Miracle
30 Capítulo 30 - Miracle
Notas iniciais
Não quero enrolar demais.
Boa leitura!
(Leiam as notas!)
Miracle
Capítulo 30 – Miracle
Juntos, os dois saíram do escritório e desceram para o hall do prédio, quando Izaya parou.
– O que foi? – Mai olhou para ele.
– Daqui você vai ter que tentar ir sozinha até o lado de fora. – Instruiu. – Preciso pegar algo para podermos sair.
– Tudo bem. – Ela se desanimou um pouco e, com relutância, se soltou do rapaz.
– Me espere ao lado da mureta de metal. – Explicou, se afastando da mais nova e entrando por uma porta de metal que se assemelhava a de emergência.
Acatando ao que lhe foi dito, lentamente Mai cruzou o hall e foi para o local combinado. Não demorou muito, ouviu um alto barulho de motor. Ao se virar, viu Izaya usando um capacete e em cima de uma... Moto? Sim, se recordava que era esse o nome que as pessoas davam àquele meio de transporte.
– Você parece surpresa. – Comentou.
– E estou... – Ela olhou atentamente para o veículo. – Eu nunc a te vi andando em uma dessas.
– Eu não costumo usá-la com frequência. – Admitiu. – Por questões de interesse, prefiro andar por Ikebukuro a pé. – Ele tirou o capacete que estava pendurado do guidão e o entregou para Mai. – Coloque isso e sobe.
– Tu-tudo bem... – Ela pegou o objeto e o rodou, depois olhou para o que Izaya usava. – Como...?
– Ah, deixa que eu coloco. – Suspirou, pegando o capacete das mãos da outras e colocando-o sobre sua cabeça. – Pronto, agora sobe.
Sem o menor jeito ou coordenação, Mai subiu em cima da moto, agradecendo internamente por sua saia ser um pouco mais longa que o normal.
– Segura bem firme na minha cintura. – Recomendou.
Com menos jeito ainda, a garota se agarrou à cintura do rapaz e encostou a lateral do rosto em suas costas. No entanto, assim que o informante deu a partida, por medo, ela pressionou o rosto com força contra as costas do outro e se agarrou ainda mais a ele.
– I-Izaya...!
– Haha, fique calma, Mai-chan. – O outro riu, gostando da sensação da garota se agarrando a ele.
Com o passar da viagem, o aperto de Mai sobre Izaya relaxou um pouco. E quando parou em um sinal, o rapaz teve a oportunidade de olhar por cima do ombro e notar que ela parecia estar gostando de andar de moto. Satisfeito com o sorriso nos lábios da outra, voltou a acelerar assim que o sinal permitiu.
Notando que a viagem estava ficando longa, a menor se remexeu no lugar e se levantou um pouco, o suficiente para aproximar os lábios do ouvido do rapaz.
– Para onde estamos indo, Izaya? – Ela perguntou, notando que o moreno pareceu retrair de leve.
– Q-quando chegarmos, eu aviso.
Aceitando aquela resposta, ela apenas deu de ombros e resolveu apreciar a viagem. Era gostoso ficar tão próxima ao Izaya, a sensação da velocidade da moto e o vento batendo em seu rosto era revigorante. Tentou se focar por onde estavam passando, mas não conseguiu reconhecer nada. Tinha certeza que não era Ikebukuro, conhecia aquele lugar como a palma de sua mão. Talvez a própria Shinjuku? Mas nada ali parecia familiar.
A viagem ainda se estendeu por um considerável tempo. E, sentindo que o vento estava irritando seus olhos, os fechou, apenas apreciando o calor confortável do mais velho.
– Chegamos, Mai. – Ouviu Izaya chamá-la.
Os olhos da garota se abriram lentamente, até ficarem arregalados.
–Izaya... Isso...
– Isso mesmo. – Tirou o capacete. – É o mar.
Ainda em cima da moto, Mai olhou maravilhada para aquela imensidão azul, tão clara quanto seus olhos.
O veículo estava estacionado em uma rua não muito larga, de um lado havia várias lojinhas e um Café. Do outro lado, estendia-se um pequeno espaço plano e gramado que suavemente declinava, formando um pequeno morro até chegar à areia ao nível do mar.
E a praia... Aos olhos da garota era simplesmente incrível. A areia parecia um longo tapete claro com várias palmeiras despontando em grupos, que cercava o imenso e maravilhoso mar.
– Então isso é o mar... – Ainda sem tirar os olhos do que se referira, desceu da moto. – Izaya...? – Ela o olhou.
– Não olhe para mim como se estivesse em outro planeta. – Riu.
– Por que me trouxe aqui?
– Ora, por quê? Bom, como sou um homem generosíssimo, achei que você ia gostar de ver uma praia com os próprios olhos. – Também desceu. – Fora que, lembro-me de ter dito que um dia iríamos só nós dois.
O rapaz se virou para a menor, bem a tempo de ver seu rosto corar.
– E-e como faz para chegar lá embaixo? – Ela olhou para o barranco, talvez pensando se seria uma boa ideia tentar descer escorregando.
– Tem uma escada, mas primeiro precisamos comprar algumas coisas. – Avisou, olhando para o outro lado da rua. – Tem uma loja de conveniências ali, vamos até lá.
Acenando, Mai acompanhou o rapaz até a loja. Os dois entraram e logo se dispersaram por entre as prateleiras. Quanto o informante comprava sabe-se lá o que, a garota começou a caminhar pelos corredores, observando os produtos dispostos nas estantes. Viu de tudo, até que achou algo que chamou sua atenção. Tirou o objeto da prateleira e o segurou em frente aos olhos.
– Isso... – Ela sabia o que era, já vira isso milhares de vezes em animes e mangás. Era um kit de fogos de artifício para crianças. Pelo que pode concluir, essa era uma brincadeira muito comum praticada durante o verão japonês. Parecia ser divertido, tinha muito vontade de fazê-lo, porém não estavam no verão. Muito pelo contrário, na verdade.
– Quer levar? – Ela ouviu atrás de si, assustando-a.
– Na verdade... – Pensou em dizer não, mas ao olhar para o rapaz, foi difícil negar. – ... Quero.
Sem dizer mais nada, Izaya pegou o kit das mãos da outra e foi para o caixa.
– O que você comprou? – Mai perguntou ao saírem.
– Algumas coisas e comida. – Pronunciou a última parte com um pouco de desgosto.
– O que tem de errado com a comida?
– Eu, particularmente, não gosto de comidas desse tipo. Prefiro coisas preparadas em casa, ou mais leves.
– Sério? E você sabe cozinhar?
– É claro, Mai-chan. ~
– Não parece. – Ela riu.
Atravessaram a rua e desceram uma escada de mármore que ligava a rua à praia. Assim que pisaram na areia, no primeiro momento, Mai estranhou a mudança de solo; agora macio e cedendo de leve aos pés. Ela remexeu os grãos com a ponta das botas escuras e olhou para Izaya.
– Que chão estranho.
– Não é chão, é solo e se chama areia.
– Eu sei, mas é engraçado.
O rapaz revirou os olhos e observou em volta, procurando um bom lugar para sentarem. Achou um grupo de palmeiras juntas, formando um pequeno “c” alguns metros do mar, o lugar perfeito para os dois se sentarem.
– Vamos sentar ali. – Apontou.
Caminharam até o lugar proposto e se acomodaram lado a lado na areia macia, com as costas contra os troncos envergados.
– Então – Ele começou ao se sentarem –, como pretende fazer aquilo que disse?
– E-eu ainda não sei. – Confessou. – O que te deixa feliz?
– Assim não tem graça, Mai-chan. – Passou a mão na cabeça da menor, bagunçando seu cabelo. – Você vai ter que descobrir por si só.
Um pouco inquieta, Mai desviou os olhos do rapaz e mirou o horizonte. O que poderia fazer por Izaya? Aquela era sua última chance, deveria fazer algo realmente especial. Algo bom o suficiente que tirasse sua solidão. Uma coisa que ocupasse esse vazio que Izaya criara em volta de si mesmo. Mas o que? Às vezes sua falta de senso comum e inexperiência eram realmente inconvenientes. Nada passava por sua cabeça, e isso a deixava nervosa. Precisava pensar em algo.
– Podemos nadar? – Foi a primeira coisa que veio a sua mente, que acabou escapando sem querer, levando em conta que relação nenhuma tinha com o assunto. Talvez fosse culpa do mar, que parecia hipnotizá-la.
– Nadar? Está frio, Mai-chan. – Riu do pedido. – Fora que, não temos roupas de banho, e duvido que estaria disposta a nadar comigo sem roupa. – Sorriu malicioso.
– É ver-verdade. – Tentou afastar da mente a imagem que estava se formando. – Desculpe, estou meio perdida.
– Ah, isso é perfeitamente normal. Visto que garotas tendem a ficarem nervosas no primeiro encontro.
– Encontro? – Ela o olhou com curiosidade.
– Não é suposto sermos um casal por hoje? Bom, é isso que casais fazem; saem juntos para passarem momentos agradáveis juntos.
– Entendi. – Respondeu, não conseguindo conter o sorriso que brotara em seus lábios.
– Se me der licença – Começou, enquanto abria a sacola. –, você pode não precisar comer, mas eu, sim.
Sem realmente muita vontade, Izaya começou a comer o que comprara na loja de conveniência. Nos primeiros momentos, se mantiveram em silêncio, até que Mai o interrompeu com uma pergunta:
– Izaya. – Ela o chamou. – Foi... Depois de quase um ano, foi tão ruim assim me ter morando em sua casa?
– Por que a pergunta? – Engoliu um sushi.
– Só queria saber se te dei muito trabalho.
– Pra falar a verdade, sim, você me deu muito trabalho. Você me fez sair de Shinjuku durante a madrugada para te buscar em Ikebukuro; correr atrás de você no meio da chuva e outras coisas trabalhosas. No entanto, devo confessar, parando para pensar agora, não me arrependo de nada.
– Verdade?
– E eu mentiria? – Parou para pensar. – Ok, talvez eu não seja tão confiável assim, mas dessa vez pode acreditar.
– Obrigada, Izaya. – Sorriu com carinho.
– E você, achou muito ruim morar comigo?
– Claro que não! – Pareceu ofendida com a pergunta. – Encontrar você foi a melhor coisa que aconteceu comigo!
A fala da menor, novamente, saiu completamente no impulso, surpreendendo tanto quem as disse, quanto quem as ouviu. Os dois se encararam por alguns instantes, mas logo Mai se desviou com o rosto corado.
– Você fala demais, Mai-chan. – Comentou sorrindo.
– Talvez.
Para evitar mais constrangimento, Mai preferiu manter-se em silêncio e esperar o rapaz terminar sua refeição.
Assim que comeu o último alimento, Izaya voltou a mexer na sacola de compras, quando notou algo que o fez estalar a língua. Ele havia se esquecido de comprar a droga do isqueiro para acender os fogos em miniatura.
– O que foi? – A garota perguntou, ao notar um murmúrio irritado vindo do outro.
– Esqueci-me de comprar uma coisa. – Levantou-se. – Vou até a loja novamente e já volto. Não saia daí.
– E para onde eu iria?
Sem respondê-la, Izaya saiu em direção à escada e subiu, atravessando a rua e chegando onde queria. Não se demorou muito, rapidamente comprou o que precisava e saiu. Ao voltar, assim que pisou no primeiro degrau, olhou para o lugar onde Mai estava, não a vendo ali. Porém não teve que procurar muito – e nem tempo de se assustar –, pois ela estava em pé, alguns metros à frente, com água até os joelhos, olhando suas meias pretas, observando o Sol.
Ainda sem tirar os olhos dela, o informante desceu as escadas e se aproximou até onde a areia estava úmida. Mai ainda não havia percebido sua aproximação, com isso, pôde observá-la; sua silhueta era realmente delicada, seu longo cabelo negro balançava junto ao vento, com uma das mãos ela segurava a franja e a outra puxava uma das pregas da saia para que não molhasse. Era estranho, mas visto daquela forma, ainda mais de perto, ela realmente não parecia algo humano. Até a sensação de sua presença era diferente.
– Achei ter comentado algo sobre não entrar na água. – Ele a assustou.
– Não te vi chegando... – Ela respondeu sem graça, como se estivesse planejando voltar para seu lugar e fingir que nada havia feito. – Não está tão frio assim.
– Apenas saia, antes que uma onde te pegue.
– Não seja chato! – Fez bico. – Entre na água também. ~
– Melhor não. – Cortou.
– Passar bons momentos juntos. Não é isso que casais fazem em encontros? — Ela tentou sorrir de forma desafiadora.
– Ai, ai, Mai-chan, você e sua persistência. – Ele tirou o isqueiro do bolso e jogou onde estavam sentados, fazendo o mesmo com o sobretudo e sapatos. – Dessa vez, você venceu.
Calmamente o rapaz entrou na água, esperou uma onda passar, e foi até onde Mai estava.
– Feliz?
– Sim. ~ – Ela riu, indo mais para o fundo, até onde a água batia em sua cintura. – Você sabe nadar, Izaya?
– Sei, sim. — Cruzou os braços.
– Então dê um mergulho!
– Lamento, mas isso é tudo que vai conseguir de mim. – Respondeu, dando de ombros.
Por um momento, a garota parece ficar emburrada, mas logo um sorriso cresceu em seus lábios e uma expressão de surpresa surgiu.
– O que é aquilo?!
A menor apontou por cima do ombro do mais velho, que por impulso, olhou para trás, o que foi um erro. Não havia nada no lugar para o qual ela estava apontando e, antes que se virasse, sentiu-se sendo completamente molhado. E, só pela alta risada da menina, pôde entender a situação.
– Mai-chan... – Murmurou, tirando alguns fios grudados na frente dos olhos. – Por acaso está querendo ser punida?
– Perdoe minha indisciplina. – Ela riu, jogando mais água.
– Mai-chan... – Ele não desviou.
– O que...
Não houve tempo para reagir, Izaya já a havia pego no colo e a arrastado para mais fundo, onde as ondas cobriam-nos, ensopando os dois completamente.
– Isso não é justo! – Mai reclamou em meio às risadas. – Eu não consigo me soltar de você.
– Lamento, mas essa é a sua punição. ~ – Contrapôs, também rindo.
Por fim, mesmo não fazendo parte de seus planos, o informante acabou mergulhando junto da garota e se divertindo por entre as ondas. Havia um bom tempo que não entrava no mar e reviver tal sensação era, de fato, revigorante.
Já, com quase o Sol se pondo, os dois resolveram parar. Ofegante, Izaya saiu do mar e jogou-se sentado onde a areia estava úmida.
– Não acredito que você me fez entrar na água. – Disse o rapaz, inclinando o corpo para trás, usando os braços como apoio, e olhando para o céu alaranjado.
– Mas foi divertido. – Ela respondeu, se aproximado ainda de pé.
O moreno abaixou a cabeça para respondê-la de forma sarcástica, mas as palavras ficaram presas em sua garganta quando Mai se ajoelhou entre suas pernas e o encarou.
– Algum problema? – Ele perguntou com um sorriso torto.
– ... Vo-você poderia fechar os olhos por um momento?
Sem responder e ainda com um sorriso marcando seu rosto, o rapaz atendeu ao comando. Por alguns segundos nada aconteceu, até que, de repente, sentiu os braços da garota em volta de seu pescoço e o corpo dessa pesando sobre o seu. Por causa do ato repentino, por impulso, mexeu os braços que estava usando como apoio, fazendo-o perder o equilíbrio e tombar na areia, com o corpo da mais nova sobre o seu.
– E-ei...!
Izaya tentou dizer algo, mas antes que qualquer palavra saísse, Mai levantou-se de forma que o olhasse em seus olhos e, sem aviso, juntou seus lábios. De início, assustou-se com o ato, o que deu a ela a oportunidade de aprofundar o beijo e adentrar com a língua em sua boca. Prontamente o rapaz correspondeu ao beijo e a deixou dominar a situação.
Quando o ar faltou aos pulmões, Mai se afastou do rapaz e o olhou de cima com o rosto corado.
– Haha, você me atacou, Mai-chan. – Falou em um tom calmo.
– É... – Desviou o olhar. – Satisfeito?
– E como. ~ – Seu sorriso se alargou. – Quer continuar? – Perguntou, fazendo o olhar da mais nova se ampliar.
O comentário do rapaz, involuntariamente, fez com que Mai parasse para observá-lo de cima. Izaya estava deitado, com os braços estendidos sobre a areia, a roupa grudava em seu corpo, mais um botão de sua blusa havia desabotoado, mostrando seu peito liso, e seu cabelo bagunçado. Ele era tão bonito... Tinha que se concentrar!
– Você poderia, por favor, parar de dizer coisas assim? – Pediu constrangida.
– Perdoe-me, Mai-chan, é que ás vezes não consigo me controlar. – Respondeu. – Você é muito tentadora.
– Sei... – Estreitando os olhos e saiu de cima do outro, sentando ao seu lado.
– Até que foi divertido. – Ele comentou, também se sentado.
Mai não respondeu, apenas dobrou as pernas e descansou o queixo sobre elas, olhando para o pôr do Sol. Tudo tinha sido realmente divertido, mas ainda sim, ainda não havia realizado o que queria: fazer o rapaz feliz.
Sua situação continuava a mesma, nada passava por sua mente, por mais que tentasse. Ter uma vida curta também não melhorava, tinha poucas experiências de vida que pudessem ajudá-la. Tentou buscar o pouco que tinha, relembrando as várias situações por quais passara com o rapaz.
Como se fosse um filme, as imagens começaram a passar por sua mente, até que uma em especial chamou sua atenção, seguida de uma simples palavras.
– Casamento! – Ela gritou, assustando o outro.
O casamento era um acontecimento único na vida de uma pessoa. Simbolizava o amor e a vontade de permanecer ao lado de alguém para sempre. Significava felicidade e amor. E era exatamente isso que Izaya precisava; alguém ao seu lado, que o ajudasse a carregar toda sua carga e acabasse com sua solidão.
– O que? – O rapaz a olhou com uma sobrancelha erguida.
– Um casamento, Izaya. – Ela sorriu radiante. – É isso!
– Não estou conseguindo acompanhar seu raciocínio.
– Eu já li em vários livros que o casamento muitas vezes pode significar felicidade. E, naquele dia em que fizemos de brincadeira, eu pude comprovar que era verdade. – Explicou. – Por isso, vamos fazer um dessa vez, só que de verdade!
– Mai... – O moreno a olhou com atenção, se perguntando o que se passava em sua mente.
– Por favor – Suplicou. –, essa é minha última chance.
O rapaz suspirou, aquilo estava indo longe demais. Não... Na noite em que dormiram juntos foi onde ultrapassaram a delicada e frágil linha que os separava do sofrimento. Tudo isso eram apenas consequências. No final, tudo iria se perder. A única coisa que lhe restava era aproveitar enquanto tinha.
– Tudo bem.
– Oba! – Ela se levantou animada e caminhou até onde a areia estava seca, fazendo os grânulos agarrarem-se a sola de suas meias.
– Sabe, Mai-chan, desse jeito vou achar que você realmente quer ser minha esposa. – Brincou, pondo-se de pé.
– Talvez eu queria mesmo. – Respondeu, olhando por cima do ombro com um sorriso nos lábios, antes de voltar a olhar para frente e caminhar até onde estavam os casacos.
Droga, por que ela tinha que falar coisas tão estúpidas? Agora, por culpa dela, estava sentindo seu rosto esquentar. Ainda bem que Mai estava de costas para ele.
– Vejamos... – A garota murmurou se abaixando. – O que podemos usar como alianças?
– Pode usar os meus anéis. – Ofereceu, fazendo a outra soltar um leve riso. – O que foi?
– Pensei que você achasse que tudo isso que estou fazendo é uma grande bobagem. – Comentou.
– Não é como se eu odiasse tudo o que você faz para mim.
– Que gentil. – Ela elogiou, mas sua voz parecia um pouco pesada. – Eu só espero que você me perdoe.
– Pelo quê?
– Então, vamos dar início á cerimônia! – Se aproximou. – Você começa. – Apontou
– O que?
– Não são os homens que começam pedindo? Vamos. ~
– Ah, você... – Ele a olhou, percebendo que falava sério. – Você não está achando que vou me ajoelhar aqui na areia, não é?
Mai não respondeu, mas seu sorriso fino se alargando só dava ainda mais certeza à Izaya. Suspirando e deixando os ombros caírem em desistência, tirou os dois anéis que estava usando e se aproximou da garota. Estava indo se ajoelhar, quando a baixa risada da outra o fez parar.
– ... Você está zombando de mim. – Concluiu, estreitando os olhos.
– Eu não achei que você ia mesmo se agachar. – Riu, colocando a mão na frente dos lábios.
– Acho que você tirou o dia de hoje para me desafiar. – Endireitou-se, sorrindo maliciosamente. – Mas é melhor tomar cuidado, pois eu posso acabar pedindo uma revanche.
Sem aviso, Izaya puxou a garota pelo pulso e aproximou seus corpos.
– Então, Mai-chan, aceita ter a honra de ser minha esposa? – Perguntou ainda mantendo o sorriso. – Prometo ser um excelente marido. ~
– ... – Seu rosto esquentou, aquele sorriso do rapaz a deixava desconcentrada. – A-aceito...
– Sua vez.
– Eu também prometo... – Sua voz foi morrendo ao perceber que iria prometer algo que não poderia cumprir.
O moreno também notou a inquietação, então interviu:
– Me dê a sua mão. – Pediu.
Ainda um pouco perturbada, Mai se afastou um pouco e estendeu a mão para o rapaz. Com calma ele colocou o anel e pediu para que fizesse o mesmo com ele.
– Agora – Ele começou. –, você é só minha.
– E você é só meu. – Respondeu sorrindo, levantando a cabeça para encará-lo.
Com tranquilidade, Izaya segurou na cintura de Mai e a puxou para si novamente. Correspondendo ao ato, a garota colocou os braços em volta de seu pescoço e juntou seus lábios. O beijo começou calmo, mas aos poucos começou a se aprofundar e a ficar mais intenso.
Izaya teria aprofundado ainda mais, porém Mai o parou, colocando a mão em seu peito e afastando-o de leve.
– Você está fazendo de novo. – Ela comentou com o rosto corado. – ... Aquilo que fez noite passada.
– Mas é isso que acontece depois do casamento. – Respondeu com a voz rouca.
– Eu sei. – Se afastou. – No entanto, não devemos mais fazer isso. Vamos apenas comemorar e tentar sorrir, o que acha?
– Você tem razão. – Aceitou, virando-se para onde estavam sentados. – Um casamento comemorado entre apenas duas pessoa e um kit de fogos, que diferente. Isso, sem contar com o fato de que minha esposa não é humana. – Riu debochado da própria situação, fazendo a outra acompanhá-lo.
– Fala como se fosse o exemplo de ser humano normal.
– Um bom argumento. – Deu de ombros.
– Ei, Izaya. – Chamou.
– Sim? ~
– Somos amigos, certo?
– Somos, por quê?
– Também somos uma família, não é? – Perguntou acanhada.
Izaya virou-se para ela, curioso.
– Em dadas as circunstâncias, sim. – Logo percebendo o que ela queria. – Você quer...
– Não. – Interrompeu. – Eu não vou perguntar se você está feliz, pois tenho medo de ter falhado novamente. Não me responda, por favor.
– Certo, então não farei. – Consentiu.
– Obrigada. – Ela sorriu, depois desviando o olhar para o kit que compraram. – Agora vamos comemorar.
Juntos os dois abriram o pacote e, com calma, Izaya mostrou a Mai como usar cada um deles. O primeiro que pegaram se assemelhava á um palito, porém mais longo. O informante colocou fogo em sua ponta, fazendo-o soltar varias faíscas amareladas, empolgando Mai completamente.
– É lindo, Izaya! – Falou eufórica.
Aos poucos o rapaz ia mostrando um a um à Mai, que sorria de empolgação. Até o próprio estava se divertindo; aquilo lhe dava uma sensação nostálgica, fazendo-o lembrar-se das poucas vezes em que foi em um Festival de Verão com seus pais durante sua infância.
– Sabe com o que eles se parecem? – Mai interrompeu, olhando para o que haviam acendido; algo que se parecia com uma pequena cobra retorcida que começava a queimar pelas pontas, soltando faíscas.
– Com o que?
– Com estrelas. – Ela apontou para o escuro céu.
– É mesmo. – Ele também sorriu.
– Posso tentar acender um, Izaya? – Mai pediu.
– Claro.
Izaya foi para o lado da garota, lhe entregando outro palito, só que mais grosso que os outros, e acendendo-o. Subitamente, várias faíscas coloridas jorraram de sua ponta, fazendo Mai se assustar e largar o objeto.
– Está com medo das faíscas? – Perguntou rindo.
– Eu me assustei.
– É só ir com calma. – Pegou outro brinquedo e colocou novamente na mão de Mai, segurando-a também, e depois acendendo.
– Você... – Seu rosto corou. – Está segurando minha mão.
– Qual o problema?
– É embaraçoso. – Encolheu-se.
– Você acha? ~ Penso que é bem romântico.
– So-solta a minha mão. – Pediu.
– Tive uma ideia, Mai-chan. – Com um movimento leve, faz com que ela soltasse o palito de artifício, apagando-o ao entrar em contato com a areia. – Que pena, esse era o último. ~ Já que agora estamos sem nada para fazer, que tal uma volta na praia de mãos dadas?
– Nã-não, espera!
Sem o consentimento da outra, ele a puxou pela mão, entrelaçando seus dedos e começou a caminhar. Que divertido, pensou. Aquela era um simples ato, mas era o suficiente para deixa-la constrangida. Era até fofo, quase chegou a soltar uma risada boba.
De mãos dadas os dois caminharam à beira mar. Nos momentos iniciais, se mantiveram em silêncio, enquanto Mai tentava soltar-se de sua mão. Porém, notando que não iria conseguir, relaxou o braço e soltou um suspiro.
– Desistiu? – Perguntou provocativo.
– Desisti. – Respondeu fazendo bico.
– Que bom, pois agora tenho uma pergunta para você, Mai-chan. – Começou.
– E qual seria?
– Por que você me ama tanto? – Indagou, sem olha-la nos olhos.
– Ahr... – Seu rosto esquentou. – Eu tenho mesmo que responder?
– Têm.
– Bom – coçou a lateral do rosto com a ponta do dedo. – Eu te acho incrível, sabia? Você é tão inteligente, sabe muita coisa, é atento e perspicaz. Eu acho isso muito legal. Eu sei que todos dizem que é desprezível, e que faz jus à fama, mas... Você se apega a poucas coisas, mas esse pouco você cuida. Indiretamente é carinhoso e amável. Acho que foi por isso que me apaixonei.
– E falando isso, você conclui que uma dessas poucas coisas é você? – Desafiou.
– Sim. – Sorriu.
– O que te faz pensar isso?
– Estamos aqui de mãos dadas, não estamos?
– É, estamos.
Mais nada foi dito, apenas continuaram a caminhar apreciando a brisa marítima, até resolveram dar meia volta e retrocederem ao local ponto de partida.
– Deve estar bem tarde. – Mai comentou, sentando-se ao lado do rapaz.
– Provavelmente. – Soltou um bocejo. – Que dia, ein? Estou completamente exausto.
– Sério? Já que é assim, como boa esposa, vou deixar que descanse em meu colo. – Ofereceu, colocando a mão no ombro do rapaz e fazendo uma pequena pressão. – Não fique acanhado. ~
– Certo, certo... – Deu de ombros revirando os olhos, inclinando-se e repousando a cabeça no colo da menor, relaxando o corpo.
– Viu? Não é confortável?
– Talvez. – Respondeu olhando para Mai pelo canto dos olhos, percebendo que essa rodava o anel em seu dedo, com uma expressão de afeição no rosto. Satisfeito, também sorriu e fechou os olhos. Não demorou muito, sentiu os dedos da garota acariciando sua cabeça. – O que está fazendo? – Indagou sem abrir os olhos.
– Sendo carinhosa. – Ela falou de forma terna. – Carinho é bom. – Acrescentou ao pé de seu ouvido.
– Depende de quem o está fazendo. – Comentou, fazendo a outra rir baixo. – Ei, Mai, por quanto tempo ainda quer ficar aqui?
– ... Você pode dormir e descansar, quando estiver na hora de ir embora, eu te acordo. – Sua voz agora estava triste.
O moreno preferiu não protestar, apenas tentou se concentrar no toque da garota e em seu calor.
– Eu quero ir à um lugar... – Foi a última coisa que o rapaz ouviu, antes de cair no sono.
Sua mente ainda estava embriagada pelo sono, mas podia ouvir alguém chamar seu nome. No início parecia apenas um sussurro ao longe, mas aos poucos foi aumentando. Até que abrisse os olhos e percebesse que era Mai chamando-o.
– Izaya. – Ela repetiu com a voz calma, porém desanimada.
– Aconteceu algo? – Ele levantou-se, coçando os olhos.
– Acho que é melhor ir embora. – Mai pediu, seus olhos pareciam mais escuros que a noite.
– Quantas horas?
– Não sei, mas já está na hora de ir embora. – A menor se levantou e o rapaz fez o mesmo. Estava mais frio e ventava.
– Certo, vamos lá pegar a moto. – Izaya começou a caminhar, mas parou ao perceber que só ele o fazia. – Você não vem?
– Não, dessa vez é só você.
– Pare de brincar, Mai, vamos embora. – Ele a olhou sério.
– Já é sofrimento o bastante... – Ela respondeu. – Essa tortura está matando nós dois.
– Eu não vou te deixar aqui. – Falou.
– Já passa da meia-noite, não precisa mais fingir gostar de mim. Na verdade, vamos parar com o teatro e de fingir que não tem nada de errado.
Izaya franziu o cenho, o que estava aconteceu com ela?
– Apenas... – Seus olhos estavam melancólicos. – ... Apenas vá embora e me deixe aqui. Esqueça-me completamente.
– Eu te trouxe até aqui e vou te levar embora. – Contrapôs irritado. – Agora pare de falar coisas sem sentido e...
– Izaya! – Ela gritou. – Por favor, não vale mais a pena ficar perto de mim. Isso está me sufocando e a você também.
– Mai...
– Já é hora de dizer adeus. – Ela olhou para Izaya, não estava chorando, mas seu olhar era pesado e sôfrego.
– ... Tudo bem. – Ele fechou os olhos e deu um sorriso fino. Quando voltou a abri-los, estava carregado de malícia. – Estão dê um motivo. Se você disser, olhando nos meus olhos, que não me ama mais e é por isso que quer dizer adeus, eu vou embora.
– Izaya... – Seus olhos estavam começando a ficar úmidos. – Isso não é justo...
– Ah, minha querida Mai-chan, você que não é justa. Estou esperando, vai dizer?
A mais nova apertou os punhos e deu as costas ao informante.
– Izaya...
– Não, não, Mai-chan, tem que ser olhando para mim. ~
– Isso realmente não é justo. – Seus ombros tremiam. – Você sabe...
Por um momento ela não disse nada, mas era notável a sua tensão.
– Você sabe muito bem que você é a pessoa que mais amo! – Despejou. – Eu nunca conseguiria dizer algo assim para você.
– Então nosso problema está resolvido, certo? – Deu um passo em direção à Mai. – Agora podemos ir?
– Não... – Balançou a cabeça. – Não me force a ser você a última coisa que eu vou ver antes de ir embora. – Pediu. – Eu não quero ir embora, e vai ser ainda mais difícil com você ao meu lado.
– Lamento, mas quando a isso, não vou poder te ajudar. – Se aproximou mais.
– Se é assim, eu te odeio, Izaya. – Falou amarga, tentando se afastar do rapaz que se aproximava, mas foi inútil, pois esse a segurou pelo pulso.
– É mesmo? – Falou em tom de desafio. – Tem certeza disso? Porque não faz muito sentido gritar que me ama e em seguida dizer que me odeia.
O rosto de Mai ficou vermelho e essa tentou, em vão, se soltar das mãos de Izaya.
– ... Continuo te odiando...
– Ah, Mai-chan, você é tão bobinha e inexperiente. – Ele riu e antes dela reagir, puxou-a para perto de seu corpo e beijou seus lábios.
A garota se assustou e tentou recuar, mas isso parecia impossível. Beijar o rapaz a desconcentrava e ele segurava sua cintura com força.
– Será que você se acalma quando eu te beijo? – O moreno reclamou ao se afastar. – Agora podemos ir embora sem você fazer um chilique?
– Mas...
– Eu decidi que vou te levar de volta para Ikebukuro. – Repreendeu. – Fora que, você quer mesmo ficar aqui, sozinha e no frio?
– ... Não.
– Pronto! ~ Problema resolvido. – Deu as costas para ela e colocou a mão na nuca. – Eu ouvi que você queria ir a um lugar. Onde é? Vou te levar até lá.
Mai não respondeu ao comentário, não tinha nada a dizer. Simplesmente acompanhou o rapaz até sua moto e subiu.
– Lembra-se daquela praça em que... – Seu tom de voz ficou baixo. – Em que nós nos beijamos pela primeira vez?
– E como eu esqueceria? ~ – Colocou o capacete.
– É lá onde eu quero ir. – Pediu, apertando os braços em volta do rapaz.
Acatando o pedido da mais nova, o informante deu a partida e seguiu noite afora.
– E não é que está tarde? Ou seria cedo? – Izaya comentou ao passar ao lado de uma placa eletrônica onde mostrava as horas. – Já são 4:30 da manhã.
O rapaz continuou a pilotar sua moto, atravessando os distritos de Tokyo, até chegarem à Ikebukuro. A paisagem, para Mai, começou a ficar mais conhecida. Ela pode ver – mesmo que rapidamente – todos os locais por quais um dia passou em algum momento de sua curta vida. E, revê-los dessa forma, a fazia sentir algo agonizante, similar à uma nostalgia, só que desagradável.
Ainda que estivesse concentrado na pista, Izaya pôde sentir o aperto de Mai em sua cintura. A pequena discussão que tiveram a pouco, ele sabia, não fora atoa. Ele também sentia uma dor semelhante à dela, mas não tinha a menor coragem de largá-la naquele local. Não tinha coragem de abandoná-la.
A moto foi parando lentamente ao se aproximarem da praça que Mai falara. Izaya desligou a moto e tirou o capacete, acompanhado da mais nova. Ainda estava escuro e o local era iluminado apenas pelos postes. Os dois desceram e deram alguns passos a frente.
– Chegamos. – O rapaz comentou.
– Vamos até o meio. – Ela pediu.
Izaya começou a andar, Mai o seguiu, mas ao invés de ficar ao seu lado, manteve-se um passo atrás.
– Antes de qualquer coisa. – Ela começou. –, acho que eu devo esclarecer a você algumas coisas sobre mim.
– Ah, isso seria ótimo. ~
– Você já sabe que não sou humana, certo? Na primeira vez em que nos vimos, eu disse que precisava realizar uma missão, que era ajudar uma pessoa. Bom, na verdade, não era ajudar em si e nem uma pessoa qualquer. Era algo completamente diferente. No início nem eu mesma entendia o que era, mas aos poucos, na medida em que eu fui convivendo com você e descobrindo meus sentimentos, as coisas começaram a ficarem mais claras. Mas eu só consegui compreender realmente tudo, ontem de manhã, quando eu perguntei se poderia fazê-lo feliz. Infelizmente foi um pouco tarde, e eu não consegui realizar minha missão... Como sou inútil. Todavia, não foi de todo ruim, afinal, eu encontrei a pessoa certa e aos poucos me apaixonei por ela. – Sua voz ficou embargada. – Mas eu queria, ao menos, ter feito você feliz...
– Mai... – O rapaz parou e se virou para ela.
– Está tudo bem. – Ela tentou sorrir em meio às lágrimas que desciam pelo seu rosto. – Eu estou satisfeita, pois o tempo que passei com você foi muito precioso e valeu a pena.
– Não se preocupe, Mai. – O rapaz falou com a voz calma. – Se quer saber, eu estou realmente feliz por ter te conhecido.
– Izaya... – Mais e mais lágrimas escaparam, e na tentativa de pará-las, colocou a mão na frente de seus olhos. – Obrigada, Izaya... Realmente obrigada.
O rapaz sorriu de leve e levou a mão até a franja da garota, tirando os fios da frente dos olhos. Com o ato, Mai tirou a mão que tampava sua visão e o encarou.
– Será que... – Seu rosto corou. – Pedir um último beijo e um abraço seria demais?
– Claro que não. – Respondeu.
Timidamente Mai se aproximou de Izaya, enlaçando os braços em volta de seu pescoço e pondo-se na ponta dos pés. Correspondendo ao ato, o informante circulou sua cintura com os braços e a puxou para mais próximo. Lentamente seus lábios se uniram, movendo-se em sincronia. Foi um beijo calmo e demorado, mas com um amargo gosto de despedida. Os dois cessaram o contato dos lábios, mas não se afastaram. Continuaram juntos em um abraço. Mai agora mantinha os braços em volta do tronco do rapaz e a cabeça encostada em seu peito.
– Sabe uma coisa estranha, Izaya?
– O que? – Ele apertou mais o abraço, colocando a mão na cabeça da menina e descansando o queixo em cima.
– Estamos tão próximos, mas mesmo assim, eu estou sentindo uma saudade insuportável de você. – As lágrimas voltaram a descer. – Eu não quero ir embora, Izaya! Eu quero ficar aqui com você!
– Eu sei.
– Eu quero poder voltar com você para o escritório, voltar a frequentar o Raira, passear por Ikebukuro e, principalmente, poder te ver todos os dias.
Era uma sensação agonizante aquela, e era justamente um desses o motivo de não gostar de se envolver com as pessoas. De um jeito ou de outro, elas sempre acabam indo embora. Nunca se pode ter a pessoa querida por completo, dizer que ela é totalmente sua e mantê-la com você para sempre. E quanto maior era esse desejo, pior e mais torturante era a perda. Ele e Mai, não passaram tanto tempo juntos, mas foi o suficiente para se acomodar a sua presença. De aceita-la e fazer questão que ela sempre estivesse consigo. Não se sentia mais sozinho com ela perto, aquele sentimento agonizante de não ter ninguém que se preocupe consigo e de isolamento havia ido embora. Só que não poderia tê-la mais, logo, a qualquer momento, ela iria embora e deixá-lo.
– Eu também não quero dizer adeus. – O mais velho falou, surpreendendo a outra. – Afinal de contas, você é a pessoa mais importante que tenho.
– Izaya... – Ela afundou o rosto em seu peito e deixou suas últimas lágrimas descerem, enquanto o rapaz acariciava sua cabeça, da mesma forma que ela fizera na noite anterior.
Aos poucos Mai foi parando seu choro, e quando a última lágrima desceu, ela levantou a cabeça e encarou Izaya.
– Bom – limpou os olhos –, acho que está na hora. Só falta uma coisa para dizer, certo?
– Você não disse que realmente é. – Sua voz estava pesada e rouca.
– Isso mesmo. Mas antes, saiba que eu vou sempre te amar, Izaya. Não importa quantos anos passem, meus sentimentos nunca irão mudar.
Antes que ele pudesse fazer algo ou segurá-la mais forte, Mai se soltou de seus braços e deu alguns passos para trás. Ela sorria de forma radiante, como não tivesse acabado de chorar, e seus olhos estavam de um azul brilhante e vivaz.
– O que eu sou... – Ela soltou uma risada baixa. – Eu sou aquilo que vim fazer na terra. E eu vim aqui para ser... Um milagre!
Os olhos do rapaz se arregalaram, ao mesmo instante em que o sol nasceu atrás da garota, criando um clarão e bloqueando sua visão. Institivamente fechou os olhos e, no segundo seguinte, quando voltou a abri-los, Mai já não estava mais lá.
– Mai? – Ele deu alguns passos à frente, parando no lugar onde a pouco a outra estava e olhou em volta apreensivo, mas logo seus ombros caíram. – ... Então você foi embora.
Izaya olhou com desânimo e pesar para o chão, mas depois voltou a sua cabeça para o céu e sorriu.
– Nee, Mai-chan, acho que você não era tão inútil quanto pensava. Afinal, só mesmo um milagre para me fazer amar uma única pessoa exclusivamente. – Seu sorriso ficou amargo. – Pena que você não está aqui para ouvir o que eu disse! Agora sou apenas eu... Completamente sozinho.
Sem perceber, colocou a mão sobre o peito, sentindo a parte felpuda de seu sobretudo. Esse amor era um sentimento estranho e totalmente novo para ele. Nunca experimentara algo assim de forma tão intensa. Só que na mesma proporção era a dor da despedia, algo quase cortante. Não se arrependia da forma com que agira com Mai durante o tempo em que passaram juntos, mas gostaria de ter tido mais oportunidades para poder demonstrar esse sentimento. Queria ter tido mais tempo... Chegou até a imaginar como seria se ela não tivesse ido embora e ele dito essas palavras a ela. Porém teve que cortar seus pensamentos, assim que sentiu seu peito fincar.
– Eu realmente queria que você ficasse comigo. – Murmurou.
Foi então que notou onde sua mão estava, sobre seu casaco. Algo estalou em sua mente, que o fez sorrir e voltar a olhar para o céu.
– Você ficou com o meu casaco, Mai-chan, e você sabe como eu gosto dele. – Deu meia volta, caminhando em direção a sua moto. – Por isso, vou estar esperando você me devolvê-lo. Não importa quanto tempo leve.
“Vou esperar pelo dia em que voltaremos a nos encontrar”
Fim do capítulo 30.
Notas finais
Alguma vez vocês já se perguntaram por que a fic se chama Miracle? Bom, é esse motivo! Depois de tanto suspense, eu revelei o que a Mai realmente é. Surpresos? Já esperavam isso? O que vocês achavam que ela era? Penso que muitos imaginaram que ela era um anjo, que é até plausível. Espero ter superado suas expectativas quanto a isso.
Ah, e para quem não notou, adivinha com que letra o nome da minha querida OC começa? xD
E, finalmente, o Izaya aceitou seus sentimentos. Pena que ele não disse isso pra Mai. Mas no final das contas, ela conseguiu realizar sua missão.
NO ENTANTO, agora vem a revelação bombástica (?) para aqueles que estão em lagrimas (ou não): Miracle tem um epílogo!
Acharam mesmo que eu ia deixar as coisas nesse estado? Haha, claro que não!
Por isso, vou deixar os agradecimentos para o epílogo, ok?
Bom, agora gostaria de saber a opinião de vocês. Conte-me o que acharam, se choraram, se o final emocionou vocês. Quero saber tudinho.
E se não for pedir demais, alguém quer me dar uma recomendação?
Prometo não demorar com o epílogo, afinal, ele não é tão grande assim.
Então, até lá!
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