As sete peguei minha mochila e uma sacola com ingredientes para cozinhar, nós saímos caminhando, Mel me acompanhou ate a casa de Isaac depois se despediu e voltou correndo para casa.

Passei pelo portão do pátio e subi os degraus da varanda antes que eu pudesse bater na porta Isaac a abriu, tinha um sorriso enorme no rosto e um brilho nos olhos.

Entramos e ele fechou a porta, a casa estava mais organizada hoje.

— Então cozinheira o que vamos comer hoje? — Debochou antes de se inclinar e beijar meus lábios.

— Vamos ver o que tem no seu estoque. — Retruquei antes de seguir para a cozinha. — E juntar com o que eu trouxe.

Isaac abriu os armários e a geladeira para mim, observei tudo. Como toda a casa em que só vivem homens não tem muita opção de comida. Consegui preparar um Ratatouille, um creme brulée e fiz arroz.

— Você poderia trabalhar em um restaurante. Sabe fazer muita coisa? — Perguntou observando enquanto colocava a comida na mesa deixando a sobremesa para depois.

— Aprendi varias coisas, cozinhar é uma terapia. Mel reclama que engorda de tanto força-la a comer tudo que faço. É que lá é o único lugar que posso cozinhar.

— E pode cozinhar aqui sempre que quiser. — Falou depois de provar a comida. — Que delicia. Não sou fã de legumes, mas isso aqui esta uma delicia.

— Ratatouille. — Falei. — Como foi seu dia?

— O mesmo de sempre, não faço muitas coisas. Sai para correr hoje. Chris me acompanhou, ele não quer perder a forma.

— Pratico parkur com Mel as vezes, devia tentar.

— Ate posso tentar, mas duvido que Chris tente. — Riu.

— Como vocês se conheceram?

— É uma historia meio longa. Não é o momento para você saber disso. Mas antes que você pense qualquer coisa eu o conheci antes de ter algum envolvimento com a filha dele.

— Não estou pensando nada.

— Gosto de esclarecer as coisas. Mas tem coisas... É complicado.

— Posso tentar entender?

— Não estou pronto para falar, isso muda muito as coisas e talvez o jeito que você me veja. — Passei a língua no lábio o encarando.

— É sobre aquele dia? — Ele franziu a testa. — O dia que você me beijou pela primeira vez.

— Aquilo foi muito idiota.

— A situação toda foi muito idiota. Mas... Você... Girou no ar e pousou em pé.

— E você tem uma super força.

Então esse era o jogo, ele abriria a boca, se eu abrisse a minha boca.

Justo.

— Se eu falar, você vai me falar? — Assentiu. — Nasci assim, tenho super força, me curo rápido, as coisas estão evoluindo um pouco, não sei muito. Só sinto. Nunca fiquei doente em toda a minha vida. Posso absorver, manipular e controlar vários tipos de energia. Posso ficar varias horas sem me alimentar e não sinto nada. Minha pele é mais resistente tambem. Dificilmente me machuco ou me sinto cansada. Pratico parkur para esvaziar um pouco da energia no meu corpo e tambem é um treinamento para meus músculos e reflexos que são muito bons.

— Você nasceu assim?

— Sim. Pelo menos é o que achamos. Nunca fiquei doente e quando me machucava simplesmente curava. Comecei fazendo as luzes piscar.

— E seus pais?

— Acharam que isso era um milagre. Uma benção. — Revirei os olhos. — Eu sinto que não estou envelhecendo como antes. Eu cresci normalmente, mas notei que estou desacelerando. É estranho. Nunca tentei fazer um teste ou pesquisas. Tenho medo que as pessoas queiram fazer disso um daquelas loucuras de filmes de ET.

— Você acha que eles vão te prender e fazer experimentos?

— A humanidade pode ser bem cruel quando quer.

— Tem medo dos seus poderes?

— Não. Estou tranquila. Sei que posso lidar com isso, não é algo que eu possa perder o controle. Ninguém além dos meus pais sabem. Só Nate é claro. Mas Mel não sabe, a única coisa na vida que nunca contei a ela.

Ficamos em silencio por uns minutos só nos olhando.

— Isso não é nada perto do que eu... Sou.

— O que você é, Lahey?

— Sou um lobisomem, Natalie.

Silencio. Fiquei segurando os talheres e olhando para ele. Minha mente processando isso. Por um minuto achei que fosse uma brincadeira, mas pela sua expressão deduzi que fosse verdade.

— Lobisomem com mordida, lua cheia e sangue?

— Bem menos sangue. Mas sim. — Larguei os talheres calmamente e fique o encarando.

— Pode me contar isso?

— Eu era um garoto normal. Na verdade não era normal. Era só meu pai e eu. Ele me maltratava, me prendia dentro do freezer como castigo. Por causa disso tenho claustrofobia. Me batia. Fazia da minha vida um inferno. Ate que um dia um homem apareceu e me ofereceu uma nova vida. Ser Lobisomem e fazer parte da Alcateia dele. Aceitei é claro, não pensei nas consequências ou em qualquer coisa. Só aceitei. Quando mataram meu pai, todos e ate mesmo eu achei que era o culpado. Foi na minha primeira transformação, não tinha muita noção das coisas. Mas não foi eu.

"Chris era um caçador, fomos inimigos. Beacon Hills é o centro do mundo para o sobrenatural. Tudo acontece naquela cidade. Teve muitas mortes. Meu Alfa desistiu de ser alfa e foi embora me deixando. Me aliei a outro lobisomem um beta como eu. De inimigos viramos amigos. Foi um grande amigo para mim. Aprendi a me controlar mais, a fazer coisas boas. Que eram certas.

— E por que veio embora?

— Quando Alisson foi morta eu andava meio perdido, não sabia o que fazer. Scott era um alfa agora, mas eu não me sentia em casa lá, entende? Parecia que não era meu lugar então quando Chris resolveu vir morar na França e me convidou para vir junto, eu aceitei. Queria mudar de vida. Colocar um fim no passado, esquecer. E recomeçar. Admito que por mais que eu achasse você bonita você parecia tão intocável. Nunca tentei nada por que me achava inferior. Ainda me acho na verdade.

— Você não é inferior. — Toquei seu rosto passando meus dedos por seus traços.

Ele era tão lindo. Tão perfeito.

— Nem quando você tentava se aproximar eu ainda tinha receio.

— Vai achar estranho se eu contar a você que... Sonhava com uma pessoa igual a você? Faz meses que sonho com um garoto, com cabelos castanho claros. Alto. Quando chegou na cidade tive certeza que era você. E agora entendo o por que de sonhar com uivos. É você na sua forma de lobisomem.

— Não acho tão estranho quando você ficar me perseguido. — Empurrei seu ombro me fingindo de ofendida e ele riu abraçando meu corpo.

Seu nariz passou pela minha clavícula e ele depositou um beijo em meu ombro.

— Posso ver? — Seus olhos azuis me encararam confusos. — Transformado? Precisa ser na Lua Cheia?

— Na Lua Cheia estamos mais fortes, mas... Tente não ficar com medo.

Seu rosto foi mudando, ganhando feições lupinas e pelos, os olhos foram mudando do azul para o amarelo e os dentes foram crescendo em presas pontiagudas. Toquei seu rosto passando os dedos. Toquei seus dentes.

— Impressionante. — Murmurei e ele voltou a forma humana.

— Não assusta?

— É você Isaac. Claro que não me assusta.

— Te observo as vezes. No muro. Um dia você quase me viu.

— Aquele dia da festa. Os olhos dourados.

— Quase matei seu coelho do coração. Ele gritou e saiu pulando se escondendo na primeira toca que encontrou. — Sorriu.

— Coitado do Pernalonga.

Ele riu e eu levantei pegando os pratos, mas Isaac foi mais rápido em segurar minha mão.

— Já que você cozinhou eu lavo a louça. — Pegou os pratos e seguiu para a pia. — Pode guardar a comida para mim? Chris vai gostar de comer algo diferente.

— Claro. — Arrumei tudo e guardei onde ele indicou.

Enxuguei a louça e ele guardou depois comemos o doce. Recebi mais alguns elogios que me deixou muito feliz.

Então seguimos para a sala onde me beijou, nos sentamos no sofá trocando beijos e caricias. Isaac sabia muito bem o que fazia. Um calor subiu pelo meu corpo.

— Acho que tenho que ir embora. — Falei e ele assentiu.

— Entendo.

— Não se importa?

— Do que? — Franziu a testa.

— É que... Jantamos e agora... Eu vou embora.

— Esta falando sobre sexo? — Assenti. — Não vou forçar você a ficar e dormir comigo, Natalie. Não sou esse tipo de cara. E sei que você não é esse tipo de garota.

— Sou virgem.

— Eu suspeitei. Você não é tímida. Então achei que fosse virgem. — Assenti.

Levantei pegando minhas coisas e olhei o celular, eram quase 11 horas. Mel devia estar ocupada.

Lancei um olhar para Isaac que estava me encarando como sempre. Ele estava sempre prestando atenção em mim.

Voltei e o beijei.

— Podemos subir?

— Natalie...

— Quero transar com você, Isaac. Se você quiser.

Ele me beijou antes de me conduzir para o quarto, mal prestei atenção nos detalhes. Estava tão perdida. E rendida a Isaac. Aos seus beijos depois ao seu corpo. Doeu como eu esperava que a primeira vez doesse, mas assim como veio, a dor passou.

Só o que sobrou no quarto foram barulhos na cama, beijos e gemidos.