Miríade
19 19. Distração
Notas iniciais
Ele era encantador, seu charme estava além da beleza física e ia do jeito de olhar ao jeito de falar e até mesmo de se comportar.
Poderia ser proposital?
Poderia. Mas eu não acreditava se tratar disso pela experiência vista no show musical, Michael Campion funcionava como um ímã e atraía tudo à sua volta.
Até as mais fortes personalidades são enredadas pelo seu magnetismo.
Eu acompanhava ele levar a ponta do dedo distraidamente aos lábios num roçar leve quase como se gostasse do sabor.
Como negar tal fascínio?
Eu já estava perdida e por mais que eu quisesse me mover para longe numa espécie de procura de espaço pessoal, eu era incapaz de fazê-lo.
O ímã me atraía para perto naquela vontade crescente de agarrá-lo.
Os hormônios adolescentes eram uma loucura!
Eu nunca fui impulsiva!
Eu nunca me deixei levar pelo momento!
Eu nunca quis beijar tanto uma pessoa como eu queria beijar aquele cantor pop!
Deparar-me com toda aquela atenção e reciprocidade da parte dele trazia-me até mim uma afirmação silenciosa.
— Eu quero beijar você. Falou de maneira culpada? Ao me lançar um olhar direto para em seguida desviar para longe. Suspirou.
Fiquei quieta.
Vai que ele pudesse ler os meus pensamentos?
Eu pensei em beijá-lo, só pensei e ele verbalizou.
A minha mente riu de mim.
Diz logo que ele é o Edward Cullen. Ah! Ela debochou.
Michael me olhou sério, quase ríspido.
— Diante do seu silêncio, posso considerar como um não. Levou a mão direita ao cabelo os remexendo.
Então, ele consegue ler mentes, não?
Acorda Destinee.
Revirei os olhos.
Michael me fitou de cara feia
— Eu não estou acostumado com um não. Não desse jeito. Pôs-se de pé bruscamente.
Mas o que… Ele achava que eu estava dizendo não.
Logo eu que me achava imune ao efeito furacão Campion, estava ali caidinha por ele.
Ele iria embora, eu vi isso estampado nas suas feições e reações, todavia, eu fui mais rápida e o toquei, meus dedos em seu pulso sentiram a maciez da sua pele e essa simples ação fez o meu já afetado coração acelerar.
Ainda paralisado o Campion olhou para baixo, ele olhou em direção ao nosso contato de pele.
— Não. Não vai não… Falei mais baixo do que o normal, mas sabendo que ele me escutou.
Sem desviar a minha atenção daqueles olhos lindos, eu escorreguei a mão para segurar na sua palma. Com uma calma aparente, porém, longe do que eu estava sentindo me levantei, ficamos frente a frente sem dizer uma palavra.
Ele me bombardeava com toda aquela intensidade centralizada em mim.
Como poderia suportar?
Sem reagir?
Sem aceitar o que me era oferecido?
Nós dois estávamos envolvidos de um jeito confuso em querer apenas continuar com aquilo.
Subia a mão pelo seu antebraço e a posicionei em seu ombro.
— Como pode ser tão linda? Falou sem rodeios ao aproximar o rosto de mim.
Ele que era lindo.
Sentia quando as suas mãos vieram para a minha cintura, logo uma delas estava no meu rosto.
— Não posso obrigá-la a me aceitar. Sorriu triste. — Vou levá-la de volta.
Ele tentou se mover, mas eu não me mexia, o turbilhão me atingia como um eclipse.
Segurei em suas mãos que voltaram à minha cintura.
Talvez pensasse que eu era doida.
Sem me conter o beijei. Inebriada pela sua presença e alcaçuz.
Foi feroz como uma flecha certeira, sem declarações.
Viva o momento! Apenas viva.
O trouxe para mim, acariciei os seus cabelos. Enquanto, eu me perdia nos lábios dele. Os sentidos estavam em alerta. A respiração pesada. Os Pensamentos nublados.
Michael Campion me tornou uma perdida no espaço e no tempo, perdida em nós dois e no nosso beijo.
Completamente sem ar, ele me libertou da sua prisão do beijo e desceu para o meu pescoço.
— Respire Destinee. Ordenou de maneira áspera.
Beijos leves e carinhosos foram dados no meu pescoço e maxilar. Demorei alguns minutos para notar que Michael sustentava o peso do meu corpo, pois eu já havia perdido as forças.
— Não precisa ter pressa em me atacar. Brincou. — Eu não pretendo fugir de você. Ele beijou o topo da minha cabeça e riu leve de um jeito nunca visto até o momento.
— Promete? Devolvi no mesmo tom.
— Prometo.
Ele apoiou o braço em meus ombros.
— O que você acha de irmos até o Hosier?
— Gostei.
A Hosier Lane é uma das ruas mais hypes da cidade e um dos pontos turísticos mais conhecidos também. Eu conhecia por nome e boa fama, mas pessoalmente ainda não tinha conhecido.
Michael pegou o violão e o deixou no banco de trás do carro, ele se inclinou e pegou um boné azul marinho e o pôs na cabeça ao abrir a porta do motorista.
Eu indecisa perguntei.
— Que tal uma caminhada?
— Tudo bem.
Trancou a porta.
— Gosto de caminhar. Colocou as mãos no bolso do moletom.
Nós nos afastamos dos Jardins de Carlton e sua vegetação incrível.
Andar ao lado de um astro pop era algo novo para mim e a sensação era peculiar. Saber do peso do seu nome como figura pública inalcançável duelava com o garoto comum que eu passava um tempo e gostava de beijar.
Parecia se tratar de duas pessoas quase como uma Hannah Montana sem a parte do segredo.
Haha! Sério isso?
Deixa-me em paz cérebro!
Ao lado da igreja anglicana St Paul’s Cathedral construída no final do século XIX. Ficava a Hosier Lane que gritava arte. Arte de rua. O espaço era totalmente grafitado por quem quisesse chegar e deixar sua arte por toda a extensão das paredes que estavam preenchidas com uma diversidade de grafites.
— Quer tentar?
Foi uma descoberta para mim que pensei que Michael só queria admirar a arte. No entanto, ele tirou do bolso um frasco de spray roxo e outro azul.
Peguei o azul e disse.
— Primeiro você.
Ele concordou e encontrou entre um enorme desenho de um Skatista e uma menina roqueira, Michael me achou um lugar para grafitar abriu o spray e começou a desenhar os contornos de um violão levemente inclinado. Michael tinha habilidade na criação e manuseio da tinta ao término do desenho ele escreveu embaixo "Por mais dias alegres como o sol" e finalizou colocando a data de hoje.
Eu fiquei lá parada só olhando todas as etapas do processo.
Ele ficou feliz com o que tinha feito, mas ao me ver parada como uma estátua me perguntou.
— Você não vai fazer?
— Você me distraiu com as suas habilidades.
Ele riu.
— Não foi proposital e o desenho não ficou nada mal.
— Ficou perfeito.
— Obrigado, agora é a sua vez.
Sem o talento para arte, escolhi fazer um pequeno cata-vento e escrever "Que traga bons ventos".
Michael demoradamente me olhou e disse.
— Muito bom. Falou orgulhoso ao meu lado.
— Valeu.
Seria cedo demais para eu começar a agarrá-lo outra vez?
Fale com o autor