Minha redenção

13 E como companhia o sofrimento.


Notas iniciais
Eu estava muito ansiosa para postar este capítulo. Pela primeira vez um capítulo inteirinho sob a ótica de Ciel. Nós as autoras sabemos direitinho o que se passa no coração dele e agora os leitores também poderão saber. Não é apenas o tio Sebastian que tem passado momentos muito difíceis. Para os que já odiavam o Claude estamos dando um bocadinho mais de razão para tal kkkk Hoje temos também uma pequena surpresa! Leiam sobre isso nas notas finais

Aquele dia, o dia em que eu e meu tio nos abraçamos no banheiro, terminou comigo não indo para a aula. Eu fiquei o dia inteiro em meu quarto, sozinho, e deitado no escuro, eu não queria falar com ninguém que não fosse meu tio. E tio Sebastian não queria falar comigo. Naquele dia no banheiro, passados alguns minutos, ele se levantou e saiu, me deixando ali sozinho e se foi, e não o vi o dia inteiro.

Na manhã seguinte eu acordei com a senhora Coburgo me chamando, ela disse que tio Sebastian precisou ir trabalhar mais cedo, então, eu me vi obrigado a ir à aula. Eu não queria, porque sabia que estaria sozinho naquele lugar, já que Alois me avisara que faltaria pois estava doente.

Mas eu fui, mesmo a contra gosto. Vitória, como eu chamava a senhora Coburgo quando estávamos a sós, só permitiria que eu cabulasse a aula se o mundo estivesse acabando.

Cheguei na escola, o motorista me avisou que iria me buscar no final do dia. As primeiras aulas foram totalmente ignoradas por mim, já que as explicações simplesmente passavam por meus ouvidos. Minha penúltima aula da manhã era educação física e nesta eu não consegui fazer corpo mole, afinal eu realmente amava competir, adorava jogos em geral. Então, durante alguns minutos eu me esqueci de que tudo em minha vida estava confuso e que eu me sentia cada vez mais perdido.

A aula de Ed. física havia acabado e eu me encontrava já sozinho no vestiário. Sim, eu pensava em cabular o período de aula com o professor Faustus, por isso esperei escondido que todos saíssem de lá e seguissem para a aula. Agora sozinho, eu estava mais relaxado. Eu já havia tomado meu banho e me vestido. Alois estava com uma virose e por isso havia faltado e sem meu amigo protetor eu não me sentia nem um pouco à vontade para aguentar o professor. Mas eu descobri bem cedo nessa vida que eu não sou uma das pessoas mais sortudas. E no exato momento que eu abaixava a minha cabeça para enxaguar minha boca com água na pia, a porta se abriu bruscamente e ao levantar meu rosto e mirar o espelho meu coração parou. Atrás de mim estava o professor Faustus, com um sorriso de vitória nos lábios.

– Cabulando aula, Phantomhive? — eu gaguejei um “não” e tentei passar por ele, mas infelizmente ele foi mais rápido. Segurou-me pelo braço e me virou, deixando-me de costas para ele, eu iria gritar e o maldito sabia disso, tapou minha boca com a mão, sussurrando em meu ouvido.

– Quietinho, Phantomhive! Seja um bom menino e eu não te levo para a coordenação. — eu arregalei meus olhos quando a língua úmida dele passou pelo meu pescoço, a outra mão descendo pelo meu abdômen. -Você tem um cheiro tão bom. – ele sussurrou enterrando o nariz na minha pele, eu grunhi em desconforto e o infeliz riu de mim. A mão que não me impedia de gritar apertou minha intimidade e eu senti nojo com tal ato. Me debati descontrolado, lutando para que ele me soltasse.

–Adoro os mais difíceis. — ele disse em contra partida e quando eu pensei que já estava perdido e as lágrimas rolavam livres pelas minhas bochechas ouvi passos. Passos de alguém enviado pelo céu para me salvar. A porta do vestiário foi aberta, era um aluno que tinha esquecido um pertence qualquer. Faustus me soltou de imediato e antes que a porta se fechasse novamente eu já corria em disparada pelo corredor. Me escondi na primeira porta que vi e, feliz, constatei que era a da copa onde as funcionárias preparavam nosso almoço.

–Oh, o que faz aqui, garoto? — uma senhora gordinha me perguntou, mas eu não respondi. Quando ela se aproximou me joguei em seus braços chorando, tremendo.

–Por favor, ligue para o meu tio vir me buscar, por favor...

Depois de ser levado para a sala da secretaria, a coordenação ligou para o tio Sebastian vir me buscar. Eu o esperei ainda mais alguns minutos, nos quais sofri um intenso interrogatório, mas me neguei a contar o que tinha acontecido. Foi o motorista do tio Sebastian quem veio me buscar, alegando que Meirin não tinha conseguido falar com ele porque ele estava em uma reunião. Eu nem me importei, só queria ir para casa.

Ao chegar eu me tranquei no meu quarto e me neguei a abrir a porta para a senhora Coburgo. Não queria falar com ela, não queria comer... Sentia horror, sentia nojo, queria tirar o cheiro daquele homem que estava em mim. Corri para o banheiro e liguei o chuveiro. Lavei desesperadamente o meu pescoço, o meu corpo, todos os lugares onde ele tocara. Depois fiquei sentado no chão do box, a água fumegante caindo sobre mim. Abraçado a mim mesmo, tentando acalmar meu desespero. As lágrimas se misturando ao líquido que escorria pelos meus cabelos. Bem mais tarde, estava deitado em minha cama, depois de sair do banho, quando escuto algumas batidas na porta.

– Ciel? Você está acordado? — meu coração disparou. Era o tio Sebastian. Eu rapidamente me sentei na cama.

– Posso entrar? — ele perguntou, eu não sabia o que fazer. Entrei em pânico. Eu não sabia se devia contar a ele. Não depois do que acontecera entre nós. O que ele diria? E se ele achasse que era eu o culpado? Que do mesmo modo que eu agia com ele eu agia com o meu professor? E se ele pensasse que eu gostava dos toques do prof. Faustus? Eu não suportaria que ele pensasse essas coisas de mim.

– Ciel, eu vou entrar. — e ele abriu a porta mesmo que ela estivesse trancada. Certo que ele deveria ter uma cópia da chave do meu quarto.

–Meirin me disse que você ligou para mim, pedindo que eu fosse te buscar na escola. — ele se aproximou da cama temeroso, depois do que acontecera na noite em que dormi com o tio Sebastian ele tentava ao máximo me evitar, se afundara cada vez mais no serviço e dois dias depois de nos abraçarmos no banheiro era essa a primeira vez que eu o via.

–O que aconteceu? Se sente bem? — eu neguei com a cabeça, sentindo vontade de chorar. Ele sentou em minha cama e pôs a mão em minha testa. -Está com febre? — novamente eu neguei.

–Eu queria ter ido te buscar, mas Meirin não conseguiu falar comigo. — ele se explicou. — Me diga, pequeno, o que aconteceu? — eu neguei novamente com a cabeça, me atirando em seus braços, sentindo o seu corpo inteiro retesar. Mas eu precisava daquele contato, precisava de conforto.

– Ciel, me diga, o que aconteceu? — afundei meu nariz no pescoço dele, minhas pernas se agarraram na volta de sua cintura... eu sentia tanta saudade dele. Isso era completamente diferente, eu repugnava o toque do meu professor, simplesmente preferia morrer a ser tocado por ele novamente, mas... Eu precisava do toque do meu tio.

–Você está me assustando. Alguém te machucou na escola? Alguém te falou algo? — ele tentava me afastar para que eu falasse, mas eu me negava a lhe encarar, ocultava meu rosto me mantendo firmemente preso ao seu corpo.

–Ciel, pelo amor de Deus, me diga o que aconteceu?! — ele se exaltou quando eu comecei a soluçar.

–Por favor. Eu não sei o que fazer. -suas mãos finalmente se moveram. Uma enlaçando a minha cintura e a outra acariciando meus cabelos. -Me diga o que você quer que eu faça? Me diga... Que eu faço.

–Só... Só fica aqui comigo. — com a boca colada na pele do pescoço eu sussurrei, sentindo todos os pelinhos do corpo dele se arrepiarem. Eu sabia que de algum modo eu fazia mal para o tio Sebastian. Eu não queria fazer isso com ele, mas eu o queria tanto. Ele então se escorou na cabeceira da minha cama, acariciando meus cabelos e beijando vez ou outra minha cabeça por um longo tempo. E quando eu estava quase pegando no sono eu o ouvi dizer.

–Eu juro que eu mato quem quer que seja que te fizer mal. Eu juro... — deixei que meu sono tomasse conta de mim. Afinal eu não poderia estar mais protegido do que ali nos braços dele.

***

"Estava escuro... eu corria desorientado e confuso. Eu podia ouvir o som de uma tempestade e os trovões... exatamente como naquele dia... naquele dia horrível... Ouvi mais uma vez o som do carro derrapando e o grito do meu pai e da minha mãe...

– Não! Não! Não! — eu gritava e me encolhia, não podia estar acontecendo de novo... não, não...! Meu coração doía, eu queria ir com eles... morrer com eles...

– Ciel... Ciel...

Era a voz do meu tio Sebastian... eu olhei para todos os lados tentando vê-lo, me levantei e caminhei.

– Tio...? Tio... onde você está...?

– Ciel... — a voz dele sussurrava carinhosa... — se afaste... fique longe de mim...

– Onde você está, tio Sebastian? — gritei — Por favor, estou sozinho... fica comigo... Por favor...

– Não, Ciel... eu não posso... — Eu corria desesperado, tentando encontrar o tio Sebastian naquela escuridão, eu precisava dele... Eu o queria... E de repente algo me agarrava, me prendia! E eu me vi novamente nos braços do prof. Faustus.

– Eu gosto dos difíceis... — ele dizia e eu o via lamber os lábios, sorrindo, suas mãos sobre mim. Eu queria gritar, lutar, chutar, me libertar e não conseguia! Me sentia sufocar... !

–Tio Sebastian! Me ajude, por favor!! — gritei com todas as forças.

Subitamente tudo se encheu de luz e eu estava livre. Eu estava nos braços do meu tio Sebastian.

– Ciel... está tudo bem... — ele me abraçava e acariciava meus cabelos — eu vou cuidar de você... eu vou matar qualquer um que te tocar!

Oh, eu o abracei. Como eu precisava do meu tio, como ele me confortava, o quanto eu sentia a sua falta...

– Mas, Ciel... eu sou um monstro... me perdoa... — o tom da voz dele era triste e eu ergui meus olhos para o seu rosto. Ele parecia tão triste. Seu rosto era tão lindo, seus olhos castanho avermelhados, belos e doces estavam cheios de lágrimas.

– Tio... Você não é um monstro... Por que fica repetindo isso? — eu sussurrei frustrado.

– É por causa disto... — ele respondeu baixinho e sua boca cobriu a minha enquanto ele me abraçava. Eu me choquei com aquilo por um momento, mas aos poucos eu relaxei e o abracei. A boca dele era macia, quente e carinhosa... era uma sensação tão boa... "

Acordei. Ainda era noite. Eu estava em minha cama, sozinho. Meu tio não estava lá comigo, mas ele estava quando adormeci. Passei a mão pelo meu rosto recordando o sonho, toda a tristeza e o desespero... e como todos aqueles sentimentos desapareceram enquanto eu estava nos braços do meu tio... E ele me beijava... Toquei meus lábios com a ponta dos dedos, tentando recordar aquela sensação e aquele calor novamente. Aquilo era tão errado... tão anormal... Mas... mas eu queria... Queria sentir o toque macio da boca do tio Sebastian mais uma vez. Naquele momento eu percebi como era diferente. Os toques dele me enchiam de sensações estranhas mas boas... totalmente diferente do que eu sentia com Faustus. E então eu decidi que não teria mais medo. Eu confiaria em meu tio e ele também confiaria em mim! Acreditaria em mim!

Levantei — me e saí do meu quarto, caminhei pelo corredor escuro em direção ao quarto de meu tio. Eu contaria tudo a ele sobre o prof. Faustus, tudo! Sobre o que ele fazia comigo, como me assediava, como eu o temia e odiava. Eu me sentia confiante, ele saberia que não era minha culpa. Segurei a maçaneta da porta do quarto do tio Sebastian e a forcei, mas a porta não se abriu. Ela estava trancada. Ele nunca a trancara antes, então por que hoje...?

E então a verdade me atingiu como um soco. A porta estava trancada por que ele não queria que eu entrasse. Era para me afastar dele.

Toda a minha coragem e confiança desapareceram... dei um passo para o lado e colei minhas costas à parede fria, meu estômago se retorcia e fui deslizando devagar até me sentar no chão, abraçando meus joelhos.

–Você não confia em mim? — sussurrei sozinho na escuridão — Você me quer longe de você...? — Escondi meu rosto nos joelhos, doía demais, o ar me faltava... era doloroso demais.

– Mas eu preciso de você...

Notas finais
Então minhas amadas, quero saber de vocês o que acharam deste capítulo. O final deste, com Ciel emboladinho feito um gato deitado no chão ao lado da porta do quarto do tio me quebra por dentro. Nos comentários sempre observamos que sentem muita pena do Sebastian e sabemos que é compreensivo, mas agora podem ver que Ciel também sofre e o pior Sebastian não se abre e nem procura abrigo nos braços de alguém porque não quer! Já Ciel não tem essa opção ele só tem ao tio, tem o amigo, mas sabemos que proteção deve vir de casa, Sebastian por fraqueza deixa ao relento aquele que tanto precisa de si e a criança mesmo sem ter culpa de nada é quem paga, deixado só, em companhia da tristeza em um momento no qual ele precisava tanto do outro. E...? Ah sim já ia me esquecendo, eu havia prometido uma surpresa a vocês em agradecimento pelos mais de 200 comentários, pois bem! Miyukiki e eu batemos a cabeça pensando no que podíamos fazer de especial, uma coisa que sempre nós deixa tristes é que possuímos muitas, muitas mesmo, fanarts maravilhosas SebasCiel e mesmo colocando uma a cada capítulo não conseguiríamos mostrar todas, escolhemos então as que mais tem a ver com a fanfic, aquelas as quais batemos o olho e lembramos de Minha Redenção. Miyukiki deu duro perdeu interinamente seu domingo criando então esse amv, que esperamos gostem tanto quanto gostamos. https://youtu.be/vMKwDOhcUAU Curtam e comentem o que acharam do vídeo, aqui ou na página do YouTube e saibam que se estamos dando cada vez mais duro nessa história é em agradecimento e para continuar merecendo o apoio e carinho de todas vocês. Obrigada de coração