Notas iniciais
Um novo capítulo para os amores da minha vida, queria agradecer pelos vários comentários. Esse capítulo vai mostrar mais momentos fofos entre a Bela e o Adam do que mostrar alguns fatos sobre a historia. O próximo capítulo já esta em andamento e prometo que vou postar o mais rápido possível.

Tudo estava calmo, os pássaros, do lado de fora do castelo, praticamente não emitiam nenhum ruído, o clima era bastante frio, como toda manha de inverno deveria ser, as folhas amareladas lentamente caiam das arvores retorcidas enquanto o lago, nas proximidades da propriedade, permanecia congelado, os empregados já levantavam para realizar suas funções designadas, enquanto os primeiros raios da manhã iluminavam o aposento em que eu me encontrava. Abri lentamente os olhos e encontrei ressonando tranquilamente ao meu lado, Adam, ele se encontrava sentado em uma cadeira, sua cabeça pendia para o lado, sua mão continuava segurando a minha, ele parecia temer que eu acordasse e por algum momento pensasse que estava sozinha novamente. Não conseguia parar de pensar no que quase ocorreu, eu poderia estar morta agora, ou talvez, poderia estar largada no chão de pedra da vila, ardendo em febre com minhas costas feridas devido as várias chicotadas. Aos poucos os flashes da noite passada voltavam em minha mente, lembrei-me dos comentários, das pessoas apontando perplexas para mim, como se desaprovassem minhas atitudes, lembrei-me de meu pai, que apenas assistia a tudo, lembrei-me da mãe de Gastón, com seu chicote em mãos, dilacerando a minha carne como se aquilo a divertisse, lembrei-me do próprio Gastón, que estava disposto a me ajudar, mesmo depois do que eu havia o feito passar, reconhecia meus atos e imaginava que para ele nada deveria ter sido tão fácil.

Senti Adam se remexer lentamente a meu lado e isso chamou levemente minha atenção, o fitei atentamente e pude perceber algo que na noite passada não fui capaz de notar, provavelmente devido à alta febre, seu rosto possuía algumas marcas, devia ter se machucado quando resolveu me salvar, pela brecha de sua camisa de algodão, pude ver alguns arranhões, ao redor de seus olhos pude notar profundas olheiras, isso demonstrava que sua noite não foi nem de longe uma das melhores. Eu acariciei sua mão e ele sorriu torto, ainda dormindo. Também sorri para ele, eu o amava tanto, tanto, me sentia tão bem com ele ali, me protegendo, as marcas em seu rosto permaneciam, mas isso não ofuscava sua beleza, de maneira alguma.

Permaneci assim, o contemplando por alguns minutos, até que este acordou, revelando suas belas obres verdes, ele imediatamente sorriu para mim e eu prontamente o retribui, ele afagou minha mão e me olhou com carinho, como se estivesse tranquilo, por eu estar ali, ao seu lado.

–Como se sente? – ele perguntou com a voz levemente embargada pelo sono.

–Melhor... Mas... – eu fechei os olhos e senti sua mão apertar a minha com um pouco mais de forca, como se ele tentasse indicar que estava ali, para me ajudar.

–Eu me sinto... Tão... Culpada, por tudo... – ele me fitou atentamente, senti meus olhos marejarem e uma lágrima teimou em cair, ele a secou e seus dedos afagaram minha face.

–Mas não devia... De maneira alguma... – eu me levantei um pouco e ele sentou-se ao meu lado na cama, reencostei minha cabeça em seu peito, seu coração batia calmamente. – A noite passada foi uma das piores de minha vida... Eu por um momento não soube o que fazer, fiquei parado na floresta, olhando você se afastar de mim, eu não sabia se a impedia, mas eu sentia que devia deixar você tomar suas próprias atitudes. Mas eu sentia... Que você precisava de mim, então eu fui atrás de você e... E aquilo ainda me assusta Bela... Você delirou por horas... Chamou meu nome, pediu perdão, chamou pelo seu pai, o acusou, mas eu não pude ficar ao seu lado o tempo todo, eu fiquei descontrolado e o meu lado fera... Bem pode se dizer que ele falou um pouco mais alto.

Eu afaguei seu rosto, podia ver a culpa tomar conta dele, como tomava a mim.

–Mas se eu...

–Não bela... Não quero falar sobre isso, não de novo.

Eu o abracei com mais forca e ele afagou meus cabelos, às vezes beijava o topo de minha cabeça, isso fazia eu me sentir completa. Pude ouvir algumas batidas na porta de meu quarto, Adam se levantou e logo foi abrir a porta, Burnier conversou com ele por alguns minutos, eu os fitava, não sabia do que se tratava, mas logo Adam fechou a porta e veio em minha direção.

–Tudo bem se você ficar sozinha por alguns minutos? – ele me fitava com carinho, a ideia parecia não agradá-lo, assim como não agradava a mim, mas eu estava ciente que Adam tinha suas responsabilidades.

–Tudo bem, amor, vou ficar bem.

Ele hesitou por um momento, como se temesse em me deixar só, como se sentisse que eu falava aquilo apenas para tranquiliza-lo, ele sabia que eu precisava dele, eu o olhei com carinho e fiz um leve sinal com a cabeça para que ele fosse, ele beijou o topo de minha cabeça e em seguida saiu, deixando-me sozinha no enorme aposento, cerrei os olhos e tentei em vão acalmar minha mente, meu corpo ainda doía com os cortes feitos pelo couro do chicote, mas isso não me incomodava, não tanto quanto as atitudes de meu pai, não me conformava com o que ele havia feito, ele não me protegera, pelo contrario, havia me entregado para sofrer nas mãos daquelas terríveis pessoas, como ele fora capaz?

Sacrifiquei parte de minha vida, desisti de muitos sonhos, apenas para cuidar dele, garantir seu bem estar, e em troca, como agradecimento, ele me vende, tortura-me, renega-me, como se eu fosse algo insignificante, como se para ele, não valesse nada, senti as lágrimas se formarem, enquanto uma dor ocupava o meu medo, representando toda dor e magoa que eu sentia naquele momento.

Levei minha mão ao peito, não podia ficar ali, aqueles pensamentos me atormentavam, eu precisava fugir deles, com certa dificuldade, devido aos vários cortes, levantei-me da cama e segui para o banheiro, lavei meu corpo e permiti que a água que o tocava, acalmasse minha mente, em seguida busquei um vestido que não me provocasse muitas dores devido aos machucados, o que posso dizer que foi uma tarefa bastante difícil.

Sai de meus aposentos, em busca de algo capaz de me distrair, fazer com que eu esquecesse tudo aquilo, desci as escadas que davam para o enorme salão, onde Adam havia demonstrado seus dons no piano, segui para os jardins, onde fui para o refugiu de Adam, ele continuava o mesmo, com rosas em toda a sua extensão, mas agora podia notar restos de velas, espalhadas por todo o local, com tudo que enfrentamos, ele mal tivera tempo de arrumar o local, da surpresa que ele fizera.

Fui em direção a uma das roseiras, onde toquei o caule de uma delas, tendo extremo cuidado com seus espinhos, aos poucos voltaram alguns delírios da noite passada, fechei os olhos novamente, sentindo as lágrimas caírem, não conseguia entender por que eu havia feito aquilo, podia ter evitado tantos sofrimentos.

–Você, nem ao menos, me disse o que achou? – ouvi uma voz do outro lado do jardim, arrancando-me de meus devaneios, isso infelizmente fez com que eu cortasse levemente meu dedo com um dos espinhos.

Fitei Adam por alguns segundos, pouco me importando com o sangue que pingava de meu dedo indicador. Ele, porém, ao notar o que havia ocorrido, correu em minha direção e tocou cuidadosamente meu dedo.

–Está tudo bem? – disse carinhosamente, enquanto levava seu dedo a minha boca, a fim de estancar o sangue.

–Eu te amo... – falei e toquei sua face.

–Eu também a amo minha vida... – ele sorriu para mim.

Não pude aguentar e o abracei, em seguida o beijando, sentia tanta falta de sua boca, de seu gosto doce, dos choques que percorriam meu corpo quando ele me tocava, levei minhas mãos a sua nuca e ele tocou cuidadosamente minhas costas. Seus lábios eram macios, se encaixavam aos meus com precisam, como se eu pudesse apenas beijá-lo, não mais a ninguém.

Separamos-nos quando o ar se fez necessário, ele me conduziu para o chafariz, onde se sentou e me fez fazer o mesmo, enquanto eu apoiava minha cabeça em seu peito. Enquanto ele estivesse comigo nada me importaria, nada me atingiria, por que ele me fazia ser forte, mesmo que sem esforço algum.

Notas finais
E então?? Não deixem de comentar...