Minha vida nas mãos Dele....

19 Os primeiros flocos de neve.


Notas iniciais
Capitulo Narrado por Khaliadranosh. Não deixem de ler as notas finais do cap.

Caminhava com Ela em meus braços em direção ao quarto, não conseguia entender o que essa humana tinha que me acalmava tanto. "O sorriso dela. É esse sorriso que faz todo meu corpo vibrar."

Não importava o que fizesse ou que acontecesse, no final, aquele sorriso estava lá. Era difícil aceitar que mesmo quando seu rosto estava tomando por lagrimas, seus olhos me sorriam. Ela me via além da aparência e aquele maldito sorriso era a prova de que ela não dava a mínima para minha insanidade. "Humana estúpida! Não consegues ver que tudo que toco acaba destruído?."

Coloquei-a em cima da pia do banheiro. Secava a água que escorria daquele corpo pequeno que me deixava completamente hipnotizado. Aqueles olhos cinza esverdeados me diziam que ela era minha. Estava a meu dispor. Olhos que nem por uma única vez, acusaram-me de coisa alguma. Mesmo quando ela descobriu sobre Lanellus , aqueles olhos ouviam atentamente cada palavra que dizia. Foi a primeira vez que senti que alguém me ouvia verdadeiramente, sem tirar conclusões precipitadas, sem uma gota de ironia ou duvida. — "... — Admito que esteja curiosa sobre aquele cara, mas não, não vou perguntar nada sobre o que aconteceu Khaliadranosh. Se, e somente SE você quiser me contar estarei aqui." – Sua fala ecoava no tormento que era minha mente. Ela estaria ali, para mim, por mim. Mesmo sem que falasse nada, Ela sabia que não queria falar sobre o assunto.

Tinha que afastar-me dela. Precisava mantê-la segura. A aparição daquele bastardo do Lugh me fez perceber que não teria paz. Não podia envolvê-la nessa confusão.

Quis contá-la que aquele "cara" era meu irmão que tinha me virado as costas na única vez precisei de seu apoio. Aquele cão sarnento sabia que eu não tinha matado Lanellus, e desapareceu na noite do meu julgamento.

Anne dormia tranqüila em meus braços, tinha uma expressão tão serena. " Linda." pensei quando segurou minha mão. Era tão frágil e delicada. "O que está pensando Khaliadranosh. Você não pode estar serio sobre ela!" Meu subconsciente gritava comigo. Não a amava, mas sentia coisas por ela.Coisas que jamais senti por nada nem ninguém e não sabia como definir.

– Que tipo de feitiço você jogou sobre mim minha pequena? — Sussurrei sabendo que não teria resposta.

Despertei com os primeiro raios de sol, levantei-me cuidadosamente para não acorda-la. Sabia que estava exausta. Olhei pela janela, e lá estava ele, sinalizou para que o seguisse. Olhei uma vez mais a Minha Anne, assumi minha "forma humana", desci peguei as chaves da moto. Olhei em volta. Tinha um porta retrato com uma foto dela em cima da estante da televisão. Peguei a imagem coloquei no bolso e parti.

– O que quer Lugh? — questionei enquanto descia da moto. Estávamos bem afastados da cidade. Um roxo no canto esquerdo de sua boca denunciava a força que havia usado para socá-lo noite passada.

– Bom te ver também! — ironizou. — Preciso que me escute atentamente.

– Não quero suas desculpas ! — Interrompi. — Se me chamou aqui para dizer que "sente muito pelo que aconteceu" perdeu a viajem.- Abaixou a cabeça e deu um longo suspiro.

– Não existem desculpas para o que você ACHA que fiz, mas preciso que me escute meu irmão!!! — Com os punhos serrados gritou. Virava as costas para ir-me. — A humana corre perigo Khaliadranosh! — meu corpo gelou. — Mesmo que vá embora Teutates vai fazê-la pagar por ter ajudado você! Assim como Lanellus pagou! — meu coração falhou uma batida. — Assim como eu paguei! — sussurrou a ultima parte.

– O que disse?

– Teutatis matou Lanellus!! Quando descobri isso, um dia antes de seu julgamento,aquele maldito ameaçou matar meu filhos! Eu não tive escolha Khaliadranosh!

– Por Gaia¹... — estava desnorteado. Amaldiçoei Lugh por milênios e ele estava tão na merda como eu. Eu deveria saber, deveria ter imaginado. Os 2 filhos dele eram tudo o que ele mais prezava, sua fêmea havia morrido a dar a luz aos gêmeos.

– Meu irmão, não sabes o quanto sofri ao vê-lo obrigado a servir a raça que mais odiou durante sua vida. Quando descobri que só a inocência e o sangue de uma humana, entregues a ti voluntariamente poderiam quebrar o selo daquela coisa, dei um jeito de passar esse conhecimento para o humano que na época empunhava a Last Umbra! — quando descobri sobre esse detalhe, odiei Dagda e seu senso de humor doentio! — Todos sabiam do seu desprezo pelos humanos, e Dagda achou que seria uma forma de garantir que você ficasse preso pela eternidade.

– Tentei algumas vezes completar o ritual. — ri nasalado — Mas odiava aquelas humanas irritantes.

– Vejo que achou uma que não te irrita tanto assim... — sorriu.

–Pra ser sincero, ela me tira do serio, já pensei em matá-la varias vezes!! — disse encostando na moto.

– E por que não o fez?

– Não consegui.- admiti mais pra mim mesmo do que pra ele.

– Notei, além de não conseguir matá-la, marcou-a como sua fêmea...- Completou. — Acho que ficar dentro de uma espada o fez perder completamente o juízo! — ria da minha situação.

– Também. Mas Anne tem algo diferente. — confessei.

– Deve ser tão insana quanto você! — rimos juntos.

– Não posso deixar que aquele filhote de Orc a machuque Lugh! Não pude proteger Lanellus. Não suportarei perder Anne também!

– Eiren² alertou que uma grande guerra se aproxima. Melhor se preparar e preparar a sua humana. Antes que Sucellus³ renasça, sangue será derramado.

– Lutaria mais uma vez ao lado desse psicopata que chamas de irmão? — perguntei estendendo minha mão, Lugh apertou-a puxando-me para um abraço fraternal.

– Sempre! Gurth ani chyth vîn!!!! — afastou-se tinha uma expressão engraçada — Agora me conte sobre como aquela humana com cabelos da cor de sangue libertou o Caos na terra!

Encontramos um bar na beira da estrada, contei sobre Anne e como tudo começou. Bebíamos e conversávamos como nos velhos tempos. Lugh contou que os deuses maiores e menores que sobreviveram ao tempo e a descrença dos humanos estavam vivendo disfarçadamente entre os humanos. Os humanos agora infestam o mundo como uma praga e os poucos que sobraram foram obrigados a ocultar-se.

Estava conectado à minha pequena através da "Marca". Era noite quando começou, primeiro queimava e logo em seguida, senti uma onda de dor percorrer meu corpo. Fui capaz de sentir o desespero de Anne. E então minha marca sangrou. A neve começava a cair la fora.

–Não! — foi tudo que consegui pronunciar enquanto corria de voltar pra casa seguido por um Lugh tão desesperado quanto eu!

Notas finais
Gaia = deusa mãe de todos os deuses. Eiren= uma especie de oraculo dos deuses. Sucellus = Deus que representa primavera, durante o inverno ele morre, renascendo quando a estação recomeça. Gurth ani chyth vîn = "Morte aos nossos inimigos" COMENTEM!!! PRECISO SABER O QUE ESTÃO ACHANDO!!!!