nada em troca, me disponho a te ouvir — disse por fim.

Isso pareceu melhorar um pouco o humor dela.

— Certo, venha comigo, pois irei lhe contar toda a história. — assegurou, pegando o braço do informante com delicadeza e levando-o para o fundo da biblioteca.

Enquanto era guiado pelos corredores, Izaya olhou para baixo, mirando a garota. Ela não era muito alta, devia bater no máximo na altura de seu peito, e tinha um aspecto inocente demais para alguém que não tinha onde viver. Sem falar que ela não parecia ter a menor noção de espaço pessoal, já que, mesmo ambos sendo estranhos um para o outro, ela se aproximava e o tocava sem receio ou qualquer desconfiança.

— Ei, você tem nome? — Ela perguntou, ao se aproximarem de um aglomerado de mesas, espaço reservado para as pessoas estudarem.

Izaya ergueu uma sobrancelha diante sua pergunta. Não havia anda de estranho querer saber o nome de alguém, entretanto ela havia escolhido uma estranha combinação de palavras. Sem contar que, como moradora daquela cidade, era quase impossível não saber quem ele era, já que sua fama de terrível informante havia se espalhado por toda Tóquio. Não que isso fosse um grande problema, pois dependendo de como as coisas transcorressem entre os dois, talvez fosse até vantajoso para ele manter sua reputação encoberta.

— Eu me chamo Orihara Izaya — apresentou-se. — E a criança, será que tem um nome?

— Mai — respondeu com um sorriso amável.

Em silêncio, o informante aguardou alguns segundos, porém ela não deu continuidade a sua fala.

— Até onde eu sei, as pessoas costumam ter um sobrenome e a etiqueta pede uma apresentação completa — provocou. — Será que você está tentando esconder algo?

Suas palavras a deixaram desconfortável, fazendo-a desviar seus olhos dos dele.

— É só… Mai — disse baixinho.

— Certo, Só Mai — deu de ombros, puxando uma cadeira e sentando. — Diga logo o que sabe, antes que eu me entedie e vá embora.

Inicialmente ela não reagiu ao seu comentário, mas depois respirou fundo e se acomodou em um assento em frente a Izaya na mesa.

— A lenda se chama A Vingança do Lobo das Montanhas — começou, mostrando-se surpreendentemente séria e focada. — Há muitos séculos, ao norte da Holanda, existia uma grande montanha que abrigava uma vila a sua sombra. Esse pequeno povoado, por muitos anos desfrutou de tempos de paz e prosperidade, até o dia em que uma terrível guerra que se aproximava começou a ameaçar a tranquilidade de seus moradores. A possibilidade de um confronto sangrento assustava os aldeões, que não tinham condições de se defenderem. Porém, certo dia, um camponês que vagava pela floresta aos pés da grande montanha achou um filhote de lobo abandonado. Por pena, ele deu abrigo ao pequeno animal e cuidou dele. No entanto, com o passar dos meses, a criatura, que até então era tomada como um lobo comum, começou a crescer mais e mais, até alcançar proporções monstruosas. No início, os aldeões ficaram assustados e chegaram até a considerar matá-lo, mas antes que eles cometessem esse terrível erro, o dono do animal interveio, vendo naquela criatura uma chance de sobreviveram à guerra. Com isso, ele começou a trainá-lo, para que o lobo aprendesse a caçar e fosse capaz de lutar de frente com os inimigos que se aproximavam. O tempo passou e a tão temida guerra os alcançou. Bem treinado e pronto para defender a vila que o acolheu, o lobo lutou com todas as suas forças, até que o último homem fosse derrotado e o exército deixasse o povoado.

— Espera — o informante interrompeu, com um sorriso descrente. — Está dizendo que o lobo sozinho conseguiu vencer a guerra?

— Sim — respondeu simplesmente.

— Não se ofenda — riu. — Mas isso me parece meio ridículo.

Mai não lhe respondeu, apenas o encarou como se não compreendesse seu ponto de vista.

— Posso… Continuar? — Pediu um pouco relutante.

— À vontade.

— Bem, depois de lutar bravamente, o lobo voltou para a vila, ansioso para ser recebido pelos aldeões. Entretanto, em vez de ser tratado com respeito e gratidão, os moradores nem ao menos o deixaram entrar. Haviam presenciado a brutalidade do combate e agora temiam-no como um monstro, acreditando que o animal, caso assim desejasse, poderia fazer o mesmo com aquele povoado sem nem ao mesmo hesitar. Assustados, os camponeses cercaram a criatura e atearam fogo contra ela e a perseguiram. Atordoado, o lobo fugiu e se escondeu na floresta. Lá, ferido e sentindo-se traído por aqueles que tanto amava, ele começou a odiar aquelas pessoas. E então, pouco a pouco, alimentado pela dor e sofrimento, um profundo rancor nasceu e se enraizou dentro dele. Quando finalmente seus ferimentos se curaram, o lobo ergueu-se de seu esconderijo e rumou em direção a vila. Ao chegar lá, despejou toda a sua fúria sobre o povoado, destruindo e matando tudo que encontrava pela frente, até não sobrar mais nada. Quando só restaram cinzas, o animal voltou para a floresta e lá se prostrou, passando o resto de seus dias mergulhado na mais pura e dolorosa amargura.

Ao terminar de falar, Mai mirou Izaya com um olhar solene, a espera de algum comentário. Em resposta, o rapaz encarou-a com indiferença, dando pouca credibilidade as suas palavras.

— Sabe — comentou. — Isso não me parece nada além de algo que poderia se encontrado em um livro qualquer. Será que você realmente sabe de algo a mais?

— Eu não terminei — falou seriamente. — Isso que lhe contei é aquilo que está nos livros, porém há uma continuação que a maioria das pessoas desconhece. A verdade é que houve um sobrevivente do massacre, e é justamente a pessoa que resgatou o lobo quando era filhote. Quando o animal descobriu isso, sua ira voltou a se inflamar e ele saiu em busca dessa pessoa. No entanto, o aldeão fugiu para bem longe e recomeçou sua vida em outro lugar, enquanto o lobo ainda vagava a sua procura. Os séculos se passaram e essa pessoa morreu, mas sua linhagem permaneceu viva e a criatura vingativa também. E se o lobo apareceu aqui, significa…

— Significa que há aqui na cidade uma pessoa que descende desse aldeão — Izaya concluiu pensativo, mas depois levantou os olhos para Mai, que o aguardava com certa expectativa. — Você realmente disse algo interessante, tenho que admitir. Aceite minha gratidão como recompensara.

— Não foi nada, mas…

— Mas agora não há mais motivos para mantermos qualquer tipo de contato — completou, erguendo-se da cadeira. — Por isso, eu ficaria igualmente agradecido se você não se aproximasse mais de mim. Nosso negócio está terminado.

Dando-lhe as costas, o informante começou a se afastar dela.

— E-espera, Izaya! — Ela o chamou, segundo-o.

O rapaz soltou uma risada alta, não se importando com as pessoas ali que o olharam zangadas.

Izaya? — Repetiu, sem parar de andar. — Não acha que está sendo um pouco ousada demais me chamando nesse jeito?

Seu comentário a deixou confusa, porém ela não parou.

— Mas…! — Mai tentou insistir.

Parado de caminhar, Izaya virou-se para ela, encarando aqueles olhos azuis suplicantes.

— Deixe de ser teimosa, não prometi nada a você em troca da informação — ressaltou com arrogância. — Agora pare de me seguir, pois não tenho o menor interesse em você, sem falar que isso já está começando a me irritar.

Enfim suas palavras pareceram surtir efeito na garota, que o olhou um tanto assustada e ferida. Fazendo uma careta, o informante deu de ombros e a deixou para trás, abandonando-a na biblioteca. Finalmente havia conseguido se livrar daquela menina irritante e de quebra conseguira informações substanciais que iriam ajudá-lo em seu plano.

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Vários dias haviam se passado desde sua visita à biblioteca, tempo que foi quase completamente gasto com intensas pesquisas a respeito de vários moradores de Ikebukuro. Havia sido mais difícil e trabalhoso do que pensara, porém isso em nada impediu Izaya de encontrar o que queria. Acessando vários bancos de dados, conseguira identificar um morador do distrito cujas características familiares batiam com a descrição dada na lenda. O nome dessa pessoa era Kaho Kyosuke, um jovem de dezesseis anos, estudante do Raira e empregado de meio perídio em uma loja de conveniências próxima a região comercial de Ikebukuro.

— Namie-saaaan! — Chamou Izaya, levantando da cadeira. — Estou saindo para dar uma volta, por favor, não tente ir embora antes do seu turno acabar em minha ausência!

Seu destino era mais do que óbvio, pretendia fazer uma pequena visita a esse rapaz em seu local de trabalho. Precisava conhecê-lo e ter uma ideia geral de sua personalidade, para começar a traçar mais detalhadamente seu plano.

A passos tranquilos, porém firmes, o informante cruzou o distrito de Shinjuku e logo alcançou Ikebukuro. Estava quase se aproximando de seu destino, quando começou a ouvir gritos apavorados seguidos de um longo e sonoro uivo. Em alerta, ele olhou em volta, a procura do causador do tumulto, quando sentiu a presença de algo atrás de si. Virando-se, Izaya deparou-se com o tão falado e perigoso Lobo das Montanhas. Era um animal enorme, com garras e dentes afiados, ultrapassando o porte de um leão, e sua pelagem era de um negro tão profundo, que quase parecia uma sombra viva.

Observando fascinando aquela grandiosa criatura, o informante sentia as engrenagens de sua mente lentamente encaixando as peças de seu jogo, que agora pareciam tomar suas posições tão perfeitamente que até chegava a assustá-lo. Entretanto, logo seu prazer foi substituído por preocupação, ao que o lobo começou a rosnar e caminhar em sua direção.

Recuando alguns passos, o rapaz levou a mão ao bolso de seu casaco e tirou de lá seu canivete, apontando-o para seu possível agressor. Todavia, isso só serviu para provocar o animal, que arreganhou os dentes e flexionou as patas dianteiras, preparando-se para atacar.

Izaya até tentou se desviar dele, mas o lobo era muito ágil. Quando deu por si, já estava no chão, com as costas doendo devido ao impacto e sentindo os dentes afiados perigosamente próximos de seu rosto.

— Não chegue perto dele — Izaya ouviu de algum lugar. — Não permito que o machuque.

O animal olhou para cima e soltou um rosnado insatisfeito, no entanto, para a surpresa de Izaya, ele acatou a ordem dada e saiu de cima dele. Antes mesmo que conseguisse se levantar, o lobo se afastou correndo e sumiu de vista, deixando para trás apenas uma trilha de transeuntes assustados com sua aparição.

Segurando um suspiro de alívio, o rapaz voltou a ficar de pé. Só depois de bater a sujeira de suas roupas e guardar seu canivete é que ele se dignou a olhar para seu salvador.

— Ora, ora, se não é minha nem tão querida amiga Mai — falou com ironia, escondendo as mãos no bolso do casaco. — Sabe, estou começando a achar que esses nossos encontros não são apenas mera coincidência. Tem certeza de que não é uma stalker?

Ela, que pretendia dizer algo, calou-se. Seu pequeno rosto adquiriu um leve tom rosa e ela olhou para o lado.

— Dessa vez… — Mai começou baixinho. — Não foi coincidência, eu estava te seguindo.

Izaya riu alto.

— Então eu estava certo, você realmente é uma perseguidora! — Zombou.

— Não! — A jovem exclamou. — Eu só te segui porque você não deixou que eu terminasse de falar tudo sobre a lenda.

Bufando diante sua maldita insistência, Izaya mirou-a com desprezo.

— Por acaso eu não fui claro aquele dia? — Falou ameaçadoramente. — Isso já está se tornando um incomodo para mim. Ouça, eu não tenho motivo algum para me envolver com alguém como você. Esse insistência já está se tornando um grande estorvo para mim. Me esqueça de uma vez e volte para sua vidinha fútil.

— Mas…

Assunto encerrado — falou categoricamente, dando as costas para ela e começando a andar para longe dali.

— E-eu sei sobre a cabeça! — Ela gritou ofegante.

— O que você disse? — Perguntou, fitando-a por cima do ombro com os olhos estreitos.

— Eu sei… — tornou a repetir, um tanto assustada agora. — Que você esconde uma cabeça de Dullahan.

— Como descobriu isso? — Continuou, voltando-se para ela e se aproximando cada vez mais.

— Eu a-apenas sei — Mai deu um passo para trás, intimidada. — Não sei explicar ao certo, mas sou capaz de sentir coisas desse tipo, e até mesmo me comunicar com esses seres. Por isso conheço tanto sobre lendas. É algo natural para mim.

O informante não respondeu. Com uma expressão séria, ele continuou a encará-la, mas internamente sua mente trabalhava sobre as informações que havia acabado de obter. Se o que ela estivesse dizendo fosse verdade, essa garota poderia se tornar uma peça inestimável em seu jogo. E não só para o que tinha planejado para aquele lobo, mas em tudo que vinha arquitetando durante aqueles meses envolvendo Celty e as pessoas que a rodeavam.

— Eu não queria incomodá-lo, apenas estava com medo de que se machucasse — confessou, ainda temerosa. — Por favor, não fique bravo. Prometo que não vou mais te perturbar.

Tornando a prestar atenção em Mai, Izaya percebeu o quanto ela parecia vulnerável e ingênua. Uma pessoa fácil de se manipular.

— Tudo bem — disse, fingindo um tom dócil e amigável. — Acho que fui um pouco injusto com você. Mas acho que sei um jeito de reparar meu erro e recompensá-la por ser tão atenciosa comigo.

— O-o que? — ela o encarou confusa.

Ele colocou a mão em seu ombro e assumiu um ar benevolente.

— Você não precisa mais se preocupar, Mai, de agora em diante deixarei que viva comigo em meu escritório.

Ao ouvir aquelas palavras, o olhos azuis da jovem iluminaram-se de felicidade e ela sorriu.

— Mesmo? — Sussurrou incrédula.

— Eu nunca enganaria alguém dessa forma — respondeu.

— Obrigada! — Disse, cheia de gratidão. — Muito obrigada! Prometo que não se arrependerá de me ter por perto!

— Eu também acho o mesmo — devolveu, com um sorriso de pura satisfação nos lábios.

Notas finais
O que acharam?