— Podemos falar de nós? — Isaac perguntou aproximando seu rosto do meu.

— O que quer falar?

— Se eu posso fazer uma pedido normal, ou tem que ser formal?

— Depende do grau de relacionamento que você quer. Prefiro um normal no momento.

— Esta com vergonha de me levar ate a sua família?

— Meus pais tem sua ficha Lahey, você que tem que ter vergonha. — Ergui o dedo. — Na verdade eles que tem que ter vergonha. Você tem que ter orgulho de quem é. — Sorriu.

— Você se expressa tão bem.

— Minha mãe fala que vou me dar bem na empresa.

— Você não parece muito confiante.

— Sei que vou me dar bem na empresa, mas... Será que Nate fez errado em abrir a gaiola e voar para longe?

— Claro que não.

— Minha vida é assim Isaac. Meu futuro é o que mais tenho de certo na minha vida.

— Esse é o problema, não é algo que você quer.

Ele falou com tanta certeza que parecia ler minha alma. Os meus desejos e incertezas.

— Mas não quero começar algo discutindo. Só quero ter a certeza que vamos ficar juntos.

— Por que esta incerto sobre isso? — Perguntei observando seus olhos azuis.

— Eu sei que seus pais querem que você case com um homem rico. E não posso dar isso a você. Por isso quer namorar comigo sem me apresentar a eles?

— Eu não sei o que sinto por você, não sei o que é amar. Não vou apresentar um cara aos meus pais sem ter a certeza que é o cara que amo.

— E o que sente por mim? Atração?

— Sim, mas é mais que isso. — Encarei seus olhos azuis. — Tenho certeza que gosto de você. Gosto de ficar com você, além dos beijos. Gosto da sua companhia. Você me deixa tranquila. Leve. Me sinto bem com você. — Sorriu se aproximando.

Olhos nos olhos, nariz com nariz e finalmente os lábios. Um beijo simples. Passei a língua pelo seu lábio inferior e ele aprofundou o beijo. Nos afastamos sorrindo.

— Acha que isso pode se tornar mais?

— Você acha?

— Gosto de você, Natalie. Acho você linda, talentosa e incrível. Gosto de ficar com você. Por isso quer namorar comigo?

— Sim. — Beijei seus lábios de novo.

— Ótimo. — O sinal tocou e ele levantou. — Tenho que ir. Preciso de notas boas para ir para a faculdade.

— Precisa aprender a desenhar para tirar nota boa em Artes. — Sorriu.

— Não consigo me controlar com uma loira linda ao meu lado. — Caminhou de costas depois se virou e se afastou.

Levantei e segui para a minha aula, encontrei com Mel na porta da sala de aula. Os dias foram passando. No começo meus pais não gostaram da ideia de um relacionamento, mas não me impediram. Sabiam que seria pior se fossem contra.

Nós saímos um dia toda a semana, as vezes sexta a noite, as vezes sábado a noite e as vezes domingo de dia. Caminhávamos, conversávamos, comíamos alguma coisa. Namorávamos.

Era estranho no começo, mas me acostumei a receber uma mensagem de "bom dia" ou uma ligação de "boa noite". Me senti vivendo aqueles clichês idiotas.

Essa semana iriamos sair na sexta de noite, ir ao cinema. Mel iria com um garoto da escola. Um programa de casais.

Resolvi ir de calça por isso escolhi uma calça jeans preta, regata preta, jaqueta de couro azul para dar uma cor ao look e calcei meu ankle boots. Prendi parte do meu cabelo em um coque despojado.

Desci as escadas assim que Isaac avisou que tinha chegado, sai da casa e corri para o carro.

— Esta linda. — Falou me observando. — Mas eu esperava um vestido de novo.

Empurrei seu braço de brincadeira e ele riu.

— Chris não se importa se emprestar o carro para você? — Perguntei observando ele dirigir.

— Não. Ele meio que me adotou... É um cara legal. Me deu uma segunda chance. Mas esta com vontade de voltar aos Estados Unidos. Tenho que decidir se fico por aqui ou volto junto. Ele disse que se eu decidir ficar, posso ficar com as coisas dele, sabe que vou cuidar bem.

— E o que você decidiu? — Me lançou um olhar.

Meu coração se apertou só com o pensamento dele indo embora.

— Sempre que olho para você ou penso em você tenho a certeza de que quero ficar. — Ele estacionou na frente do cinema e virou para mim.

— Sua casa não é lá?

— Minha casa é onde você estiver Natalie.

— Nunca me chama de Lie.

— Lie é mentira em inglês. Não quero algo de mentira.

— Estou aqui e sou bem real. — Sorriu se aproximando para me beijar.

— Eu sei.

Descemos do carro e seguimos ate onde Mel e o garoto estavam esperando. Nos cumprimentamos e os garotos foram comprar os ingressos.

— E ai? — Perguntei sorrindo.

— Conversamos um pouco, mas... Só vai rolar uns beijos nada mais. — Revirei os olhos.

— Precisa parar de colocar defeito em todos os caras que sai.

— Fala isso por que encontrou um cara perfeito.

Isaac tinha se mostrado perfeito nesses dias, ela tinha razão. Mas tinha algo mais. Desde aquele dia que ambos fizemos algo estranho sei que ele esconde algo. Aquele salto dele não foi normal. Mas nunca entrei no assunto e ele nunca mencionou nada sobre minha força anormal.

— Ele não é perfeito. — Falei e Mel riu.

— Vou fingir que acredito.

Os meninos voltaram e nós seguimos para dentro do cinema, subimos as escadas e escolhemos os últimos lugares, ficamos mais afastados do casal.

Isaac tinha comprado pipoca e refrigerante. Os primeiros minutos de filme olhamos bem, mas acabou que Isaac me beijou e eu esqueci do resto ao meu redor. Ficamos trocando beijos.

— Preferia um vestido. — Tocou minha coxa.

— Que safado. — Falei sorrindo e ele riu.

Quando saímos quis entrar em uma daquelas maquinas que tira foto e imprimi na hora, mas Isaac não quis.

— Por que? Qual o problema?

— Não gosto de tirar foto. — Juntei as sobrancelhas o encarando confusa.

— Eu gosto. Gosto bastante de fotografia. Agora vem. — Empurrei ele para dentro da maquina.

Ele sentou e eu sentei em seu colo. Em nenhuma foto ele olhou para frente, era só me olhando ou me beijando.

Saímos e peguei a foto, notei um brilho nos olhos de Isaac, na única foto em que a câmera conseguiu pegar ele olhando. A guardei no bolso da jaqueta e sorri.

— Nossa primeira foto juntos.

— Você nunca me disse que gostava de fotografia.

— Gosto bastante. O sótão da casa é meu estúdio vamos dizer assim, onde imprimo minhas fotos e tenho um mural. Meu sonho era conseguir aquelas maquinas fotográficas que saem a foto na hora e uma maquina fotográfica com filme, antigas e que funcionem. Queria comprar os aparelhos para revelar as fotos dos filmes tambem. Hoje em dia quase ninguém mais usa por que todo o celular tem câmera fotográfica.

— Achei que você ganhasse tudo que queria dos seus pais.

— Colocando assim você me acha mimada. — Ele riu. — Eu ganho tudo que quero, só que... Meus pais são contra tudo essas coisas.

— Como assim? — Franziu a testa me encarando o que o deixou muito fofo.

— Meus pais criaram Nate e eu para assumir a empresa. Fomos criados desde pequenos sabendo que tínhamos nosso futuro garantido. Nate pulou fora o que causou um escândalo e por um triz não foi chutado para fora do testamento. Sorte a dele que minha mãe tem certa influencia sobre meu pai. E quanto a mim posso fazer o que quiser da minha vida, desde que seja só um hobbie. Meu trabalho sempre será a empresa do meu pai.

— Cruel.

— Então não adianta, gostar de parkur, desenhar, fotografar, tocar violão ou cantar. Um dia mais ou menos daqui uns meses tenho que abrir mão disso e ir trabalhar para o meu pai.

— E eu achei que minha vida era uma merda. — Murmurou mais para si do que para mim. — Desculpe.

— Não me ofendeu. É a verdade. Agora entende que minha vida não é tão sonhadora assim?

— E se você não querer assumir a empresa?

— Outro escândalo e provavelmente vou ser chutada do testamento e tudo mais.

— Seu pai não seria tão cruel assim, ou seria?

— Não sei. Ele gosta de ter tudo controlado, um defeito que herdei dele. Gosto ter as rédeas da situação, mas nunca puxei as rédeas ao meu favor entendeu?

— Então quando terminar o ano letivo você vai trabalhar para o seu pai?

— Sim.