Miracle

26 Capítulo 26 - Resentment


Notas iniciais
Eu realmente espero que gostem.
Tenham uma boa leitura.

Miracle


Capítulo 26 – Resentment


Mai sobressaltou no lugar ao ouvir a porta sendo aberta bruscamente. Sentada na cama, olhou para o lado e viu Izaya. O rapaz começou a se aproximar de onde ela estava, deixando cada vez mais nítida suas feições.


– Chegou cedo... Izaya! – Assustou-se ao sentir o informante colocar as mãos em seus ombros e empurra-los contra a cama. – O que está fazendo?!


– O que foi? Te assustei? ~ – Perguntou irônico, colocando-se sobre a garota.


– O-o que houve com você? – Indagou um pouco relutante, percebendo o olhar cruel do outro, quase enlouquecido.


– Ah, nada de mais, Mai-chan. – Sentou sobre suas coxas, começando a tirar o próprio casaco. – Só que hoje eu estava pensando... Você é uma pessoa muito egoísta e cruel, sabia? – Jogou a vestimenta ao lado da cama.


– Do que está falando? – Olhou confusa, tentando sair daquela posição.


– Não é legal se envolver tanto com uma pessoa, quando se tem a intensão de abandona-la.


Mai arregalou os olhos, entendendo perfeitamente ao que ele se referia. Não sabia como havia descoberto isso, mas tinha certeza do que isso significava: problemas. Não era para ninguém saber sobre seu destino, sobre sua realidade.


– Espera, Izaya... – Tentou novamente, em vão, se levantar. – Deixe-me explicar!


– Não quero explicações. – Sorriu cruelmente, em seguida juntando violentamente seus lábios aos dela, forçando-a de volta para o colchão.


Com o ato repentino, Mai se assustou e apertou os olhos, mas esses logo voltaram a se abrir quando sentiu algo quente e úmido roçando em seus lábios. Na surpresa de perceber o que era aquilo, os entreabriu, deixando que a língua de Izaya tomasse conta de sua boca. O informante a beijava com furor, explorando sua boca e não dando tempo para que reagisse.


Enquanto a beijava, Izaya ouviu Mai soltar um gemido de protesto e sentou seu peito sendo empurrado. Entretanto, nada daquilo era suficiente para que se afastasse. Continuou a beija-la, até seus pulmões implorarem por ar.

Afastou-se da menina e a encarou; seu olhar era assustado, mas seu rosto estava corado e respiração ofegante. Não esperou que ela recuperasse o fôlego, voltou a se abaixar, mas dessa vez levou os lábios ao seu pescoço, recebendo um gemido de insatisfação.


– Para com isso... – Pediu sem fôlego, sentindo a língua do rapaz passar por toda a pele de seu pescoço, ocasionalmente, mordendo e chupando.


Aquilo tudo a incomodava. Mai tentava sair dali, mas não tinha forças o suficiente, sempre que tentava erguer seu corpo, Izaya forçava o próprio contra o dela.

Entretanto, a sensação incomoda logo foi substituída por um intenso sentimento de desespero ao sentir uma das mãos de Izaya pousando em sua coxa direita e apertando, para depois começar a subir pelo seu corpo sem nenhum pudor.

Soltava gemidos involuntários a cada centímetro que a mão do mais velho subia, passando por sua cintura e indo até seu tronco. Porém não subiu mais, voltou a descer, parando na lateral de sua calcinha. Mai se retraiu completamente com o pano sendo puxado.


– Izaya! – O grito foi alto e ecoou pelo quarto, assustando o outro, que se suspendeu sobre ela.


Os dois ficaram se encarando com os olhos arregalados, e por um momento, Mai achou que ele iria recuar e aquela situação assustadora terminaria. Mas tal alívio fora apenas momentâneo, sua esperança foi jogada para longe pelo olhar cruel e sorriso malicioso que se formaram no rosto de Izaya.


– Isso está me irritando. – Ele falou. – Pare de agir como uma garotinha virgem, quando nem ao menos humana você é. – Seu olhar mudou para desprezo. – Eu não disse que você poderia ficar, mas em troca me satisfaria? Bem, esse tipo de coisa também estava dentro do que eu propus. Fora que, à de convir comigo, mesmo dizendo que me ama, nunca fez nada significativo que valesse esse sentimento. Então aproveite essa chance e seja útil pelo menos uma vez em sua insignificante vida e me deixe terminar o que quero fazer.


Mai olhou atônita para ele, mas não demorou para seus olhos serem tomados por uma profunda tristeza. As mãos que seguravam os ombros do rapaz para que ficasse longe desceram para o colchão e seu corpo perdeu as forças. Grossas e sôfregas lágrimas começaram a brotar de seus olhos e escorrerem pelo seu rosto.

Ela havia desistido, e Izaya sabia disso.


Não houve mais tantos protestos por parte de Mai, dando ao informante a liberdade de continuar com tudo o que queria. Esse voltou a tomar os lábios na menor e a dar início as suas ministrações. Colando seu corpo ao dela, pode sentir suas proporções e seu calor – sentindo, de certa forma, satisfação com o que percebeu. Porém não era apenas o físico que conseguia notar, percebeu também que Mai estava nervosa e com medo, tremendo sob seu toque.


Ela não queria aquilo, ele também sabia.

Mas não se importava, estava com raiva. Com raiva dela.

Naquele momento Izaya odiou Mai profundamente.



Palavras cruéis que ele havia dito, palavras que a feririam, mas que Mai sabia que eram verdadeiras. Ela nunca havia feito nada de significativo na vida de Izaya, nada. E era por isso que logo não faria mais parte deste mundo, porque seu tempo chegou ao fim e não conseguiu completar sua missão. Era realmente uma inútil que só servia para dar trabalho às pessoas. Não merecia ser amada por ninguém, muito menos por Izaya.


O rapaz a beijava, sem lhe dar espaço para que reagisse ou recuperasse o fôlego. Novamente sentiu a mão do homem subir pela sua perna e passar por todo o seu corpo, por baixo de sua roupa, sem pedir permissão. Reagindo a isso, ela segurou a blusa negra do outro na região das costas, tentando não fazer nenhum som, mas ele sempre conseguia arrancar cada vez mais suspiros e gemidos dela.

Em meio aos toques e beijos, Mai voltou a sentir sua roupa íntima sendo puxada. Apertou os olhos e involuntariamente fechou as próprias pernas estendidas sobre a cama. Todavia, isso não impediu Izaya de retirar a peça sem cerimônia. Ainda de olhos fechados e sem coragem de encarar o rapaz, Mai percebeu que esse se afastou de seu corpo e voltou a se sentar. Ouviu o barulho de cinto e botões sendo abertos, ainda que relutante, voltou a abrir os olhos e viu que Izaya abaixava as próprias calças – não tanto, mantendo-as um pouco assim dos joelhos. Sua pele clara logo mudou para uma tonalidade escarlate e seu coração começou a disparar quando o informante começou a puxar a própria cueca. Tomada por um extremo constrangimento, apertou os olhos e virou o rosto para o lado.


Primeiro suas pernas foram afastadas, Izaya voltou a ficar sobre seu corpo, em seguida sentiu algo tocando sua intimidade, lhe causando arrepios, e depois, dor.

Era uma dor que parecia rasga-la, que fazia mais e mais lagrimas desceram. Com uma das mãos apertou o lençol da cama e a outra levou aos olhos que estavam cobertos pela franja umedecida com lágrimas e suor. Tentava não emitir sons mordendo os lábios, mas os movimentos impetuosos de Izaya tornavam isso impossível.

Uma mistura intensa de dor física e psicológica. Aquela era uma experiência terrível, que fazia seus sentimentos borbulharem dentro de seu corpo.


Aquilo não significava nada, não é mesmo?

Izaya mesmo disse, era só uma forma de se satisfazer... Então por que seu coração batia dolorosamente em seu peito, as lagrimas não paravam e, principalmente, sentia seus sentimentos se partindo?


– I-Izaya... – Soluçou entre lágrimas.


– Quieta. – O rapaz grunhiu.


Enquanto se movimentava dentro da garota, o moreno olhou em seus nebulosos olhos. Era fácil concluir que ela estava detestando tudo isso, que aquilo a machucava de várias formas. Confessava, também não estava apreciando. O prazer e a excitação que estava sentindo eram secos e sem desejo.

Então por que continuava?

Porque estava irritado. Fazia isso por raiva e ressentimento de Mai.

Como... Como ela ousou?! Aparecer de repente e invadir sua vida, perturba-lo durante quase um ano inteiro, para depois ir embora? Invadir tanto sua vida ao ponto de começar a fazer parte de seu cotidiano.

Como ela ousa passar tanto tempo com ele, obriga-lo à sentir tantas coisas e fazê-lo se apegar à ela, para depois abandona-lo simplesmente?

Como ela ousa deixa-lo sozinho, depois de tudo?


– Droga... – Murmurou, diminuindo a velocidade dos movimentos.


As estocadas continuaram por mais algum tempo, o quarto estava quente e baixos suspiros – nem todos de prazer – podiam ser ouvidos. Um gemido mais alto por parte de Mai se fez presente, seguido por um quase inaudível de Izaya. – já haviam chegado ao limite.

Sentindo o rapaz se retirar de si, a garota estremeceu, também com a estranha sensação de algo quente descendo por sua intimidade. O informante se levantou e saiu da cama, ajeitando a própria calça e seguindo para o banheiro.

Enquanto ouvia o barulho da ducha sendo ligada, Mai olhava para o teto claro do quarto. Varias partes do seu corpo doíam e sentia-se estranha; mesmo o rapaz tendo saído do recinto, ainda podia sentir seu calor, o cheiro do informante estava impregnado em seu corpo.

Por causa do que haviam feito, acabaram criando uma forçada intimidade. Sentimentos inexplicáveis e torturantes rodavam o coração da garota, tanto que mal conseguia lidar com eles.


Ouviu o chuveiro sendo desligado e logo Izaya saiu do banheiro já vestido com seu conjunto de dormir. Nenhum dos dois trocou palavras ou olhares – o informante apenas se deitou do outro lado da cama e a menina, do jeito em que estava, cobriu-se com os lençóis. Cada um virado para um lado.



A claridade da manhã batia no rosto do informante, obrigando-o a acordar. Seus olhos estavam semiabertos, e embaçados, quando se virou para o lado de Mai na cama.

Ela não estava lá.

Arregalou os olhos e levantou-se bruscamente. Procurou em volta, mas não viu nenhum sinal da menina. Entretanto, seu pânico foi diminuindo aos poucos ao perceber que a porta do banheiro estava fechada e o barulho do chuveiro se fazia presente.


Um pouco mal-humorado por ter se exaltado, saiu da cama e foi até seu armário se trocar. Os acontecimentos da noite passada ainda estavam na mente do rapaz, deixando-o confuso e perdido. Tudo estava saindo de seu controle, já não sabia mais o que fazer ou como lidar com as coisas de forma lógica.



Imersa em água, a menina de olhos azuis tentava relaxar seu tenso corpo. Sentia a dor espalhada por esse todo, e quando foi se lavar, notou que havia sangue seco entre suas coxas. Ao terminar, enrolou-se em uma toalha macia e foi para frente do espelho.

Seus olhos, sempre vivos, agora tinham uma tonalidade escura; sua pele, ainda mais pálida do que antes, estava marcada por várias manchas avermelhadas feitas por Izaya. Só de lembrar-se da noite anterior, de quando elas foram feitas, sentia seu corpo estremecer.

Ainda enrolada na toalha, saiu do banheiro, não vendo o rapaz no quarto, para seu alivio. Também notou que a cama estava arrumada e as janelas abertas, arejando o quarto. Saiu do cômodo e seguiu para o seu próprio. Lá colocou uma roupa casual, sem intensão alguma de vestir o uniforme. Já não tinha mais intensão alguma de ir para o Raira. Trocada, sentou-se na cama – sentindo um leve desconforto – e tentou respirar fundo. Encarou as próprias pernas, estavam melhores do que nos dias anteriores, mas não completamente boas. Andar por Ikebukuro seria outra coisa que iria deixar para trás, junto com as pessoas que conhecera. Justo naquele momento, em que sua mente precisava de um apoio, uma distração... Iria sentir falta dos amigos e colegas. Sentiria saudades da companhia de Anri, Mikado e Masaomi durante as aulas e intervalos, da voz calma e bela de Celty, das esquisitices de Shinra, de se encontrar com Erika e Walker para ouvi-los falar sobre animes e mangás e de topar com Shizuo pela cidade e ficar seguindo-o ocasionalmente e trocar curtos, porém agradáveis diálogos.

Ironicamente, a única companhia, a única pessoa próxima que tinha naquele momento, era Izaya. Justo quem a machucou tanto, quem lhe causou tantas feridas. As coisas entre os dois aconteceram tão rapidamente e sem aviso que mal conseguia acompanhar.


Uma mistura dolorosa e torturante de sentimentos a tomava. Tudo o que tinha relação com Izaya, desde o momento que passou a fazer parte daquele mundo até agora, estava se voltando contra a garota. Todos os sentimentos e consequências estavam sufocando-a. Seu passado, presente e destino se encontraram e, juntos, estavam esfaqueando-a por dentro.


Deixou os ombros caírem e olhou para a porta fechada. Será que descia? Não havia nada para fazer no quarto e já estava cansada de remoer seus sentimentos. Não se importava se o rapaz estava lá em baixo ou não. Não queria se importar com mais nada. Levantou-se da cama e saiu do quarto, passando pelo corredor ladeado por grades, que mostrava o andar de baixo, para onde desceu.



Izaya trabalhava mecanicamente em seu computador, quando ouviu os baixos passos da garota descendo os degraus. Não olhou diretamente, apenas a espiou pelo canto dos olhos. Ela terminou de descer as escadas e, sem nem mesmo olhar em volta, seguiu para o sofá e se sentou. Não chegou a ligar a T.V, com os olhos nublados, fitava a os próprios pés.


Silêncio.


O escritório estava coberto por um desagradável clima. Tenso, pesado e incômodo. O silêncio entre eles era horrível, quase sufocante. Entretanto, o informante não conseguia fazer nada a respeito. Mai era a única pessoa, ou quase, que Izaya tinha dificuldade em lidar.

Segurou um suspiro de frustração e tentou se concentrar em seu trabalho, mas a cada dois minutos seu olhar fugia do computador e ia parar na garota. Ela não fazia nada, continuava na mesma posição.

Por que ela não fazia nada?


Irritado com toda aquela falta de reação e sentimento, saiu de sua mesa e foi se sentar no sofá ao lado dela. A garota não se mexeu. Próximo a ela, o rapaz pôde observa-la melhor. Parecia cansada, seu olhar era vazio e matinha a cabeça baixa. Nem parecia que ele estava sentado ao seu lado. Mai estava completamente apática a ele. O que era realmente estranho, quase anormal. Noite passada ele havia, praticamente, a forçado com palavras e chantagem emocional para que fizesse o que queria. Ele a obrigou e a machucou física e emocionalmente, tomou sua inocência, porém, ela não fazia nada. Não gritava com ele, chorava ou se revoltava... Nada! Essa falta de reação estava deixando-o nervoso e perdido.

Fez menção de colocar a mão no ombro da menina, mas recuou. Não conseguia toca-la. Olhou em volta procurando o controle remoto, achando-o caído em um dos cantos do sofá. Pegou o aparelho e ligou a T.V. O som repentino fez Mai olhar para cima um pouco surpresa. Incentivado, o informante começou a passar pelos canais pagos, até chegar especificamente no de filmes. Estava passando os créditos finais e logo outro se iniciaria. Não tinha a menor ideia de qual seria. Não se importava, desde que fosse um filme estava satisfeito. Assim que os créditos acabaram, o filme seguinte deu indícios de que iria começar.


Era de suspense, talvez interessante para mentes comuns, mas chato para Izaya. Olhou com tédio para a cena que estava passando e depois se virou para Mai. Ela parecia interessada, ainda tinha um olhar vazio, mas esse não se desviava do telão. O que era bom, achava.



Duas horas depois, o filme se finalizou – como ele havia previsto – e os créditos, acompanhados por uma música lenta, começaram a rodar na tela. Voltou seu olhar para a garota, essa continuava a encarar a T.V. Pouco provável que estivesse lendo as palavras que passavam. Será que estava apreciando a música? Interessante, nunca a viu comentar nada sobre músicas. Provavelmente nunca teve nenhum contato significativo com esse tipo de cultura. E se ela escutasse, qual tipo mais iria gostar? Ele próprio conhecia todos os tipos e estilos musicais – afinal, era uma forma de entender os padrões humanos –, apesar de suas preferências serem por clássicas e orquestradas, sem letra alguma. Lembrou-se então que Mai gostava de animes, provavelmente iria gostar de músicas naquele estilo.


Seus pensamentos foram abruptamente cortados ao sentir mais nova se inclinando para seu lado, na tentativa de pegar o controle. Sentiu uma estranha palpitação e nervosismo, que só passaram quando ela voltou para seu lugar.

Ainda ficou um bom tempo assistindo aos canais aleatórios pelos quais a menina passava. Porém com a aproximação do horário do almoço, sentiu seu estômago roncar de leve. Pensou em sair para comprar algo, mas a ideia foi logo descartada. Tinha receio de largar Mai sozinha em casa. Teria que preparar algo para si – uma vez que Namie estava de folga naquele dia.


Deixou a inexpressível garota no sofá e foi para a cozinha improvisar algo. Enquanto mexia nos mantimentos, olhou por cima do ombro, observando o escritório. Estava escuro e silencioso, tal como era antes dela chegar.

E, para seu desânimo, tinha a impressão que os próximos dias seguiriam por essa mesma rotina.



Izaya olhava com desgosto para a janela atrás de sua cadeira. Havia se passado cinco dias desde que obrigou Mai a deitar-se com ele. E, desde o incidente, ela não lhe dirigiu, se quer, um olhar. Mantendo-se em um constante silêncio.

E por causa disso, os dias eram desanimados e cansativos. Mai nunca se aproximava dele por iniciativa própria, sempre ficava sentada no sofá assistindo T.V, trancada em seu quarto ou perto de Namie, vendo-a trabalhar. Nunca falava ou demostrava algum tipo de expressão.

Enquanto isso, ele próprio ficava cada vez mais nervoso com aquilo. Era agonizante limitar-se a ficar observando-a, sem coragem de toca-la. Chegava até a ter receio de sair do escritório para resolver seus negócios e não acha-la quando voltasse – apesar de haver ocasiões em que era indispensável que o fizesse –. Não duvidava que se ela continuasse ignorando-o daquela forma, ele próprio tomaria uma atitude sem pensar.


Rodou mal-humorado em sua cadeira, mirando em Mai que estava logo à frente, sentada na bancada, debruçada no tampo e de costas pra ele. Lembrou-se do bobo pensamento sobre que tipo de música ela possivelmente apreciaria. Talvez, quem sabe, pudesse usar isso para conseguir uma reação dela.

Vagou pela internet à procura de algumas músicas que achava que ela iria gostar e as salvou em seu computador. Em seguida, tirou de uma das gavetas da mesa um aparelho reprodutor de áudio e grandes fones de ouvido. Passou a lista de músicas para o aparelho e depois o desconectou.

Terminado o trabalho, levantou-se de sua cadeira. Mai continuava na mesma posição; sentada de costas para ele com a cabeça baixa. À passos silenciosos, Izaya se aproximou da garota, abrindo o arco dos fones e encaixando-os em sua cabeça.


Mai deu um pequeno pulo na cadeira ao sentir o objeto sendo colocado em volta de sua cabeça e lhe tampando os ouvidos. Ela virou para trás rapidamente, olhando para Izaya com ligeira surpresa e espanto. O informante riu internamente com a pequena, porém significativa, reação. A garota fez menção de tirar os fones, mas o rapaz rapidamente apertou o botão Play, deixando que a música se iniciasse.

Segundos depois, notou o olhar da outra se contrair. Ela voltou a abaixar a cabeça, mas com uma expressão atenta e apertando de leve os fones contra os ouvidos.


Sem que ela percebesse, Izaya colocou o aparelho perto dela na bancada e se afastou. Mesmo aquela tendo sido uma reação instintiva de olhar para trás, aqui foi uma reação. Fora que ela não tirou os fones, o que era bom.



No outro dia de manhã, Izaya se levantou e desceu para o andar de baixo para tomar café. Olhou casualmente para sua mesa, notando ali o aparelho que emprestara para Mai. Por curiosidade, o pegou e tentou liga-lo, mas nada aconteceu. Estava completamente descarregado.


Durante todo o período da manhã e depois do almoço, Izaya não viu Mai sair de seu quarto em momento algum. Só tinha certeza que nada havia acontecido porque implicou com Namie para que fosse até o quarto da garota e o arrumasse. A mulher, irritada, entrou no cômodo e em menos de dois minutos saiu, reclamando que não havia nada de bagunçado lá, pois Mai havia passado o dia todo deitada lendo mangás.


Já era de tarde, quando Izaya resolveu sentar no sofá para assistir T.V. Bom, ele realmente não queria assistir televisão, sua intensão era achar algo passando que fosse do interesse de Mai. Pensou em parar em um canal de animes, mas ao passar pelo de natureza, percebeu que esse seria ainda melhor.

Ficou lá sentado pro alguns minutos, esperando a garota descer – sabia que ela o faria logo, não conseguia ficar tanto tempo trancada no quarto. E foi como previu. Não demorou muito, ouviu o barulho da porta sendo aberta e passos descendo as escadas.


A menina desceu para o escritório, como sempre, sem dirigir o olhar para ele e passou por trás do sofá. Entretanto, seus passos foram parando ao olhar para o que passava na T.V.

Era uma cena de neve. Maravilhosa, na opinião dela. Mai olhava fascinada para a imagem, que mostrava um campo cheio de árvores robustas sendo cobertas por flocos de neve, junto com o chão que já estava completamente branco. Sobressaltou no lugar ao ver sair dos arbustos algo grande e peludo de coloração marrom escura.


Com um meio sorriso, Izaya olhou para a garota que se aproximou por trás do sofá com uma expressão de total surpresa. Segurou uma risada, pois tinha absoluta certeza que ela estava cheia de perguntas, mas se segurava para não fazê-las.


– Quer saber o que é aquilo? – Izaya apontou com o controle para o urso.


Ao ouvir a voz do moreno, Mai se virou para ele. Seus olhares se cruzaram. Foi estranho, tanto para ela, quando para o rapaz, principalmente porque durante uns bons segundos, nenhum dos dois desviou. Aos poucos, percebeu que o rosto da menor começou a adquirir um tom rosado, e quando ela também notou isso, virou-se para o lado, dando as costas para ele. Ainda naquela posição, ela agarrou com uma das mãos seu braço contrário. E, Izaya pode notar, ela estava tremendo.


Não muito satisfeito com a reação, trocou de canal e voltou a olhar para a T.V. Todavia, não tinha sido uma tentativa em vão. Vendo a reação de Mai ao ver o urso, teve outra ideia.


Fim do capítulo 26.


Notas finais
ENTÃO????
Esse é um dos hentais que eu falei que colocaria. Pelos comentários parece que ninguém esperava por isso, acho eu. E não está tão romântico como as pessoas imaginavam pra primeira vez. Ah, e essa é a primeira vez que eu escrevo um hentai, então não sei bem como está. Digam-me vocês o que acharam.
Eu particularmente fiquei um pouco insatisfeita com o capítulo, mas vamos vez o que vocês acham, né? (Não gosto dessa falta de fala entre a Mai e o Izaya)
E, como eu falei antes, iam ter dois hentais na fic, falta o segundo. Aguardem, ok?
As coisas ficaram meio tensas entre eles, mas foi necessário para chegar na conclisão sentimental dos dois.
Como prometido, aqui estão os desenhos da Mai. Não riam! ;-;
http://s796.photobucket.com/albums/yy249/camilalove16/?action=view&current=digitalizar0023.jpg
O primeiro é ela de uniforme, seria mais ou menos o momento em que ela mandou aquela última mensagem pro Izaya.
http://s796.photobucket.com/albums/yy249/camilalove16/?action=view&current=digitalizar0018.jpg
Esse é outro dela... Não tem nada de mais.
http://s796.photobucket.com/albums/yy249/camilalove16/?action=view&current=digitalizar0022.jpg
Vou confessar pra vocês, eu nunca gostei do uniforme do Raira... Sei lá, eu prefiro uniformes escuros e que deem pra usar com meias pretas. Eu sempre gostei de dois tipos de uniformes: esse no estilo marinheira, só que como vestido e os mais comuns social, blazer e saia . Todos de cores pretas e, no caso da Mai, sempre usando meias dessa mesma cor e cobrindo toda a perna.
http://s796.photobucket.com/albums/yy249/camilalove16/?action=view&current=digitalizar0016.jpg
E o último, bom... Tem algo de muito especial nele. Hehe. O vestido que a Mai está usando é negro, os detalhes da gola são vermelhos e o xale é xadrez, preto e vermelho. Essa imagem tem alguma relação com o que estou preparando para depois do final da fic. Se quiserem, podem até tentar adivinhar.
Well, espero que tenham gostando desse capítulo! Mandei reviews e recomendações. Digam tudo que acham.
Eu acho que é só isso que eu tinha que falar...