Notas iniciais
Primeiramente gostaria de agradecer ao Highlander por ter me indicado a musica que recuperou minha inspiração. Estava com um bloqueio mental e ele me salvou!! Valew brother! É isso ai pessoas, estamos chegando na reta final... =/



Andava pela minha antiga casa, ouvia vozes vindas do meu quarto. Estava tudo embasado.

–Não gosto de ser interrogado, Anne!- "Essa voz... " pensei enquanto subia as escadas — O que acha que sou?

– Um demônio?- "Essa sou eu!" minha cabeça doía.

–Acha que sou um demônio?- A voz ria alto. — Posso ser um se assim desejar!

–Não! Não quero que você seja nada além de você! Mas, preciso saber o quão fodida estou! — "O que é isso?" estava confusa.

–Muito. E bem fodida, se me permite a falta de modéstia. — o tom sarcástico dele era no mínimo ameaçador.

–V-você é louco!- meu coração estava acelerado.

– Não sou eu quem está falando com uma espada na parede Anne!

–Por favor, Khaliadranosh.... Entenda minha posição... Quero libertá-lo, mas quero fazer isso sabendo o que fiz!- "Que merda é essa?"

–Minha pequena, passei os últimos milênios de minha existência preso nessa porcaria de espada. Apesar de hoje me encaixar na definição humana de Demônio, já fui venerado como um deus do Caos. A fome foi minha companheira por anos, ate que descobri que poderia me alimentar do sangue que era derramado na lamina da espada. Conforme os humanos que me usavam como arma me alimentavam e eu me tornava mais forte. Logo tinha poder suficiente pra manipular aqueles que entravam em contato com a espada, daria o que eles quisessem desde que me mantivessem saciado e jurassem lealdade. — Todo meu corpo se arrepiava a cada palavra que escutava vindo daquele desconhecido.

–Como faço isso? O que preciso fazer pra te libertar?

– Apenas preciso do seu sangue... -

–Você é realmente louco?

–Na verdade Anne, insano, sádico, caótico, cruel, agressivo e sexy combinam mais comigo do que simplesmente louco.

–Khali...

–Meu nome é Khaliadranosh.- O grito ecoou por todo o meu corpo. "Foi essa voz que encontrei no restaurante! Mas eu não me lembro dessa conversa.!", me sentia desnorteada, corri dali, as paredes dançavam. Atravessei a porta de entrada, corria o mais rápido possível, senti meus pés esfriarem e quando olhei pra baixo estava pisando na neve.

Estava sozinha, chorava de medo. "Quem era aquele? Que conversa era aquela? Por que isso estava acontecendo?" me questionava. Estava num lugar diferente, parecia um campo de batalha, corpos dilacerados eram parcialmente engolidos pela neve, era noite, mal podia enxergar. Abracei-me tentando me proteger do frio cortante, senti que estava coberta por algum liquido estranho, viscoso e parcialmente seco, olhei para meu corpo, estava coberto por sangue, havia vários ferimentos profundos. "Não! Eu não quero isso!"

Acordei gritando e me debatendo na cama, toquei meu corpo procurando os ferimentos. Minha cabeça doía tanto que achei que fosse explodir. Levantei tentando lembrar de mais detalhes do sonho, mas tudo que via era neve e sangue. O relógio marcava cinco e meia da manhã, lá fora as pessoas já começavam a lutar contra o inverno, rumando para suas rotinas diárias. Preparei um café e me enrolei no cobertor mais grosso que encontrei, coloquei uma musica que não ouvia a anos, abri a porta da sacada, não ia conseguir voltar a dormir. A melodia ecoava no meu apartamento vazio, a fumaça do meu cigarro se agitava com o vento. "- Ánillo avatyarë-" ouvi um sussurro no meio da musica. Caminhei até meu aparelho de som e voltei a gravação até o momento que ouvi a voz, não havia nada. "Estranho." dei de ombros.

Fui pro chuveiro, tinha que tirar essas coisas da cabeça ou iria enlouquecer. Escolhi um terninho risca de giz, calcei meu melhor par de sapatos e prendi meu cabelo. Precisava daquele emprego, então teria que parecer um pouco mais velha. Um pouco de maquiagem e estava pronta. Tinha que estar lá às dez horas em ponto e já eram nove.

O prédio era enorme, deve ser um dos mais altos da cidade.

–Bom dia — me dirigi a um dos porteiros, que mais parecia um segurança. — Tenho uma entrevista na Anosh Engineer.

– Identificação, por favor. — entreguei-lhe minha carteira de motorista. Ele digitou algumas coisas num tablete que tinha em mãos.- Quadragésimo andar.

–Muito obrigada. — Guardei meu documento. Tinha 3 minutos para subir aquilo tudo.

Depois de quase dez minutos naquele elevador, que parava em quase todos os andares. Desci sozinha no ultimo andar, acima dele havia apenas o terraço. Guardei meus fones de ouvido e me apresse em direção ao balcão da recepção.

–Bom dia, me chamo Anne..

– Está atrasada! — Fui interrompida pela mulher loira que exibia uma cara de mal comida.- O Sr. Anosh teve que atender outro compromisso e pediu para que o esperasse na sala de reuniões. Siga-me.

A moça me olhou de cima abaixo. "Muito bem Anne! Desmarcou a entrevista e ainda conseguiu chegar atrasada. Se você tinha uma chance de conseguir esse cargo, olhe pela janela, e ira vê-la caindo lá embaixo!" me repreendi enquanto seguia o "toc-toc" irritante do sapato dela. "Aprenda a andar com essa merda direito!Vaca."

A sala era enorme, tinha uma janela panorâmica, uma mesa que devia caber cerca de 30 pessoas, sem enfeites ou qualquer outra coisa que deixasse o lugar mais "agradável".

–Espere aqui. Aceita uma água ou café?

–Café, por favor. — Sorri falso para ela.

–Mandarei trazer. — E saiu batendo a porta.

As onze e meia já estava a beira de um surto,mesmo sabendo que havia me atrasado e não tinha o direito de reclamar, aquilo era tortura demais. A vista era uma distração a parte, mas mesmo assim, queria ir embora. Estava ouvindo um pouco de musica para me acalmar, sentei-me em uma das cadeiras da sala, apoiei meu cotovelo na mesa descansando a cabeça nele. O som era tão gostoso de ouvir, os flocos de neve que caiam lá fora pareciam dançar com a melodia. Através do vidro da janela, havia o reflexo de alguém encostado na porta de braços cruzados. Meu corpo gelou. "Não, não,não!" gritava comigo enquanto removia meus fones.

–Atrapalho? — tremi dos pés à cabeça, se estivesse em pé certeza que teria caído. "Era ele ontem no restaurante?!"– Pelo que pude notar é um mulher atarefada, Srta.Tompson, quando não está por ai esbarrando nos outros, escuta musica e ainda tem tempo de chegar atrasada na entrevista do que poderia ser seu primeiro emprego. — e ali estava a falsa calma que sempre odiei. Eu não sabia o que falar, a ênfase que ele deu na palavra "poderia", deixava claro que havia perdido o meu tempo e o dele ali, fora o medo que percorria meu corpo. Queria correr dali mas ele estava na porta.

–D-desculpe-me Senhor. — Gaguejei. — Por ontem no restaurante e por hoje. — peguei minha bolsa. — Se me der licença, poderei recomeçar a procurar outro emprego. -Levantou uma sobrancelha.

– Não posso.

–N-não pode? — a feição que ele tinha era aterrorizante, minha cabeça e tatuagem doíam como o inferno.- C-como assim não pode?

–Simplesmente não posso deixar que saia.- e em um segundo estava encurralada entre a parede e ele. — Você não vai fugir de mim hoje.

– És louco? — perguntei tentando empurrá-lo. Levou meus braços acima de minha cabeça, apertando meus pulsos.

– Não minha pequena. Insano, sádico, cruel, agressivo e sexy combinam mais comigo do que simplesmente louco.

Seus olhos brilharam em vermelho. Meu corpo se arrepiou, minha cabeça latejava, fiquei tonta. Imagens piscavam freneticamente na minha cabeça, queria gritar, mas minha voz não saia, me vi na minha antiga piscina acompanhada por uma criatura, fazíamos amor. Os olhos da criatura e do homem à minha frente eram os mesmos.

–Khali...- sussurrei enquanto perdia a consciência.

Notas finais
o/ by the way... tirem uma duvida, queria saber as idades de vocês sabe... só por curiosidade mesmo!