Notas iniciais
Olá minhas lindas :D
Esse capítulo está bem pequeno, mas é que tem uma cena tão forte que pensamos que era melhor ele não se estender muito. Emoções demais em um mesmo capítulo acabam por confundir o leitor.
Leiam e se divirtam se não entenderem algo nos pergunte nos comentários.
Lembrando as partes em itálico são lembranças e/ou sonhos, como dessa vez estou postando pelo celular as partes em itálico estão somente entre aspas.
Boa leitura!
Sebastian bateu com força na porta do quarto, pediu para que Ciel a abrisse, para que conversassem, implorou, mas o menino, irredutível a manteve trancada. Sebastian era bom em desistir, afinal sempre tinha sido assim, em sua vida, ele sempre se via obrigado a desistir daquilo que mais queria. Foi para o seu quarto, ainda era cedo, mas Sebastian resolveu tomar o seu remédio e dormir até quando este fizesse efeito, ele se sentia cansado, cansado de tentar resistir... Cansado de fingir, de esconder os seus sentimentos, de ser errado, de ser um monstro. Acordou desorientado, seu nome sendo chamado em meio a fungadas e murmúrios chorosos. Ciel parado ao pé de sua cama, vestia uma blusa comprida e uma bermuda curta, chorava mesmo que tentasse esconder as lágrimas. Sebastian piscou, ele não queria, mas ele registrou como Ciel ficava lindo, em todas as situações, até mesmo chorando. Por mais melancólica que fosse a cena, ainda assim era de uma beleza suprema.
–Podemos conversar agora? Se você quiser... – Ciel disse baixinho e Sebastian concordou com a cabeça, chamando o menino com a mão para que este sentasse na cama, ao seu lado, Sebastian optou por também ficar sentado, escorado na cabeceira.
–Me desculpe pelo modo como agi hoje, mais cedo... — o menino fungou mais uma vez. -Eu não quero de modo algum ser um fardo para você.
–Você não é! -Sebastian soltou rápido, assustando o outro. – Ciel, você não é um fardo para mim... -acariciou o rosto do menino, mesmo que sentisse que não deveria. -Você é o filho de meu irmão, meu sobrinho e minha única família. -suspirou, Ciel o olhava atento, os olhos agora bicolores fixos em nele, e o peso deles era imenso. -Eu quero que sejamos uma família, eu e você, quero que saiba que pode contar comigo e quero que saiba que mesmo que eu pareça alguém distante e que não se importa com os outros. — Ciel deitou o rosto na mão de Sebastian, apreciando o carinho terno. — Eu me importo com você, minha maior preocupação é o seu bem-estar. — Sebastian escorregou lentamente pela cama, deitando-se novamente nesta, trazendo Ciel junto para que este deitasse ao seu lado, Ciel virado para fora da cama e Sebastian atrás dele e mesmo que sua vontade fosse de abraçar o garoto ele não o fez.
–Então por quê? — Ciel começou, falando tão baixo que Sebastian teve que fazer força para ouvir. -Porque nunca foi me visitar? Porque nunca foi nos meus aniversários? Ou me levar presentes de natal?
–Seu pai não queria que fôssemos próximos Ciel. -Sebastian falou magoado pelas lembranças em sua mente que nunca o abandonavam.
–Mas por quê? O que aconteceu? -o menino curioso perguntava.
–É complicado, Ciel, é coisa de adulto. -Sebastian ficou chocado ao notar Ciel se aproximar de si, as costas do menino tocando em seu peito. -Ele tinha seus motivos. -Sebastian engasgou ao perceber que Ciel pegara o seu braço e o colocava sobre a sua cintura.
–Tio Sebastian, você me conta quando eu crescer? -a voz não passava de um sussurro, Ciel também estava cansado, tudo que ele mais queria era ser abraçado e aninhado.
–Claro que conto. — era mentira, Sebastian nunca contaria.
–Sua cama é mais confortável que a minha... -a voz sonolenta soou e não demorou muito pra que ambos se encontrassem no mundo dos sonhos.
E Sebastian sonhou....
“Estava de volta aos seus 10 ou 11 anos, deitado sozinho na parte de baixo do beliche.
– Vincent...?-Ele chamou baixinho.
–O que é, Sebastian? – O garoto respondeu da parte de cima. – Estou com sono...
– Não consigo dormir... desce e fica comigo? – Sebastian disse hesitante.
– Você ainda é um bebê, Sebastian? – Vincent disse rindo mas se levantou e desceu do beliche. – O bicho papão vai te pegar?
– Não é isso... estou com frio... – Sebastian disse envergonhado – deita aqui pra ficar quentinho...
– Sei... – Vincent riu alegre – Frio... você é um medroso, isso sim. Mas tudo bem. Amanhã vou querer metade da sua sobremesa por isso, viu?-ele ameaçou, levantado a coberta e entrando debaixo dela com seu irmão.
Sebastian sorriu, Vincent ia ficar com metade de sua sobremesa, nunca ela toda. Assim era Vincent. Apesar de zombar um pouco e fingir que ia cobrar um preço ele fazia o que o irmão queria. Sebastian se aninhou ao irmão sentindo o calor doce dele se espalhar pelos lençóis antes frios. Não dormiu... ao invés disso ficou observando Vincent dormir.
Fechou os olhos feliz. Era tão bom ter Vincent ali junto dele...
Mas em seguida ele abriu os olhos e percebeu que o ambiente havia mudado, eles estavam em uma enorme cama de casal ainda confuso Sebastian ouviu a voz furiosa de Vincent:
– Eu não quero vê-lo! Esqueça que já fui seu irmão! – Vincent estava na cama e o empurrava com violência, saindo dela e dando passos para trás.
– V-Vincent...?! Eu... eu não fiz nada...! Não me abandone! Por favor! – Sebastian gemeu à beira das lágrimas.
– Sebastian!!! Não o toque!!! Não toque o meu filho!!! – Vincent gritou antes de desaparecer e então Sebastian notou.
Na cama com ele, aninhado aonde Vincent estava a um momento atrás estava Ciel!
A boca de Sebastian se abriu mas seu grito morreu na garganta. Ciel estava lá, tão perto, tão lindo, inocente. O menino abriu os imensos olhos azuis e sussurrou:
– Estou com frio, tio Sebastian... deita aqui pra ficar quentinho... "
Sebastian acordou sobressaltado, ensopado de suor, o grito estrangulado em sua garganta. Durante alguns longos momentos ele ficou ali arfando, separando sonho de realidade, piscando para espantar as imagens que o atormentavam.
Momentos depois quando sua respiração já havia se acalmado ele notou que Ciel realmente estava em sua cama.
O menino dormia, graças aos céus ele não havia acordado. Seria muito embaraçoso dizer o porquê de ter acordado tão assustado. Não queria ter de contar o pesadelo.
Ciel estava deitado de frente para Sebastian, os cabelos daquela cor escura e única caídos sobre o rosto sereno. O mais velho ficou ali olhando seu sobrinho e então fez menção de se levantar. Só então notou a mão de Ciel segurando firmemente a sua camisa.
– Pai.... – Ciel sussurrou sonhando. — Não me deixa... não vai embora... estou sozinho...
Aquilo doeu em Sebastian. Ele se reclinou, apoiando a cabeça no braço e estreitou Ciel contra o peito levemente.
– Durma, Ciel... você não está sozinho... – acariciou a cabeça do menino com carinho e depositou um pequeno beijo nos cabelos macios – eu estou aqui com você... eu não vou te fazer mal... – essa última parte Sebastian disse como para si mesmo. – eu juro que eu nunca irei lhe fazer mal.
***
Deixei que Meirin, minha secretária, cuidasse de detalhes dolorosos, eu não tinha forças para cuidar das coisas sozinho, precisava alugar ou vender a casa de meu irmão, ou apenas a manter fechada e intocada, optei pela terceira opção, não queria ninguém mexendo nas coisas de Vincent ou vivendo em sua casa, mas também não conseguia entrar lá, Meirin trouxe todas as roupas de Ciel para nossa casa e os seus pertences de uso escolar, Ciel esteve longe da escola por mais de um mês, estava de férias quando ocorreu o acidente, mas estas já tinham acabado, no entanto ele se recusava a voltar para a escola com um tapa olho e gesso, eu também não sentia a mínima vontade de o forçar a nada.
Mas agora sem o curativo no olho e com o fim de suas sessões de fisioterapia não havia mais desculpas. Estávamos na quinta-feira quando fomos a consulta com oftalmologista e na segunda seguinte ele voltaria para a Weston college para meninos, uma das escolas mais conceituadas da grande Inglaterra.
O final de semana foi de um clima ameno, percebi que meu sobrinho precisava de mais contato, de mais atenção, não só a suas necessidades físicas... ele precisava se sentir seguro e amado. Se era difícil para mim o ter em meus braços enquanto assistíamos a um filme na tarde de domingo? Era muito, o cheiro dele era doce e me enebriava, me deixava tonto e me fazia pensar em coisas estranhas, mas era agradável ao mesmo tempo, ele era pequeno e cabia em meu colo como um bebê, como eu me lembrava de o segurar quando ainda era um bebê. Mas eu não gostava de pensar nestas lembranças, convivi tão pouco com ele, e mesmo que minha vontade fosse de invadir a casa de meu irmão a cada dia quatorze de dezembro eu não o fazia, pois eu era fraco, eu temia Vincent, pois ele era meu mundo e tudo que ele dizia era lei. Hoje percebo que errei, devia ter passado por cima dos desejos de meu irmão, não ter aceitado tão facilmente que ele me afastasse de meu sobrinho, porque por mais que ele tivesse seus motivos, ainda assim eu tinha e ainda tenho a certeza de que nunca faria mal algum ao meu sobrinho.
Notas finais
E então ? Ficou bom eu espero que sim.
Comentem, por favor nos deixa muito felizes.
Bjinhos até
Chibi Lord~
Fale com o autor