Notas iniciais
Mais um capítulo, eu queria agradecer a todos os meus leitores, tanto para aqueles que não deixam de comentar, como para meus leitores fantasmas. Continuem comentando e espero que gostem, tambem estou precisando de algumas ideias para o proximo capitulo, se alguem pensar em algo, pode me avisar.

Fechei os olhos, fechei os olhos e ouvi os ruídos que se manifestavam ao meu redor, pude ouvir o barulho do vento, agindo sob as árvores retorcidas, praticamente sem folhas devido ao clima ameno, os animais não se manifestavam o que tornava o bosque ao redor do palácio, algo silencioso, tranquilo. O sol estava oculto por uma densa camada de nuvens, algo comum no inverno, o que resultava em um dia nublado, nublado e frio, eu já havia me acostumado. Enquanto caminhava por entre os jardins do palácio a barra de meu vestido de seda tornava-se molhada, eu nem ao menos me importava, apenas continuava caminhando, pensando em minhas possibilidades. Eu me encontrava envolta por vários casacos de pele, a fim de me proteger, apanhava flores, mais precisamente rosas, Adam havia as plantado desde que descobrira a minha preferência.

Havia se passado alguns dias desde o ocorrido, as feridas em minhas costas estavam cicatrizadas, tudo relacionado aquela noite ainda parecia estar vivo em mim, o medo, a dor, o chicote cortando minha pele nua, os comentários, as risadas, as pessoas apontando seus dedos e me encarando, como se me punissem, como se desaprovassem, o cheiro das tochas acesas, apenas é claro, para chamar a atenção de todos que veriam a minha tortura. Abracei meu corpo como se buscasse um pouco de conforto, carinho, eu ainda estava tão machucada, não fisicamente, mas emocionalmente, todas as vezes que lembrava de meu pai, assistindo a tudo como se eu fosse uma completa estranha, ou até mesmo, algo descartável, assim como quando lembrava que aquela pequena casa na colina, que pertencera a um inventor, que antes fora meu lar, onde eu costumava brincar e ler meus livros, servira de prisão para mim, tudo aquilo me perturbou, e seguia vivo ao meu lado.

As lágrimas logo começavam a se formar, rolando pelo meu rosto, tocando minhas bochechas rosadas, eu tentava conte-las, mesmo que minhas tentativas fossem falhas. Aquela manha, Adam havia me deixado nos jardins e seguira para cumprir suas tarefas, ele era bastante atencioso, preocupado, atento aos detalhes, ele me salvara, virara um lobo e atacara todos àqueles que me machucaram, conteve a fera, e ficou ao meu lado enquanto eu delirava de febre e gritava de dor. Eu o amava, o amava muito, a simples alternativa de nunca mais vê-lo me torturava, me matava.

–Uma moeda por seus pensamentos. – Adam perguntou parado ao longe, com suas mãos cruzadas sobre o peito, e um olhar indagador ao mesmo tempo em que adorável.

Eu sorri com sua pergunta e ele fez o mesmo, veio em minha direção e tocou levemente minha face, percorrendo a mesma com seus dedos, chegando até o antigo ferimento presente em minha testa, ele acariciou o local, assim como fez quando me salvou e em seguida beijou o topo de minha cabeça,levando-me para mais perto dele e me envolvendo com seus braços.

–Pensei que perderia você... – ele falou, pude sentir seu coração bater mais e mais rápido como se estivesse nervoso, com medo, ou até mesmo raiva. – Você não sabe o quanto tem sido horrível, à noite quando fecho meus olhos, só consigo lembrar dos seus gritos, do cheiro de sangue, você poderia ter morrido.

–Ele me soltou, ficou um pouco afastado, sua respiração estava compassada, pesada, ele tinha suas mãos no rosto, eu não conseguia entender, o que estava acontecendo com ele?

–Adam? – o chamei, me aproximando em seguida.

–Não Bela se afasta, por favor, fica longe... Eu não quero... – ele falou enquanto me afastava.

–Me machucar? – eu perguntei incrédula. – Acredite Adam, eu posso ter medo de muitas coisas, mas você não é uma delas.

Ele me olhou e depois virou um pouco o rosto, como se estivesse envergonhado, parei em frente a ele, pegando seu rosto com minhas mãos e o acariciando, com cuidado.

–Por que se esconde? – quando ele levantou seu olhar, pude ver o quanto ele estava triste. – Eu acho que já o conheço o suficiente e tenho certeza que isso é difícil para você, assim como é para mim.

–Bela... Eu já perdi tantas pessoas, meus pais, tudo, estou praticamente amaldiçoado e tudo que eu tenho é você... Não posso perder você, e quando eu a vi daquela maneira, frágil, achei que ficaria sozinho mais uma vez.

–Acontece... Que eu não permitiria. – ele sorriu minimamente.

–Conter o meu lado fera... Tem se tronado bem mais difícil... Desde que...

–Os pesadelos começaram? – eu continuei sua frase, ele me encarou confuso. – As paredes são finas... Pude ouvir você.

Ele voltou a se afastar, e eu toquei seu braço.

–Minha vida... Eu vou ajudar você... – ele enterrou a cabeça em meu ombro, como se buscasse conforto, eu sabia o quanto era difícil para Adam, ele havia ficado órfão ainda muito novo, não tivera ninguém para acolhê-lo, porque teve que assumir todo um reino, todas as suas responsabilidades.

–Não tente me enganar... Eu já conheço você o suficiente... – eu o encarei. – Sei que você também não dorme... Chama pelo seu pai a noite toda.

Passamos algum tempo abraçados, até que Adam pegou minha mão, a acariciando, com cuidado.

–Bela? – eu o encarei. – eu a amo, a amo muito, mas do que tudo e abriria mão de tudo o que tenho, apenas para ter você a meu lado... À noite, quando meus pesadelos vêm... Eu penso em você... Quero a sua companhia a sua forca, mas eu tenho notado que preciso de você ao meu lado sempre... Então... – ele se ajoelhou em minha frente, tocou minha mão, estendeu a sua e a abriu, quando fez isso, pude ver um anel, delicado, fino.

–Mas o que?

–Me daria à honra de ser... Não só a minha rainha, mas acima de tudo... A minha esposa?

Notas finais
Então??