Minha Única Esperança é Você.
4 Idas e vindas.
Janeiro de 2004.
Nosso 2003 foi mais fácil que o ano anterior. Nada de Bert McCracken fazendo besteira nem Gerard Way perdido em rodovias. Lançamos um EP chamado “Like Phantoms, Forever” o qual contém apenas três músicas, uma delas foi “Jack The Ripper”, cover do Morrissey. Logo após isso, assinamos com a Reprise Records, para gravar mais um disco, o qual já estávamos escrevendo. Tratava-se da continuação da música “Demolition Lovers”, do primeiro CD.
Todos nós estávamos diferentes agora. Tanto por fora – Frank não tinha mais dreads, estava com o cabelo curto; Mikey cortou o cabelo e estava usando roupas melhores; Ray deixou o cabelo crescer e ficar aquela coisa bizarra de antigamente; Matt continuava o mesmo e eu havia deixado meu cabelo crescer também – quanto por dentro, estávamos mais maduros agora. Até nossa música havia mudado, era menos “barulhenta”. Quanto à nossa vida pessoal, estávamos bem. Eu estava até bebendo menos. O nosso único problema, era o fato de minha avó – e de Michael também – estar no hospital, mas ela estava bem...
– Cara, você nem sabe tocar... – Ouvi um grito vindo da garagem da casa de Matt, onde ele e Ray estavam vendo algo sobre uma música do novo CD.
Resolvi levantar de onde estava e fui ver o que estava acontecendo. Frank me seguiu.
– Foda-se o que você pensa. Se eu não soubesse tocar, não estaria aqui! – Gritou outra pessoa. Os gritos ficavam cada vez mais altos.
Ao chegarmos à garagem, nos deparamos com Matt e Ray discutindo. Ray parecia que ia fuzilar Matt com os olhos...
– Porra, o que ta acontecendo aqui? – Frank gritou, tentando fazer os dois calarem a boca.
– Esse filho da mãe ta tentando me dizer que eu não sei tocar, caralho, eu toco melhor do que ele! – Gritou Matt, jogando as baquetas longe.
– Cara, tu ta bêbado! Aliás, até nos shows tu ta bêbado! Vai aprender a tocar uma bateria antes de encher o saco dizendo que somos nós que não tocamos bem e por isso que não recebemos muito. Te liga, cara, a gente toca porque gosta de fazer isso! Não por causa do dinheiro. – E Ray encerrou a discussão.
– Gerard, esse cara ta achando que pode me criticar! Você é o líder da banda e meu melhor amigo de infância, vai deixar ele falar assim comigo? É claro que a gente faz isso pelo dinheiro! Isso que é importante. – Disse Matt, claramente achando que foi injustiçado.
– Matt, ele ta certo. A gente faz isso porque gosta, não pelo dinheiro. – Respondi, logo após puxei Frank pelo braço e voltei para onde estávamos. Não queria discutir com Matt.
Matt era, realmente, um dos meus melhores amigos de infância mas, na maioria das vezes, era realmente burro e orgulhoso. Não admitia que falassem a ele que estava errado, principalmente quando estava bêbado. Eu e Mikey já andávamos discutindo a possibilidade de chutar-lo da banda, porém precisávamos gravar um álbum no mesmo ano e não teríamos ninguém para assumir a bateria. Uma das nossas únicas opções era um cara chamado Bob Bryar, que conhecemos na turnê junto com o Used. Mas não estávamos em condições de parar tudo que estávamos fazendo pra tirar Matt e chamar outra pessoa, depois continuar a gravação do CD. Não depois dos acontecimentos de Março de 2004...
– Frank, você viu o Gerard? – Ouvi Mikey perguntar, preocupado.
– Eu to aqui. Aconteceu algo? – Respondi, entrando no quarto onde eles estavam.
– Gee, me ligaram do hospital dizendo que precisavam dos familiares de Elena Lee Rush e já que nossos pais não estão na cidade, somos nós que devemos ir. – Disse ele. Parecia estar me escondendo algo, pois estava nervoso e gaguejava bastante.
Pegamos o meu carro e fomos até o hospital. Chegando lá, descobrimos – eu descobri, na verdade. Michael já sabia – que eles nos queriam lá para darmos as informações sobre o funeral.
Nesse momento, perdi meu chão. Eu sabia que esse dia chegaria, mas eu não imaginei que seria tão cedo. Minha avó, como eu já havia comentado, foi quem me ensinou a ser eu mesmo. Tudo que eu sou hoje, é graças à ela. Eu, sinceramente, não sabia o que seria da minha vida depois da morte dela. Talvez que eu tenha amado-a mais que a minha própria mãe, ela foi a pessoa mais importante da minha vida. Ela foi tudo.
Depois disso, minha vida virou apenas álcool e drogas. Reatei minha amizade com Bert McCracken e passávamos todos os dias bebendo. Aliás, era até mais que amizade. Tínhamos um caso. Bert dormia quase todos os dias na minha casa e, com isso, eu acabei me afastando do My Chem e dos outros. Mas não era culpa minha, Bert e as drogas eram as únicas coisas que me impediam de cometer suicídio. Eu havia voltado a ser o “antigo Gerard”, aquela pessoa amarga que bebia o dia todo e nunca saia de casa. Porém, mesmo tendo Bert, dessa vez eu estava pior. Eu só me juntava ao resto do pessoal da banda para gravar nosso próximo CD, que denominamos “Three Cheers For Sweet Revenge”. Aliás, quem deu o nome do CD fui eu... de novo! Até parecia que aqueles caras não sabiam pensar...
O CD, mais uma vez, tinha umas partes bizarras que só o Ray queria que estivessem lá, com um interlúdio idiota que eu fui obrigado a gravar. Se o álbum não vendesse, seria culpa dele. A relação entre ele (Ray) e Matt estava cada vez pior, porém Mikey conseguiu convencê-lo que só deveríamos chutar Matt da banda depois do termino das gravações.
Exatamente dia 8 de Junho de 2004, o “Revenge” saiu e a banda entrou em uma nova era. Estávamos nos preparando para gravar os vídeos das músicas “I’m Not Okay” e “Helena”. Mas, mesmo assim, não poderíamos deixar de curtir uma festa na casa do Matt – a que seria a última – pelo lançamento do CD.
Frank claramente estava puto comigo, pois eu levei Bert. Mas porra, o cara ajudou nos vocais de uma música – que falava sobre nós e todos foram contra colocar no CD – e ainda querem que eu não o convide pra festa do lançamento? Aí já é sacanagem.
– Gee? Quero falar contigo – Ele me chamou.
– O que foi, Iero? – Perguntei, seguindo-o.
– Eu e os caras da banda estávamos pensando e... você ta muito distante, Gerard. Sério, não sai de perto do McCracken e mal comparece às nossas reuniões.
– Reuniões? Viramos advogados ou algo do tipo agora? Não enche, Frank. – Falei, despreocupado.
– E eu... sinto sua falta. – Disse ele, sem graça, porém sério.
Não respondi, não sabia o que responder. O fato era que eu sentia falta dele também, mas não queria admitir. Porque, se eu admitisse, teria que voltar a ficar perto dele, e me afastar um pouco de Bert e as únicas coisas que me faziam esquecer dos problemas. Ou seja, teria que viver a realidade. Mas a realidade me assustava. Voltar à realidade significava voltar aos problemas, e eu não queria isso. Eu tinha voltado a ser eu mesmo, o Gerard que bebe e o caralho a quatro só pra se afastar do mundo, e eu gostava disso. E outra que eu não queria me entregar, não queria me iludir. Já havia me fodido no amor e isso não é legal. Mas, com Bert, não é amor. Ele é apenas meu companheiro pra beber e outras coisinhas lá, se é que dá pra entender.
E os dias se passaram assim, todos iguais. As mesmas drogas, mesmas bebidas, o mesmo Bert, a mesma coisa...
– Cara, a gente tem que conversar. – Disse Ray, em uma das poucas vezes que eu apareci na casa do Matt.
– Fala aí... – Respondi, pegando uma bebida.
– Gerard, para de beber por um minuto e me ouve. A gente ta em uma espécie de crise aqui, OK? – Disse ele, sério. Eu nunca tinha visto-o daquele jeito e achei melhor ouvi-lo. – A gente vai chutar o Matt da banda, e precisamos de você aqui. O Mikey e o Frank já tão atrás de um novo baterista pra gente, nem que seja pra próxima turnê. Mas o fato é que você ta muito distante, cara, você era meio que o líder, agora nem aparece mais. Eu sei que o Iero falou contigo e você se estressou, mas ele tava falando a verdade. Gerard, você tem que perder esse medo de viver. – Disse ele, mais sério ainda, mas amigável – E, ah, precisamos que você ache um lugar novo pra ensaiarmos e tal, porque não vai ter mais o Matt e a casa dele. – Finalmente completou, levantando-se e dando as costas.
Sim, Ray estava certo. Eu precisava viver a realidade. Mas não agora, eu ainda estava tentando aceitar o fato da morte da minha avó e tudo mais...
– Já acharam o baterista? – Perguntei à Mikey, quando entrei na sala onde estavam.
– A gente ta tentando achar alguém, mas ainda não tem ninguém... – Respondeu Mikey, indiferente.
– Seria melhor se você ajudasse... – Disse Frank, seco.
Sentei-me ao seu lado.
– Olha, Frank, eu sei que eu to sendo ausente e tal, mas... Me desculpa? Aliás, todos vocês, me desculpem. Eu to tentando, OK?
– Não, Gerard, você não ta tentando. Porque se tivesse realmente tentando, conseguiria. – Disse ele, com a voz já falhando, e saiu de perto.
– Ah, por favor... Agora eu sou a pior pessoa do mundo pra vocês? Desculpa, mas eu sou humano e cometo erros! – Disse, sarcástico.
Saí de lá também. Essa pressão toda tava me matando, eu precisava terminar com tudo isso. E o pior é que Ray me ligou, alguns horas depois, dizendo que tocaríamos no Warped Tour 2004. Só fiquei feliz quando descobri que o Used tocaria lá também. Com Bert por perto, nada me deixaria pra baixo... Ele não deixaria isso acontecer.
Resolvi que não apareceria mais sei lá onde eles estivessem, só liguei pro Mikey pra dar o número de Bob Bryar, um cara que eles queriam como baterista, consegui o número com Bert – o cara tinha sido técnico de alguma coisa do Used –. Deixei pra dar as caras por lá quando estivéssemos indo pro Warped e, logo depois, teríamos o Taste Of Chaos e, talvez, abriríamos uns shows da turnê do AI do Green Day. Vida agitada, não?
No dia que partimos para o Warped, acabamos por ir na nossa van mesmo, enquanto o The Used foi num ônibus enorme. Mas, mesmo assim, consegui fazer o Bert ir comigo e os caras do MCR. Eles não gostaram, é claro, mas que se fodam. O namorado é meu e eu levo pra onde quiser. Todos eles ficaram completamente calados, principalmente Frank, que nem me olhou na cara... Enquanto isso, Bert e eu fumávamos e ríamos em um canto.
– Cara, fala com eles. São seus amiguinhos, Gee. – Disse ele, irônico e tirando com a minha cara.
– Vai te foder, Bert. – Respondi baixinho e rindo.
– Não, esse é o seu trabalho. – Disse ele, e caímos na gargalhada. – Mas sério, Gerard, diz algo pra eles, antes que te chutem da banda também... – Rimos mais um pouco.
– OK. – Disse à ele. – Então... já acharam o novo baterista? – Perguntei alto.
– Sim, Gerard. Foi você quem nos deu o número dele, não lembra? – Disse Mikey, seco.
– Ah, sim, eu não me lembrava... Então, cadê ele? – Perguntei meio debochado, pois não acreditava que eles realmente tinham conseguido um baterista em cinco dias.
– Gerard, por que você não cala a porra dessa boca? Não percebe que a gente não quer papo contigo? – Disse Frank, e pude perceber que seu rosto estava meio molhado, mas não pude saber se ele andou chorando, pois não tirava os óculos escuros.
– Olha aí, Gerard! Você fez a menina chorar. – Disse Bert, e rimos outra vez.
Mas, pra nossa sorte, Ray ouviu a brincadeira.
– Bora parar com essa porra aí, vocês dois. – Gritou ele, sério, enquanto dirigia.
– Você não manda em mim, cabeça de capacete. – Disse Bert, mais debochado que nunca.
Ray não respondeu, apenas parou a van, desceu do banco do motorista, abriu outra porta, pegou minhas malas e as de Bert, e as jogou no chão.
– Saiam. – Disse ele. – Saiam logo! A gente ta a caminho de uma turnê, sabiam? Parem de besteirinhas ou eu tiro vocês à força. – Completou, sentando-se no banco novamente.
Descemos, é claro, senão ele sairia e deixaria nossas coisas lá. Mas foi difícil pra eu fazer bert não bater nos outros.
Tivemos que ligar pros caras da Used que, por sorte, estavam na estrada pra nos buscarem.
– Filhos da puta! – Exclamou Bert, quando já estávamos esperando há meia hora. – Todos eles! Aquele viados por nos deixarem aqui, e os outros por não chegarem nunca...
E esperamos mais meia hora até a chegada do ônibus da Used.
– Foi mal, cara, ainda estávamos longe quando vocês ligaram. – Disse Quinn, quando chegaram. – Mas anda, entrem.
Aquilo era tipo o paraíso! Bebidas, drogas e o mais importante, espaço, muito espaço! Jeph tinha até um videogame que eu não sei como infernos estava ligado, já que não havia energia elétrica lá.
– Fala aí, Way! – Disse ele, quando entrei no ônibus. – Pega uma cerveja aí, e depois vamos pra uma partida aqui, sim? – Perguntou, sorrindo.
Todo os caras daquela banda eram bem mais legais que os do MCR, tenho que admitir. Quinn era a pessoa mais prestativa e bem humorada do mundo, Jeph estava sempre fazendo brincadeiras e Dan me recebeu super bem, e ainda disseram que foi muita sacanagem os outros nos deixarem na estrada, sozinhos, de noite.
– Cara, tipo, a gente nunca deixaria vocês na estrada, OK? – Disse Dan, enquanto vencia de Quinn no videogame.
– Pois é, pra vocês verem como é a falsidade... – Disse Quinn. – E... eu te venci de novo! Sou muito foda nesse jogo, pode dizer...
– Porra, como isso? Eu tava vencendo, otário.
Quando chegamos, eu fui obrigado a ligar para o Mikey e perguntar qual era o quarto deles no hotel. Bert me levou até lá e, depois se foi pro quarto dos seus companheiros, que até me chamaram pra ficar lá com eles, mas não fui tão filho da puta assim.
– E aí... – Disse, de nariz empinado e cara de nojo quando entrei no quarto. – Quem é a bola loira aí? – Perguntei, quando avistei um certo cara que eu nunca vi na vida, sentado num dos sofás.
– Respeito é bom e todos gostam, né Gerard? – Disse Frank. – Esse é o Bob, aquele você duvidou que houvéssemos conseguido chamar. Ele vai tocar com a gente a partir de agora, você querendo ou não. – Completou ele, quando eu fiz menção de falar.
– Calma, cara, eu só tava brincando. – Respondi, soltando minhas coisas em cima de Mikey.
– Brincadeiras machucam, Gerard... – Disse Ray.
– Mas vocês não tem moral de falar sobre isso, ou se esqueceram que deixaram eu e o meu namorado na estrada?
– Namorado? – Perguntou Mikey, desconfiado. – Achei que fosse seu melhor amigo...
E foi aí que eu percebi que dei informações desnecessárias...
– Ta na cara que a nossa amiguinha aí ta dando pro McCracken, Mikey. – Disse Frank.
Apenas me retirei, eles não mereciam minha presença. Fui para o único quarto e, adivinha? Quatro camas! Somos cinco agora... Voltei na mesma hora à sala, usando minha melhor cara de autoritário.
– Que porra é essa? Vou ter que dividir a cama com alguém, é? – Perguntei, tirando meus olhos escuros e dando uma de “drama queen”.
– A gente achou que você ia ficar com o Used... Mas, bom, ainda tem os sofás. – Disse o tal Bob, segurando o riso. – Eu conheço bem o McCracken e, sinceramente, ele é generoso e vai te dar tudo que quiser... – Completou, dando ênfase na palavra “dar”.
– Aí, fica na tua, OK? Estou falando com os humanos, ou tentativas disso, e não com as focas. – Disse, jurando que havia humilhado-o e que ele iria obedecer à mim.
Todos riram.
– Você ainda não percebeu o quanto é ridículo, Arthur? – Começou Frank.
– Arthur é o caralho, Anthony! Vocês tão armando pra mim, só pode...
– Cala a boca e me ouve, porra! Não ta vendo essa merda que você se tornou? Ninguém ta rindo das suas piadas, e sim da sua cara. Cresce, Gerard. Cresce! – Berrou ele, jurando que tinha me dado uma lição de moral. – Eu até pensei em dormir no sofá e deixar a minha cama pra ti, mas aí já é idiotice demais!
Simplesmente me tranquei no banheiro e fiquei lá até as três da manha, quando todos foram dormir. Troquei de roupa lá mesmo, no banheiro, e deitei no sofá. Não consegui dormir de noite, pensando em tudo que estava acontecendo. Eles estavam certos, eu era um idiota. Uma criança. Mas eu não tinha mais nada a perder mesmo e, se eu mudasse, ninguém se importaria. Aliás, seria pior, pois eu perderia o Bert... de novo.
No outro dia, levantei com o corpo doendo e morrendo de sono. Apenas coloquei uma roupa, passei uma maquiagem fodida, coloquei um óculos e levantei. Os outros não demoraram muito a levantar, Bob foi o primeiro e me disse um simpático “bom dia”. Ele parecia ser uma boa pessoa e percebi que não deveria ser idiota e descontar meus problemas nele. Quando os outros levantaram, pegamos a van e fomos pro festival. Os instrumentos já estavam lá, menos a guitarra de Frank, que ele insistia em carregar consigo.
No caminho, o único a falar comigo foi Bob, que perguntou o que eu tinha, apenas respondi “ressaca”.
Chegando lá, logo encontrei Bert. Ele sorria, acompanhado de Quinn, e carregavam algumas bebidas.
– Quer uma? – Perguntou ele, me entregando uma garrafa. Aceitei.
– E aí, como foi com aquele monte de viado falso? – Perguntou Quinn.
– Uma merda. O Frank ta se achando o dono da razão e isso me irrita. E, ah, eles tem um baterista novo... até que é mais ou menos. Tomara que saiba tocar.
Eu até me que me sentia mal por Quinn falar assim deles, mas não retruquei, afinal eles foram falsos mesmo.
Nos juntamos aos outros dois caras da Used e bebemos até cair. O My Chem entraria depois, pois o Used seria um dos principais de lá, já que tocavam no festival há mais tempo.
Quando foi a nossa vez, tocamos Helena e, adivinha? Com a sorte que tenho, minha calça caiu e eu fiquei quase pelado na frente de todos! Sou ótimo mesmo. Mas essa não foi a pior parte, o pior é que todos me evitaram no palco. Eu costumava interagir com todos os membros durante do show, até mesmo o baterista, mas dessa vez não deu. Frank, Mikey e Ray saíram de perto quando eu me aproximei, e Bob apenas abaixou a cara e continuou tocando.
Depois do show, saí correndo e voltei com Bert para o hotel, deixando todos os outros pra trás. Quando cheguei no hotel desesperado, entrei no quarto do My Chem e peguei minhas malas. Bert foi atrás.
– Ei, o que houve? – Perguntou, rindo. – Eu tenho camisinha aqui, Gerard.
Peguei todas as drogas que eu consegui encontrar, menos os cigarros, e joguei nele.
– Bert, por favor, tira essas coisas daqui! – Gritei, enquanto chorava. – Por favor, depois eu te explico tudo, só... tira as drogas e o álcool de perto de mim, por favor, só até o fim dessa turnê.
– O que ta acontecendo? – Perguntou Frank, que havia acabado de chegar com o resto da banda. Porra, pra que tanta droga? Vai deixar a banda e virar traficante, Arthur? – Sempre sarcástico, hein, Anthony?
– Frank, por favor, eu... – Percebi que seria inútil tentar argumentar com Bert ali. – Bert, por favor, faz o que eu te pedi, OK? A gente se vê por aí, te amo. – Ele me deu um rápido selinho e saiu.
Não falei com os outros, apenas fui pra sacada, sentei no chão e fiquei lá, por horas, chorando. Quando já era noite, Bob foi conversar comigo.
– Hm, Gerard? – Chamou. Apenas levantei a cabeça – Você vai jantar?
– Não, obrigado. – Respondi, secando as lágrimas.
– Olha, Gerard, eu sei que a gente não começou bem e... – Ele sentou-se ao meu lado.
– Eu sei, e sinto muito por aquilo. Você é realmente uma boa pessoal. – Tentei me desculpar, mas só consegui me sentir mais culpado ainda.
– Posso terminar de falar? – Perguntou. Apenas abaixei a cabeça – Obrigado. Então, a gente começou mal e tal, eu te desculpo, mas, cara, tenta falar com eles. O teu irmão ta muito mal com isso, quase entrando em depressão, o Ray disse que sente falta de ti e o Frank, bom, o Frank é um caso aparte. Cara, você sabe o que ele sente por ti? Ele te ama, Gerard. Ele te ama há muito tempo e você fica meio que humilhando ele com o McCracken.
Nesse momento me senti pior. Aliás, a pior pessoa do mundo. Abandonei os meus amigos, fui infantil e agora todos eles estavam mal por minha causa. Não tive como não chorar mais ainda. Eu, realmente, já fui uma pessoa mais forte e menos egoísta...
– Gerard, é melhor você entrar e falar com eles, não?
Segui seu conselho e adentrei o lugar.
– Ei, calem a boca! – Gritou Bob – Gerard quer falar com você. – E sentou-se em um dos sofás, com uma cara de “vá em frente”.
– Então, eu... Me desculpem. Eu fui fraco e acabei me entregando às drogas e tudo mais de novo, virei uma criança egoísta e fui idiota com todos vocês, mas eu já me livrei das drogas, dei-as ao Bert. Eu juro que nunca mais me meto nessas coisas, eu só preciso da amizade de vocês de volta, OK? Eu juro que vou ser um irmão, vocalista e amigo melhor... Eu juro... – Disse, chorando. – Só... me desculpem, OK? Eu sinto falta de vocês.
Alguns segundos se passaram, enquanto eles trocavam olhares que, sinceramente, me deram medo. Parecia que estavam todos concordando com algo como “OK, vamos tirar esse idiota da banda e fim”.
– Bom, então... – Começou Ray, levantando-se. – Bem vindo de volta, Gerard!
Ele me abraçou e sorrimos.
– É, bem vindo de volta, mano. Agora vê se te liga mais, hein? Precisamos levar essa banda pra frente... – Disse Mikey, sorrindo.
Agora eles sorriam, principalmente Bob, satisfeito consigo mesmo. Mas tinha alguém que ainda não havia dito nada...
– Hm, Frank? – Perguntei, esperando que ele dissesse algo. Poderia ser qualquer coisa. Ele poderia dizer que eu sou um idiota, que me odeia, que eu precisava morrer ou sei lá o que... Mas eu tinha que ouvi-lo.
– OK, Arthur, eu te desculpo. – Disse ele, sorrindo, e me abraçando. – Senti sua falta, Gee.
E foi assim, todos ficamos bem no final. Pelo menos por esse ano, né...
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