Minhas filosofias
1 O céu rubro, a humanidade
Notas iniciais
Cantaste forte
como se fosse o soar da morte
notou, no entanto
que nada havia
senão o desencanto
Ouviste as aves
ignoraste os alertas
despertastes as coisas ruins
e aniquilaste as coisas boas
Ó, pobre coitado
que esqueces a própria origem
que esquece de onde e por que veio
pobre coitado que ignora os alertas
que despreza os conselhos
que debanda com medo
Ó, que crueldade, que mundo torpe e maculado
mas tende ânimo, viverás para ver o amanhã
tão bom quanto hoje?
duvido, infelizmente
O amanhã sempre será pior que o hoje
pois o céu
dia após dia
fica infinitamente mais rubro
Rubro, infelizmente
com o sangue
com os choros
com as lágrimas
com as mortes
rubro, infelizmente
com os humanos
Ó, doces pássaros
mantenha o edulcorado canto
não deixe-nos para seu recanto
fique
cante mais
não esqueças tua melodia
como, covardemente,
os humanos perderam
Perderam o que mais veneravam
perderam o que dava nome à sua espécie
perderam a coisa mais preciosa que já existiu
perdeu sua humanidade.
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