Mini Creepy Doctor

16 10 ... 9 anos atrás


Ele não sabia explicar o que estava sentindo.

Ele odiava Doflamingo, sim, isso era verdade, mas ele também sentia um certo apego pelo seu proprio algoz e o pior de tudo é que ele mesmo não sabia explicar o motivo.

Doflamingo matou Cora-san.

Doflamingo mentiu para ele.

Doflamingo tirou tudo dele.

Mas esse mesmo homem lhe ensinou tudo sobre lutar, se defender, manipular e negociar.

Graças a Doflamingo ele tinha a melhor educação que o dinheiro podia pagar, as melhores roupas, as melhores comidas — o que ele quissese, ele teria.

Ele era o seu favorito.

Mas ele também tinha plena ciencia dos motivos por trás de tantos mimos — Doflamingo havia dito para Cora, achando que ele não estava presente; que o ensinaria a ama-lo.

Ele nunca entendeu o por que Doflamingo fez o que fez, mas depois daquele dia Doflamingo nunca mais o tocou.

De fato Doflamingo não olhava, nem falava e sequer ficava no mesmo comodo que ele.

E ele achou isso ótimo.

Ele podia suportar mais alguns anos assim.

Mas então as coisas mudaram, e mudaram de forma sutil.

Dressrosa era um lindo país, mesmo estando se reconstruindo ele belo e feliz, andar admirando a paisagem era um dos passatempos favoritos além de ler.

Mas Doflamingo só havia liberado certas areas para ele caminhar — aparentemente as pessoas não deviam saber de sua existencia.

Seu liberdade era limitada mas ela ainda existia.

Algum tempo depois ele só podia andar acompanhado — e sua companhia nunca era Baby 5 ou Bufallo, todos na familia já sabiam que ele podia manipula-los facilmente.

Pouco tempo depois ele só podia andar pelo Palacio e seu entorno.

Depois só dentro do Palacio.

Só no primeiro andar e cozinha.

Só no primeiro andar.

Só no seu quarto.

Ele nunca gostou de pessoas e multidões, mas ele se via e se sentia sozinho.

A única pessoa que ele via era Doflamingo e este só aparecia para lhe trazer comida e livros.

Doflamingo não conversava com ele, mal olhava para ele.

Em pouco tempo ele se viu desesperado por qualquer gesto do homem, uma palavra qualquer.

Para seu desespero ele se viu tentando puxar assunto.

E quando Doflamingo finalmente lhe ouviu e falou com ele.

"Trouxe esses livros para você. Estude-os e depois recite eles para mim."

Ele não conseguia compreender o que se passava em sua cabeça e coração. Ele pegou os livros e os leu incessantemente.

Ele esperou ansiosamente pelo retorno de Doflamingo, ele esperou por dias onde o mais próximo que ele via de outra pessoa era pela janela e a mão que aparecia trazendo comido e fechando a porta antes que ele pudesse fazer algo.

E então um dia Doflamingo voltou, sentou em sua cama e o chamou e ele sequer questionou, ele subiu e sentou-se no colo do homem e passou a recitar cada pagina dos livros, seus olhos se enchiam de lagrimas a cada murmurio de aprovação, seu coração batia mais forte a cada gesto de afeto.

Linha a linha, pagina a pagina até que dormisse de cansaço nos braços de Doflamingo.

Isso se repetiu por diversas vezes, um ou dois livros, a tarefa de decora-los e depois recitar para Doflamingo.

Ele era um médico completo na teoria.

Não demorou muito e as visitas se tornaram mais frequentes, Doflamingo cortava um dedo e vinha até ele que prontamente o atendia, se tinha febre ou tosse ou garganta irritada qualquer problema simples ou complexo, as perguntas eram mais elaboradas um desafio para seu intelecto e ele amava aquilo.

Doflamingo agora trazia além dos livros, doces e as vezes brinquedos.

Alguns até emitiam sons e conversavam com ele.

Pena que estes nunca duravam muito, Doflamingo de tempos em tempos dizia que eles haviam quebrado e os trocava por outros. Doflamingo até incentiva ele a realizar operações nos brinquedos.

"Mas eles são brinquedos, eles tem algodão dentro, não orgãos."

"Fufufufu, pense neles como pessoas, Law."

No fim ele já não sabia quanto tempo havia passado — seria dois ou três anos? Talvez mais...

Mas um dia Doflamingo trouxe algo especial, um presente único para 'o rapaz mais bonito de todos' de acordo com Doflamingo.

"Ele é um mink. Eles são muitos especiais e este é seu para fazer o que quiser com ele."

Ele retribuiu o sorriso com outro sorriso e em sua alegria de ter uma companhia ele não notou o quão nervoso o pequeno mink estava.

"O que eu quiser?"

"Sim, Law. Você pode disseca-lo, experimentar teorias nele, ele tem orgãos dentro e não algodão...ou você pode mante-lo aqui preso, dar um nome para ele, educa-lo, dar atenção e carinho até ele te amar de volta."

Doflamingo de uma pequena risada e os deixou sozinhos.

Ele se aproximou daquele lindo bichinho e foi surpreendido quando o mesmo falou de volta com ele.

"Se afaste! Não chegue perto de mim!"

"Você pode falar?!"

O pequeno filhote de urso concordou.

"Então você é que nem eu? Você comeu uma Akuma no Mi!"

E ao ouvir isso foi a vez do pequeno urso se assustar.

"Você comeu uma Akuma no Mi?! Co-mo como?!"

"É verdade, ela não é muito boa para ataque mas graças a ela eu me curei e olha só o que eu posso fazer."

Ele criou uma 'Room' e mostrou para o filhote de urso como ele conseguia trocar as coisas de lugar, fazer os objetos flutuarem no ar e a pequena descarga elétrica que ele recentemente conseguiu fazer ao ler a respeito de desfibiladores.

Ele nunca esteve tão empolgado e o ursinho também em meio a sua admiração fez uma pergunta simples que mudaria tudo para os dois.

"Nossa...com tanto poder, por que você ainda não fugiu daqui?"

Fugir?

Por que isso nunca passou pela sua cabeça?

~~~~ Sunny — 9 anos depois ~~~~

Tentativa após tentativa, Usopp já havia perdido as esperanças.

Era mais fácil só esperar Law voltar ao normal e fingir que nada aconteceu, ele sentia que se eles ficassem procurando por culpados eles iam acabar se metendo em encrenca e ele não quer isso.

Ele já estava de saída quando o Den Den Mushi tocou, ele olhou para a porta, sua mão já estava na maçanete.

Por que Deus?!

Por que?

E ele voltou atendendo o Den Den Mushi, somente para ter seus ouvidos agredidos por uma barulheira ao fundo.

"Onde está nosso Capitão?!"

"Quem fala?"

"Somos nós! Os piratas do Coração! Aqui é o Sachi...Bepo esta sentindo algo estranho, nosso capitão está com vocês?"

Notas finais
Eu estou tão feliz...eu não tinha nada para esse capitulo mas ai 'bam' veio tudo. Bem espero que minha interpretação de sindrome de stockholm tenha ficado boa, Bepo agora vai ser fundamental e logo logo os piratas do Coração vão aparecer. Espero que tenham gostado! Até o próximo capitulo!