Mini Creepy Doctor
29 BigMom - parte 2
Sua mãe sempre lhe disse que a mulher é o pescoço e o homem o corpo.
De acordo com a sua mãe, a mulher não precisava ser forte fisicamente, ela não precisava lutar pessoalmente nas batalhas, tudo o que ela tem que fazer é como pescoço guiar as cabeças para onde ela quer.
Desde que ela se lembra, isso é o que ela tinha que fazer.
Ela tinha que casar e partilhando das mesmas vontades e ambições de sua mãe, girar a cabeça sob o seu pescoço para mesma direção que sua mãe.
Ela e todas as suas irmãs.
Ela não se lembrava claramente quando uma ideia passou a ser um regra dentro da sua família.
Ela se lembrava o que suas irmãs mais velhas diziam, mamãe nem sempre foi uma Yonko, mamãe nem sempre foi uma pirata. Mas mamãe entendia de dinheiro e politica como ninguém.
O pirata temido e poderoso era o pai de uma de suas irmãs mais velhas, a terceira ou quarta irmã. E Ela nunca soube o que aconteceu, tudo o que ela sabia era que um dia, um membro da tripulação entrou nos aposentos do seu capitão após ouvir gritos e choros.
Chegando lá, ele encontrou uma de suas irmãs chorando compulsivamente e sua mãe, até aquele momento conhecida apenas como Charllote Linlin, toda ensanguentada, o sangue, porém não era dela, mas do então capitão do navio e marido dela.
Charllote havia não só matado ele a dentadas, como também comerá os pedaços que arrancou.
Ao contrário do que se imaginava a tripulação não se voltou contra sua mãe, eles na verdade a abraçaram como nova capitã. E sua mãe aos poucos transformou aquela tripulação pirata em uma família, uma gangue, uma máfia.
E como toda máfia havia acordos, em algum momento antes dela nascer esses acordos passaram a ser feitos por meio de casamentos.
Se você casa com uma filha de Charllote Linlin, você e sua família passam a fazer parte da família Charllote. Como parte disso você ganha proteção dela e a protege em troca, pois é isso que uma família faz, ela é a Mãe de todos aqueles abaixo dela, ela é a BigMom.
Quando ela nasceu ela já não tinha outra escolha a não ser casar com alguém de escolha da sua mãe para estabelecer relações de subordinação.
Mas ela queria isso, sua mãe era BigMom e ainda assim era isso que ela esperava de suas filhas, serem meros peões?
Bonney não queria o mesmo que suas irmãs, ela não tinha o desejo de casar como algumas, nem o medo de recusar como outras.
Ela queria mais, ela queria sentar naquela cadeira enorme, comer doces os dias todos, ditar as regras e mandar cortar as cabeças daqueles que desobedeciam.
Não seriam festas do chá, seriam banquetes enormes, churrascos, almoços.
Ela iria sair do South Blue, seu local de nascença e ir sozinha até o Novo Mundo.
E para tal ela se esforçou para se mostrar diferente – das roupas ao comportamento – ela participava das lutas, ela comia com os piratas, ela mandava e desmandava e recusava todos os pretendentes, indo contra a vontade de sua mãe.
Até o ponto que sua ousadia se tornou insustentável, que não vinham mais busca-la para as festas do chá.
Não que ela que importasse com isso.
Ela juntou um grupo e começou a ‘brincar de pirata’ como sua mãe dizia. E ela suportou as provocações e humilhações, todas visando fazer ela desistir.
Porém um dia algo mudou.
Sua mãe não era alguém boazinha, ninguém chega aonde sua mãe chegou fazendo boas ações, porém sua mãe não era alguém totalmente cruel e sem razão.
Mas mesmo a visitando esporadicamente, ela percebeu que havia algo errado com sua mãe.
Com o tempo sua mãe foi aumentando, ficando maior, deformada, expandindo de forma absurda. Claro que após ter mais de 35 filhas sua mãe não era mais a mesma, porém o que estava acontecendo não era normal.
Conforme sua mãe crescia para alto e para os lados, ela também foi se tornando mais e mais agressiva.
Mais excêntrica e megalomaníaca ela se tornou.
As punições mais e mais severas, o respeito logo começou a virar medo.
Todos tinham medo que BigMom os comesse.
Todos menos Bonney, isso até o dia que sua mãe – não, aquela já não era mais sua mãe, era um monstro conhecido como BigMom — tentou devora-la também.
Bonney mal se lembrava o motivo da discussão, provavelmente devia ter sua recusa a se casar com um rapaz chamado Portgas. D Ace. Aquele era o desejo dos dois, Ace era pirata menor do Barba Branca, que havia sido atraído pela promessa de muita comida, mas somente isso.
Quando jovem soube que aquilo era uma armadilha para se casar com uma das filhas de BigMom ele começou a causar uma destruição em massa.
O cheiro de marshmellow queimado era algo que ela lembrava até hoje.
E ela quando soube que era a filha escolhida para casamento tratou de ajudar o rapaz a fugir dali. E aquilo havia sido a gota da agua. Ace partirá com um beijo, um agradecimento e muita comida e a promessa de que eles se veriam novamente preferivelmente sem ter um noivado no meio.
E ela jurou que seria em uma batalha, ela como a nova BigMom pronta para cortar as cabeças de todos os membros do bando do Barba Branca, ele riu e ela também, e eles nunca mais se viram.
Ela porém tinha outro problema em mãos, sua própria mãe que nunca agirá de forma muito agressiva com seus atos de rebeldia, havia a chamada para conversar, ela nem teve tempo de explicar – se fosse qualquer outra de minhas irmãs aquele ataque teria sido o fim— mas ela era diferente, ela era melhor, mas ainda assim foi por pouco.
Bonney não conseguiu fazer nada além de olhar em choque, ela se jogou no chão e sua mente gritava para ela se levantar e fugir dali, mas seu corpo não obedecia – sua mãe havia tentado devora-la.
Quando aquela mulher que ela já não reconhecia mais como mãe se levantou, Bonney arranjou forças do além e ficou pé, correndo como se não houvesse amanhã, ela correu, correu, entrou no seu navio e navegou o mais longe possível.
Por semanas ela se escondeu uma ilha, envergonhada de sua reação e ao mesmo tempo com medo. Quando do nada chegaram para leva-la de volta para South Blue, o local que ela devia ficar, até arranjar alguém importante para se casar ou se chamada para ser casada com alguém.
Ela se remoeu com duvidas durante uns dois anos, até que ela foi buscada para atender a um convite para uma festa do chá.
Ela arranjou coragem e foi, e lá encontrou diversos piratas, reis e mafiosos. Mas um lhe chamou a atenção, um homem loiro, enorme, vestindo um terno elegante e uma casaco de penas rosa – Doflamingo— uma de suas irmãs lhe disse.
Ela observou o homem por um bom tempo, ela sabia que ele era um Shichibukai, e que suas irmãs solteiras se juntavam aos montes em torno dele.
Quem casasse com aquele homem certamente seria a favorita de mamãe.
Mas Doflamingo não parecia interessado, ele dizia que o coração dele já tinha dono, ela quase perdeu o apetite ao ouvir as lamentações de suas irmãs.
“Quem é a mulher que roubara o coração de um homem tão grande, forte e poderoso como você?”
Uma de suas irmãs perguntou enquanto passava a mão no peitoral do Shichibukai.
“Ele é um rapaz cruel, que agarrou meu coração em suas pequenas mãos e o arrancou de mim, me ferindo profundamente, até hoje sinto um aperto enorme em meio peito quando penso nele.”
Aquilo parecia ter jogado um balde de agua fria em todas, inclusive em sua mãe, que logo interrompeu ao ouvir isso.
“O que você quer, JOKER?!”
Não foi a primeira vez que ela ouviu aquele nome, mas aquela era a primeira vez que ela viu quem era ‘Joker’ – O Rei do Submundo.
“Fufufufufu...eu só vim trazer meu presente, um navio cheio de balas, as suas favoritas.”
Sua mãe, BigMom, salivava como um animal, Bonney não sabia que tinha nojo ou pena daquela cena – doía nela ver uma melhor tão poderosa e imponente se portando como um animal faminto.
Ela foi embora, ela não tinha mais estomago para ficar na festa.
Algum tempo depois enquanto comia, ironicamente balas, ela começou a questionar.
Balas...
BigMom adora doces, mas nunca mostrou uma predileção por balas, isso até ela receber como troco de Joker, um navio cheio de balas.
E então de tempos em tempos um navio desses atracava no porto, e foi nesse período que BigMom começou a ficar obcecada, agressiva e grande – aquilo tinha que ter uma ligação— mas ela não achava nenhuma.
Sem poder se aproximar, por pena e por medo, Bonney decidiu jogar suas dúvidas no mar. Ela iria seguir com seu plano inicial, ela seria o pescoço e a cabeça e o corpo todo. Ela iria se fortalecer e entrar no Novo Mundo sozinha, ela ia enfrentar sua mãe, a derrotaria e então ela seria a nova BigMom, acima de todas as suas irmãs e maridos.
E que não a obedecesse seria devorado!
Ela iria enfrentar Barba Branca, ela iria rever Ace e desta vez como uma pirata temida.
Mas que havia algo errado havia, e ela sempre que podia recolhia informações.
Algumas infelizmente ela só obteve anos depois, quando ela descobriu que ela podia ajudar sua mãe – não que ela não quisesse derrota-la, mas ela não queria enfrentar aquela aberração que come tudo e todos. Ela queria enfrentar e derrotar sua mãe, uma pirata poderosa e orgulhosa, não o monstro quase irracional que ela se tornou.
E ela precisava de Trafalgar, Doflamingo ou de informações que esses dois possuíam, para trazer de volta a humanidade perdida de sua mãe, para que ela pudesse a derrotar e enterra-la de forma digna como sua mãe merecia.
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