Minha Última Carta
1 Capítulo 1
Oi Dave, não vou começar esta carta com aqueles "quanto tempo, não é?" ou falar que sinto sua falta, acho isso banal pra caralho, e a última coisa que nós podíamos ser chamados, era de "casal banal" não era? Primeiro de tudo, queria te dizer que esta é a útima carta que te escrevo, e aliás, a primeira também, nós sempre nos falamos por telefone, as vezes que fui atrás de falar com você, no seu apartamento mesmo, ou quando você aparecia na minha janela, como alguém que nada queria, e me fazia pensar naquilo a noite inteira. Eu quero que você saiba, antes de tudo, que esse seu último telefonema, foi a coisa que eu mais esperei, em toda minha vida, que eu mais implorei ao tempo, para que acontecesse. Porém Dave, sinto muito, você ligou tão tarde, Dave... Eu já havia cansado de esperar, esperar que você lembrasse, que eu lembrava o tempo inteiro de você. Esperar que você lembrasse, que eu não havia esquecido, do espaço que você ocupava na minha vida. Aliás, o que você tinha de tão importante, Dave? O que você tinha, que sempre que você chegava, eu largava tudo, por você, Dave. E por favor, não tente me convencer de nada, ou se fazer de vítima da história, como você sempre fez, foi sempre você, quem sumiu. Sempre que você vinha até mim, eu estava aqui, te esperando, de braços abertos, literalmente falando. Apenas entendi, não podemos ficar juntos Dave, me convenci, que não tenho importancia na sua vida, como você tem na vida. Essa foi a parte mais difícil de entender, mas depois desse tempo todo, eu entendi. É isso. Cansei. Cansei de te colocar sempre em primeiro lugar, quando você só recorria a mim, quando se via na solidão. Até porque, tenho certeza que nunca alguém te tratou melhor do que eu, ninguém nunca te deu mais atenção do que eu, ninguém nunca deu tanto carinho a você, como eu dei. E o que isso significou pra você, Dave? O que aparentou significar, é que você podia me tratar de qualquer jeito, ser carinhoso quando desse vontade, me tratar como um nada, quando desse vontade também. Porque afinal, eu estaria sempre ali, não era? Cansei de esperar que você percebesse o quanto eu te amava, e saber retribuir isso. ou que você desse conta da merda que estava fazendo comigo, me desse um sinal. Apenas, um único sinal! Era tudo o que eu precisava, para correr e te abraçar novamente, te lembrar, mais uma vez o quanto eu te amava, o quanto eu te queria por perto, o quanto eu sentia sua falta. Não quando estava sozinha, mas sim, toda vez que tragava o ar para meus pulmões, quando piscava meus olhos tão cansados, de noites mal dormidas, quando estava em meio de multidões, ou naqueles passeios de família, que você sempre ia comigo. Quando eu escutava aquela música que era como um hino para nós — e tantas outras músicas também — Quando senti a água no meu corpo, quando o sol queimava minha bele branca, que você dizia que adorava. Eu balançava as pernas, e lembrava de você. Quando a batia do meu coração era uma nota de solidão, eu lembrava de você. Assim como também lembrava quando ele batia feliz, como aquelas crianças que acabam de ganhar um balão, sabe?Você deve estar pensando algo como "Porra, se ela me amava tanto assim, como pode ter cansado?" Pois bem, Dave, a questão não foi o esforço que fiz para te esquecer, e sim, as mil vezes que você praticamente falou "Me esquece, menina. Você não é nada na minha vida." ou que agiu como um tremendo filho da puta. Vou te dizer que o esforço que você fez para me perder, foi imenso. Te lembrarei de cada detalhe que me fez te amar, com os olhos do mundo, como algo que transbordava, e cada uma das tuas mancadas, para você entender, o porque eu te amei tanto, e porque você conseguiu destruir, o sentimento que há dias atrás, eu jugaria como, inesgotável.
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