Minha luz
1 Capítulo Único
Notas iniciais
Os campos eram agraciados pelo vento gelado da noite, balançando os enormes caules na imensidão verde e dourada.
Midoriya se sentia um pouco nervoso pela mensagem recebida de Todoroki para encontrá-lo ali em tal horário. Era um lugar importante para os dois, aonde recebeu o pedido de namoro em um dia quente e ensolarado do rapaz bicolor. Aquecia-lhe o peito somente de lembrar o sorriso de Shouto nesse dia em meio aos amarelos dos girassóis.
Mas agora se via preocupado, tendo grande parte da visão tapada devido às flores altas e diversas à espera da chegada do outro.
O vento uivava em seu ouvido num zumbido constante, não sabendo discernir o que era somente o movimento das belas flores amarelas ou algo talvez se aproximando.
Olhou pela sétima vez a hora no celular, checando por mensagens ou ligações ao verificar que estava com sinal mesmo estando afastado da civilização. Ele deveria estar um pouco atrasado, só isso.
— Midoriya? — O murmurar próximo o fez ter um sobressalto, vendo sair por entre algumas flores a figura mais alta. — Desculpe a demora.
— Está tudo bem, Todoroki-kun. — Izuku sorriu ao gesticular as mãos rapidamente, notando de imediato a feição alheia estar cabisbaixa. — Você... O que foi? — perguntou, olhando-o com os orbes verdes grandes a esboçar seu receio de algo ruim.
— Visitei minha mãe hoje. — O crispar de lábios de Todoroki foi automático, vacilando em manter uma face impassível.
Não precisava de explicações do que aconteceu no hospital entre os dois para compreender os pensamentos e a dor oculta naqueles olhos que enxergava perfeitamente como uma água cristalina no verão reluzido pelos raios quentes.
E somente essa frase para Midoriya fora o suficiente para entender tudo o que deveria estar se passando na cabeça do namorado. Ainda era difícil para Shouto lidar em como as coisas estavam indo com sua mãe e a relação constantemente conturbada com o pai.
Internamente, negava-o até o último resquício de seu ser, assim como tudo que lembrava ele. Izuku já o dissera que isso não era necessário, que ele era si próprio e não seu progenitor, não deveria achar que era espelhado na figura paterna de nenhuma maneira. Era difícil conseguir colocar isso na cabeça e seguir à risca, e tentava dia após dia apoiá-lo nesses altos e baixos que o via enfrentar em silêncio e jeito reservado de praxe.
Infelizmente, sabia que não existia resposta milagrosa ou um algo que o faria mudar de um dia para o outro, e assim, via-se ali com ele, em meio ao campo finito de girassóis.
Soube que a linguagem de seus corpos foi o suficiente quando viu Todoroki se aproximar de si, abraçando-o de maneira forte ao sentir a cintura ser trazida pelas mãos frias. Izuku passou seus braços ao redor da cabeça do maior, deixando Shouto repousar o rosto em seu ombro escondendo-o por consequência.
"Está tudo bem" era o sussurrar frequente da voz calma e baixa de Midoriya enquanto seus dedos acariciavam os fios distintos com ternura.
Assim como as flores amarelas cercando os dois adolescentes no vasto campo, ambos tinham suas semelhanças com elas ali. Dizem que os girassóis seguem a luz do sol durante todo o dia, acompanhando de seu calor e ganhando vida e mais cor com a estrela ao alto.
E quando essa luz some, como naquele momento? Todoroki se via apagado. Mas os que poucos sabiam eram que os girassóis continuavam recebendo energia e luz mesmo sem um sol.
E era isso o que Izuku estava a ser para o bicolor. Quando a bela flor amarela tinha forças o suficiente, ela se curvava diante da outra que precisava dessa carga e a mantinha forte. Viva.
Era uma cumplicidade simples e especial que existiam somente entre eles, nutrindo uma harmonia única. Poderia não ser naquela noite, mas o momento que Shouto iria se curvar junto a Izuku e não só receber, outrossim, a partilhar dessa luz, iria chegar.
Porém, por ora Todoroki tinha sua luz nessas noites sombrias e frias para mantê-lo bem.
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