Minha luz
11 Distant
Notas iniciais
Marina sorriu. Ouviu a voz de um menino rindo no jardim e deduziu quem era. Mas da mesma forma que um sorriso invadiu seu rosto, ele desapareceu.
– O que foi? – Clara perguntou, preocupada com a mudança repentina de expressão na fotografa.
– Clara, o Ivan não pode me ver assim! Me ajuda! – Marina saltou da cama e correu para o closet.
Clara foi ao auxilio dela e entendeu a preocupação. Se o menino visse todos àqueles machucados, iria fazer perguntas. Por mais que Marina tivesse a tranquilizado quanto a tudo que tinha acontecido, estava se sentindo completamente culpada por tudo. Marina estava ferida, havia se machucado para defendê-la. Cadu pagaria por tudo aquilo.
Olhou para a amada que estava desesperada procurando alguma roupa que escondesse os curativos que tinha no braço. Aproximou-se das roupas dela e escolheu uma camisa larga que ia até metade da coxa, de manga comprida, na cor verde e entregou para ela, sorrindo. A viu se trocar ali mesmo, na sua frente, e se permitiu admirar a mulher à sua frente. Cruzou os braços na altura do peito, trocou o peso de um pé para o outro e ficou observando a silhueta da fotografa, enquanto ela se vestia. Estava usando uma lingerie preta que se destacava na pele branca. Clara achava quase um pecado ela ser tão linda.
Quando pensamentos eróticos começaram a lhe invadir a mente, logo tratou de afastá-los com um balançar de cabeça, uma ação que Marina achou graça.
– Está pensando em mim? – Perguntou com um sorriso de canto, a encarando, enquanto começava a abotoar a camisa bem devagar, de baixo para cima.
Clara se aproximou dela e terminou de abotoar a camisa, deixando os 3 últimos botões abertos. Deslizou as mãos pelo colo dela, pela clavícula e foi subindo até o pescoço e chegar na nuca. No meio desse processo, deu um passo à frente colando seus corpos e aproximando o rosto do dela.
– Eu sempre estou pensando em você. – Aproximou os lábios, apenas encostando, compartilhando o mesmo oxigênio que ela. Manteve uma mão na nuca dela e a outra acariciava seu rosto. – Marina, eu estou me sentindo tão mal pelo que aconteceu. Pelo que “ele” fez com você. – Se recusava a falar o nome de Cadu.
– Se você for parar pra pensar, a culpa inteira disso é minha. – Forçou um sorriso. Ainda se lembrava da conversa que tinha com Cadu e aquilo a deprimia. – Eu invadi a vida de vocês. – E se apressou em continuar quando Clara quis interrompê-la. – Invadi sim, Clara. Quando te vi na exposição senti uma atração súbita por você e quis a todo custo me aproximar. Confesso que não me preocupava se eu iria atrapalhar seu casamento porque tudo o que eu queria era você. Mas com o passar do tempo eu fui sendo preenchida por esse sentimento de uma forma tão grande e intensa que eu passei a me sentir mal com tudo o que eu estava fazendo. Me sentia mal pelo Ivan e pelo... Cadu, também. Eu estava roubando a mulher da vida deles. O Cadu me disse que eu estava destruindo uma família, a família dele e isso mexeu comigo. – Sentiu os olhos marejarem e suspirou, passando os dois braços ao redor da cintura dela, a abraçando com força. – Mas esse sentimento não está mais cabendo em mim, Clara. Até uns meses atrás eu vivia uma vida muito agitada. Viagens, exposições, festas deslumbrantes, ficando com muitas mulheres. E daí você apareceu e colocou meus pés no chão. Você era quem eu estava esperando, era quem colocaria a roda nos eixos. E com esse amor sendo correspondido, eu não vou te deixar escapar.
A dona de casa não percebeu, mas estava chorando. Marina estava desabafando com ela, mas também estava fazendo uma declaração. A abraçou pelo pescoço e colou seus lábios no dela, num beijo calmo e carregado de amor. Marina se tornou um divisor de águas em sua vida, separando completamente sua existência na Terra. Quando conheceu Cadu, eram jovens e se apaixonaram logo. Como vivia numa família sonhadora, onde as mulheres sempre buscavam o “príncipe encantado” e a tão aguardada felicidade, aceitou se casar com ele. Tudo o que trazia de bom do que teve com Cadu foi o nascimento de Ivan. O filho era, e será para sempre, o maior e melhor presente que já recebeu na vida. Mas não poderia negar a importância de ter conhecido Marina. Se redescobriu como mulher de uma tal forma, que nem se lembrava mais de como se vestia, como se maquiava, antes de conhece-la. Marina a ajudou a enxergar a mulher que havia dentro dela. E Marina lhe ensinou que nunca era tarde para se apaixonar. Para amar de novo.
A vendo ali na sua frente a abraçando e a beijando, pensou que o destino de ambas já estava escrito nas estrelas. “Se você não viesse a minha procura, eu com certeza iria a sua.”, pensou Clara.
– Eu não me arrependo nem por um segundo se quer em ter te conhecido, Marina. – Sorriu para ela. – Da mesma forma que eu mudei sua vida, você também mudou a minha. E agora o caminho não tem mais volta. – Segurou o rosto delas com as duas mãos, beijou os lábios dela rapidamente e se afastou para vê-la. Ela estava com a camisa que havia escolhido e um shortinho preto, bem folgado, que ia até metade da coxa, então também escondia os curativos da coxa. Apesar de tudo, ela estava linda.
– Agora.. – Marina se virou para o espelho do closet. – Tenho que dar um jeito nesse machucado. – Falou, tocando de leve no canto da boca. Resolveu passar um batom vermelho para disfarçar. Se virou para Clara. – O que você acha?
– Linda. Você é linda de qualquer jeito. – Falou, vendo um maravilhoso sorriso brotar nos lábios da fotografa. – Agora vamos ver o Ivan!
Desceram as escadas de mãos dadas, até o jardim. Encontraram o menino correndo com o enorme labrador. Quando Ivan as viu, correu até elas.
– Marina! – Se atirou nela, a abraçando, que não percebeu a cara de dor que ela fez pelos braços doloridos.
– Como você está, lindo? – Perguntou, sorrindo.
– Bem! – Sorria para ela. – Você tem um cachorro muito legal! – Falou, observando o cachorro que não parava de correr pelo jardim. – Como é o nome dele?
– Sabe que eu não sei. – Respondeu, pensativa. – É que ele é do meu pai, mas eu sinceramente não sei o nome dele. Quer escolher o nome? – Disse para o menino.
– Eu?! – Os olhos dele brilharam com a ideia. – Sério?!
– Claro!
– Marina, tem certeza? Você não falou que o cachorro é do seu pai?
– É, mas ele nunca vem aqui, e quando vem.. – Olhou para Clara e sussurrou apenas para ela. — você sabe, né? – Virou de novo para Ivan. – Pode escolher o nome que quiser! Mando até fazer uma coleira com o nome que você escolher!
Ivan ficou encantado com a possibilidade. Poder escolher o nome era quase como dizer que o cachorro era seu.
– Hum... – Ponderou por um momento. – Já sei! Que tal “Dug”?
– Dug? – Clara ficou confusa, perguntando de onde o filho tinha tirado aquele nome.
– Daquele desenho da Disney, UP? – Marina ficou encantada com o nome escolhido.
– Sim! Viu, mãe, a Marina sabe mais das coisas que a senhora.
– Que isso? Complô? – Falou, fingindo estar indignada, fazendo Marina e Ivan rirem.
– Então vai ser Dug! — Comemorou o pequeno.
– Eu estou chocada que você não conheça esse filme, Clarinha. – Marina disse, próxima a ela enquanto via Ivan se afastar correndo atrás do cachorro. Se aproximou para beijar a amada, mas percebeu que o menino se aproximava delas de novo.
– Marina, a gente pode usar sua piscina?
– Claro que pode!
– Ivan, eu não trouxe roupa de banho pra você! – Clara explicou, deixando o menino triste.
– Que isso, Clara. Deixa ele nadar de bermuda que eu tenho umas roupas que podem servir nele no estúdio que ele pode usar.
– Tem certeza?
– Claro! – Estava radiante por cogitar passar aquela tarde inteira com Clara e Ivan.
– Mas voce nao tem só roupas de mulheres, Marina? — Perguntou Ivan, fazendo uma careta.
– Já fotografei muitos meninos da sua idade. — Explicou, sempre com um sorriso no rosto. — Tenho roupa pra quase todas as idades no meu estúdio!
– Bom, então tudo bem, né?
Nesse momento, Ivan não perdeu tempo. Tirou a blusa que usava, junto com os tênis, fazendo um rastro com eles até a piscina, e pulou.
– Tem problema ele nadar assim, sem bóia? — Marina falou, preocupada.
– Não. — Clara achava uma graça a preocupação dela e respondeu com carinho. — Ele sabe nadar e já é bem grandinho.
Logo perceberam que Dug havia parado de "perseguir esquilos", como Marina dizia que ele fazia quando se entretia sozinho, e o viram correr até a piscina, pulando na mesma, logo atrás de Ivan. Clara ficou perplexa mas Marina gargalhou alto com a cena.
Passaram uma tarde agradável, os três juntos. Almoçaram na beira da piscina e depois Ivan brincava com o cachorro pelo jardim enquanto as duas permaneciam na mesa, conversando animadamente e, vez ou outra, observavam admiradas a cena do pequeno brincando com Dug.
No fim do dia, Ivan estava exausto. Sentava-se numa cadeira acolchoada, que havia no jardim, para duas pessoas ao lado de Marina. Estava encostado ao corpo dela, com a cabeça repousando em seu ombro, e quase adormecia. A fotógrafa mexia no cabelo dele, o que o deixava com mais sono. Clara estava sentada na grama, a frente da cadeira deles, e estava feliz por Ivan estar se apegando aos poucos à amada.
– Marina. — Chamou, com a voz sonolenta.
– Fale, meu anjo.
– Minha mãe vai voltar a trabalhar com você, né?
– Ah.. Eu não sei.. — Olhou para Clara e depois para ele. — Porque esta perguntando isso?
– É que minha mãe era mais feliz quando trabalhava aqui com voce.
– Sério? — Sorriu involuntariamente, olhando agora para a dona de casa, que sorriu de volta.
– É obvio.
– Se a Marina quiser, eu aceito voltar a trabalhar com ela. — Respondeu Clara, a olhando com ternura.
– Por mim, você nunca sairia daqui. – Sussurrou, sem tirar os olhos dela.
– Então você ama minha mãe, Marina?
– A.. Amar? Se eu amo, ela? – Apesar de já ter se declarado para Clara, Marina ficou desconcertada com a pergunta repentina de Ivan. – Porque está dizendo isso?
– Se você diz que por você minha mãe nunca pararia de trabalhar aqui, e sabendo que ela é feliz aqui, então é porque você ama ela. – Chegou à conclusão, como se fosse a coisa mais obvia do mundo.
Marina sorriu com a observação que ele havia feito, que não era nenhuma mentira.
– Amo sim. – Respondeu, percebendo que Clara estava sentada mais perto dela, repousando a cabeça em seu joelho.
– Minha professora diz que devemos amar nossos amigos. – Falou Ivan, quase dormindo.
– Isso é verdade. – Marina disse, percebendo que ele acabara de cair no sono. – Nossos amigos. – E olhou para Clara. — E nossos parceiros.
Clara então se pôs de joelhos, diante dela, e a beijou nos lábios com carinho. Encostou a testa na dela, depois do beijo, e suspirou.
– Se tivéssemos um limite de suspiros por vida, o meu já teria esgotado a muito tempo. – Falou baixinho, fazendo Marina rir.
– Você é linda, sabia? Linda, maravilhosa, incrível. Como vivi todo esse tempo sem você?
– Eu gosto de acreditar que nos conhecemos no momento certo. Sabe o que eu penso, Marina? – Falou, chamando toda a atenção da fotografa. – Que no dia que nos conhecemos, na sua exposição, quando nossos olhares se encontraram, um fiozinho foi colocando entre eles, os ligando. Desde então estamos conectadas. Não tem mais volta. Eu não consigo mais me livrar de você, e nem você de mim.
– E você nunca vai me deixar, né? – Marina sussurrou, quase como uma suplica, tocando o rosto da amada com a ponta do nariz.
– Nunca.
– E vocês não vão parar de falar nunca, não? Quero dormir! – Repreendeu Ivan, assustando as duas que se afastaram rápido, deitando agora a cabeça no colo da fotografa.
Apesar do susto, Clara riu em seguida com o comentário do filho.
– Então acho que já está na hora de irmos embora.
– Mas já? Não, Clara. Fiquem um pouco mais, eu levo vocês depois!
– Eu preciso ir, Marina. – E sussurrou em seguida apenas para a amada. – Eu e o Cadu vamos conversar com ele. – Apontou com a cabeça para Ivan.
– Entendi. Então eu levo vocês. Vem, pequenino. – Chamou o menino, que levantou sem reclamar e a abraçou pelo pescoço, deitado a cabeça no ombro dela. Ela sorriu com a ação dele, e o aconchegou no colo e o levou para o carro, sendo seguida por Clara que estava encantada com aquela cena.
O caminho de Santa Tereza até o Leblon seguiu tranquilamente. Ivan ia dormindo no banco de trás, enquanto Clara ia na frente, com Marina dirigindo. Como o caminho era longo, foram conversando sobre o dia que tinham passado juntos.
Vez ou outra Clara levava sua mão esquerda até a nuca de Marina e a repousava ali, ora fazendo carinho na pele macia, ora acariciando os cabelos dela. A fotografa mantinha sua total atenção na rua, mas não deixava de sorrir.
Chegando ao apartamento, Clara e Ivan se despediram de Marina de forma rápida, para evitar que Marina e Cadu se esbarrassem, já que não sabiam a hora que ele voltaria do trabalho. No entanto, o chef voltou para casa 2 horas depois de Clara e do filho. Disse a si mesmo que ficaria o máximo possível no trabalho para evitar encarar Clara durante o dia. Mas não esquecia de Ivan, e sua cabeça começava a trabalhar uma forma de ficar com Ivan depois do divórcio. Vivia uma batalha interna sobre se estava fazendo certo.
Adentrou o apartamento e encontrou Clara e Ivan sentados no sofá, abraçados, assistindo televisão. Quando o olhar de Clara e Cadu se cruzaram, ambos sabiam o que viria a seguir. Clara desligou a tv, para a tristeza do filho, e se dirigiu de forma fria ao chef.
– Cadu, precisamos conversar. Eu, você e o Ivan. – Falou, direta.
Com a declaração dada pela dona de casa e o tom de voz utilizado, Ivan ficou alerta. Sentou no sofá e começou a olhar para os pais.
– Vocês vão brigar de novo? – Perguntou, aflito.
– Não, filho. – Clara se apressou em dizer, antes de Cadu, que apenas se sentou ao lado do filho, que estava sentado entre os pais.
– O que é então?
Cadu permanecia em silêncio. Como as coisas não seriam mais como antes, ao menos tentaria fazer o problema não parecer tão grande para o filho.
– Eu e o seu pai. – A dona de casa olhou para o chef, que apenas mantinha a atenção no filho. – Não nos amamos mais, filho. A gente se gosta como amigo. – Disse, sentindo um gosto amargo na boca, pois sabia que não era verdade. Depois da atitude impensável de Cadu com Marina, se recusava a perdoar o chef.
– Vocês vão se separar, não vão? — perguntou, com um semblante visivelmente triste.
Clara olhou para Cadu na hora, buscando algum apoio no que iria dizer a seguir, mas ele estava focado no filho e não falaria com ela.
– Eu e o seu pai não nos amamos mais, filho. — Clara abraçou seu pequeno com força. — Mas eu sempre serei sua mãe e ele sempre será seu pai, viu? Isso é um posto que nunca vamos deixar.
– Mas isso quer dizer que o papai vai sair de casa? — Ivan perguntou, agora olhando para o pai.
– Sim. — Cadu respondeu com pesar. — vou ficar por um tempo no novo apartamento do Nando até encontrar um lugar pra mim. Mas quando eu comprar um apartamento, você vai morar comigo não vai, filho?
Aquela pergunta repentina para Ivan fez o estomago de Clara revirar. Cadu estava jogando sujo, e no meio daquele furacão, já começara a tirar o filho dela.
– Achei que eu ia ficar um tempo com a mamãe e depois um tempo com você. — o menino respondeu, como se aquela fosse a alternativa mais racional. Ivan estava adiando aquele momento tenso sem perceber.
– Tudo bem, depois decidimos isso. — falou, sorrindo para o filho, mas magoado por dentro.
– Nunca se esqueça que nós te amamos, meu bichinho. — Clara falou, emocionada com a aceitação de Ivan.
– Eu também amo vocês. — abraçou forte a mãe, e estendeu a mão para Cadu acompanha-los no abraço. Ele relutou um pouco, mas cedeu no final. Por um momento, haviam voltado a ser aquela família que eram. Mas apenas por um momento.
~.~
A noite correu de forma lenta.
A dona de casa estava tão surpresa com a maturidade do pequeno que precisou conversar com ele de novo, para se certificar que ele tinha entendido toda a dimensão que aquilo tomava e sobre as mudanças que ocorreriam na família deles a partir daquele momento. A resposta que ganhara de Ivan foi simples:
– Terei duas casas, não é? Dois quartos, mais brinquedos! Está tudo bem, mãe. Agora eu só quero que você e o papai sejam felizes. – Clara se surpreendeu com o filho, que agora descansava calmamente na cama. Ele estava exausto depois de um dia cansativo.
Agora Clara estava parada no batente da porta observando Cadu arrumando suas malas. Apesar da boa conversa que tiveram com Ivan, a dona de casa estava furiosa com ele, e procurava palavras para começar a possível discussão.
– Quando você vai embora? – Perguntou.
– O mais cedo possível. – Olhou para ela de relance, sem parar de colocar suas roupas nas malas, controlando sua vontade de avançar na ex-esposa. – Desculpe, Clara, mas não estou aguentando olhar pra você.
– E acha que eu estou aguentando olhar pra você? Principalmente depois de saber o que você fez com a Marina? De ter machucado ela?
– Ah, ela te ligou pra fofocar, foi? Não consegue aguentar o tranco sozinha? – Falava, com certo receio na voz, mas tentando se auto isentar da culpa.
– Fofocar? Qual o seu problema? – Não alterou a voz, mas estava furiosa. – Ela não fofocou nada, eu simplesmente fui visita-la e vi. EU VI, CADU! – Gritou com ele. – Vi o quanto ela estava machucada, com curativos nos braços e nas pernas. – Continuou, percebendo a culpa acertar o rosto dele em cheio. – E sabe o que é mais engraçado? Ela tentou proteger você. Me ligou, dizendo que eu não precisava trabalhar e que devia passar o dia com o Ivan, para não ir vê-la e ver a cagada que você fez. – Cuspia as palavras nele.
– Eu duvido que ela.. – Cadu começou, mas foi interrompido por um empurrão que Clara lhe deu, batendo as duas mãos em seu peito.
– Para de ser infantil, Cadu! Pelo amor de Deus, cresça! Nada justifica o que você fez com ela! Você achou o que? Que indo até lá ia fazer eu voltar correndo pra você e me esquecer dela? Não seja tão ingênuo, por favor. E na próxima. – Se aproxima dele, apontando o dedo em sua cara. – Se quer pagar de macho com colhões de aço, venha bater de frente comigo. Não meta a Marina nas suas crises, nunca mais. – Ameaçou, dando as costas e indo em direção ao quarto do filho.
Dormiria com o pequeno naquela noite.
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