Minhas últimas dez namoradas
1 Capítulo 1 - Mônica
Minhas dez últimas namoradas.
“Amor”, suas definições se contradizem de autores para autores. Existem aqueles mais “românticos” idealizadores, esses são realmente tediosos, classificam o amor como algo simples e natural que se caberá a qualquer ser humano que se permitir. Ahhh... o imaculado sentimento dos seres de boa vontade, o amor, eterno e precioso, se implanta em vossos apaixonados corações. Cheguei a acreditar uma vez nesses mentirosos melosos, ou pelo menos me esforcei para acreditar, foi quando conheci a Mônica, a minha primeira namorada. Mônica era um sonho adolescente, quatorze anos e seios previamente desenvolvidos o que a atribuía uma sedução onírica, engraçado que aquilo anteriormente me fazia a achar gorda e desengonçada agora era o que mais me atraia nela.
Tudo era tão clichê, por um segundo achei que a moira que tece o meu destino havia trocado de lugar com o Nicholas Sparks, a ideia de estar vivendo um amor tão irrisório me fazia rir abobalhado pelos cantos, como aquilo parecia sólido e real para mim. Mas bem, devo estar o entediando, vamos começar então.
Mônica, estudante, tinha um certo desejo por doces e a cultura norte americana. Conhecia mais as séries e programas de televisão que os próprios produtores das mesmas e conseguia cantar todas as músicas das maiores divas de trás para frente mesmo não falando uma vírgula em inglês, realmente um talento notório. Gostava de roupas curtas e decotes, coisa que me incomodava profundamente, sei o quanto pode parecer machista e idiota tal sentimento, mas estando mergulhado nessa sociedade acho difícil se manter puro desses bombardeios ideológicos. Engraçado que tal preferência não se refletia em seu excessivo apresso por acessórios, acho que ela achava vulgar demais ficar com os pulsos desnudos.
Ah sentimento bobo, lembro como minhas mãos suavam quando entravam em contato com as dela e o quanto minha boca salivava na expectativa de um beijo. Nosso primeiro beijo foi diferente de tudo que eu podia imaginar, já havia beijado antes dela e não tinha entendido bem o mecanismo das coisas, movimentar a boca, a língua, controlar a saliva, segurar os cabelos... era demais para mim, mas com ela era diferente. Mônica me guiava para seus lábios como um maestro rege uma orquestra, pegava meu rosto marcado e virava quando necessário, conduzia minhas mãos pelo seu corpo e me dava algumas mordidas para facilitar a minha respiração. Aquilo era o céu.
Os pais delas também eram clichês, um advogado falido por um governo e uma professora infeliz, porém bem receptivos e adoráveis. Passava horas conversando com os dois, ouvia orientações e experiências de vida, era realmente maravilhoso.
Os meses se passaram, 17 meses após nosso primeiro beijo havíamos tomado a decisão de finalmente transar, como todo adolescente eu esperava por esse dia como um prisioneiro. Sonhava com possíveis diálogos que levariam para isso e me masturbava horas e horas. Ahhh a punheta é o ponto alto da adolescência e eu era um mestre em tal arte.” Meus pais vão passar o final de semana fora”, conseguia ouvir um coro angelical enquanto ela pronunciava essas palavras, mas toda ansiedade e felicidade foram substituídas por um nervosismo avassalador. Afinal, agora realmente iria acontecer e não sabia se a minha experiência visual iria servir de alguma coisa. E de certo a indústria pornô não é lá muito instrutiva, levei séculos para descobrir onde e como eu colocaria o meu pau nela e na hora “h” não lembrava nem como se colocava o preservativo, horas de aulas de educação sexual jogadas fora. Gozei rapidamente, uma sensação de alívio e constrangimento me dominaram quase que juntas, não sabia se ela também tinha gozado e na verdade não sabia nem como isso acontecia e o que era preciso para atingir ao clímax.
Com o tempo fomos nos tornando bons nisso, ao completar dois anos de namoro conhecíamos os nossos corpos como se fossem um só. Mas foi aí que tudo desabou. O ano letivo estava próximo de começar, ela iria para um colégio militar integral então não iriamos conseguir nos ver com a mesma frequência, fomos perdendo o companheirismo e acabamos nos tornando estranhos um para outro o que acabou acarretando em brigas que com o tempo foram intensificando e se tornando frequentes.
Então encontrei-me nesse jogo frio e desalmado. Uma guerra de bocetas e paus. Ambos sabíamos que havia acabado, porém o orgulho e uma espécie de auto piedade ou comiseração nos impediam de destruir todos os pseudos sonhos com palavras. Com o tempo se tornou cômico para mim, gostava de desafiar a psique humana. A maneira como ela me olhava, com nojo e reprovação, e eu, como uma criança que finge não se importar em uma espécie inovadora de “o jogo do sério”, disfarçava suas flechadas com comentários sórdidos de críticas ínfimas sobre tudo.
Ah, como era gostoso esse tempo. Gostava da falsidade de nossas carícias, as mentiras que saiam de nossas bocas eram como canções angelicais. O sexo era uma batalha sangrenta, o gozo comemorado com deleite por aquele que o provocara, o prazer era a derrota. A guerra dos prazeres havia se tornada cotidiana.
E então, tudo mudou. Estávamos distantes, largados. Não haviam mais xingamentos, brigas ou socos. Éramos novamente estranhos um ao outro.
Acabou.
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