Minhas Palavras
5 Capítulo 5 - Faça-me sentir
Notas iniciais
Eu estou mergulhando no lago mais fundo existe, e tal nome jamais poderia ser outro: eu.
Me perco e me encontro, perco o ar e logo após novamente encontro oxigênio. Mais fundo e mais fundo, um lago sem fim. Eu, e mais uma infinidade, assim. O que escuto é o som de um violino nas mãos de um talentoso musicista, o piano de fundo, um som silêncio, nada. O que vejo é escuridão. Será que há tanto de mim a ponto de não haver fim?
Se tal lugar não é nada além de mim, por qual motivo me é desconhecido? A água está gélida, eu me perco. Perco a segurança, o controle, a importância. Talvez até um pouco do que já havia sido.
Mergulhando e mergulhando, meus pensamentos carmesim como meu próprio sangue. Rasteje, erga sua bandeira, peça misericórdia por algo jamais visto. Peça aos seus para lhe levarem até o lugar onde tudo é cor e luz. Saberá, como sabe agora, que este lugar não existirá e não existe. Se alguém me contrariar, saberei que não o conheço, e jamais o conhecerei. Pois sou miserável, e na miséria hei de ficar.
Tente erguer-me, tente me trazer de volta a superfície. Perdi-me, não há como encontrar. Tornei-me invisível, não pode me ver, tocar.
Diga-me que sabe o que sinto, olhe em meus olhos e afirme que meu coração bate, que sei que o sangue corre por minhas veias. De nada adiantará, quando tudo o que sinto se resume ao nada.
Me faça acreditar. No amor. Na dor. Na vida. No destino. Do terror. Na lamúria. No tempo.
Faça-me sentir novamente, e então o consumirei por inteiro.
Pois tenho sede de humanidade, e o pouco que tinha se esvaiu.
Me ame, me mate, me corte, me veja. Faça-me sentir algo além de mim.
Já é tarde, a água é gélida, já não existo. Em meus olhos peço-te para voltar, e em meus pensamentos digo para me levar.
Me beije. Me poetiza. Me fascina, me alucina. Me faz ser, e ter a crença de que existe algo que ainda me surpreenda.
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