Notas iniciais
Boa leitura :) Se prepare paras notas finais >.

Era a cabeça de Louis. Onde estava o corpo?

Nana saiu corredo do elevador, ainda com aquilo na mão. Chegou até Gardenn, que me soltou. Rolei para o lado, desesperada. Brad, que estava tentando ataca-lo antes, agora se arrastava para longe, junto a mim. Quando olhei novamente, Nana estava atracada ao vampiro. A cabeça jazia ao chão. Não sabia o que fazer — se é que havia algo que eu pudesse fazer.

Olhei para Brad. Ele olhava a cena, boquiaberto.

"Ela está batendo nele?" Ele perguntou, incrédulo.

"Claro que sim! Ela é minha amiga!" Respondi.

Neste momento, os dois vampiros começaram a grunhir. Nana arranhou o rosto de Gardenn, que deu um tapa na cara dela. Os dois pareciam muito fortes. Estavam de pé, se batendo. Então, Nana grudou no pescoço dele e começou a... Chupar seu sangue?

Eu não sabia se era isso que ela estava fazendo, mas desconfiava que sim. Olhei de novo para o ruivo, ao meu lado, chorando.

Ariana era arranhada por Gardenn, enquanto também o arranhava, ainda chupando-o. Eu estava completamente amedrontada. Brad começou emitir alguns sons de dor. Sua ferida devia estar incomodando muito, novamente. Olhei à minha volta. Vi algumas pedras grandes e pontiagudas. Porém, como acertaria ele sem errar e acabar jogando a pedra em Nana? Eu não poderia me aproximar, pois, se ele me alcançasse, poderia me usar de vítima contra ela. Tive que me conter, ficar parada.

A fumaça ainda vinha do poço do elevador. O que Nana fizera? Assistir àquilo era insuportável! Além de nunca ter visto Nana de um jeito tão horrendo, o medo era inevitável.

Em algum momento, Gardenn conseguiu removê-la de seu pescoço, empurrando-a. Brad e eu já estávamos bem longe deles, é claro.

Ouvi-la gritar ao ser acertada no rosto. Gardenn se aproximou e segurou firme os braços dela, levantando-a. De súbito, agarrei a primeira pedra que vi. O problema era que Gardenn estava de frente para mim. Eu nunca conseguiria acerta-lo! Como poderia ficar ali, parada?

Então, algo muito inesperado aconteceu: Nana chutou o peito de Gardenn. Não foi um chute qualquer. Ele soltou-a, sem querer, e caiu para trás, para a beirada da montanha. Ao ver que ele poderia se recompor, Ariana foi até ele e o empurrou para a morte certa.

Essa foi uma das piores cenas que já presenciei na vida.

Lá estava a garota que eu amava, e que me amava, transformada em assassina samguinária. Ela respirava, cheia de dificuldade. Notei que a pedra ainda estava na minha mão, e que eu a apertava entre os dedos. Não conseguia me mover direito, apenas tremia muito.

Ela ficou alguns minutos olhando para frente, tentando se recompor. Então, virou-se para mim. Involuntariamente, dei um passo para trás. Sua boca e seu queixo estavam cheios de sangue. Seus dentes não estavam mais à mostra, nem suas pupilas, dilatadas. Tirando todo o sangue e a sujeira, ela parecia uma adolescente normal.

Ao ver minha reação, Nana levantou a camisola e limpou a boca. Não que o pano estivesse muito mais limpo, mas adiantou muito. Aos poucos, ela foi se aproximando de mim. Quando chegou a cerca de um metro de distância, falou:

"Precisamos descer. Preciso queimá-lo, também. Garantir que ele não fará mais nenhum mal."

"O que você fez?" Perguntei.

"Vi seu isqueiro caído no chão, no andar de baixo. Achei que fosse querê-lo de volta." Ela estendeu a mão e me entregou o objeto metálico "Usei-o para queimar o outro."

Ela disse as últimas palavras com naturalidade. Foi algo realmente estranho.

"Essa sou eu agora, Miss." Ela sussurrou "Sinto muito. A transformação está quase completa. Precisamos ir."

Senti meu coração doer, uma dor forte e arrebatadora. Ela estava certa. Eu fui ingênua e burra demais. Sempre fui.

Nana olhou por cima de meu ombro, além de mim. Lembrei-me da presença de Brad.

"Brad..." Tentei falar algo, mas era muito difícil.

"Vocês vão descer por aqui, comigo. Não sei como abrir lá embaixo." "Como vai nos levar?" Brad quis saber. Percebi que ele estava muito nervoso e assustado.

"Nas costas." Ela falou. "Não se preocupe, eu sou forte."

Brad foi o primeiro a descer. Demorou muito até que ela o deixasse lá embaixo. Durante o tempo que esperei, chorei muito. Senti o cheiro de fumaça, de onde eu estava. Entregara meu isqueiro a ela. Quem sabe quanto tempo Gardenn permaneceria desacordado? Além de deixar Brad lá embaixo, Nana chupou o veneno de sua perna.

Esperei, abraçando minhas pernas. Eu não sentia frio na pele, apenas no peito. O que acontecera?

Minha melhor amiga morrera, voltara e tudo fora arruinado.

Não existia felicidade, justiça?

Quando minha cabeça já latejava de tanto chorar, Nana reapareceu. Levantei-me, sentindo meus ossos protestarem. Subi nas costas da minha menina, impedindo as lágrimas de continuarem a descer.

O percurso até embaixo foi longo e acidentado. Não que Nana tivesse me deixado quase cair ou algo assim, mas percebi que havia uma grande dificuldade naquela caminhada.

Várias vezes durante o percurso e o tempo que esperei, senti que, na verdade, minha melhor amiga não existia mais. A Ariana de sempre, o amor da minha vida, se fora.

O corpo de Gardenn queimava intensamente quando desci das costas de Nana. Brad estava num canto, encarando fixamente o chão. Olhei para Nana, esperando que dissesse algo, e ela disse.

"Os policiais vão enxergar essa fumaça e vão resgatar vocês dois. Não se preocupem, após queimar, os corpos viram poeira."

Não falei nada. Mais alguns minutos se passaram. Sentia meu coração apertado.

"Misty Daves." Finalmente, Nana murmurou. "Sou grata a você por todo o amor que me forneceu. Não sei como posso agradecer. Desculpe-me por ter me transformado nisso. Saiba que estou lutando contra a aberração, dentro de mim, mas..." Ela sorriu, levemente. "Acho que até você concorda que é hora de eu, finalmente, partir."

Não pude conter minhas lágrimas. Abri minha boca, de leve. Pensei em um turbilhão de coisas para dizer. Entretanto, antes de falar qualquer uma delas, assenti. Concordei. Era verdade. Até eu senti que ela deveria partir.

"Eu amo você. É claro que você sabe disso." Respirei fundo. O choro me fazia gaguejar e enrolar as palavras. "Não se desculpe por eles. Pode ir" solucei "mas tenha em mente que eu nunca poderei agradecer pelo tanto que lutou por mim."

Sem conseguir me aguentar, abracei Nana, por mais emporcalhada que ela estivesse. Dane-se.

O que aconteceu depois desses momentos, pode ser descrito em poucas palavras:

Nana pediu-me o isqueiro, como um presente. Não precisei perguntar o motivo. Já a conhecia bem o bastante para imginar seus planos. Ela subiu de volta ao topo da rocha. Lá, deve ter entrado novamente na montanha, para queimar o covil nojento dos vampiros e, claro, a si mesma.

Esses pensamentos me perturbaram por noites horrendas, após o resgate de Brad e de mim.

Não soube direito o que pensar ao perceber como, após aquela noite, Brad e eu nos tornamos amigos. Havíamos algo a compartilhar. Mais que isso, precisávamos apoiar um ao outro. Apenas nós dois sabíamos a verdade — eu contara desde o início a ele. Viramos companheiros, de verdade, nos guiando e seguindo em frente. Arranjar forças foi difícil, mas sabia que era isso que ela queria... Que vivêssemos, afinal.

Nana se foi. De vez. Ela se sacrificou, o tempo todo, pelo meu bem-estar. Nosso amor foi eterno. Não precisava dela viva para ter isso em mente. Todas as palavras que trocamos, as carícias, os olhares e os sentimentos, foram suficientes para nos provar isso. Eu a amei, como nunca mais fiz. Não que eu amasse menos a pessoa com quem me casei, mas nosso amor foi puro. Foi a maior amizade que já tive. Isso, ninguém vai superar.

Notas finais
Olá, leitoreeeeees! Sim, esse foi o ÚLTIMO CAPÍTULO! Com exceção de um epílogo que pretendo lançar em algumas horas ;) Agradeço muito a todos que leram, gostaram, favoritaram, recomendaram! Obrigada, de verdade! Espero que tenham apreciado a história! Amo vocês, meus leitores lindos! A Miss fica feliz por terem acompanhado a história dela. Nos vemos no epílogo o/