Minha vida nas mãos Dele....
24 Começar de novo.
Notas iniciais
Olhava o céu noturno da janela do avião, estávamos acima das nuvens invernais. A lua cheia estava tão brilhante e tão perto, era como a imagem de um sonho. Deixar Angel's Falls foi uma decisão complicada a ser tomada, mas não podia ficar ali pra sempre. Foi tão difícil me despedir de Dylan,Kathy e da minha sobrinha linda! Kyara já estava com quatro aninhos, chorava toda a água do mundo enquanto esperávamos o avião. "É isso ai Anne. Vida nova!"
– Senhores passageiros, boa noite, aqui quem fala é o comandante deste avião; Pousaremos em Boston em dez minutos, sigam as instruções dos comissários de bordo e obrigada por voarem com a gente!
Enquanto o avião pousava senti um frio na barriga, estava ansiosa por começar de novo e por estar indo para uma cidade tão grande. Tinha medo, medo de não conseguir me livrar desse vazio que me acompanha desde aquele inverno a quatro longos anos atrás, medo de não conseguir me acostumar ao caos que dominava aquele lugar. Toquei minha tatuagem, sempre me sentia um pouco melhor com o gesto. Pensei algumas vezes em remover o desenho da minha pele, mas no final, sempre mudava de ideia. Lembrei da briga que foi quando Meu Anjo me perguntou que merda era aquela e eu não soube explicar. Fiquei uns seis meses proibida de beber.
Por volta da meia noite estava á caminho do meu novo apartamento. A cidade era enorme, com prédios que davam a impressão de estarem tocando as nuvens. A neve enfeitava a cidade de branco. "Por que sempre que a neve cai me sinto assim? Meu coração aperta como se tivesse que lembrar de algo importante. "
–Primeira vez na cidade moça? — fui tirada de meus devaneios pelo taxista.
–Sim. — sorri.
–Vai amar a cidade, apesar de ser um pouco caótica, vai ver que é um ótimo lugar pra se viver.
– Imagino...
–Chegamos! — disse empolgado enquanto estacionava em frente ao prédio residencial que seria meu mais novo lar do lar.
Depois de conhecer o porteiro e subir as malas que trazia comigo comecei a explorar o apartamento que o meu Anjo havia escolhido pra mim. Era confortável, um pouco grande pra mim, mas aconchegante. Meus moveis haviam vindo antes e já estavam montados, agora era só arrumar as roupas e as coisas pequenas. Ascendi um cigarro enquanto procurava onde os itens necessários pra fazer um café fresco estavam. Não demorou pra que os encontrasse e preparasse meu precioso Liquido Negro Sagrado. Fui para a sacada, estava no sétimo andar e a vista era de tirar o fôlego.
Enquanto admirava as luzes dos carros lá em baixo, lembrei-me do conselho que Kathy me deu — " Aproveite essa mudança toda e abra esse seu coração! Você sempre rejeita qualquer um que se aproxime de você. Porra mulher, você é linda, solteira e completamente apaixonante. Quando chegar em Boston chega de ficar em casa estudando, você passou os últimos anos focada apenas nisso!! Haja como uma mulher na sua idade, saia, conheça pessoas, e apaixone-se!"–. Sorri. esse conselho acabou por virar uma breve discussão do casal, Dylan se revoltou perguntando se ela pretendia dizer o mesmo para Kyara quando fosse mais velha.
Passei o fim de semana arrumando a casa, "Foi mal Kathy, não deu pra seguir seu conselho!". Pensei enquanto me arrumava era segunda-feira de manhã e estava com o dia cheio. Tinha três entrevistas de emprego durante o decorrer do dia. Formei-me em direito, mas minha especialização foi na área empresarial, assim como minha Mãe.
Já eram por volta das duas da tarde, almoçava em um restaurante no centro da cidade, estava completamente desanimada, nas duas primeiras entrevistas ouvi a mesma coisa. "Tem um currículo impressionante Srta Tompson. E apesar da ótima carta de recomendação do seu estágio, acreditamos que seja muito nova para ocupar o cargo disponível." A próxima entrevista era em uma empresa que estava em ascensão. Olhei meu relógio. "Merda, vou me atrasar!". Levantei apressada, coloquei o dinheiro da conta em cima da mesa e virei bruscamente esbarrando com o que me pareceu ser um muro. " Muro não usa terno.Ou usa?" pensei enquanto massageava minha testa.
– Não vai se desculpar? — a voz soava como um trovão, meu coração falhou uma batida, minhas pernas amoleceram. — Eu te fiz uma pergunta!
– D-desculpa. E-eu estava distraída. — "medo? por que demonios eu estou com medo?" não consegui olhar pra cima e encarar o cara na minha frente. Ouvi os gritos do meu sistema de alerta e sai correndo do restaurante.
Só consegui parar a quase quadras a frente, meus pés gritavam comigo. "Malditos saltos!" pensei encostando-me numa parede. Estava tonta, meu corpo tremia, coração estava acelerado. "Eu conheço aquela voz!". Peguei um cigarro dentro da bolsa, nunca foi tão difícil ascender àquela merda. Meu ombro começou a formigar e doer um pouco. Toquei a tatuagem o local parecia estar febril. "Estranho."
– Moça você está bem? — um senhor que vendia cachorro-quente naquela calçada me olhava preocupado.
– Acho que sim. — forcei um sorriso. — O senhor tem água?
–Claro. — pegou uma garrafinha e me entregou. — São dois dólares.
Paguei pela "gentileza" e chamei um táxi. No caminho pra casa liguei para a empresa informando que havia passado mal e consegui remarcar a entrevista para o dia seguinte, não teria condições de responder a nenhuma pergunta nesse estado.
Aquela voz ficou ecoando na minha cabeça o resto do dia. Tentei me distrair de todas as formas possíveis mas sempre acabava voltando a pensar naquilo.
–Ai que raiva! Queria ter visto o rosto dele. — gritei frustrada enquanto tomava um banho bem quente. Aquela porcaria no ombro ainda doía, estava meio vermelho em volta. "Será que to com alguma alergia?" Sai da água, me vesti e tomei um antialérgico por precaução.
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