Miracle

5 Capítulo 5- Request


Notas iniciais
Tenham uma boa leitura.
Request- Pedido

Miracle

Capitulo 5 – Request




Mai rapidamente deu a volta no banco e sentou no meio dos dois. Sua empolgação era visível; tinha muitas perguntas que queria fazer. A possibilidade de receber algum auxílio deixava-a extasiada.


“Meu nome é Celty Sturluson, eu sou quem chamam de Motoqueira Sem Cabeça” – A mulher respondeu.


A voz da motoqueira era calma e tranquila, a voz mais bela que Mai já tinha ouvido. Ela nem precisou ler para responder Celty, mas preferiu não revelar que conseguia ouvi-la. Caso o fizesse, podiam acabar achando que Mai seria capaz de ajudar na procura de sua cabeça – o que não era mentira – e iriam pedir sua ajuda. Não seria capaz de mentir ou negar. E tudo podia gerar futuros problemas para Izaya, e não precisava de mais desentendimentos com o outro.


– É um prazer conhecê-la. – Respondeu, logo em seguida virando-se para o loiro.


– Eu sou Heiwajima Shizuo. – Apresentou-se, dando de ombros.



– Hm... Você é quem chamam de o homem mais forte de Ikebukuro? – Perguntou, reconhecendo o tom de voz rouco e ligeiramente cavernoso. Essa era a pessoa quem estava perseguindo Izaya na primeira vez que o viu.


– Isso mesmo. – Confirmou, tragando seu cigarro.


Mai ficou encarando-o por um tempo com seus brilhantes olhos azuis. Já tinha visto exemplos de sua brutal força, tinha até se questionado se o rapaz loiro não era um Dullahan. Porém, graças á sua habilidade, pôde confirmar que não, apesar de ainda ter algumas duvidas sobre essa força fora do normal.


“Então, sobre o que queria conversar?”


– Ah, sim! Eu fiquei bem interessada no seu comportamento. – Começou. – Você é uma Dullahan, um ser mítico! Era de se esperar que as pessoas a evitassem ou tivessem medo. Porém, mesmo assim, você tem amigos. Já te vi conversando com varias pessoas pela cidade e até fazendo trabalhos.


“Bom, não foi fácil. Para falar a verdade, acho que não foi tanto atuação propriamente minha. Imagino que acabei conhecendo as pessoas certas...”


– Mas se essas pessoas certas continuam perto de você, que dizer que há algo seu que as estimulem a continuarem próximas. – Insistiu.


“Bom... “ – Celty hesitou, as perguntas da garota eram um bocado difíceis. Não era fácil explicar como começou sua amizade com Shizuo ou Shinra.


– As coisas não são tão mecânicas assim como você pensa, para poder ter uma resposta fácil, garota. – Shizuo interveio.


– O que?


– São as circunstâncias em que as pessoas se encontram que as fazem criar uma relação. Isso e suas próprias ações. Cada um tem uma forma de se relacionar.


– E é por causa disso que estou confusa! – Mai exclamou.



Já havia se passado horas desde que Izaya viu Mai pela ultima vez. A noite já caíra há tempos, e não tinha nem ideia de onde a estranha garota poderia estar. Não que realmente se preocupasse com ela – claro que não –, mas se acontecesse algo com a mesma, seus planos não poderiam ser realizados.


O informante andou de um lado ao outro de seu escritório, impaciente. Onde aquela garota estaria? Pensou até me sair para procurá-la, mas sabia que seria um processo trabalhoso. Ela poderia estar em qualquer lugar. O melhor a se fazer era esperar. Caminhou até seu sofá de couro e sentou.


Poucas horas se passaram, quando Izaya finalmente ouviu a porta de seu escritório abrindo. Levantou-se do sofá e avistou Mai adentrando no cômodo.


– Onde estava? – Perguntou.


– Ah... Eu encontrei com algumas pessoas que quiseram conversar comigo. – Respondeu, um pouco receosa.


Izaya estreitou os olhos, sabia que a garota não queria dizer quem era.


– Que pessoas?


– ... A Motoqueira Sem Cabeça e um rapaz chamado Shizuo... – Falou quase inaudível. – Ma-mas eu não disse nada da cabeça pra eles! Eu sabia que ficaria irritado, então não disse nada sobre isso e o fato de viver com você! – Exclamou, um tanto desesperada.


Mai estava assustada, Izaya a assustava junto com a possibilidade de perder sua moradia. Abaixou a cabeça e fechou os olhos na espera de alguma reação do mesmo. Por alguns segundos nada aconteceu, até que de repente uma risada alta estourou.

Diante reação de pânico da garota, Izaya sentiu uma intensa vontade de rir. O que ela tinha? Estava com medo dele? Só porque ele a repreendeu uma ou duas vezes? Aquilo era hilário, sim, realmente divertido; ela era mesmo uma garota bobinha com excesso de inocência.


– O... O que foi? – Relutou.


– Você... – Tentou se acalmar. – É realmente bobinha, mas, pelo menos, conseguiu melhorar o meu mal humor.


A garota, diante de tudo, apenas abaixou mais ainda o olhar e corou um pouco, pois, de certa forma, era um pouco humilhante.


– Todavia, foi realmente incômoda essa situação. – Continuou, se afastando do sofá e indo até a mesa onde ficava o computador. Ao chegar lá, abriu uma gaveta e tirou um objeto preto de dentro. – Isso é pra você. – Falou, estendendo o objeto para a menor.


Mai se aproximou de Izaya, relutante, e olhou o que tinha em mãos.


– Um... – Parou para pensar. – ... Celular? – Indagou.


-Isso. A única utilidade desse celular será receber ligações minhas quando eu precisar de você. – Ordenou. – Fora isso, não o use para mais nada.


– Certo... – Respondeu, pegando o objeto.


– Agora, se me der licença, vou dormir. – Avisou, saindo de perto da garota e seguindo para as escadas. – Oyasuminasai ~


– Como? – Perguntou, porém sua pergunta saiu muito baixa, não chegando aos ouvidos de Izaya.


O homem entrou em seu quarto, deixando Mai sozinha com seus pensamentos. Aproximou-se das grandes janelas de vidro que tinha no escritório e encostou a ponta dos dedos. Apesar dos momentos turbulentos que passou com Izaya , aquele foi um dia produtivo. Conseguiu ter uma conversa descente com duas pessoas, e junto aprendeu algumas coisas sobre relacionamentos.

Relembrou sua conversa com Celty e Shizuo. No inicio, os dois ficaram um pouco confusos sobre o que responder à garota, mas depois pareceram relaxar e começaram a contar sobre as próprias experiências.


Celty lhe contou como conheceu um medico chamado Shinra, lhe explicou como era sua convivência com o mesmo e de como se relacionava com pessoas de fora. E Shizuo, por sua vez, contou um pouco sobre seu irmão, um amigo chamado Tom e até como conheceu Celty. Logicamente, tudo de maneira superficial, pois Mai ainda era uma estranha para eles.


E o principal de tudo era que os dois aceitaram encontrá-la de novo. Mai estava realmente feliz com isso, não só porque teria a oportunidade de aprender, mas também porque sentiu que aquilo poderia ser um início de amizade.



Deu uma ultima olhada para a cidade, tão misteriosa, agora banhada pela luz prateada da Lua. Soltou um bocejo e seguiu para seu quarto, uma vez que estava cansada. E isso era realmente bom, pois dormiria logo e não teria que passar por aqueles momentos desagradáveis.



-x-



Mai estava andando pelas ruas, tinha se encontrado novamente com Celty. Tiveram uma boa conversa; descobriu que aproximações repentinas e forçadas não são muito agradáveis. Aproximações mais naturais eram mais apreciáveis e tinham maiores chances de resultados positivos.

Era uma informação muito útil, mas Mai não sabia como aquilo podia lhe acontecer. Afinal, não frequentava ou participava de nada que pudesse lhe dar essa oportunidade. Apenas vagava pela cidade aleatoriamente.


Foi então que viu algo que chamou sua atenção. Já tinha passado em frente daquele prédio antes, mas era a primeira vez que via tanta gente saindo dele, principalmente adolescentes vestindo azul.

Lembrava-se vagamente de algum comentário de Izaya sobre isso... Ah, sim, aquilo era uma escola. Sim! Aquilo, sim, poderia ajudá-la. Participar de uma escola, com certeza, iria proporcioná-la os momentos que precisava. Mas como entraria em um local como esse?


Entretanto seus pensamentos foram cortados assim que ouviu um longo e sonoro uivo. E não foi só ela, a maioria das pessoas que estavam saindo da escola pararam para prestar atenção no som. Alguns pareciam assustados, pois a fama do lobo já havia se espalhado; um estranho murmúrio de que o mesmo estava atrás de um adolescente com intenções assassinas. Mai não precisava pensar muito para saber de onde a fofoca havia começado, e aquilo a preocupava. O que Izaya pretendia?


Soltou um longo suspiro. Ao mesmo tempo em que o outro lhe dava uma grande ajuda, recebendo-a em sua casa, lhe dava um profundo trabalho, enchendo-a de preocupações por causa de suas tortuosas ações. Por fim, resolveu voltar para casa.



Não tinha nem começado a escurecer quando chegou ao escritório de Izaya. Particularmente não gostava de voltar tão cedo. Preferindo ficar e andar pelas ruas até escurecer, quando suas pernas já não aguentavam mais, para depois voltar para casa, comer, tomar banho e dormir. Essa rotina lhe poupava de momentos desagradáveis.


– Voltou mais cedo. – Comentou Izaya de sua cadeira.


– Não tive muito que fazer hoje... – Respondeu, se aproximando. – Eu tenho um pedido...


– Sim? – Instigou, colocando os cotovelos sobre a mesa, entrelaçando os dedos da mão e apoiando o queixo.


– Eu... – Relutou. – Eu quero entrar para uma escola!


Fim do capitulo 5.