Enquanto conversava com Nate contando toda a verdade a ele, ate mesmo a verdade sobre Isaac, meu namorado foi ate a clinica veterinária resgatar nossas malas e ver se todos estavam bem.

Consegui falar com o segurança pedindo desculpas por minha fuga e explicando qual endereço ele devia vir. Ele não reclamou, mas sua voz mostrou o quanto estava furioso. Naquela altura não me importava se ele estava bravo e contaria aos meus pais. Estava tudo bem, Nate estava vivo e era o que importava.

Isaac apareceu já era quase hora do almoço com as malas, Nate tinha tomado banho e estava dormindo.

— Como estão as coisas lá fora?

— Tudo tranquilo. Voltou a normalidade. Você esta bem?

— Me sentindo um pouco culpada, mas tudo bem. Não é realmente culpa minha se aquele idiota é um obcecado e não lida bem com rejeição. — Sorriu.

— Vamos tomar um banho e descansar. Tem quarto de hospedes aqui?

— Tem sim, Nate já me mostrou.

Horas mais tarde nos sentamos na cozinha para comer pizza e tomar refrigerante.

— Tenho um show em algumas horas. — Nate comentou olhando o celular e mordendo outro pedaço de pizza. — Ainda não acredito que vamos ter um festival depois de tudo que aconteceu.

— Para a cidade não aconteceu nada demais. Na verdade eles nem sabem o que aconteceu direito. — Isaac explicou. — Meio que já estão acostumados com isso. Não é de hoje que a cidade é o circo dos horrores.

— Você vai ir me ver? — Nate me encarou.

— Tenho que voltar para a França, nossos pais devem estar loucos da vida.

— Sim, mas... Você já esta aqui. E poderia fazer aquele dueto que tanto falamos.

— Dueto? Não. Nem pensar.

— Você tem a voz perfeita, Lie. Não precisa de ensaio. Ou podemos passar a musica algumas vezes antes do show.

Lancei um olhar desesperado a Isaac que sorriu.

— Acho que uma vez na vida você deveria fazer algo assim.

— Uma loucura? Já fiz isso ontem.

— Sim, mas estamos falando de algo legal e divertido. — Sorriu animado. — Vou estar na primeira fila para assistir, o primeiro autografo será meu.

— Como você é idiota, Lahey. — Resmunguei depois encarei Nate. — Ok. Tudo bem. Eu aceito. Com uma condição.

— Fala.

— Minha formatura é no mês que vem. Quero você lá. — Nate fez careta.

— Já cumpri minha pena, não coloco mais meus pés naquela escola. — Revirei os olhos.

— É pegar ou largar.

— Ok. Tudo bem. Vou a sua formatura.

— Ótimo. — Estendi a mão para ele que apertou.

— Temos um trato. — Falou sorrindo. — Agora vamos cantar.

— Vou dar uma volta, conversar com Scott e os outros. Nos vemos mais tarde. — Isaac falou antes de levantar. — O festival começa as 10 horas?

— Sim. — Nate respondeu e Isaac assentiu.

— Estarei lá. Se cuida. — Beijou meus lábios e foi em direção a porta.

Encarei Nate que estava sorrindo.

— Gosto dele. Ele te faz bem.

— Vamos ensaiar.

Nate ligou para seus amigos de banda que era 4 pessoas, duas garotas e dois garotos. Ambos americanos. Eu já conhecia alguns deles. Vieram com os mesmos papinhos de "Você cresceu hein?" ou "Como esta gata!". Revirei os olhos e não dei muita bola.

Esse era o meu problema, não correspondia, não resmungava, só ignorava. Acho que era pior que qualquer tipo de rejeição. Por isso tinha fama de esnobe.

Eram 9 horas quando fui me arrumar. Vesti uma calça jeans, regata rosa claro, parka cinza e meu tênis all star botinha preto.

— Poderia ter se arrumado mais. — Nate comentou quando apareci na sala.

— Você não vai ir arrumado a formatura.

— Claro que vou. Tenho que marcar território. — Sorriu me fazendo revirar os olhos.

— Devia parar de bancar o babaca e se decidir ou fica ou vai. Não a faça sofrer Nathan.

— Não importa o tempo que passe, a distancia ou com quem nós ficamos. Nos amamos e nada vai mudar isso. Nem hoje, nem amanhã, nem nunca.

— Cretino. — Resmunguei.

— Tenho pensando em convida-la para morar em Nova Iorque comigo. Não vou poder parar muito tempo por causa dos shows, mas tem ótimas faculdades e podemos fazer dar certo. Só temos que tentar. — Sorri.

— Isso foi lindo, Nate.

— Eu sei, sou musico.

— Idiota. — Resmunguei antes de passar por ele em direção a porta.

Quando chegamos ao local onde acontecia o festival me senti nervosa. Era a primeira vez que eu faria algo assim, em publico. O tempo foi passando e comecei a morder o canto da minha unha.

— Esta bem? — Nate perguntou me entregando uma garrafa de agua com gás.

— Não tomo agua com gás. — Retruquei. — Estou ótima.

— Qual o problema com a agua com gás? Pega agua da torneira então sua chata.

— Um poço de delicadeza.

— Esta nervosa?

— Um pouco.

— Não fica. Ok? Isaac esta na frente como prometeu. Como ele conseguiu eu não sei, mas... Ele esta lá. Você vai se sair bem. — Sorriu. — Obrigada por estar fazendo isso comigo.

Fomos anunciados e subimos no palco. Tinha umas 100 pessoas eu acho, ou mais. Não sei. Não dava para ver direito. E tentei não prestar atenção nisso. Isaac estava na frente como prometeu e junto dele seus amigos de bando. Ele sorriu me incentivando e sorri pegando o violão.

— Hoje temos uma participação muito especial. Prometi a ela que se ganhasse dedicaria a vitória e sucesso a Natalie. Ela é minha compositora e irmã. Mas não importa se vamos ganhar ou não. Estou realizando um desejo neste exato momento. Cantar um dueto com ela. — Sorriu colocando o microfone no apoio.

Respirei fundo e comecei a tocar, seus companheiros me acompanharam. Nate e eu cantamos dividindo o microfone e sorri animada por estar participando de algo importante para ele. Quando a musica acabou o publicou aplaudiu e gritou.

Fizemos um reverencia e saímos do palco, Nate me abraçou falando coisas como a vitória é nossa e tudo mais. Quando o festival terminou era meia noite, foi anunciado o vencedor que foi a banda do meu irmão que subiu ao palco para tocar uma musica agitada deles que foi composta por mim e adaptada por ele é claro.

Fiquei sorrindo enquanto observava e Nate balançou o troféu na minha direção, eles continuariam tocando mais algumas musicas. Consegui descer da plataforma e ir encontrar os outros. Isaac abraçou meu corpo me erguendo do chão.

Seus amigos foram muito gentis em me parabenizar e dizer que adoraram o show.

Antes de dormir ainda vi uma mensagem de Mel em meu celular.

"Não consigo acreditar que você cantou na frente de todos. Estou orgulhosa de você amiga. E com saudades. Espero que volte logo."

Quando desembarcamos na França meus pais e Mel estavam no aeroporto nos esperando. Recebemos muito abraços. Menti que Nate esteve com uma virose por isso não atendia minhas ligações, mas estava bem.

— Assisti o show. — Minha mãe falou sorrindo. — Meus filhos são perfeitos. — Me apertou em seus braços.

Lancei um olhar por sobre o ombro para Mel e Isaac que estavam mais atrás e ambos sorriram.

Se as coisas tinham mudado? Sim. E devia tudo isso ao Isaac.

Me sentia mais feliz, corajosa. Sentia que tinha encontrado meu lugar no mundo.

— E o que pretende fazer? — Isaac perguntou.

Estávamos sentados em uma praça na França comendo croassant.

— Ian me falou algo que fiquei pensativa.

— Sobre? — Limpou o canto da minha boca com o polegar.

— Mutante. Ele, eu. E se existir outros?

— Quer encontra-los?

— Não sei. Talvez. Se forem boas pessoas? Se forem pessoas que precisam de ajuda?

— Acredito que vocês não sejam os únicos, mas estou a tempo demais nesse ramo para saber que nem todo mundo é bom.

— Eu sei. Mas... Seria bom descobrir mais sobre mim.

— Não esta satisfeita com o que tem? Quando te conheci você parecia muito satisfeita com a vida que levava.

— Você a virou do avesso. Se acostuma.

— Criei um monstro? — Debochou e eu empurrei seu ombro. — Se é algo que você quer, terá meu total apoio. Eu te amo, Natalie Wayland. Por toda uma vida. E muito além. — Sorri.

— Eu te amo Isaac Lahey. — Me estiquei para beija-lo me sentindo satisfeita com a vida que eu tinha.

Notas finais
Chegamos ao final. Quero agradecer quem acompanhou. E a Fhany Malfoy por me dar apoio e comentar. Obrigada. BJS CM.