Minha única paixão
19 Inesperado
Notas iniciais
POV Lucy
Ele chega mais perto de mim e tenho certeza de que seus pensamentos estão em grande confusão, assim como os meus. Eu acabei de me confessar a ele, indiretamente, mas me confessei. Eu não sabia como reagir e espero que ele faça alguma coisa antes que eu faça mais merda do que já fiz.
Ele solta um suspiro e arqueia uma das sobrancelhas.
–Eu não entendi... –ele aperta os lábios.
Passo a mão no rosto e tento ver quem é mais idiota entre ele e eu. Acho que seria uma luta infinita de idiotice caso decidíssemos fazer uma.
–Eu te amo, porra! –grito sem nem ao menos pensar se devia dizer isso.
Ele se surpreende e arregala os olhos mas depois abre um dos sorrisos mais lindos que já vi. Volto um pouco em minha memória e penso no que acabei de dizer e fico mais vermelha do que quando é inverno e eu chego no ápice da vermelhidão.
Me viro na cadeira e começo a encarar o balcão, virando as costas para ele. Sinto sua mão sobre meu ombro mas não me volto para ele.
–Pode não parecer, mas estou profundamente surpreendido. -ele começa a rir e eu rio junto com ele.
–E pode não parecer também mas, -respiro profundamente em meio ao riso- estou mais surpreendida que você.
Resolvo me voltar para ele, ainda vermelha como um pimentão. Ele estava com um sorriso enorme no rosto e tinha os olhos brilhantes.
Ele passa a mão no meu rosto.
–Aviso prévio: vou te beijar.
Ele abaixa a cabeça rapidamente para chegar até mim mas recuo e, dolorosamente, caio da cadeira.
Foi tudo muito rápido. Um lindo rosto vindo até mim, eu indo para trás e minha bunda tocado bruscamente o chão. Mais uma dor pra sentir, está indo muito bem Lucy!
Natsu vem até mim e estende a mão, quase morrendo de tanto rir. Recuso sua ajuda e me levanto sozinha, com uma cara de dor.
–Quem mandou não me deixar beija-la? –ele continuava rindo.
Peguei a pizza e fui para a cozinha. Ah, ainda mato aquele idiota!
A pia da cozinha tinha dois pratos e algumas talheres. É uma raridade alguém reunir coragem pra lavar uma louça aqui, nem sei quem é mais preguiçosa entre Erza e eu.
–Acho que já está na hora de ir pra casa, Dragneel.
–Você não manda em mim. –continuava arrogante.
Me viro para ele e ele tinha um sorriso malicioso no rosto.
–Dragneel, eu tenho várias facas atrás de mim e... –ele chega perto de mim e coloca suas mãos ao meu lado, na pia, não me dando chance alguma de fugir- e-e eu sei usa-las!
Ele continua com seu sorriso malicioso.
–Vamos lá então, use-as. –meu Deus, que cara mais lindo e aterrorizante!- Não quer, não é? Mas eu sei exatamente o que você quer.
Ele me beija, mas não tira suas mãos da pia, porque ele acha que eu posso fugir. Mal sabe ele que estou amando e seria louca se fugisse dessa vez.
*
Abro os olhos e estou no sofá. Me sento e olho as horas num relógio na parede; eram 6:10.
–Meu Deus, eu nunca acordo tão cedo assim num Sábado! –me deito novamente no sofá e bocejo.
Olho ao meu redor e vejo dois pratos, uma caixa de pizza, dois copos e alguns guardanapos espalhados pela mesa de centro. Lembro-me perfeitamente do que aconteceu ontem.
Natsu.
Abro um sorriso só de pensar nele e no quão estupida sou por me apaixonar em plenos 17 anos.
Depois de nosso beijo na cozinha, nós arrumamos tudo para comer a pizza e conversar enquanto assistíamos a algum filme. Não fizemos nada além disso, exceto a parte em que ele me fez rir e eu derramei refrigerante na minha camiseta e quando eu fui troca-la no meu quarto, ele espiou por uma fresta da porta. Eu fingi não perceber para evitar confusão e eu estava de sutiã.
–Aquele pervertido. –sorrio e me viro no sofá, ajeitando o cobertor. Eu havia dormido no sofá porque quando o filme chegou no final eu peguei no sono e acho que depois ele foi embora.
Tento dormir novamente mas escuto a porta abrindo e me viro bruscamente.
Erza estava entrando com os saltos na mão, o cabelo todo bagunçado e o vestido todo amarrotado. Isso sem mencionar a maquiagem toda borrada, principalmente o batom.
Ela me olha com os olhos arregalados e começo a rir. Minha vez de me vingar.
–Noite divertida, Sra. Fernandez. –começo a rir e ela vem até mim, acho que para me matar.
–Cale a boca! –ela começou a rir junto comigo.
Me sento no sofá e paramos de rir.
–Conte-me tudo! –aquilo seria divertido.
–Nós fomos a um restaurante, e depois pro carro dele e... –ela fica vermelha, mais do que seus cabelos- Nos beijamos.
–Eu sabia!
Começo a ter um ataque de ansiedade, um tanto estranho.
–Então fomos para a casa dele e...
Ela começou a ficar séria e eu podia até imaginar o que ela fez. Não acredito que ela fez isso! Juramos de dedinho não fazermos até nossos 18 anos e não creio que ela quebrou a promessa. Foda-se a promessa, fico muito feliz pois sempre torci por eles!
–Não! –fico boquiaberta, mesmo já tendo noção da situação.
Ela sorri.
–Sim! –ela levanta do sofá e ergue as mãos para cima- Erza Scarlet não é mais virgem!
Começamos a rir.
–Não me leve a mal mas, sorte do seu pai não poder escutar isso!
O pai de Erza havia morrido há um ano e meio e ela já superou e convive bem. A mãe dela ninguém sabe onde se meteu, mas Erza nem se importa mais com isso.
–Isso não foi legal, mas não deixa de ser verdade. –ela ri.
Quem diria que logo no primeiro encontro ele conseguiu Erza pra ele. Um feito que nunca vi antes, nem pretendo ver.
*
Acabo de sair do banho, agora com uma toalha enrolada no corpo. Escuto meu celular tocar de lá de meu quarto e corro o mais rápido possível; era Natsu.
–Que que você quer? –eu era sempre assim para atender alguém.
Ele ri do outro lado.
–Acordou de mau humor?
–Vá se ferrar! O que você quer?
–Meu pai me deu dois ingressos pra ir no show do AC/DC amanhã, quer ir?
Meu Deus! Não consigo acreditar! Show do AC/DC! Eu nunca tive a oportunidade de ir em um e agora tenho uma bem na minha frente!
–Lucy?
Volto ao normal.
–Sim, sim! Adeus!
Mal espero até amanhã. Natsu e AC/DC, posso querer algo de melhor?
Fale com o autor