Minhas férias de verão
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De uma coisa eu tenho certeza, eu sou uma pessoa simples. Tenho esse tipo de pensamento porque me assusto de como me contento com o que é considerado “pouco” para algumas pessoas. Essa minha simplicidade é passada nos meus desenhos, na maioria das vezes desenho garotas simples com astros no fundo.
Astros me fazem lembrar que gosto muito do céu azul, principalmente do verão e isso me faz lembrar que essa é a minha estação favorita. Verão sempre me remete a um lugar que sempre passei as férias desde pequena, apesar de dizer que odeio tanto viajar para o mesmo lugar, eu não posso simplesmente ignorar minhas memórias. Foi lá que eu via a lua muito grande por ter acabado de anoitecer, e sim, eu amo astros.
Assim também como eu lembro do mar prateado da tardinha e que não quebrava muitas ondas, nunca nadei em um mar melhor do que esse. Não havia buracos e nem pedras, às vezes havia estrelas, astros do mar.
Eu não sabia até minha mãe dizer para mim, que aquelas coisas moles como lama e achatadas que eu pisava em cima, eram estrelas. Eu peguei uma com o pé e era lindo, uma estrela encaixada num calcário circular. Minha mãe me disse que o mar estava limpo para recebê-las. Agora pensando nesse momento, já senti que o mar fosse um outro mundo e que eu tinha uma forte ligação, apesar de não saber nadar. Mas eu acho que é por conta de ele estar sempre ali nas minhas memórias.
Às vezes meus pais se preocupam quando estou presa no quarto, mas é porque eu amo um tempo só para mim, momento que gosto de demonstrar meu amor pelas coisas. Na maior parte do tempo estou ouvindo músicas, e eu percebi que são as que me remetem mais o céu azul e a brisa do mar, que se tornam as minhas favoritas. Realmente, aquele lugar que eu odiava tanto, me modelou em vários níveis. Em pouco tempo, percebi que não só as músicas tinham cara de verão, como também os meus filmes favoritos me remetiam àquela praia.
Sou explosiva, confesso, pois sou tão simples que demonstro o que sinto com muita facilidade. Não consigo me conter para não gerar uma discussão desnecessária, mas na maior parte do tempo sinto que sou um caipira com feno na boca e pés descalços, sentado na cadeira de balanço da varanda. Se eu pudesse, eu continuaria observando o horizonte, mas a verdade é que eu posso. Eu tenho algo que quase ninguém tem, esse algo é o tempo.
Tenho tempo suficiente para observar e relembrar do passado. Tenho tempo para ler e desenhar tudo o que senti e sinto.
O tempo é algo muito importante, porque ele também resolve as coisas que parecem não ter soluções. É algo precioso, que nos é tomado frequentemente.
Mas eu sou uma das pessoas que tem a sorte de ter tempo o suficiente para fazer tudo que queira fazer. E o meu tempo anda devagar, como o caipira na cadeira de balanço, no entanto, me sinto menos mal quando eu lembro que cada um tem seu ritmo.
Sim, eu nunca fiz algumas coisas. Não sou emancipada, não beijei a boca de alguém. Ainda tenho muito a descobrir sobre mim, e eu me esforço para saber todos os meus segredos, até mesmo os que não enxergo ainda.
Acabo compreendendo que sou como o mar, o oceano. Um mundo à parte que se tem muito ainda para descobrir e sentir.
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