Miracle
7 Capítulo 7- Walking
Notas iniciais
Miracle
Capitulo 7- Walking
Mai olhou para os dois homens à sua frente completamente atônita. O que Kyosuke estava fazendo no escritório de Izaya? Ou pior, o que Izaya pretendia?
– Seria muito bom se você avisasse que chegou em casa, Mai-chan. – O moreno comentou. Tinha um estranho sorriso nos lábios; parecia gentil e receptivo, mas Mai sabia que o informante não era assim, o que a deixava ainda mais preocupada.
– Por que me chamou? – Indagou, olhando para Kyosuke sentado no sofá, que também a encarava.
– Nada que tenha a ver com o Kyosuke-kun. – Avisou, notando o contato entre os adolescentes. – Por falar, acho que nosso assunto terminou, certo? Já sabe o que fazer para melhorar sua situação com os Dollars.
– Sim. – O rapaz mais novo respondeu com convicção e determinação. Em seguida, levantou-se para ir embora, passando ao lado de Mai. – Não sabia que frequentava o Raira.
– Vou começar no início da semana que vem.
– Meus parabéns. – Sorriu. –Se precisar de alguém para lhe mostrar a escola, estou à sua disposição. – Ofereceu, em seguida indo embora.
– Que gentil... – Mai comentou.
– Ah, claro que é. – Izaya falou sarcástico. – Agora, vamos ao que interessa. Quer dar uma volta comigo?
– Como?
Porém não houve resposta, o informante já tinha colocado sua mão no ombro da garota e arrastado-a para fora do escritório.
– Para onde estamos indo? E para que?
– Quantas perguntas! ~ Se quer saber, estamos indo para Ikebukuro. – Respondeu, ignorando completamente a outra pergunta.
Mai soltou um suspiro frustrado. Estava a pouco tempo andando por Ikebukuro, por que não pediu para que se encontrassem em algum lugar, ao invés de fazê-la voltar para Shinjuko?
Os dois andaram por um bom tempo pelas ruas, até chegar á Ikebukuro. Estava escuro e o frio se fazia presente, fazendo Mai agradecer internamente por ter escolhido meias maiores.
Izaya parou em uma rua erma e olhou para Mai:
– Agora, seja útil, Mai. Ache o lobo.
– O que? – A garota olhou para Izaya, e sentiu certo receio. A expressão zombeteira e sarcástica sumira, sendo substituía por uma maliciosa, quase malvada. – Talvez demore, ou tenhamos que correr. – Respondeu, recuperando-se do susto.
– Correr nunca foi um problema para mim.
– Muito bem... – Mai olhou seria; a cor de seus olhos se intensificou para um azul brilhante. Ela olhava para cima, no alto dos prédios, à procura de algum vulto. Ficou observando durante alguns minutos, quando, de repente, começou a correr. – Achei!
Os dois começaram a correr, passando por varias ruas estreitas “caçando” o que Mai achara. Izaya olhava para as costas da garota à sua frente. Perguntava-se de onde teria surgido tal habilidade e como seria ver pelos olhos dela.
Ainda estavam correndo, quando a menina entrou em uma das ruas principais da cidade e parou.
– Desculpe... – Disse ofegante, assim que Izaya se aproximou.
– O que houve?
– Eu me confundi... Achei que tinha visto o Lobo das Montanhas, mas, na verdade, era a Motoqueira sem Cabeça. – Confessou, e assim que o fez, os dois ouviram o relinchar da moto negra, fazendo-se lógica a afirmativa.
– Como conseguiu se confundir? – Irritou-se.
– É que aqui em Ikebukuro há muitos Dullahans, muitos mesmo. E, às vezes, essa quantidade me confunde.
– Mas você disse que podia chamá-lo. – Já estava bem impaciente.
– E posso.
– Então por que não o fez?!
– Você disse para procurá-lo, não chamá-lo.
Izaya colocou a mão na testa. Estava irritado, mas não era nem tanto pela busca frustrada, mas, sim, pela garota tê-lo feito se exaltar. Ninguém fazia Orihara Izaya se exaltar ou ficar irritado, ele era quem se encarregava de fazer isso com as outras pessoas.
– Às vezes você é um tanto inútil, sabia, Mai-chan?
– Não sou, não. –Respondeu emburrada. – Venha comigo, e faço esse passeio valer a pena.
– E o que poderia me mostrar, que despertasse meu interesse? – Desafiou.
– Não disse que aqui tinha muitos Dullahans? Bom, vou lhe mostrar um deles.
– Ficaria satisfeito se fosse apenas o lobo.
– Apenas venha! – Pediu, começando a caminhar, certificando-se de ficar um pouco mais a frente do outro, para que não visse o pequeno sorriso que brotou em seus lábios. Izaya podia ter seus truques, mas Mai também tinha, mesmo que muito poucos.
A menor saiu das redondezas movimentadas e se dirigiu para a parte norte de Ikebukuro, onde havia mais prédios do que lojas e as ruas eram estreitas e mal iluminadas. Mai parou no meio de uma rua e olhou para os prédios ao seu redor à procura de algo. Quando achou, se aproximou do prédio que queria e subiu na escada de incêndios.
– Vem, temos que subir no terraço. – Chamou, enquanto subia.
Desconfiado com as ações da outra, Izaya não a seguiu a principio – não que achasse que a mesmo pudesse lhe fazer algum mal, estava apenas tentando descobrir o confuso objetivo da garota. Só foi se movimentar quando Mai, já quase no topo, o chamou outra vez.
Ao terminar de subir, viu ela perto do parapeito do terraço olhando para cima. Seus compridos cabeços negros balançavam com o vento, enquanto em seu rosto mantinha um sorriso. Por um momento, Izaya considerou aquilo uma imagem tranquilizadora. Afastando tal pensamento de sua mente, se aproximou e olhou para a mesma direção.
– Não vejo nada que valha a pena. – Ele comentou.
– Não está vendo nada porque não sabe onde e o que procurar. Preste atenção e olhe para onde o meu dedo aponta. – Levantou o braço e apontou, aparentemente, para o nada.
Izaya fez o que a garota pediu, mas continuou a não ver nada. Semicerrou os olhos e tentou de novo. Quando algo pareceu entrar em foco. No começo não tinha uma forma definida, mas ao poucos começou a ter um formato concreto.
– O que é isso?
Com a surpresa do outro, Mai soltou uma risada satisfeita. Achou realmente bom ver outras reações vindas do mesmo, que não fossem relacionadas à sarcasmo.
– Isso se chama Balão dos Sonhos. – Mai informou.
Izaya continuava encarando a figura surreal que flutuava no céu de Ikebukuro.
– Como eu disse, é um Dullahan, e ela pode nos dar algo bem interessante. – Continuou, em seguida levantou o braço a acenou para a figura, que retribuiu o cumprimento.
À medida que se aproximava, a figura ficava mais nítida, e maior era a surpresa de Izaya. O Balão dos Sonhos, como Mai dissera, era uma menina sentada num balanço que ficava preso a uma penca de balões coloridos. Logo a garota dos balões estava “pousando” no meio deles.
– É muito raro alguém me chamar assim diretamente. – A garotinha comentou. – Mas se me chamaram, é porque querem um de meus balões.
– Isso mesmo! – Mai falou. – Mas acho que eles costumam ter um preço, não é?
– Sim, sim... Normalmente eu os distribuo aleatoriamente pelas casas, mas quando me pedem, eles costumam ter um preço.
Izaya observava a cena calado. Aquela situação era tão incomum. Em nenhuma hipótese tomaria conhecimento de tal existência. Hipnotizado pelo que via, só voltou a si quando a figura foi embora e Mai se aproximou segurando uma corda com um balão azul claro preso.
– É pra você. – Disse, com um sorrido tímido.
– Um balão? – Perguntou, voltando a sua costumeira postura.
– Não é um balão qualquer. Se você deixá-lo no seu quarto durante a noite, terá um ótimo sonho.
– E o que você deu em troca?
– Meu laço. – Apontou para o colarinho levemente aberto. – Ela gostou dele, disse que daria um bom prendedor de cabelo.
Izaya olhou para onde ela apontava e depois para seus olhos. O azul estava começando a perder o brilho intenso. Essa era uma das características mais peculiares da garota. Mas, de certa forma, gosta dos seus olhos.
– Vamos, segure. – Mai pegou uma das mãos do informante e colocou a corda do balão nela. Porém continuou segurando-a, e ao perceber isso, soltou-as rapidamente. – A-agora podemos ir... – Falou, abaixando a cabeça, de modo que o informante não pôde mais ver seu rosto. Ele ficou algum tempo encarando-a sem entender, mas logo abriu um enorme sorriso ao pensar que ela teria corado. Saiu do prédio sem mais comentários.
Os dois voltaram para as ruas e iniciaram a caminhada de volta em um completo silêncio. Mai andava a frente de Izaya, que apenas observava toda a situação; Pareciam até que tinham acabado de sair de um encontro. Riu internamente com a possibilidade. Mai em um encontro, que ridículo! Se bem que, quando ela começasse a frequentar a escola, poderia acabar se envolvendo em coisas do tipo. Isso era muito comum no colegial, fora que a garota tinha seus atrativos. Seu novo cliente, Kaho Kyosuke, também pareceu ter gostado dela. Riu de novo, a situação se assemelhava à de Saki e Masaomi. Entretanto, seu sorriso rapidamente morreu; a ideia de ter Mai saindo por ai com qualquer um não lhe agradava. Precisava da garota disponível á ele sempre que precisasse.
– É bem raro ver você nessa parte da cidade, Izaya. – O informante ouviu. Virou-se para onde a voz vinha e se deu conta de estar parado em frente ao furgão de Kadota e seu bando.
– Ora, ora, se não é meu bom e velho amigo, Dotachin!
– Já disse para não me chamar assim, Izaya.
Estava tão distraído com seus pensamentos que não viu por onde passava. Observando melhor, percebeu que na rua em que estavam tinha uma loja de animes, onde o carro estava parado em frente. Podia ouvir as vozes eufóricas de Erika e Walker vindas de dentro da loja, enquanto Togusa e Kadota esperavam do lado de fora, sentados na traseira aberta do furgão. Também notou que Mai estava em pé ao seu lado com uma expressão interrogativa em seu rosto.
– Quem é ela? – Kadota perguntou, fazendo um gesto com a cabeça, apontando para Mai.
– E que balão é esse? – Togusa acrescentou, com um leve tom de riso.
Agora, parando para pensar, andar por ai com um balão era realmente ridículo.
– O nome dela é Mai, e foi ela quem me deu. – Tentou parecer o mais casual possível.
– É um prazer conhecê-los. – Sorriu para os dois homens.
– Prazer, seu Kyohei Kadota. E esse...
– Não acredito que achei uma miniatura da Amamiya Yuuko*! – Erika interrompeu, saindo da loja com uma miniatura em mãos. Entretanto ao olhar para Mai, parou abruptamente. –Quem é ela, Dotachin?!
– Ah, eu sou... – Mas não teve tempo de terminar, Erika já tinha se aproximado se segurado suas mãos.
– Você é a cara da Mio*!
– Quem?
Erika virou-se para Izaya com os olhos brilhantes.
– Me empresta ela por alguns segundos, Izaya-san?
– Claro. – Respondeu, para a surpresa de Mai.
– Ma-mas, Izaya... – foi arrastada pela moça de preto para dentro da loja.
– Vai se divertir um pouco, Mai-chan! ~ — Acenou para a garota, que sumiu dentro do estabelecimento.
– Não sabia que tinha uma namorada. – Togusa respondeu.
– Não diga coisas ilógicas. ~ Ela é apenas uma ajudante.
Kadota olhou sério para Izaya.
– Espero que não faça com ela o mesmo que fez com Saki.
– Claro que não, Dotachin! Nunca colocaria a doce Mai em perigo! – Exclamou, batendo a mão no ombro do outro.
Porém o rapaz de casaco e gorro continuou sério.
– Ela é diferente de Saki, não é tão submissa e costuma me questionar. Fora que ela é bem estranha.
Togusa soltou uma risada abafada, segurando-se para não dizer coisas como: “Igual a você” ou “Isso explica ela conseguir te aguentar”.
Kadota, por outro lado, apenas soltou um suspiro.
– Ela não tem família?
– Nada. Nem mesmo um sobrenome.
– Estranho... – Comentou, colocando as mãos no bolso do casaco.
– Bom, é melhor eu ir. Foi um prazer revê-lo, Dotachin! ~ – Afastou-se dos dois e entrou na loja de animes, onde encontrou Erika e Walker fazendo Mai experimentar vários acessórios. E, quando a chamou de volta, a garota pareceu bastante aliviada.
Retomaram a caminhada, inda sem se falarem. Só realmente foram trocar alguma palavra quando já estavam em casa, prontos para dormir.
– Espero que valha a pena esse balão. – Izaya comentou, amarrando o barbante na cabeceira da cama.
– Claro que vai!
Izaya soltou um longo bocejo e se sentou em sua cama.
– O... – Mai engoliu saliva. – Oyasuminasai*... – Tentou, um pouco desajeitada.
– Oyasuminasai, Mai. – Izaya respondeu, sorrindo de forma tranquila.
A garota sentiu seu rosto corar levemente. Saiu do quarto e correu para o seu, fechando a porta atrás de si. Izaya era uma pessoa realmente estranha, era só isso que conseguia pensar.
A menina caminhou lentamente para sua cama e se deitou. Por mais que seu dia tivesse sido proveitoso e divertido, quando chegava a essa hora do dia, grande parte de sua felicidade se esvaia. Este momento da noite, quando estava deitada na cama e ainda não tinha pegado no sono, era a pior parte do seu dia. Sentia-se só e isolada. Não havia nada que ocupasse sua mente naquele momento. Normalmente ficava relembrando os acontecimentos do seu dia, mas esses rapidamente acabavam. Então... Vazio.
Não havia mais nada. Memorias antigas, momentos passados com os amigos, sorrisos trocados, convivência familiar... Nada. Nada disso existia na cabeça de Mai. A lembrança mais antiga que tinha era da primeira vez que viu o informante.
Izaya... Da poucas lembranças que tinha, grande parte estava relacionada ao moreno. Por fim, nem se deu conta que acabou adormecendo enquanto pensava no mesmo.
– Ohayoo, Izaya! – O informante ouviu.
Abriu os olhos um tanto mal-humorado, uma vez que não gostava de ser acordado, tendo Mai em pé ao lado de sua cama como a primeira visão de seu dia.
– Agora que aprendeu algumas expressões novas, está usando e abusando delas, não é?
– Não seja mal... Eu estava apenas curiosa para saber com o que você sonhou.
Foi quando Izaya se lembrou daquele sonho que teve. Olhou para o lado a procura do balão, mas viu apenas o barbante caindo no chão.
– Então...?
– Não é da sua conta. – Respondeu, levantado da cama.
– Ah, por favor...
– Não tem nada de importante para fazer, não?
– Na verdade, não.
– Então vá para a cozinha e peça para Namie-san te ensinar como se monta o obento.
– Obento?
– É o lanche que você leva para a escola.
– Certo! – Disse com animação, porém não saiu do lugar. – Mas...
– O que foi?
– A Namie ainda não chegou.
Izaya suspirou irritado; não via a hora de a garota ir para a escola.
Fim do capitulo 7.
*Yuuko Amamiya – Personagem do anime Ef a late of melodies e Ef a tale of memories.
*Mio – Mio Akiyama, personagem do anime K-ON!
*Oyasuminasai – Boa noite.
Notas finais
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