Minha redenção
7 De volta ao cotidiano.
Notas iniciais
Eis que novos personagens surgem, depois do nosso amado loirinho e do mordomo aranha, mais dois personagens dão o ar de sua graça.
Há cenas nesta fic que estão prontas (na minha cabeça) a quase um ano. A cena do Ciel tocando piano foi uma e esta com a psicóloga foi outra.
Espero que aproveitem.
Boa leitura!
– Sebastian, me diga então, como se sente em relação ao falecimento de seu irmão? -a psicóloga ruiva me questionou, a pergunta soando por eras em meus ouvidos como um eco moribundo. Como eu me sentia em relação a morte de Vincent. Triste, era óbvio, infeliz, mas... esse não era o sentimento que me dominava em relação a aquele assunto. Até porque, apesar de Vincent ser meu único irmão, minha única família e o grande amor de minha vida, em nenhum momento eu chorei, e nem agora quando Angelina a psicóloga com quem eu me consultava há quase cinco anos, me perguntava sobre como eu estava lidando com o falecimento de meu irmão, eu conseguia chorar.
–Aliviado... — respondi finalmente, ela arregalou os olhos e eu sorri minimamente, mesmo depois de tanto tempo de tantas consultas eu ainda conseguia chocar minha médica, me lembro quando contei a ela o modo como amava meu irmão, ela esboçou sua primeira grande reação em nossas consultas, fez um perfeito “O” com a boca.–Aliviado? -tornou a perguntar, duvidando talvez de seus próprios ouvidos. -Sim, aliviado. -sentenciei simples. –Me explique melhor isso, Sebastian. — ela se movimentou na poltrona à minha frente, enquanto eu permanecia meio deitado no divã confortável de dois lugares. Gesticulei com as mãos, em busca de palavras coerentes, anos de terapia me ajudaram a conseguir pôr em palavras aquilo que eu sentia, eu confiava a minha vida a essa mulher, foi para ela que admiti em voz alta que queria meu irmão de uma maneira nada fraterna. Antes dela, não ousava admitir nem mesmo para mim. – Sabe aliviado? Livre, como se um peso tivesse sido tirado de mim. — ela pigarreou, ajeitando os óculos. –Deixou de o amar, ou esse sentimento deve -se ao fato de que aquele que o atormentou não está mais entre os vivos? — pensei por alguns segundos, eu havia deixado de amar Vincent? Não, acho que não era bem a resposta correta, talvez sim estivesse aliviado, porque aquele que me acusava de ser um monstro não vivesse mais, ou talvez porque aquele com quem eu tinha sonhos inapropriados não vivesse mais. Mas era mais do que isso. –Não! Me sinto aliviado por não ser mais acorrentado pela culpa, é claro. Mas agora penso que talvez possa vir a ser livre para enfim amar novamente... — me assustei, porque detrás das minhas pálpebras fechadas a imagem de meu pequeno sobrinho apareceu, Ciel em toda a sua graça, tocando aquele piano, certamente era a imagem de um anjo. Um anjo que me traria paz. – Entendo, Sebastian. Mas você não acreditava na possibilidade de vir amar a outro alguém, mesmo que Vincent não permitisse a menor aproximação sua. Então me desculpe se não acredito cem por cento nessa sua resposta. — ela sorriu, maldita, me conhecia bem demais. Me virei no divã, olhando fixo para ela. – Estou feliz, Angelina. — sorri verdadeiramente. Ela fez uma expressão carinhosa, como uma mãe feliz por um filho. – E a que se deve essa sua felicidade? – Ao meu sobrinho. — disse temendo a expressão em seu rosto, não suportaria que ela me olhasse com os mesmos olhos de Vincent. Mas sua expressão continuou carinhosa. – O filho de Vincent? Como é mesmo o nome dele? Ciel, não é? — eu concordei com a cabeça. — Uma criança sempre traz alegria a um lar. – É como se apesar de tudo eu fosse contemplado com uma benção. — eu disse sonhador. — Ele é igual a Vincent, com os olhos herdados da mãe, é uma mistura de ambas as pessoas que mais fizeram diferença em minha vida. A que eu mais amei e a que eu mais odiei. -respirei fundo. -Mas diferente de Vincent ele não tem ódio e nojo ao me olhar e diferente de Rachel ele não me olha com pena. –Entendo, você o vê como uma segunda chance? –Sim, exatamente, como uma segunda chance de fazer a coisa certa, de dessa vez amar corretamente. — fechei os olhos sorrindo. -Eu nunca pensei em ser pai... –Desculpe, Sebastian. — Durless me interrompeu. — Mas você nunca pensou em nada que não fosse em Vincent e no trabalho. Nunca viu nada além desse amor. Fico feliz por finalmente você ter percebido que existem outros sentimentos, outras pessoas que possam ser importantes para você. Desejo felicidades a você e ao menino!Minha sessão acabou minutos depois e eu tinha uma tarde livre, Ciel estava na escola até às seis da tarde e ainda eram apenas duas. O celular em meu bolso parecia vibrar querendo que eu o usasse. Peguei o aparelho e disquei os números já conhecidos. – Olá, meu amor. Como está? — a voz disse do outro lado da linha, certamente ele tinha meu número gravado na agenda. – Está livre agora? — perguntei dispensando toda aquela falsa preocupação. Ouvi uma risadinha debochada do outro lado da linha. – Para você? Sempre, meu bem. — desliguei imediatamente, entrando no meu carro e dirigindo rápido até o conjugado de prédios no qual ele morava. Eu era seu “cliente vip” e não batia nele, então sabia onde ele morava. Cheguei mais rápido do que realmente queria e ele já me esperava, abriu a porta vestindo somente um babydoll, nunca entendi essa obsessão dele por roupas femininas, mas também isso não me importava, em poucos segundos já nos encontrávamos em sua cama, nossos corpos se entrelaçando em uma dança de luxúria e desejo, nada mais, nada mais do que somente necessidades físicas, eu precisava acalmar meu interior, ele precisava pagar o aluguel. Grell era um garoto de programa, não sei se esse era seu verdadeiro nome, mas era assim que eu o chamava, era ruivo, um cabelo longo e brilhante, olhos verdes e um corpo delgado, era bonito, falava como se fosse um homem apaixonado e era romântico, mas era tão falso quanto eu. Fazia uso de seus serviços há pouco mais de dois anos, o conheci em uma casa noturna, onde eu bebia e procurava por sexo fácil e ele por dinheiro. Nós nos demos bem de primeira, eu não tinha fetiches estranhos, não era um maluco nem nada do tipo, eu só queria transar sem a complicação de alguém se intrometer na minha vida e Grell me proporcionava isso. Com o tempo algo quase parecido com uma amizade nasceu. Ele, assim como Meirin e Angelina eram as pessoas que mais se aproximavam de ter uma relação comigo. Minha psicóloga, minha secretária e um garoto de programa. Todas as minhas relações eram baseadas em pagamentos. Deprimente, eu sei. Grell era perdidamente apaixonado pelo homem que ''cuidava dos negócios'' ou, como ele odiava que eu o chamasse, o seu cafetão, eu adorava o fato de que ele nunca me amaria, seria um problema em caso contrário. Mas detestava ir ao seu encontro e encontrar marcas em seu corpo, era meio que comer algo já mastigado.
– Está diferente hoje. — ele disse o corpo suado deitado sobre a cama com os lençóis bagunçados. -Aconteceu ago? — Grell só tinha um problema, era curioso demais. – Nada que seja da sua conta. — disse acendendo o segundo cigarro, só em sua presença eu me permitia fumar. – Grosso! — ele disse emburrado puxando os lençóis de cima de mim e se levantando da cama, fiquei admirando, ele tinha uma bunda tão bonita. – Meu irmão morreu, como já deve saber. — afinal tinha sido notícia em vários jornais, Vincent e eu éramos os únicos herdeiros de uma grande empresa de construção civil. Ele se sentou na beirada da cama, acariciando meu pé. – Sinto muito, querido. — apesar de tudo não conseguia sentir falsidade em suas palavras. – Meu sobrinho está morando comigo. — bati o cigarro para tirar a cinza. – Oh e como ele é? — perguntou alegre batendo palmas e se ajoelhando no colchão. — Adoro bebês!– Ele não é um bebê. — revirei os olhos. -Tem doze anos e fará treze em poucos dias. — sua expressão de alegre se tornou desgostosa. – Ah! Um pré-adolescente. — sua careta me fez rir. – Não gosta de pré-adolescentes? — perguntei divertido. – Isso depende. – Depende do quê? – Ele é bonito? – Lindo como o pai! – eu disse sabendo que Grell sabia como era meu irmão, afinal nós éramos gêmeos. – Oh, então ele deve ser lindo! — o corpo dele se aproximou de mim de modo felino. — Devo ter ciúmes? — minha expressou mudou assustando-o pois ele saiu de perto de mim, indo se arrumar. -Desculpe! — disse por fim e eu me mantive em silêncio até a hora ir embora. Em poucos instantes meu bom humor havia acabado e eu não sabia a que se devia essa mudança imensa e tão rápida de sentimentos. Só sei que demoraria para voltar a me encontrar com o garoto de programa. Algo na sua fala... algo havia mexido comigo, ele insinuar que talvez devesse ter ciúmes de Ciel, que tipo de coisa era aquela? Como se por acaso ele estivesse no mesmo nível de meu sobrinho! Não desmerecendo o rapaz, não, não sou desse tipo! Não é só porque pago por seu corpo que vou desmerecê-lo deste modo, o fato é que Ciel é um ser puro, uma criança e afinal de contas que merda foi aquela de perguntar se ele era bonito? Apertei com força o volante, estava agora era furioso, maldita, sim, maldita boca grande que eu tinha, como eu saía assim falando sobre a beleza do meu pequeno? Ninguém deveria sequer olhar para Ciel! Não do modo como os olhos verdes de Grell transpareceram malícia ao falar dele. Parei o carro na frente da escola Weston, mesmo que fosse apenas cinco horas eu aguardaria ali para levar Ciel para casa, porque naquele momento a única a coisa que eu queria era ver meu sobrinho, o levar para casa e me certificar de que ninguém o tocasse. Só de imaginar alguém como Grell tocando-o meu estômago se embrulhava e minha visão ficava turva de raiva, jamais permitiria que alguém lhe fizesse mal ou algo contra a sua vontade. Faltavam ainda dez minutos para as seis mas eu saí do carro e fiquei recostado a ele. A ansiedade para rever Ciel era tanta que eu não conseguia ficar sentado. Por ter chegado cedo eu conseguira estacionar bem em frente ao grande portão da escola. Quando soou o sinal vi os portões se abrirem e o imenso fluxo de garotos saindo. Meus olhos perscrutavam a multidão buscando aqueles olhos, aquele rosto... e então eu o vi. Vinha andando ao lado do loirinho que era seu amigo inseparável, ainda estavam saindo de um dos prédios. Sorri só de ver a sua figura, meu sobrinho... meu menino. E então... Vi um homem vir, não sei de onde, cabelos curtos e negros, usava óculos, provavelmente um professor. Ele chamou Ciel levantando o braço. Ciel olhou para trás e o viu em seguida virou — se para os portões e correu. Vinha correndo, os olhos fixos em mim. Aquilo me alarmou! Corri para os portões e o recebi em meus braços, ele afundou o rosto no meu peito. – Vamos embora, tio Sebastian! Depressa, quero descansar! — ele me abraçou apertado e eu o abracei de volta, a mão protetora sobre sua cabeça. Por que ele correra daquela forma para mim? Olhei para o homem que chamara Ciel um minuto antes e o vi voltando para o prédio da escola. Ele nos observava. Irracionalmente eu olhei para ele, quase rosnando! Senti aquela onda de fúria se apossando de mim e meus olhos com certeza deixavam claro esse sentimento, pois o vi desaparecer num instante. – Por favor, tio Sebastian? — a voz de Ciel me tirou deste momento, acariciei seus cabelos e concordei. Voltamos abraçados ao carro. E lancei um último olhar para a velha escola antes de partir levando meu sobrinho em segurança para casa.
Notas finais
E aí como ficou? Bom? Ruim? Comentem sim XD
Bjinhos até
Chibi Lord~ e Miyuki ki
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