Notas iniciais
Mais um capítulo, espero que gostem e não deixem de comentar.

Minha respiração estava desregulada, meu peito subia e descia descontroladamente, meu coração palpitava rápido, de maneira anormal, meus olhos teimavam em permanecer abertos devido ao cansaço, meu rosto estava banhado por lágrimas, gotas de suor brotavam de minha testa e todo o meu corpo doía, mas isso nem ao menos parecia importar, pois em meus braços eu ainda tinha o meu novo motivo para continuar viva, um bebê, ele se remexia em sua manta, esticando seus pequenos braços, eu o apertava contra o meu peito, reunindo todas as minhas forcas para mantê-lo próximo a mim enquanto fitava parado a porta Gastón. Sua expressão era terrível, de puro ódio, de rancor, algumas lágrimas caiam de sues olhos enquanto ele me olhava. Madame Marta e Adeline pareciam petrificadas com a sua presença ali, ninguém parecia expressar sinal de vida.

–Você teve um filho com ele? – ele praticamente gritou enquanto meu bebê se remexeu e iniciou seu choro. – Como pode Bela?

Eu não respondi, apenas o olhei, nem mesmo sabia o que dizer, entendia seus sentimentos, deveríamos estar casados agora, aquele filho deveria ser dele e não de Adam. Abaixei a cabeça e olhei para o meu bebê, tentando acalma-lo. Gastón se aproximou, Madame Marta e Adeline tentaram impedi-lo, mas suas tentativas foram falhas.

–Como Bela? – ele perguntou, revelando em sua voz toda a mágoa que sentia, ele arrancou meu bebê de meus braços, eu tentei impedi-lo, mas estava fraca, minha tentativa foi inútil.

–Me devolve... Por favor... Não o machuque... – eu falava enquanto as lágrimas caiam descontroladamente.

–Um menino... – ele falou enquanto segurava meu filho. – eu sempre quis ter um filho, você sabe disso, sonhava em ensina-lo tudo que sei, queria que ele fosse como eu... Por que acabou com tudo Bela?

–Gastón você ainda pode ter tudo isso... Só me entregue ele. – eu pedi estendendo os braços. – Por favor.

–Tem razão... Eu ainda posso. – ele disse. – Sempre quis um filho seu então estou disposto a perdoa-la... Iremos cria-lo, e logo teremos os nossos filhos. – ele mantinha em seu rosto uma expressão maravilhada. – Mas antes... Tenho que matar seu noivo relutante.

–Não ouse machucá-lo Gastón. – eu falei perdendo todo o meu controle. – se você fizer algo contra mim... Ou contra meu filho... Adam vai matá-lo.

–Não se ele morrer primeiro. – ele falou rindo.

–Eu lhe garanto que isso não vai acontecer. – Adam disse enquanto se aproximava com sua espada em mãos e uma expressão nada agradável. – Me devolva ele agora.

Com certa dificuldade me levantei de minha cama, a dor foi alucinante, meu corpo inteiro parecia ter sido torturado, levei a mão ao ventre e caminhei, mesmo que com dificuldade, em direção a Adam, meu coração ainda palpitava e minhas mãos tremiam, meu estado era deplorável, mas ainda assim eu precisava ser forte, precisava ser forte para a única coisa que realmente me importava meu filho.

–Gastón... – eu o chamei com a voz levemente embargada pelo choro. – Gastón, por favor... Devolva-me meu filho. – ele olhou para o pequeno embrulho em seus braços, meu filho se movia, inquieto, estendi minha mão. – Por favor...

–Se eu o fizer... – ele falou como se pensasse. – viverás com ele... Vocês serão felizes... E eu?

–Você poderá encontrar a sua felicidade.

Gastón me olhou demoradamente, as lágrimas escorriam de meus olhos, molhando minhas bochechas, eu implorava silenciosamente pelo meu bebê, ele estendeu meu filho em minha direção, iria me devolver meu único tesouro.

–Não faca isso! – alguém apareceu à porta, sua voz logo me atingiu, como uma flecha. – Como podes deixar que eles sejam felizes.

–Não a escute... – eu falei. – sabes que estou certa?

–Isso Gastón... – ela falou debochada. – Não escute sua mãe, aquela que o consolou quando esta maldita desgraçou a nossa família.

Adam permanecia parado a meu lado, uma de suas mãos segurava sua espada, a mesma que ele usará quando me salvara dos lobos, a outra ele conservava envolta de minha cintura, sustentando todo o meu corpo, que lutava para se manter de pé. Gastón estava confuso, não sabia a quem atender, ele olhava para mim e para ela desesperado, como se apenas buscasse por alguma resposta.

–Eu não... – ele falava com algumas lágrimas aos olhos. – Não sei... – Ele não conseguiu completar sua frase, um tiro pode ser ouvido do outro lado do quarto, Adam colocou seus braços em minha volta me protegendo, enquanto a mãe de Gastón tirava meu filho de seus braços e fugia com o mesmo deixando o corpo de seu filho no chão, do outro lado da porta, meu pai estava segurando sua antiga pistola, assim que a mãe de Gastón saiu, ele a seguiu como se a esperasse.

–Gastón! – eu gritei aflita, postando-me lentamente ao seu lado, tentando conter o sangramento. – Por favor... Por favor, não morra, eu imploro não morra.

Ele me olhava, seu olhar era vago, perdido, ele havia levado um tiro no peito, até eu sabia que ele não teria muitos minutos de vida, minhas lágrimas caiam de meu rosto, eu chorava desesperada.

–Eu sinto... Bela... Sinto... – ele falou com dificuldade, eu o silenciei com o dedo.

–Shh... – falei tentando acalmá-lo. -Não precisa...

–Sinto pelo que fiz, quero que sejas feliz... Mesmo que nunca tenha sido comigo, que não tenha sido a meu lado. – uma lágrima escapou de seus olhos, eu beijei o topo de sua cabeça. – Eu a amo. – então ele fechou seus olhos, selando-os para sempre, ele havia morrido.

Adam se moveu logo atrás de mim, eu o olhei curiosa, o que ele pretendia fazer.

–Aonde vais? – eu o perguntei limpando as lágrimas de meus olhos.

–Apenas salvar nosso bebê... – ele disse e saiu do quarto, mas dessa vez ele não levou nenhuma arma e nem mesmo saiu do quarto como o meu príncipe, mas sim como um enorme lobo cinzento, sedento de sangue, eu sabia que logo ele voltaria com o nosso filho em mãos.

Notas finais
Então??