Minha redenção
11 O céu lá fora chora por nós
Notas iniciais
Como havia me prometido, tio Sebastian estava lá para me levar para casa quando a aula terminou e bastou-me vê-lo para eu me sentir melhor . Sorrimos um para o outro e fomos juntos para casa.
Mais tarde naquela noite fui levar minhas roupas à lavanderia. Eu observava melancólico um rasgo na camisa do meu uniforme. Eu andava tão distraído ultimamente que nem me recordava quando aquilo acontecera. Meu tio havia se recolhido logo após o jantar dizendo estar cansado e eu concordara sem coragem de pedir que ele me fizesse companhia. Já na lavanderia eu encontrei algumas peças de roupa de meu tio... eu não queria, juro que tentei resistir, mas fui fraco e quando percebi já tinha em minhas mãos uma camisa do tio Sebastian. Estava ali o cheirinho tão gostoso dele, aquele cheiro que conseguia me acalmar e fazer com que eu me sentisse protegido. Enterrei o nariz no tecido e aspirei longamente, sentindo minhas pernas vacilarem e meu coração acelerar...
– Tio Sebastian.... — Eu sussurrei abraçado àquela peça de roupa já que não podia abraçar a ele.
*~~*~~*
Um estrondo cortou o céu, alto e forte, um trovão que fez com que as paredes da casa tremessem. Uma chuva torrencial caia lá fora, o céu negro chorava sem interrupções. Sebastian acordou com o trovão. Tomou um pouco de água da jarra que estava do lado da cama. Bebeu e recolocou o copo de volta no criado-mudo. Fechou os olhos e se ajeitou na cama, estava frio e a chuva aumentava, um clima agradável para dormir.
Quase voltando ao mundo dos sonhos Sebastian ouviu o som da porta sendo aberta com cautela, passinhos apressados se chocando com o soalho frio do quarto.
Sebastian manteve os olhos fechados, com o rosto afundado no travesseiro. Sabia bem de quem se tratava.
–Tio... -a voz chorosa se pronunciou e Sebastian, preocupado, se voltou para o menor. Ciel estava soluçando, delicadas lágrimas correndo dos olhos e as mãozinhas se torcendo nervosamente.
–Ciel, o que houve? — perguntou elevando o tronco. Nos últimos dias estava mais preocupado do que nunca com o sobrinho, afinal, nos últimos tempos Ciel andava pensativo demais, calado demais, como se escondesse algo.
– Chuva... — um outro trovão violento soou e o menino deu um pulo e um pequeno gritinho assustado.
Sebastian observou Ciel da cabeça aos pés. O menino agora apertava a barra da camiseta do pijama, usava um calção extremamente curto que não chegava nem na metade das coxas. Sebastian estremeceu. Não queria admitir, mas estava difícil ignorar o quanto aquela criança mexia consigo. E aquela noite em que o pequeno ficara febril... Sebastian tentava dar a desculpa de que havia sido um desses momentos em nossa vida que nunca mais voltariam a acontecer.
Ele tentou jogar para o fundo de sua memória aquela lembrança. Mas agora, nesse momento em que até engolir a saliva era difícil, estava complicado se esquecer do dia em que vira Ciel seminu, que o tocara como um predador, que se excitou por um menino febril... Que o beijou. Porque sonhar e imaginar era algo para se recriminar, mas assediar uma criança adoentada era digno de um monstro e Sebastian não sabia até que ponto podia confiar em si mesmo, em sua estabilidade, em seu auto controle.
–Tio? — Ciel o chamou de novo a mãozinha pegando no cobertor. — Deixa eu dormir aqui com você?
–Acho melhor não... — ele tocou de leve o ventre do pequeno, a mão espalmada na altura do umbigo, tentando impedir Ciel de subir em sua cama.
–Tio Sebastian, por favor, está frio. — os lábios tremiam, a pele estava arrepiada pelo frio, os olhos cintilando com o brilho das lágrimas...
Sebastian suspirou e lembrou-se de si mesmo e da necessidade que tinha da proteção e afeição de Vincent. De como ficava vulnerável quando chovia, de como queria estar perto do único que lhe passava segurança. Talvez ele significasse o mesmo para o seu sobrinho.
E talvez ele pudesse se controlar melhor. Resistir. Talvez fosse mais forte. Sim, ele podia fazer isso! Por Ciel e porque ele precisava de si. Ele podia! Sebastian balançou a cabeça em uma afirmativa, usando a mão que afastava Ciel para levantar as cobertas. A criança não demorou em se intrometer na cama do mais velho. O rosto foi logo para o peito de Sebastian, respirando forte e fundo, os braços abraçaram Sebastian, que mais uma vez suspirou. Fez um carinho nos fios do menino, fazendo com que aquele aroma tão único quanto a cor de cabelo de Ciel invadisse suas narinas. O pequeno subiu o corpo deixando o rosto a milímetros do rosto do outro.
– Obrigado, tio Sebastian. — Ciel afundou o rosto no pescoço alheio respirando fundo, aspirando aquele cheiro que lhe acalmava. -Aqui com você eu me sinto protegido e quentinho. — a criança riu baixinho, beijando a pele morna e arrepiada de Sebastian.
O maior respirava com dificuldade os dedos dos pés retorcidos, os lábios espremidos e uma vergonhosa ereção tomando forma. Sebastian virou-se de barriga para cima fugindo dos toques inocentes de Ciel.
– Durma, pequeno, está tarde. — Ciel murmurou um “Boa noite” já sonolento, se agarrando com os braços ao peito de Sebastian, as pernas se entrelaçando em torno das pernas do tio.
Sebastian sorriu melancólico, para Ciel ele era o seu Vincent. Puxou o corpo pequeno, a cabeça dele em seu peito. A criança já dormia, claro, um ser puro e inocente certamente caia rapidamente no mundo dos sonhos.
Os cílios longos, aquela expressão doce na face adormecida, Ciel era um anjo. Mas Sebastian estava longe da redenção divina, pois o corpo envolto ao seu trazia-lhe um calor infernal. Mesmo que um ser meigo e angelical repousasse em seus braços, Sebastian estava mais próximo do inferno do que jamais esteve.
Ciel se virou na cama, soltando os braços. Sebastian pensou que enfim podia voltar a dormir, até ouvir um pequeno gemidinho, abafado, gracioso. O corpo de Sebastian virou-se. Deitou-se com o peito colado nas costas de Ciel, a cabeça por cima do ombro do menino, ele queria ouvir novamente, ver que expressão ele fazia... ele sonhava? E com o quê? Com quem?
Sebastian perdia, em momentos assim, sua capacidade de raciocinar. A boca tocou a pele clarinha do pescoço do sobrinho, a mão foi para a gola da camiseta arregaçando-a para que pudesse tocar os lábios no ombro. Ele nem ao menos conseguia se preocupar com o fato de que Ciel poderia acordar.
Mas ele sabia o quanto o sono da criança era pesado, já tinha dividido a cama com o menino. Então Ciel gemeu novamente, manhoso, e Sebastian soltou a respiração presa, na nuca do menino. O membro entre suas pernas duro, preso pela calça do pijama. Sebastian se envergonharia daquilo depois, se culparia depois. Agora ele só precisava de um pouquinho mais de contato. Apertou seu ventre contra as costas de Ciel o membro teso um pouco acima das nádegas dele. Sebastian afundou o nariz nos cabelos do pequeno.
O outro braço se passou por debaixo do corpo de Ciel e ele o trouxe ainda para mais perto. Usou a outra mão para abaixar as cobertas e levantar a camiseta de Ciel. Estava louco, só podia estar! Certamente Ciel acordaria. A mão que passava por debaixo do corpo pequeno apertou o mamilo durinho e mais um gemidinho “Anh” . Sebastian mordeu os lábios, era divino demais. Abaixou um pouco o calção de Ciel e o seu próprio, tirando o membro, já gotejando, para fora. Os dedos envolvendo a ereção e Sebastian fechou os olhos, gemendo o nome do sobrinho.
Começou a se masturbar, beijando o ombro do pequeno, o pescoço, lambendo e sentindo o gosto daquela pele perfeita. A ponta úmida do falo resvalou, tocando a macia nádega e Sebastian, excitado, apertou o menino ainda mais em seus braços. Seu membro molhado sujando a pele do menor.
Tocou o membro na pele gordinha da bunda, a felação em uma alta velocidade, o falo se movimentando sempre em direção as nádegas branquinhas que Sebastian queria tanto morder. O maior apertou ainda mais o pequenino mamilo, a outra mão movendo-se com extrema agilidade, levando-o para um orgasmo rápido e cheio de culpa. O líquido do prazer sujando Ciel, o esperma escorrendo do pijama do menino para o lençol. E olhando aquela cena... Sebastian chorou.
Passado alguns segundos, Sebastian entrou em estado de desespero, se levantou com pressa da sua cama, chorando e murmurando desculpas ao vento. Vincent certamente tinha razão, e agora, Sebastian sabia bem o porque do irmão o querer longe do filho. Sebastian era mesmo um monstro.
Andou diversas vezes, para todos os lados do quarto, se agachou, tocando o corpinho miúdo de Ciel, o menino estava gelado. Sebastian foi até a cômoda, pegou uma caixa com lenços de papel e limpou-o. Queria esconder por completo os resquícios do que fizera, mas a verdade é que não podia ficar próximo demais ao menino. Limpou o menor o melhor que pode, as lágrimas em seus olhos o cegavam, cobriu o menino e foi para o escritório, ficaria por lá, longe, tinha que ficar o mais longe possível de Ciel.
Pegou uma garrafa de vodka no minibar, ouvia a voz de Vincent ecoando em seus ouvidos “Você é um monstro” começou a beber, as mãos tremendo. “Eu tenho nojo de você! ” Como pôde? Como pôde perder tanto assim o controle? Ele era o filho de seu amado irmão e Sebastian jurou protegê-lo e agora, ele era quem mais oferecia perigo ao menino.
Vincent tinha razão, ele tinha mesmo que ser mantido longe dele afinal...
E ele estava irremediavelmente louco por Ciel.
Bebeu por completo o líquido da garrafa, caindo em um estado entre bêbado e exausto, a boca sibilando um mantra onde ele invocava a Vincent perdão.
Os olhos escorrendo lágrimas quentes, as mãos agarrando em desespero os cabelos, até que dormiu, soluçando.
Em outro quarto, uma criança olhava fixamente a chuva batendo contra a janela...
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