Minhas escolhas

2 Capítulo 02: A hora chegou


Eu sabia que não podia mais fugir, amanhã era meu aniversario de dezessete anos, e eu já sabia exatamente o que aconteceria, eu não precisava de vidente e nenhuma dessas bobagens pra saber que eu estava ferrado de todas as formas possíveis, eu podia sentir e foi por esse motivo que tinha mandado uma carta para minha mãe pedindo que inventasse uma desculpa para que eu fosse para casa, eu não podia passar por isso na escola, não com todas aquelas pessoas lá, eu não podia colocar ela em perigo, agora mais do que nunca agora que Aquele-que-não-deve-ser-nomeado está de volta, e como seu quartel general estava na mansão Malfoy tive que ir para a França, uma casa de campo da família Black, minha mãe havia providenciado tudo para minha saída nessa manhã de quarta feira, dia 05 de junho, meio do ano letivo, era necessário que eu me afastasse de tudo já que amanhã eu não seria mais eu.

— Draco querido, você esta bem? — Uma batida suave deu lugar aos cabelos loiros e morenos de minha mãe, ela era tudo que eu tinha tentando proteger até hoje.

— Eu não sei. — Falei tentando ser o mais sincero possível.

— Talvez você esteja errado e não seja ela. — Sua voz era esperançosa, afinal de todas as garotas tinha que ser justo ela.

— Eu tenho certeza, e amanhã você também terá. — Olhei pela janelas vendo a Lua grande no céu, esperando para ver o que iria acontecer.

— Eu trouxe as poções, você tem certeza disso, sabe que e arriscado. — Ela se sentou na poltrona ao meu lado e eu podia sentir seus olhos em mim.

— Sabe que amanhã eu terei que protege-la, não importa mais nada, e eu não posso coloca-la em perigo por isso, e melhor que ela nunca saiba disso. — Eu tentava me convencer sabendo que aquilo era o mais certo a se fazer.

Pela primeira vez estava tentando ser nobre, por ela eu tinha que fazer isso, era o mínimo, mesmo que ela nunca soubesse era necessário até que toda essa guerra acabasse, a quem eu estava querendo enganar, depois de tudo que eu fiz e estava prestes a fazer ela me odiaria pelo resto da vida, e eu mereço cada dia dessa vida de ódio.

— Mas ainda e arriscado, pra você. — Olhei minha mãe que tinha os olhos cheios de lagrimas tentando não ser derramadas.

— Eu vou ficar bem. — Respondi olhando para o céu novamente.

Eu tinha que ficar bem, minha mãe dependia disso, ela dependia disso e se dependesse de mim ambas ficariam bem e seguras.

— Esta quase na hora. — Sua voz fina era baixa e eu sabia que ela estava com medo, medo por mim, medo do que podia acontecer, e no fundo eu também sentia essa medo.

— E melhor você ir, amanhã cedo me de a poção. — Ela concordou e se demorou um pouco antes de levantar, me dar um beijo na testa e sair.

Fui para a cama tirando meu terno preto, eu sabia que seria uma noite daquelas, sentei na cama pegando o livro que estava sendo meu suporte, o guia para Veelas que estava na família Malfoy a séculos, lá eu comecei a reconhecer os sinais e saber quem seria minha companheira, e foi com pânico que tive que executar minha missão e fugir sabendo que ela me odiaria, sabendo que Potter contaria tudo a ela, sabendo que eu nunca poderia tê-la por causa das escolhas que tive que fazer, eu não me arrependia delas, afinal, isso manteve a mim e minha mãe vivos, mas eu sentia que queria voltar no tempo e não ter que fazer nada daquelas coisa, eu tinha apenas uma pessoa a quem culpa, meu pai, Lucio, e claro sua obsessão doentia pelo poder, até mesmo quando não passa de um capacho para o Lord das Trevas.

Eu senti o primeiro sinal de mudança no meio da madrugada, meu corpo tencionou pela dor repentina e ali eu sabia que não tinha volta, e com isso se foi uma longa madrugada sentindo como se meu corpo fosse destruído e refeito, inúmeras vezes, ao mesmo tempo por um artesão indeciso, a única coisa que mantinha minha sanidade intacta era um par de olhos castanhos, tão intensos quanto chocolate derretido, eu sabia exatamente que eu tinha que protege-la e a cada minuto isso me doía e fazia a transformação ser mais intensa, e naquela manhã eu tomei a primeira decisão que me condenaria, eu tomei uma poção rara que impediria meu lado Veela de tomar o controle e correr atrás de minha companheira e marca-la sem me importar com toda essa guerra, eu sentia que estava me privando de respirar, mas isso era necessário, tudo para mantê-la segura, se minha morte a salve-se eu morreria com prazer, eu daria tudo a ela, minha vida, alma, sangue e magia, de bom grado e foi assim que logo as férias de verão começaram e eu tive que tomar minha primeira atitude desesperada.