Notas iniciais
Bom, acho que será uma experiência legal, já que nunca tinha experimentado fazer um yuri ^^ Boa leitura.

Como todos os dias, Júlia ia brincar com sua querida amiga Maitê. O lugar onde morava, era muito afastado da civilização, eles vivam como nos anos oitenta. Não tinham TV, nem computador. Isso evitava com que as adolescentes já parecessem adultas, maduras. Júlia era um exemplo disso, tinha cabelos louros, usava vestidos de criança, que hoje em dia não vemos adolescentes usando. Júlia não parecia ter quatorze anos, e sim onze. Já Maitê parecia mais um adulta do que uma criança, já havia morado doze anos na cidade, tinha cabelos louros como os de Júlia, parecia irmãs, até porque tinham a mesma idade. Maitê amava usar as roupas de sua mãe, que não cabiam mais nela. Enquanto estavam brincando, começaram a conversar.

– Júlia... Você já namorou? — Maitê perguntou a amiga, completamente curiosa, porque já havia namorado três vezes e achava que todas as garotas de quatorze anos já deveriam ter namorado.

– Não... Acho que nunca me apaixonei... — Júlia diz, pensando.

– Eu me apaixono até por estranhos na rua...- Maitê confessa enquanto bota uma mão no queixo. — Isso se chama paixonite...

– Eu não entendo essa "paixonite" — Júlia fala, fazendo uma careta. As duas acabam rindo e logo sentam na grama.

As duas falam sobre diversos assuntos. Maitê então, começa a falar sobre como é se apaixonar e como saber se está apaixonada, a pedido de sua amiga:

– Ah... Não tem como descrever como é se apaixonar... Mas, eu diria que é quando você quer ficar a vida inteira com aquele alguém, que você quer beijá-lo, abraçá-lo, sentir o seu calor todos os dias. Quando você confia muito nele.

As duas pararam por ali naquele assunto. Não suportavam mais falar sobre aquilo, então, já era hora do jantar e Júlia teve que se despedir de sua amiga. No jantar, ficou pensando em tudo que sua amiga havia falado a ela. Logo depois, foi dormir. Então, ela começou a pensar que, todos os dias queria se encontrar com Maitê e conversar com ela, normal até aí, mas, ela queria ser mais próxima de Maitê, beijá-la, sentir seu calor. Júlia, pensou que era apenas coisa da cabeça dela e foi dormir.

No outro dia, tudo aconteceu como normalmente acontece: tomou o café da manhã, conversou com sua família, almoçou, foi brincar com Maitê, jantou e dormiu. Porém, todos os dias pensava a mesma coisa que agora pensava antes de dormir: em Maitê, em abraçá-la antes de dormir, em dormir ao lado dela. Então, algumas semanas depois, se deu conta que estava apaixonada por Maitê.

"Eu... Não acredito nisso..." Pensava.

– Maitê...

– Sim?

– E se alguma amiga menina te dissesse que está apaixonada por você? O quê você faria? — Pergunta Júlia, inocentemente e com medo de qual seria a resposta de Maitê.

– Diria que ela é boba! Meninas não conseguem se apaixonar por meninas... É totalmente contra as leis da natureza. — Responde Maitê.

As duas continuaram a conversar. Todos os dias Júlia pensava que ela era apenas uma boba, pelo o que Maitê havia falado. Mas ela não conseguia mais segurar todo aquele amor que sentia por Maitê dentro de si. Então, ela tomou coragem, respirou fundo e quando se encontraram para brincar, soltou:

– Maitê... — Ela falou, olhando para os próprios pés — Isso pode até ser contra "as leis da natureza", mas, eu te amo...

– J-Júlia?! — Maitê diz, surpresa.

– Eu sabia que você iria reagir assim, mas não conseguia mais segurar. — Admite Júlia, botando a mão no pescoço e indo embora.

– Para falar a verdade, eu também te amo, Júlia... Só tinha medo de te falar. Mas... Eu te amo desde que conheci!

– Mas... Por que falou que era "contra as leis na natureza"? — Indaga Júlia.

– Porque eu estava com medo de você descobrir que eu gostava de você.

Depois de suas declarações, as duas se abraçaram, e uma beijou a bochecha da outra. Dias depois, sentadas no mesmo lugar que sempre iam, Maitê veio com um assunto diferente:

– Você sabe o que é sexo?

– Sei... Por quê?

– Existe entre duas mulheres? — Maitê pergunta, maliciosamente.

– Q-Que tipo de pergunta é essa?! Deve existir, é claro...

Maitê levanta e vai para cima de Júlia, logo depois a beija, deixando Júlia muito assustada com aquilo tudo.

– M-Maitê?! — Júlia gagueja, confusa.

– Calma... Um beijinho não faz mal a ninguém... Ou você não me ama? Quem se ama se beija, não é? — Diz Maitê, abusando da inocência da amiga.

– A-Acho que sim... Deve ser. — Diz Júlia, continuando o beijo logo em seguida.

Elas pararam por ali, até porque não sabiam como que duas mulheres faziam sexo e elas nem queriam saber ou fazer. Queriam continuar curtindo a infância delas como sempre. Mas duas continuaram a relação às escondidas, quando seus pais descobriram, ouve um grande reboliço entre os pais de Maitê e a própria Maitê, o mesmo acontecia com Júlia:

– O quê? Júlia... Como pôde... Que nojo... Agora você está impura! — Sua mãe dizia, enquanto seu pai lhe dava um sermão.

– Sabia que aquela Maitê iria te levar para o mal caminho! Mas sua mãe queria que você tivesse uma amiga... Agora você é uma desonra para a nossa família! — O pai de Júlia dizia enquanto a mãe de Júlia chorava.

– Filha... Eu, como mãe, ainda te amo. Mas... Você sabe as regras daqui, não é? Você tem que ir embora ou seremos expulsos daqui...

– Tudo bem, mãe...

As duas tinham dezesseis anos, mesmo assim, as expulsaram de casa, já que acreditavam que elas eram uma desonra para a família. As duas não se importaram com isso, continuaram a relação que tinham e andavam pela estrada, procurando sempre um emprego e uma casa para morar, e claro, tentando sempre, se livrarem do preconceito que as duas sempre sofriam quando andavam juntas de mãos dadas ou trocavam beijinhos de esquimó em público.

– Ei, para onde vamos hoje, Maitê? — Pergunta Júlia, já com dezenove anos.

– Para um lugar onde o nosso sonho de ter uma filha e uma casa pode se realizar! — Maitê fala, enquanto morde os lábios.

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