Miracle
6 Capítulo 6- Enrollment
Notas iniciais
Boa leitura.
Enrollment - Matricula
Miracle
Capitulo 6 – Enrollment
Diante do repentino pedido, a reação fora a mesma da semana anterior – quando encontrou com Celty e Shizuo –, Izaya simplesmente riu histericamente. E Mai, de novo, sentiu-se humilhada. O informante nunca a levava á sério, e isso era frustrante! Envergonhada, abaixou o olhar, mirando os próprios pés cobertos pelas meias pretas.
Izaya, vendo o constrangimento da garota, percebendo que falava serio, tentou controlar suas gargalhadas. Porém, ao imaginar Mai na escola, chamando os alunos e professores pelo primeiro nome, confundindo as expressões e falando sobre as coisas estranhas que via, sentia ainda mais vontade de rir.
– Ce... Certo... – Respondeu entre risos, ainda tentando apartá-los.
– Serio?! – Exclamou surpresa.
– Claro. – Repetiu, já se acalmando. Virou para seu computador e abriu a página online do colégio Raira.
Agora, pensando com mais calma, se colocasse Mai no Raira, seria bem conveniente para si. Afinal de contas, havia pessoas bem interessantes estudando lá. Sorriu com as possibilidades que teria.
– Vou providenciar a papelada, documentos e outras coisas. Você só terá que preencher a parte pessoal. – Falou.
Vendo que o rapaz aceitou seu pedido tão rapidamente, Mai ficou realmente feliz. Finalmente teria uma boa chance de realizar sua tarefa.
– Obrigada... – Disse, se aproximando do outro, dando a volta na mesa e parando ao seu lado. – Muito obrigada. – Repetiu.
Izaya olhou para a garota em pé ao seu lado; seus olhos brilhavam de tanta felicidade. Seja lá o que fosse a tarefa, era algo muito importante para Mai. Havia outra coisa: era a primeira vez que alguém sorria verdadeiramente para ele. E o sentimento de ter proporcionado uma real felicidade para alguém lhe era novo. Por alguns momentos, ainda que inconscientemente, desejou não ter segundas intenções por trás da ajuda.
– E-eu vou... – Tentou, se recuperando do transe. – Vou ver se consigo organizar tudo está noite, para amanhã você já poder preencher.
– Certo! – Respondeu com empolgação.
A mais nova voltou a olhar para o informante e por um instante hesitou. Seria ousadia demais abraçá-lo para demonstrar sua gratidão? Por um momento até pensou em fazê-lo, mas acabou desistindo da ideia.
– Obrigada. – Disse apenas, em um tom mais calmo.
Era bem cedo quando Mai acordou. Assim que abriu os olhos, levantou-se da cama; não gostava muito de ficar deitada. Caminhou até o grande armário branco do quarto e escolheu uma das blusas sociais velhas que Izaya lhe emprestara e uma saia, das varias que Namie lhe dera. Deu preferência á uma blusa branca, com saia preta e meias da mesma cor. Gostava de roupas de tonalidades mais escuras e neutras.
Quando terminou, desceu para o andar de baixo. Olhou para os lados e não viu sinal de Izaya ou Namie. Era realmente cedo. Chegou perto da mesa do rapaz e viu uma pilha de folhas. Leu a primeira e percebeu que eram os registros de matricula de que tinha falando no dia anterior. Pegou o amontoado e uma caneta no porta lápis e se dirigiu para o sofá.
Sentada, começou a ler as folhas. Muitos dos espaços já estavam preenchidos; como numero de documentos e essas coisas. As únicas que estavam faltando eram seus dados pessoais – como Izaya havia dito. Porém, mesmo a mais simples das perguntas estava sendo difícil para Mai.
Nome: Mai
Sobrenome: ?
E essa era só a primeira.
Izaya acordou com o toque de seu celular. Alcançou-o no criado mudo ao lado da cama e olhou no visor.
– Mais trabalho... – Murmurou preguiçosamente.
No início parecia apenas coincidência, mas de uns tempos para cá, a quantidade de serviços que recebia relacionados à Nébula estavam cada vez mais frequentes.
Sentou-se na cama e alongou os braços; tinha feito bastantes coisas na noite anterior. Não só tinha feito seu costumeiro trabalho, como organizou todos os documentos da matrícula. Porém, já tinha dormido o suficiente, então não tardou em levantar da cama.
Trocou de roupa e desceu para o andar de baixo. Entretanto, ao começar a descer as escadas, avistou Mai sentada no sofá com algumas folhas na mão e escrevendo algo. Concluiu que eram as fichas de matrícula. Pensou por um instante; já tentara saber mais sobre a garota em situações passadas, mas sem muito sucesso. Aquela seria uma grande chance de saber mais sobre a mesma.
Continuou parado nos degraus, observando Mai no sofá. Ela começou a escrever, mas rapidamente parou. Ficou um bom tempo pensando, lendo e relendo as folhas. Impaciente, Izaya resolveu descer.
– Ohayoo! – Cumprimentou, mais alto do que o normal, intencionalmente para assustá-la. O que foi bem sucedido.
– Ah...! Quer dizer... – Tentou responder algo, mas estava confusa não só pelo susto, como, também, pela desconhecida expressão.
– Acalme-se, Mai-chan ~, estou apenas lhe desejando bom dia. É o que você diz para as pessoas quando as encontra pela primeira vez nessa parte do dia.
– Certo... – ainda não entendendo a dinâmica do “ohayoo”.
– Como está indo com o formulário? – Perguntou, estendendo a mão para pegar uma das folhas, porém Mai as afastou.
– Está tudo bem... Não vou demorar muito. – Respondeu, na tentativa de fazê-lo perder a vontade de ler o formulário quase em branco.
Entretanto, Izaya percebeu a intenção da garota e resolveu se divertir um pouco.
– Está certo! – Assentiu, se jogando no sofá ao lado, colocando os braços no encosto das costas. – Vou te esperar terminar.
– O que?!
– Quanto mais cedo estregarmos essas folhas, mais rápido você pode ir para escola. – Comentou, mostrando um sorriso fino.
– Er... Ok...
Por um bom tempo, Mai ficou apenas olhando para as folhas, sem ter coragem de encarar Izaya.
– Não se acanhe, pode continuar. – Cutucou.
– Não posso... – Falou em desistência.
– Por que não? – Perguntou, numa falsa surpresa exagerada.
– Porque não tenho o que colocar. – Confessou, olhando para o chão. Porém, naquele momento, não era humilhação que sentia. Mesmo com Izaya zombando-a, sentia-se um pouco triste. Sabia que em algum momento essa falta de “dados” sobre si iria perturbá-la.
– Como assim? – Izaya questionou, se ajeitando no sofá, tomando uma postura mais seria.
A garota levantou a cabeça e fitou o moreno; seus olhos estavam mais escuros, sua expressão era uma mistura de irritação com relutância.
– Pode preencher para mim? – Pediu.
Izaya soltou uma risada, mas não muito longa.
– O que não conseguiu? – Pegou as folhas e começou a ler. Mas nem precisou de resposta, pois viu que o único espaço que tinha algo escrito pela mesma era o nome. – E não é que ela é mesmo sem sobrenome?
– Muito engraçado...
– Vou fazer isso, mas vai ter que me dizer por que não consegue preencher esses espaços. – Propôs, finalmente chegando ao ponto em que queria.
Ao fazer o pedido, o mais velho percebeu que tal ato não teve um bom efeito em Mai. Instantaneamente ela ficou tensa e suas mãos pareciam tremer de leve. Depois de um longo silêncio ela conseguiu responder:
– Eu... Eu simplesmente não tenho nada disso que pede na folha.
O informante ponderou sobre a resposta. Novamente, não havia lógica alguma, a não ser que a mesma estivesse escondendo algo.
– Eu não estou mentindo ou escondendo algo. – Comentou, para a surpresa do outro. – Não tenho motivos para isso.
Ele continuou encarando-a, na procura de alguma resposta, mas não teve muito sucesso.
– Falei o que queria... Agora pode preencher para mim? – Suplicou.
– Está certo. – Aceitou em desistência, deixando os ombros caírem. Ela era realmente uma garota confusa, em todos os sentidos.
Com a resposta positiva vinda de Izaya, Mai sorriu, ainda que continuasse com os olhos pesados. Depois se levantou de seu lugar no sofá e foi sentar ao lado do informante, para a surpresa desse. Ele a olhou, franzindo o cenho e balançou de leve a cabeça. Ela não parecia ter muita noção de espaço pessoal, pois se sentou realmente próxima de si, concluiu.
– O primeiro que eu não consegui foi o sobrenome.
– Vamos deixar esse por último. – Avisou. – O principal é a idade. Eu coloquei você para cursar o primeiro ano, por isso tem que parecer ter quinze ou dezesseis anos.
O rapaz fitou-a, à procura de uma resposta da mesma, mas só recebeu em troca uma expressão de duvida. Suspirou, teria que fazer tudo por conta própria, supondo dados. Então, começou a observar a garota, na tentativa de definir uma idade. Olhava-a de cima á baixo; ela parecia uma adolescente comum, se não considerar seu comportamento.
Ao sentir os olhos de Izaya sobre si, o rosto da menina adquiriu uma tonalidade avermelhada. Não entendia o porque daquilo, mas estava ciente de o que o que ele fazia era bem desconfortável.
– I-Izaya...
– Sim, pode ser considerada uma colegial. – Afirmou.
Em pouco tempo eles terminaram. Com a ajuda de Izaya, a tarefa se mostrou bem mais fácil do que parecia para Mai – talvez pelo fato de que o outro inventou a maioria dos dados. Entretanto, a menina quase não prestou atenção no que o outro fazia. Ficou boa parte do tempo tentando entender o que sentiu, que a fez corar tanto.
– No início da próxima semana você já pode frequentar o Raira. Só precisa levar esses documentos e pegar seu uniforme.
– Certo! – Exclamou, levantando rapidamente do sofá. – Vou fazer isso agora. – Avisou, pegando os papéis.
– Mas você sabe onde fica o Raira?
– Sei, sim! – Já caminhando para fora do escritório.
A última coisa que Izaya ouviu foi o barulho da porta batendo, antes do escritório cair num intenso silencio.
Mai corria apressadamente pelas ruas de Ikebukuro, queria se afastar o mais rápido possível do escritório. Aquele sentimento de constrangimento era realmente estranho, uma vez que simplesmente não conseguia entender ou achar uma razão para aquilo. Sem uma resposta aparente, resolveu ignorar o acontecimento. Se não se repetisse, ia ficar tudo bem.
Chegou à escola, não havia mais tantas pessoas como na última vez que. As aulas provavelmente já tinham começado. Passou pelo grande pátio da frente e adentrou no prédio. Por não conhecer o local, perguntou à um funcionário que encontrou ao acaso onde era a diretoria. Tendo uma resposta, seguiu para o local. Porém, ao chegar, não viu ninguém dentro da sala. Parou em frente à porta um tanto perdida.
– A diretora está em uma reunião do Conselho de Classe, mas ela já vai voltar. – Ouviu atrás de si.
Num sobressalto, Mai virou-se para trás. O dono da voz era um garoto, tinha cabelo escuro e olhos azuis.
– Quer dizer... Você quer falar com a diretora, né? – Indagou, um pouco inseguro.
– Quero, sim.
– Se você quiser, pode esperar lá dentro, ela não vai demorar. – Recomendou.
– Obrigada.
– Hey, Mikado, o próximo horário já vai começar! – Os dois ouviram ecoar pelo corredor.
– Já estou indo, Kida-kun! – Respondeu, olhando para o lado. – Eu tenho que ir... Boa sorte. – Fez uma reverência e foi embora.
Com a sugestão, Mai entrou na sala e sentou numa das cadeiras que ficava de frente para uma grande mesa de escritório. Esperou alguns minutos, mas nenhum sinal da diretora. Tomada pelo tédio, começou a ler as folhas que trazia consigo. Mal tinha começado quando se assustou: ela e Izaya tinham se esquecido do espaço designado ao sobrenome. Sentiu um leve desespero, que se intensificou ao ouvir passos vindos do corredor. Sem saber o que fazer, colocou o primeiro sobrenome que veio à mente.
Izaya já estava se preparando para dar uma volta por Ikebukuro, quando ouviu seu celular tocar. Pegou o objeto no bolso do casaco e olhou o visor; era um numero desconhecido. Atendeu com uma leve curiosidade.
– Sim? ~ – Chamou, e ao ouvir a voz do outro lado, seu sorriso se alargou. – Eu já esperava sua ligação. Parece que a sua situação tem piorado, não? – Ouviu mais algumas palavras. –C laro! Pode vir aqui ao entardecer. Bye, bye ~ – Desligou o celular.
Caminhou até uma das mesas da sala, onde ficava seu complexo tabuleiro. Moveu algumas peças, até que ficassem de seu agrado. Entretanto, ao acabar, viu que faltava alguma coisa. Olhou pelo escritório, à procura de algo que pudesse representar o que faltava. Foi até uma das gavetas da mesa principal, remexendo lá dentro, até que achou o que queria. Era uma pedrinha azul clara com uma base de ferro. Não tinha nem ideia do que era aquilo ou de onde vinha – talvez um peso de papel –, mas servia perfeitamente. Levou o achado até o tabuleiro e o colocou num dos cantos, como se não fizesse parte do jogo.
– Esse é o meu trunfo... – Comentou para si mesmo, com um sorriso malicioso. – E se não funcionar, posso usá-la em outras coisas.
Ficou alguns segundos encarando seu jogo. Estava diferente do normal, não representava uma única coisa, havia vários focos... Vários planos acontecendo ao mesmo tempo. Sorriu ainda mais com as possibilidades.
– É melhor me certificar de que ela não chegue tarde. – Precaveu-se, pegando seu celular.
– Muito bem, Mai-san. – Falou a diretora. – Está tudo certo. Aqui estão seus horários, o número de sua sala e uma maleta.
– Obrigada. – Seu sorriso era largo, estava muito feliz.
– Quanto ao uniforme, deixei alguns modelos de tamanhos diferentes lá na enfermaria, para você experimentar e escolher o tamanho que lhe agradar. Quando terminar, pode ir embora.
Mai saiu da sala e seguiu para a enfermaria, onde viu varias camas cercadas por cortinas brancas. Foi para perto da que tinha roupas em cima e puxou a cortina. Já com sua privacidade, trocou sua roupa pelo uniforme azul com um laço vermelho. No que estava usando, a única coisa que parecia se diferenciar dos demais eram as meias, que ao invés de estarem abaixo dos joelhos, Mai as usava um pouco acima dos mesmos.
– Uniformes colegiais são realmente bonitos. – Comentou sorrindo, enquanto balançava os quadris, gostando do movimento da saia pregueada.
Tinha gostado tanto do uniforme, que decidiu ir embora usando-o. Estava caminhando pelo corredor, quando ouviu “seu” celular tocar. Sabia que era Izaya e, por algum motivo, sentiu feliz com o acontecimento, sorrindo ao pegar o objeto. Ao abrir, viu que era uma mensagem.
Mensagem
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Para: Mai-chan ~
Assunto: Horário
Mai-chan,
Sei que deve estar se divertindo muito brincando na escola, mas preciso que não chegue muito tarde em casa.
Não se atrase. ~~
Izaya-kun ♥
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E era ela a estranha? O comportamento de Izaya era tão confuso quanto o dela. Mas tudo bem, ele queria que não voltasse muito tarde, então não o faria. Provavelmente queria que ela fizesse algo. E com esse pensamento, seu sentimento de felicidade foi trocado pelo de preocupação. Com certeza, suas intenções não eram boas.
Mai voltou a caminhar um tanto distraída, pensando no que Izaya queria, que não percebeu um homem vindo em sua direção, e acabou esbarrando no mesmo.
– Desculpe. – Disse o homem, fazendo Mai olhá-lo.
– Tudo bem.
– Não deveria estar na aula? – Ele perguntou. E Mai notou que mesmo falando com ela, não olhava para seu rosto, parecia analisá-la, como Izaya fizera a pouco, mas o jeito do homem era realmente estranho, meio psicopata, talvez.
– Eu sou aluna nova, vou participar das aulas propriamente só no inicio da próxima semana. – Respondeu, percebendo o sorriso do homem se alargar.
– Então seja bem vinda ao Raira. – Passou a mão pelo seu ombro, indo até as costas da garota. – Eu sou o professor Nasujima Takashi, se precisar de ajuda, não hesite em me chamar.
– Vou me lembrar disso. – Respondeu sorrindo. Apesar da atitude estranha, o homem se mostrou muito gentil.
Depois que foi embora da escola, ainda continuou um bom tempo pela cidade, vagando sem rumo por suas ruas. Até chegou a encontrar Shizuo que a parabenizou com um carinho na cabeça pela entrada no Raira.
O sol estava se pondo quando Mai resolveu voltar para o escritório. Já estava na porta indo abri-la, quando ouviu vozes vindas lá de dentro; uma era de Izaya, logicamente, mas a outra não sabia identificar, apesar de já tê-la ouvido. Abriu a porta lentamente e entrou, passou pelo corredor até chegar á sala, onde encontrou duas pessoas conhecidas.
Uma era Izaya e a outra era Kaho Kyosuke.
Fim do capitulo 6.
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