Minha cara e magra, amiga Ana
7 Queimando os carboidratos
Notas iniciais
Eram 6h da manhã e minha mãe já estava de pé.
Eu dormi no sofá com o notebook ligado em páginas com fotos de garotas magras.
— Isa, você dormiu no sofá, fia. Eu desliguei seu notebook e guardei, te chamei para ir para seu quarto mas você nem acordou.
— É. cai no sono. — disse
Ela se sentou ao meu lado como se tivesse preocupada com algo e disse :
— Quando eu fui pegar o not, eu... bem... ele ligou e tava com várias fotos de mulheres... oque você estava vendo, Isa?
— Ah, mulheres magras só. Vendo e sonhando em ser igual. — disse eu sem nenhuma preocupação.
— Mas querida, você já é bonita do jeito que é, bobagem querer ser magra.
— Mas eu cansei de ser gorda, ok? Agora eu quero emagrecer, e vou fazer dieta pra isso e exercícios também. — disse eu já apresentando sinais de raiva
— Ok ok, se isso te faz bem. Faça oque quiser, só tome cuidado viu. Já estou cansada de ir em hospital. — disse ela tão despreocupada quanto eu.
"Ainda bem que ela entendeu, quanto menos ela ficar no meu pé, melhor."
— Eu vou pegar algumas coisas do seu pai para levar até o hospital, acho que terão que transferir ele para uma clinica mais especializada com recursos melhores.
Então como num passe de mágica ela ficou tão preocupada que se levantou do sofá e começou a andar de um lado para o outro com a mão na cabeça e falando sozinha, como quem fala com seus botões. :
— Eu não sei quanto isso vai custar, acho que terei que usar boa parte do dinheiro que estava guardado mas seu tio Claudio disse que nos emprestaria algum dinheiro se preciso e também a clinica parece ser mais longe do que eu esperava e não adianta nada ter carro ai parado se eu não sei dirigir e então terei que passar dias seguidos lá e deixar você sozinha ou então te deixar com sua tia ou com sua v... — interrompi ela dizendo:
— Mãe! Ei, mãe! tá tudo bem? você tá igual doido. Calma, senta ai
— Oi, to... to bem, só to pensando aqui. Bom, vou arrumar as coisas já. Toma café, ta quentinho. Comprei pão.
A palavra "Pão" ecoava na minha cabeça e fazia meu estomago gritar.
"Ontem eu não comi nada, considerando oque comi de manhã e vomitei a noite. E to com muita fome, acho que não faz mal comer um pão. Pelo menos eu como um ao invés de dois"
Fui até a cozinha e passei manteiga em um pão. Meu estomago suplicava por aquilo. Parecia que fazia dias que eu não comia.
Comi um, mas não foi o suficiente, comi tão rápido que não fez nem cocegas. Então comi mais um. E agora sim, agora eu tava satisfeita.
Sentei no sofá mas logo veio o peso na consciência. Fiquei sentada pensando sobre esse erro quando percebo minha mãe falando de alguma coisa com dinheiro na mesa e já saindo dando tchau. Então voltei a pensar sobre o erro.
Acho que fiquei ali desanimada uns 20min quando alguém toca a campainha:
— Isa!!- Era a Ana- Já percebi que se eu não venho atrás de você pra saber que tá viva, você morre mesmo. Tá bem? — disse ela ao reparar minha cara de desanimo.
— Entra. Não to muito bem. (mentira, eu to super mal) meu pai está com leucemia (mentira, não é por isso que to mal) e eu to meia desanimada porque já furei a dieta (ah, isso é verdade).
— Nossa Isa. Começou uma dieta e nem me disse nada? Eu sei vários truques, posso te ajudar. — disse ela tentando conter a empolgação.
— É? tipo oque?
—Hm, vamos ver... Oque você comeu hoje?- perguntou ela toda feliz
Apontei para o saco de pães.
— Pão? Não Isa, pão é calórico, puro carboidrato. — disse ela já triste
Dei de ombros.
— Mas não faz mal, você ainda pode queimar todas as calorias e ai seria como se você não tivesse comido. Ou quase isso...
— E como vou fazer isso? — disse eu sem mostrar nenhuma empolgação.
— Correndo, pulando, dançando. Ora, tanta coisa pra fazer... Você tem balança? Para vermos o seu peso, é bom que você já começa a ter uma idéia de quanto engordou depois desses pães.
— Não tenho não. Mas posso comprar, acho que minha mãe deixou o cartão dela aqui.
— Ótimo, ja coloca uma calça e um tenis porque vamos a péeee!! — disse ela dando gritos de felicidade.
Dei uma pequena risada ao ver a empolgação dela com um coisa tão pequena. Mas o pensamento de erro não sai da minha cabeça.
Peguei o cartão, me troquei e fomos até a loja que ficava a alguns quarteirões dali.
A Ana me fazia ir 5min correndo e 5min andando até chegar lá.
Quando cheguei já estava sem ar, sem vida. Meu Deus, como aquilo era difícil. Comprei a balança e fui embora.
A volta parecia impossível, mas a Ana me ajuda com palavras do tipo " Vamos Isa, você quer ser gorda pra sempre?", "Vamos lá, quanto mais você correr, mais você emagrece.", "Eaí, vai deixar os pães te dominar e engordar ainda mais?"
Eu queria dar uns tapa nela, vadia magra, para ela era facil falar, não era ela que tava ali morrendo, pelo contrario, ela nem parecia estar cansada. Mas tudo bem... deixa ela falar, logo eu que estarei magra.
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