Notas iniciais
Ola! Como vão vocês? Ai está mais um capítulo, espero que gostem, comentem, recomendem, pra fic ter mais acesso ainda, é muito bom saber que tem bastante gente acompanhando. Quanto mais gente melhor. Boa leitura!

E quando nosso mundo está desabando, nós ficamos assim, desarmados, isolados, num poço fundo que é só nosso, fechado com uma tampa de cimento que pesa toneladas, justamente para que ninguém a abra e nos salve. Queremos ficar cegos, surdos e mudos só para nos afundarmos ainda mais. Fiquei assim por uns longos dez minutos, até que resolveram retirar aquela pesada tampa como se fosse uma simples pena. Eu ainda estava chorando, uma poça já tinha se formado debaixo do meu rosto e minha cabeça estava latejando de dor, até aquele momento eu chorava baixinho sem soluçar, para não parecer uma louca varrida, mas quanto mais eu chorava, mais choro me vinham e eu não conseguia parar e comecei a soluçar maquinalmente. Ela começou a acariciar os nós dos meus dedos, e instintivamente levantei meu rosto para poder olha-la, e fui cessando o soluço. Aria estava com o cotovelo sobre a mesa apoiando a cabeça, enquanto sua outra mão se ocupava com a minha, ela olhava para fora. Nem ao menos devia estar notando o carinho sobre minha mão. Pensando bem, talvez ela não fosse tão detestável como tinha deduzido. De repente virou-se para mim e sorriu, um sorriso fraco e sutil, e continuou com sua mão na minha e suas carícias. Logo quebrou o silêncio

– Hanna...- olhei-a assentindo para que continuasse — vai ficar tudo bem — completou com um terno sorriso brotando em seus lábios avermelhados

– É o que eu realmente quero. É o que eu MAIS quero agora.- enfatizei sôfrega — Você não entende. Ela é minha melhor amiga, a melhor pessoa que já conheci em toda minha vida. Eu amo ela como a irmã que nunca tive. Se eu perde-la eu não sei o que será de mim. Se coloque no meu lugar e imagine o Mike nessa situação. Acho que você terá uma certa noção — Falei desesperada quase num fio de voz, desabafando tudo que se instalara na minha garganta

– Acho que posso imaginar, eu tenho a Spencer como uma irmã também, e eu ficaria arrasada se uma coisa dessas viesse a acontecer com ela — afirmou complacente, ainda acariciando os nós dos meus dedos

Não consegui dizer mais nada, as lágrimas voltaram a cair e fiz menção de deitar novamente minha cabeça sobre os braço, mas logo fui impedida por sua mão, que segurou meu rosto e deslizou as costas de seus dedos pela minha face, tirando a umidade dela, e essa simples ação me provocou um arrepio na espinha. Fitei-a sem expressões, e sem que eu tivesse percebido meus próprios movimentos, já estava segurando sua palma quente e macia contra meu rosto. Quando ela me olhou de forma curiosa, dei por conta o meu ato e soltei sua mão, balançando a cabeça sem me entender, foi tudo muito instintivo. Desviei meus olhos para qualquer outra lugar, corando envergonhada e chamei o garçom, que veio com o cardápio em mãos. Logo que chegou ao nosso encontro, me entregou o menu, foliei-o atentamente e resolvi o que queria

– Um croissante um capuccino, por favor — pedi ao garçom e me direcionei á Aria — O que você vai querer?

– Panquecas com mel e um latte macchiato — falou logo depois de analisar o menu e sorriu para o garçom, que anotou tudo e logo saiu

Estava inquita comigo mesma, sem nem saber a razão, então não me pronunciei, tinha conseguido parar de chorar, minha cabeça ainda doía, e só por isso eu quis parar, pois minha real vontade era me desabar em lágrimas até poder ter Emily acordada com os olhos brilhando, conversando bobagens comigo. Logo nossos pedidos chegaram, e em momento algum ela não proferiu uma só palavra, tinha uma tensão no ar, mas não foi quebrada até que fiquei com água na boca, e fitei descaradamente as panquecas dela e pra minha má sorte, ela reparou esse detalhe, abaixou a cabeça me tirando a atenção de seu prato

– Isso está ótimo mesmo, quer provar? Juro que não vai se arrepender — sorria abertamente para mim

– Hum... é... não, desculpe, não precisa — gaguejei corando rapidamente

– A, que é isso, vamos prove — sorriu, cortou um pedaço, despejou mel em cima, espetou com o garfo e veio com ele em direção a minha boca

– Sério, não se preocupe — neguei

Mas ela foi insistente e aproximou mais ainda o pedaço de minha boca, que sem saída acabei aceitando. Abri a boca, e deixe que ela me desse a panqueca, que por sinal tinha mais mel que o necessário, e por essa razão, ele acabou escorrendo pelo canto da minha boca. Antes de poder limpar, ela mesma o fez por mim, se inclinou de sua cadeira em minha direção, e com seu polegar, tirou o excesso que escorreu, levou seu dedo até sua própria boca e sutilmente lambeu o dedo com mel. Arregalei os olhos fitando-a, mas logo balancei a cabeça e disfarcei minha reação.

– Mel demais — brincou, voltando a se ajeitar na sua cadeira e comer

Meio inquieta me ajeitei no meu lugar e voltei a comer, sem conversar sobre nada, só quando íamos saindo que ela insistiu em pagar tudo, recusei de inicio, mas ela insistiu tanto e acabei desistindo e deixei-a pagar. Voltamos ao hospital, e lá estavam Spencer, Mike e um médico conversando, me aproximei e pude ouvir o médico dizer que o estado dela era critico e que devia ser transferida logo para poder receber melhor tratamento, pois o hospital não dispunha de todos os equipamentos necessários. Só então me lembrei de que devia ligar para a mãe de Emily, avisando sobre o acidente e pedir permissão para a transferência. Sai de perto deles em silêncio e fui para fora do hospital, ligando para Pam (mãe de Emily). Antes mesmo de acabar de falar, ela ficou desesperada do outro lado da linha, acalmei-a para poder acabar de dar todas as informações necessárias, e quando expliquei que o caso era grave e que pediram permissão para ela ser transferida para um hospital melhor equipado, ela pediu para falar com o médico. Deixei que ela conversa-se com ele, e quando acabou, pediu para falar novamente comigo e me disse que pegaria o primeiro avião para Londres.

Logo após a ligação, como já tinham a permissão, trataram de logo preparar a ambulância para fazer a transferência. Desde que cheguei não pude ver Emily, e nem tinha certeza se queria fazer isso. Ela devia estar toda machucada e ainda estava em coma, e vê-la daquela forma agora só abalaria mais ainda meu psicológico. Tudo estava pronto, Spencer foi com Aria no carro delas e eu fui com Mike no meu. O tráfego estava um tanto lento, era manhã, as pessoas deviam estar indo para o trabalho naquele horário, por isso demoramos um pouco mais, cerca de quarenta minutos, quinze depois da ambulância, que tinha vantagem por abrir caminho com a sirene, mas nós não. O hospital era gigantesco, contei seis andares, tudo tão branco e bem aperfeiçoado, muito formal. Desci do carro e adentrei o hospital, tudo tão bonito quanto fora, limpo como nunca vi outro lugar.

–-----------------------------–--------------------------

Fiquei muito mal com a reação da amiga da moça que atropelei, mas sinceramente, foi algo que eu de certa forma já esperava. Depois que expliquei tudo com mais calma, ela pareceu arrependida de sua reação e se desculpou, e eu, aceitei de bom grado. Senti uma tensão horrível no ar quando Aria chamou-a de criança, mas também, que pessoa gosta de ser provocado e chamado de criança, ainda mais em um momento de raiva? Exatamente! Ninguém. Achei ainda pior quando Mike mandou sua irmã sair dali com Hanna para poderem esfriar a cabeça e por fim se conhecerem. Esperava mais uma discussão, com Hanna negando, mas logo vi que ela quis fazer a vontade do namorado, que foi tão amável com ela, e logo saíram juntas. Desde criança Mike sempre foi um menino sapeca, e quando adolescente, o famoso pegador, que nunca manteve um relacionamento sério com nenhuma garota, só queria saber de farrear. Mas ele parecia mudado, mais maduro, e o brilho em seus olhos denunciavam seu carinho e amor pela loira. Depois que saíram, eu e Mike que ficamos no hospital, para ter notícias de Emily.

O dr. logo veio, dando por sinal uma má notícia, dizendo que ela teve uma recaída e seus batimentos pararam por alguns segundos, eles tiveram que dar adrenalina para que ela voltasse. Acrescentou que o hospital estava sem alguns aparelhos, os quais eram essenciais para o tratamento dela, e que ela devia então, ser transferida o mais rápido possível para meu hospital. E enquanto falávamos sobre esses e outros detalhes Hanna chegou, e creio que ouviu a conversa pois saiu logo em seguida, voltando alguns minutos depois com o celular e entregando-o ao dr. . Era sobre a transferência. Após a ligação, começaram a preparar tudo e quando terminaram saímos em direção ao meu hospital. Chegando lá, tratei de mandá-la para um quarto de UTI, que entre todos os outros era o mais equipado de todo o hospital. Tratei de mandar chamar o neurologista — já que essa não era minha área — para diagnosticar os problemas que ocorreram com a cabeça dela e se ele poderia fazer algum tipo de cirurgia ou qualquer outra coisa.

Um dos melhores neurologistas que já conheci, e que tinha o maior prazer de te-lo na minha equipe de médicos escolhidos á dedo, Wren Kingston, foi quem chamei de imediato. Ele não estava de plantão, então demorou um pouco a chegar, analisou a ficha que o outro médico havia feito e fez novos exames. Os resultados saíram rapidamente e ele estudou tudo com extrema cautela, mostrou-me os raios-x e disse o mesmo que o outro médico "O local do ferimento é muito delicado, mexer poderá só piorar o estado dela" e completou "O que podemos fazer por enquanto é deixá-la ligada aos aparelhos, eu vou passar alguns medicamentos, e esperamos para ver qual a reação dela". Então por fim era isso mesmo, só podíamos esperar, já que seu veredito para mim era o supremo da corte, o que eu acreditaria com as mãos nas costas.

O dia passou lento, ficamos ele todo no hospital. Acompanhei todos os exames que foram feitos em Emily, observando todos os procedimentos, aparelhos, medicamentos que lhe foram dados. Quando chegou a noite, eu estava exausta. Não tinha dormido nada desde o acidente, nem comido nada, só tomado muito café, para poder me manter em pé. Meu corpo e cabeça doíam, meus olhos estavam fundos demais, e meu estômago estava "no fundo". Mas eu não queria sair dali. Tinha algo dentro de mim, que mandava eu ficar e cuidar dela. De Emily. E mesmo com todo meu corpo e razão me mandando ir para casa e descansar, eu não o fiz. A vantagem de ser dona do hospital, é que você simplesmente manda, e não tem quem se oponha a você. Então resolvi usar e abusar do meu poder e autoridade. Uma das regras básicas do hospital é que pacientes da UTI não podem ter acompanhantes, pelo simples fato de que se o paciente está ali, é por ele estar muito vulnerável, e pode ser contaminado com facilidade. Mas eu me opus a minhas próprias regras. Pedi para que Aria providenciasse com alguém uma poltrona de algum outro quarto que estivesse desocupado e mandassem levar para o quarto de Emily, de começo ela não entendeu

– Mas para que uma poltrona lá se ela está em coma e ninguém pode ficar lá? — hesitou

– Eu vou ficar lá — falei decidida

– Mas você... não pode — lembrou das regras, me fitando com os olhos semi-cerrados

EU posso — enfatizei

– Não, você não pode, ninguém pode, são as regras — me contrariou

– Olha Aria, sem querer ser rude, nem nada, você é minha amiga, mas eu sou dona disso aqui, e eu faço o que eu bem entender, e eu não vou pô-la em risco, eu sei o que eu faço, ok? — falei amigavelmente calma

– Eu sei que você é a dona Spencer, e que manda em tudo aqui dentro, mas as regras do hospital são para todos igualmente. E tem mais, você está horrível, precisa de um banho, da sua cama, precisa se alimentar, porque não fez isso o dia todo — como ela era insistente

– Olha Aria eu não vou discutir com você ta — revirei os olhos — só faça o que eu pedi, não vai ter problema algum. E eu quero ficar, só não pergunte o porque, mas eu tenho que ficar. Se o problema for esse, eu vou para casa, tomo banho, como, e volto. — falei toda chorosa intencionalmente para ela parar me contrariar

– Até parece uma criança querendo doce com essa cara — riu e continuou — tudo bem então. Vamos para casa e você volta, sua teimosa — desistiu sorridente

– Da ultima vez que você chamou alguém de criança, revelaram sua verdadeira identidade — provoquei, ela que me olhou confusa, murmurando um "Hein" e eu completei falando bem baixinho como se fosse um segredo — Revelaram sua identidade, que você é uma gnoma — ri da cara que ela fez

– Fica quieta sua idiota. — riu da piadinha, e logo parou, dizendo pensativa — A Hanna parece legal. A culpa de eu te-la chamado de criança é sua ta. Bem que eu podia ter deixado ela te arrancar o sangue da cara — arqueou a sobrancelha zombando de mim — Ela é linda não é? E esta tão...mal, coitada — falou olhando para o nada, como se falasse com ela mesma e não comigo, mas deixei passar

– É pelo jeito elas são bem próximas mesmo — foi minha resposta

– Sim, acho que assim como nós e até mais. Sabe ela me disse que eu não entendia o que ela estava passando, que Emily e ela são como irmãs, a irmã que ela nunca teve, mas eu disse a ela que imaginava sim, que se acontecesse com você o mesmo, eu ficaria arrasada.

– Se fosse com você eu também, mesmo eu tendo a Melissa, eu sempre considerei você mais do que ela, sinto como se fôssemos daquelas gêmeas sabe, daquelas que fazem tudo juntas, que são inseparáveis mesmo, você é minha melhor amiga, e eu fico muito grata por ter você na minha vida — minha verdade foi tão pura que meus próprios olhos não aguentaram e desabaram-se as lágrimas, e logo nos abraçamos

– E você nunca faça uma coisa dessas comigo tá — disse ainda abraçada comigo, já era possível ouvir seu choro baixinho

– Só se você prometer não fazer também — retruquei rindo entre lágrimas alegres

Hanna não queria ir para casa dela, queria ficar ali, e eu nem falei a ela que ficaria com Emily no quarto, pois ela provavelmente ia querer fazer o mesmo, ou dizer que eu não deveria pois seria perigoso. Mike insistiu que fossem embora, pois ela precisava descansar. Todos nós estávamos mal, mas ela parecia a pior. Depois de muita insistência dele, ela acabou aceitando, e foi para a casa dela acompanhada pelo namorado. Eu e Aria fomos para casa, lá tomei banho, e comi um pouco. A menor me disse que queria me acompanhar no hospital, mas estava realmente muito cansada e precisava dormir. Não reclamei, pois ela já tinha feito tanto por mim, que eu ia ficar devendo á ela. Depois de arrumar umas roupas numa bolsa, voltei para o hospital. A poltrona não estava tão convidativa quanto eu queria, mas era ali mesmo que eu ia me acomodar, e assim o fiz, e com o cansaço que me tomava, acabei por cair no sono desajeitada e rapidamente.

–---------------------------------------------

Notas finais
Espero que tenham gostado. Gente, comentem por favor, quero saber o que vocês acham. Beijinhos ;D