Notas iniciais
Essa cena é logo depois que Fabinho vai na casa de Plínio e diz que quer comprar uma casa bem grande pra Giane... Lembram?!?!
Naquela mesma noite, logo depois do jantar na casa de Plínio, Giane resolveu dormir mais cedo, estava exausta, tinha sido um dia bastante atribulado. Seu namorado havia descoberto que era filho de Plínio, automaticamente, seu herdeiro. Não sabia o porquê, mas por mais que estivesse feliz por ele, ao mesmo tempo sentia-se insegura. E se o dinheiro lhe subisse a cabeça? E se ele voltasse a ser aquele bad boy de antes? Tudo bem que naquela mesma tarde, ele tinha dito que não a trocava por dinheiro nenhum. Mas, será verdade mesmo? Fazia tão pouco tempo que ele havia mudado. E uma pessoa não muda assim de um dia pra outro, muda? E agora que ele estava rico, a mulherada encalhada ia ficar em cima... Todos esses questionamentos lhe vinham à cabeça como uma torrente, precisava esquecer daquilo pra conseguir dormir, mas quem disse que era fácil?
Enrolada no lençol, Giane rolava de um lado para o outro, e por mais que forçasse fechar os olhos, não conseguia se entregar ao sono. Bufou de raiva, colocando as mãos na cabeça. Sentou-se e já ia acender o abajour, quando ouviu um barulho que vinha da janela. Franziu a testa e se levantou a fim de averiguar de que se tratava. Ficou surpresa quando ao olhar pela janela, viu Fabinho vestido com uma camiseta e uma bermuda, do tipo descontraído. E ele estava com pedrinhas nas mãos, divertindo-se em tacá-las na janela de Giane, tal qual, uma criança.
– Fabinho, cê tá doido, cara! O que cê tá fazendo aqui? — perguntou ela, feliz com o gesto, apesar de demonstrar o contrário.
Ele jogou mais uma pedrinha antes de responder — Ei, maloqueiro, vim aqui te chamar pra gente tomar um sorvete. Vamo?!
– Agora?! Será que você não pode esperar até amanhã?!
– Não. Eu quero agora! Vem! — disse e tacou mais uma pedrinha.
– Para de tacar pedrinha na janela ! Cê vai acabar acordando meu pai...
– Eu só vou parar quando você disser que aceita tomar sorvete comigo. Lembra? Tô te devendo por causa das partidas que eu perdi. — tacou mais uma pedrinha — Para de frescura e vem logo!
Giane deu uma risadinha divertida — Aonde eu fui amarrar meu burro?! Tá! Espera aí cinco minutinhos que eu já saio.
Fabinho sorriu, feliz. E esperou, ansioso, sua amada trocar de roupa.
Quando a porta da casa de Giane se abriu, e ela apareceu, Fabinho não se conteve, e abrindo o portão, ele correu até ela, e enlaçando sua cintura a encheu de beijos. Incrível como passar uma horinha sem ela já estava começando a ser uma tortura para ele.
– Você sabe que o sorvete só foi uma desculpinha pra te ver, né?! — ele quis saber, olhando em seus olhos.
– É... Deu pra notar. Mas, agora eu fiquei com vontade. Vamo?!
Ele sorriu — Seu pedido é uma ordem. — disse e lhe tascou um beijo.
Ela sorriu em retribuição, e de mãos dadas, com dedos entrelaçados, eles rumaram para sorveteria.
Depois que eles compraram, cada um, um sorvete, eles foram pro campinho. Fabinho sentou em cima do encosto de uma banquinho, com seus pés apoiados no assento. Enquanto Giane ficou em pé, entre seus joelhos.
– Huuum, mas isso tá bom, né?! — comentou Fabinho depois de dar uma colherada no seu sorvete de chocolate. — Faz tempo que eu não tomo sorvete.
– Tá bom mesmo. — Giane estava tomando um de côco — Mas, aposto que o meu tá bem melhor que o seu. Quer experimentar?
Ele sorriu — Quero. — e abriu a boca pra que ela pudesse colocar na boca dele.
– Ah, mas é muito folgado... Quer na boquinha é?!
Ele assentiu com a cabeça e ela, sorrindo, colocou. Ele tomou, olhando pra ela com cara de apaixonado.
– É... Você tem razão. O seu é bem melhor que o meu, mas cê sabe... — deixou o sorvete de lado. Depois pegando o sorvete dela, também colocou de lado. E enlaçou sua cintura — Tem uma maneira bem melhor de experimentar esse sorvete...
Pela carinha dele, Giane já tinha idéia do que era, mas fazendo charminho, ela perguntou — Ah, é...? E qual é essa maneira?
– É assim... — segurou seu queixo com carinho e fechando os ollhos, começou a passar a língua em seus lábios, como que os desenhando. Ela também fechou os olhos, sentindo a carícia geladinha de sua língua. Aos poucos, ela foi entreabrindo os lábios, então ele mordiscou seu lábio inferior, sugando-o. Ele sabia mesmo como seduzí-la. Depois disso, ele a beijou, mas foi um beijo calmo, com sua língua explorando cada milímetro de sua boca, com experiência. Com isso, Giane colocou as mãos em sua nuca, acarinhando-o. Fabinho adorava quando ela fazia isso. Tanto que começou a mexer a cabeça em resposta àquela carícia.
– Você é linda, sabia?! Muito linda! — disse ele quando parou de beijá-la e segurou seu rosto, colocando uma mecha do cabelo dela por trás de sua orelha.
Ela riu. Ele franziu a testa sem entender — Posso saber o motivo do riso?
– Ai, desculpa, mas é que eu me lembrei de uma frase que a tia Salma sempre diz: Quem muito desdenha, quer comprar!
Ele fez cara de interrogação.
– Você não lembra? Você já me chamou de mocréia, macho mal acabado, e um monte de coisa que eu não quero nem lembrar...
Agora foi a vez dele rir — Como eu posso esquecer... A última vez que eu me atrevi a te chamar assim, você quase quebra minha cara, mãozinha forte essa sua, viu?!
Ela riu — E você queria que eu fizesse o quê?! Eu me arrependo é de não ter te dado mais uns bons tapas que era o que você merecia.
– É... Eu merecia mesmo. Mas... Vou te confessar uma coisa, naquele dia eu te achei muito gata, só que, claro que eu não podia te dizer isso, né?! Afinal, eu tinha uma fama de bad boy a zelar...
Ela riu — Claro... — falou de forma irônica, o que o fez rir também, para em seguida, mudar de expressão, ficando mais sério.
– Posso te perguntar uma coisa?
– Se eu disser que não pode, você vai perguntar do mesmo jeito, então para de besteira e pergunta logo!
– Quando foi que você descobriu que gostava de mim?
– Não... Você não perguntou isso... Sabe que às vezes eu sinto falta de seu lado bad boy, né?! Era menos meloso.
– Vai, Giane, responde!
– Tá, eu respondo. Foi logo que a gente se conheceu, quando nossos olhares se encontraram, eu percebi que você era o homem da minha vida. — falou suspirando, e como se estivesse encenando uma peça.
– An palhacinha, palhacinha... Agora, para de zoação e responde.
– Tá bom, eu respondo... Foi naquele dia que você ficou tacando pedrinha em mim, sabe, aquele dia que você me chamou pra jantar na sua casa... Sei lá, eu gostei quando você me agarrou... Senti uma parada diferente. Pronto, falei. Sua vez!
– No meu caso, foi quando você me deu a bola... Achei aquilo muito especial, e passei a te enxergar com outros olhos, daí quando você me beijou no portão, eu já tava totalmente entregue.
Ela fez um carinho no rosto dele de leve — Quem diria que um dia o Fraldinha ia acabar se apaixonando pelo maloqueiro?!
– E o maloqueiro pelo Fraldinha?! — retrucou ele.
Os dois sorriram, e iniciaram uma troca de olhares intensa, como que analisando cada detalhe do rosto, um do outro. Então, Fabinho puxou giane para si, e capturou seus lábios, para um beijo violento. Suas mãos percorrendo e pressionando as costas de Giane, quase lhe retirando a blusinha regata ali mesmo.
– Posso dormir na sua casa hoje? — perguntou ele rente ao seu ouvido, lhe mordiscando o lóbulo da orelha.
Ela se arrepiou — Tá maluco?! Meu pai tá lá, e aposto que acordou com aquela sua brilhante idéia de tacar pedrinha na janela. Se eu for duvidar, é capaz dele tá me esperando...
Ele fez bico. — Então, vamos lá pra casa. Dona Margot tem o sono pesado. O mundo pode desabar que ela só vai descobrir no outro dia... Vamo?!
– Ir pra sua casa, é...? Num sei... Não tô acostumada a dormir fora...
Ele beijou seu pescoço — Garanto que você não vai se arrepender...
Ela sorriu sabendo que ele estava sendo sincero, e pra dizer a verdade, dormir com ele era a coisa que ela mais queria naquele dia.
– Tá bom... Me convenceu.
– Que bom... Mas, ó, eu vou logo avisando que você vai ter que ir embora antes do amanhecer. Sabe como é, não tô acostumado a acordar com ninguém do meu lado.
Ela riu dando um leve tapinha no ombro dele — Palhaço!
Ele riu também, e descendo do banquinho lhe deu um beijo então os dois entrelaçaram seus dedos, e rumaram para casa de Fabinho. Contudo antes de chegarem, Giane sentiu seu celular vibrando no bolso.
– Espera, Fabinho... Acho que recebi uma mensagem.
Fabinho fez careta, não queria que nada atrapalhasse aquele momento.
Os dois pararam, e Giane pegou o celular. Olhou pelo visor e percebeu que se tratava de um número desconhecido. Apertou o botão. Era um vídeo, achou estranho, mas começou a assistí-lo. Logo no início, sua expressão mudou. Fabinho percebeu e ficou preocupado.
– O que foi, Gi?! Aconteceu alguma coisa? Quem mandou a mensagem?
Ela levantou o olhar pra ele, e sem mais nem menos, teve um acesso de riso que deixou Fabinho desconcertado.
– O que foi? Por que tá rindo assim? Fala, Giane!
Mas, Giane não se continha, e ria sem parar — Ai, desculpa, desculpa... É que é muito engraçado!
– O que é tão engraçado? — perguntou ao mesmo tempo em que pegou o celular das mãos de Giane. — Mas, que diabos... Quem te mandou isso? Para de rir! Giane, para de rir e me responde!
– Eu não sei... Número desconhecido, mas pelo visto, deve ter sido a Bárbara querendo fazer inferninho do nosso namoro. Strip tise, Fabinho, é muito fim de carreira!
– Eu fui obrigado pra descobrir a verdadeira estória da separação do Plínio com a Irene.
– Num tô dizendo... E a Bárbara ainda achou que isso ia me abalar... Não sei do que eu rio mais.
– No mínimo, ela ficou sabendo que eu tô rico e tá querendo separar a gente pra me juntar com a cocotinha.
– Ela que se atreva pra ver se eu não parto ela em duas!
Fabinho riu — Sabe que você fica ainda mais linda quando tá com ciúmes.
– Quem disse a você que eu tô com ciúmes?! Ah, larga mão de ser metido, garoto! Só tô cuidando do que é meu. — cruzou os braços e fez biquinho. Fabinho ficou louco com aquilo e a agarrou pela cintura, mas ela não cedeu em um primeiro momento, permanecendo com os braços cruzados — Fala de novo! — pediu Fabinho, todo dengoso.
– Fala o quê?!
– Que eu sou seu. — apertou-a mais, mordendo os lábios com charme.
– Você num ouviu?! Tá surdo?!
Ele sorriu, e com rapidez, mesmo sob os protestos de Giane, ele a colocou nos braços.
– Aaaaaa me põe no chão! Fabinho, eu tô falando sério!
– De jeito nenhum. Eu sou seu e você é minha. Só tô carregando o que é meu. Num tô fazendo nada de errado.- deu um sorrisinho torto.
– Fabinho, a gente tá no meio da rua. E se alguém vê?!
– Vão pensar que a gente se ama, e é exatamente isso que eu quero que todo mundo saiba porque assim num vai ter nemhum urubu te rondando por aí.
Ela riu divertida — Você é maluco!
– Foi você quem me fez assim, agora aguenta! — beijou-a, sugando sua boca. E sem mais pensar a levou para sua casa.
Chegando lá, ele abriu a porta logo depois que Giane desceu de seus braços.
– Tem certeza que Dona Margot não vai acordar? Fabinho, a gente podia... — ele a calou com um beijo.
– Sshhh! Tenho. Vem! — segurou a mão dela e a conduziu até seu quarto.
Eles mal entraram no quarto já se encontravam entrelaçados, tamanha a vontade de se amarem.
– Fabinho?! É você meu filho? — perguntou D. Margot, dando leves batidinhas na porta de Fabinho.
Fabinho parou o beijo, e fez careta. Giane começou a rir da situação, colocando a mão na boca pra não ser ouvida — É, mãe, sou eu sim... Pode ir dormir!
– Tá... Que bom! Já tava ficando preocupada. Você já comeu? Quer que eu te prepare alguma coisa?
– Não, mãe. Eu só quero que a senhora vá dormir!
Giane arregalou os olhos e o repreendeu com um tapinha no peito.
– Tá bom, meu filho. Durma bem!
– A senhora também. — revirou os olhos, e aí foi que Giane riu mesmo. — Tá se divertindo, né?!
– Muito.
– Ah, é...? — perguntou, provocando-a, e puxando sua mão, enlaçou sua cintura. E ela se envergou, segurando seu rosto.
– É... — respondeu com sensualidade, olhando bem firme em seus olhos.
– Pois agora quem quer se divertir sou eu. — tomou seus lábios entre os seus, mas Giane tentava a todo custo se esquivar.
– Não, Fabinho! Para! A sua mãe pode ouvir... — mas ele nem ligava, e continuou beijando-a, descendo pelo pescoço — Não... Para, Fabinho! — ela colocou as mãos sobre o peito dele tentando afastá-lo — Fabinho, amanhã... Amanhã a gente faz isso... Vai, para! Fabinho, me deixa na porta! Fabinho! — se soltou e correndo, abriu a porta. Fabinho foi atrás, e quando viu ela já estava na porta da sala pronta pra ir embora. Ele foi até ela e segurando sua mão, puxou-a pata si.
– Vai não... Fica! — implorou com o olhar.
Por mais que ela quisesse, sabia que morreria de vergonha se D. Margot os pegasse. — Fabinho, colabora vai...
Fez bico. Ela riu com ternura. — Deixa de ser manhoso e me dá um beijo de despedida.
Continuou fazendo bico, mas quando ela segurou seu rosto, ele sorriu e a beijou com sofreguidão, já que seria o último, tinha que fechar com chave de ouro. Ela ficou sem fôlego, e quase não conseguia encontrar o trinco da porta. Ele riu das suas tentativas, então depois ele mesmo foi e abriu a porta pra ela. Por fim ela soltou um beijo pra ele e foi embora.
Quando ele fechou a porta, ficou arrazado, sem rumo... Foi para cozinha a fim de beber um copo d'água, contudo, tal não foi sua surpresa ao avistar em cima do balcão um molho de chaves. Aquelas chaves não eram de sua casa, então de onde seriam? Teve um insight, aquelas chaves eram da casa da Giane. Isso queria dizer que o pai da Giane não estava na casa dela como ela imaginara. Isso também significava uma coisa... A noite estava só começando. Pegou as chaves e entrou no quarto com um sorriso de canto a canto da orelha.
Giane chegou no seu quarto, ainda sentindo o cheiro e o toque de seu namorado. Arrependeu-se amargamente se não ter ficado lá, mas agora era tarde demais. Jogou-se na cama e abraçou o travesseiro. Faria de conta que aquele travesseiro era ele, só assim para dormir em paz.
De repente, ela escutou dias batidinhas em sua porta.
– Pode entrar, pai! A porta tá só encostada.
Mas, pra sua surpresa, não era seu pai e sim Fabinho que estava lindamente vestido de garçom.
– Fabinho?! Como você entrou aqui?! E por que tá vestido assim?
Ele sorriu — Você já vai entender... — fechou a porta, passando a chave, para logo em seguida, começar a desabotoar o colete, com movimentos sensuais ao mesmo tempo em que remexia o corpo, como que dançando.
Giane arregalou os olhos — O que cê tá fazendo, cara?! Tá maluco?!
Mas, ele não respondia, e continuava com sua performance, agora não mais desabotoando o colete, mas a camisa branca, aos poucos, seu peito aparecendo. Os olhos de Giane brilharam. Começava a entender sua pretensão. Cada vez mais, esse homem a surpreendia. E ela não teve nenhuma vontade de rir, pelo contrário, teve vontade de se jogar em cima daquele homem tão sexy.
Quando terminou de desabotoar a camisa, girou-a por cima da cabeça e jogou-a para Giane que a segurou firme, e sem mais pudor inspirou o perfume que exalava daquela camisa.
Ele aproveitou essa deixa para tirar os sapatos e, engatinhando por cima da cama, tal qual, um felino, ele segurou as pernas de Giane e a puxou para si, então ela entrelaçou-as em volta da cintura dele.
– Seu pai tá lá em casa com minha mãe. Direitos iguais, você não acha?
Ela sorriu, e colocou os braços pra cima. Ele sorriu também e delicadamente retirou sua blusa. Então, com mãos firmes e experientes, ele segurou suas costas e deitou-a na cama, ficando por cima dela. Ela fechou os olhos quando ele começou a mordiscar seu queixo, seu pescoço, seu colo. E a passar a mão por todo o seu corpo. Ao mesmo tempo também ela cravava as unhas nas costas dele. O toque pele a pele os deixava em êxtase. Mas, eles queriam mais, e mais e mais... Entregar-se naquela noite, era vital pra eles, tamanha estava a saudade que eles sentiam um do outro. Aproveitariam cada milímetro do corpo um do outro, Fabinho principalmente, não deixou um só ponto do corpo de Giane sem ser tocado ou beijado. E naquela noite, aquela frase que deixou Fabinho tão feliz, se concretizou, ele era dela e ela mais do que nunca era dele. Pra sempre. Para todo sempre.
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