Minha flor
1 Fleur de ma vie
Notas iniciais
Houve um tempo em que eu amava as palavras. Em outro, elas se tornaram tão detestáveis que apenas de pensar que havia as amado algum dia, o coração se contraía dentro do peito. Deixei-as de lado. Dia após dia, o que havia sido meu motivo de felicidade diária, agora era a cruz que carregava. Pensei que isso duraria para sempre... Até que algo de bom na vida apareceu para iluminar o caminho.
Ele me fez perceber que a cruz que carregava, na realidade, eram rosas cheias de espinhos. “Olhe, você está sangrando porque está segurando nos espinhos”, explicou-me ele. Daí eu fui ajudada a segurar onde havia apenas o caule e algumas pétalas caíram. Olhei para baixo, preocupada. Como sempre, ele tinha resposta para tudo: “Falta água... elas murcharam de calor e agora precisam de um ambiente tranquilo”.
Dei-me por vencida e deixei que cuidasse de mim. Porque eu precisava cuidar da rosa novamente. Não era justo que ela murchasse e eu observasse sem fazer nada. A rosa nunca tinha tido a intenção de me machucar... Apenas as circunstâncias me fizeram esquecer o modo certo de segurá-las.
Nós três nos agarramos um no outro, dependentes um do outro de um modo saudável. Eu precisava das palavras, do mesmo modo que precisava dele. E ele precisava de mim tanto quanto precisava saber que estava em paz com as palavras. Se, por vezes, me esqueço de novo de onde devo segurar para que os espinhos não me machuquem – porque, afinal, eles são necessários –, ele está lá para segurar minha mão e ajudar-me a voltar para o rumo do caule.
Sou especialista em palavras. E ele é especialista em cuidar de mim. Por isso, cuido dele também.
Jamais gostei de ser chamada de “minha flor”, mas vindo dele... É como ouvir anjos cantando.
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