Notas iniciais
Pensei que melhor do que contar eu mesmo a história, eu poderia deixar Amma escrevê-la para você, pois assim você terá a história de maneira mais fiel o possível. Lembre-se que o nome de Amma não é esse na verdade, e que as espécies originais desse mundo não podem ser ditas ou escritas na língua dos homens, então alguns desses detalhes infelizmente terão que ser deixados de lado. Amma disse que irá contar a história inteira, então não tenha pressa de chegar logo à parte dos Redwyne e leia com paciência. Bom, agora é com a Amma. Eu espero que isso seja esclarecedor. Boa leitura. Do seu irmão.

Ponto de Vista de Amma

Eu me lembro quando os humanos chegaram neste mundo.Eu era apenas um filhote quando eles vieram em naves enormes e rapidamente colonizaram todos os planetas desse sistema.Tudo o que saiu daquelas naves era tão diferentes de nós, suas essências fixas não permitiam que mudassem suas formas,como eu ou você podemos fazer.

Eles soltaram aqueles seres estranhos,os quais chamavam de animais nas nossas florestas e invadiram nosso espaço,sem nunca notar a nossa existência.

A minha raça era pacifica e viva em harmonia com a natureza, mas nós possuíamos alguns inimigos naturais: as espécies predadoras.Enquanto os anciões da minha tribo aconselharam todos a se manterem nas sombras, a salvo, uma espécie de predador se aproximou dos humanos, mostrando-lhes que naquele mundo a magia podia ser usada e se aliando a eles.

Por algum motivo, essa espécie que normalmente não era nem páreo para nós se tornou forte.Isso criou uma guerra interna nas nossas tribos.Alguns culpavam os anciões por termos perdido a chance e nos aliarmos a eles antes e defendiam uma aproximação com os humanos, nem que fosse só para descobrirmos a fraqueza deles enquanto outros tinham medo e preferiam que nos mantivéssemos escondidos.

Nossa espécie ficou dividida e eu não pude crescer e me desenvolver completamente por isso.Minha espécie usa a própria energia vital como combustível para a magia e essa é a única forma de envelhecermos.Como meus pais faziam parte daqueles que queriam se esconder,eu e meus irmãos fomos obrigados a evitar a magia para não sermos rastreados pelos predadores e seus humanos, o que retardou nosso crescimento.

Meu irmão Kota não concordava com isso.Aqueles predadores nem eram capazes de usar magia se não extraíssem ela de outros seres.Ele sempre me contava,que para ele o correto era eliminar todos de uma vez,predadores e humanos.Eu sempre o mandava parar com aquilo,com medo de que ele fizesse algo estúpido e se machucasse.

As estações passavam e a natureza entrava em desequilíbrio. As formas de existência mais simples de nosso mundo começaram a se alimentar daquilo que os homens chamavam de animais.Muitas vezes,enquanto caçava,eu notava seres estranhos,que não pareciam pertencer nem a este mundo nem ao dos humanos.

Eu tinha várias teorias,que compartilhava com Kota deitada em nossa casa suspensa nas árvores.A favorita dele era que os seres simples conseguiam absorver um pouco da forma fixa dos animais ao se alimentar deles.Eu odiava essa teoria,mesmo tendo sido eu que a havia criado,algo nela me assustava muito.

No inverno,Kota parou de me acompanhar nas caçadas e saia sozinho frequentemente.Minha mãe dizia que era algo comum,coisa da idade,mas ela não conhecia Kota como eu.Temia que atempos ruins estivessem por vir.

Haviam uns meninos na nossa tribo, com a mesma idade que Kota e eu.Eles desapareciam por dias e quando voltavam,pareciam mais fortes.O orgulho por esses meninos unificou mais uma vez nossa espécie, e não demorou muito para Kota se unir a eles.

Foi ai que as coisas ficaram estranhas de verdade. Kota ficou forte depressa e seus olhos violeta tomaram um tom corrompido, vermelho,que não era comum às espécies puras.As vezes eu flagrava ele usando magias pesadas sem medo de ser rastreado.Quanto mais forte a magia, maior o rastro que ela deixa e outras espécies de predadores, melhores e mais fortes do que a que se aliou aos homens e até mesmo mais fortes que nós conseguiam enxergar esses rastros,o que o tornava uma presa fácil.

Mas a falta de medo do Kota não era o que mais me assustava. Apesar de usar magias que gastavam uma quantidade enorme de energia vital, Kota não estava envelhecendo nem um pouquinho, coisa que parecia impossível aos meus olhos.

Um dia, todos descobrimos como eles faziam isso.O grupo de jovens anunciou seus planos para tribo.Não precisaríamos temer as outras espécies,eles haviam encontrado uma fonte fortíssima de poder, que permitia que um usuário realizasse qualquer magia sem perder sua energia vital.Era só beber um líquido vermelho e viscoso, saído dos seres humanos.

Fiquei horrorizada,como parte da minha espécie.Eles estavam propondo que nós bebêssemos sangue.Meu estomago se revirou quando imaginei como eles tinham obtido aquilo.

Os primeiros a aceitar o sangue foram aqueles que já haviam proposto a luta entre as espécies.Assisti horrorizada às transformações que seus corpos sofreram.Eles pareciam ficar mais jovens e fortes e afirmavam que seus olhos vermelhos eram capazes de ver a magia fluindo no mundo ao seu redor.Fico assustada de admitir que até mesmo eu,com meus olhos violeta,podia sentir a mudança em suas almas.

Eles não estavam só ficando mais fortes,estavam transcendendo os limites de uma espécie e chegando a outra.

O predador mais forte desse sistema solar.Uma espécie rara, mas muito forte e praticamente imortal.Era quase como se eles tivessem se tornado membros corrompidos dessa espécie.

O próprio Kota veio me trazer uma taça.Ele parecia radiante. Olhei aquele líquido escuro e pensei na quantidade assustadora de poderes que ele me daria,vi os olhos ansiosos de meu irmão e olhei ao redor,me sentindo irradiada por toda aquela energia.

O poder era tentador,muito tentador.Mas eu sabia com todas as partes de mim mesma que aquilo era errado,então recusei.

Foi um dos piores dias da minha vida.Podia sentir o olhar de desgosto do Kota e assim como todos aqueles que recusaram,que de longe eram a minoria sofri com acusações daqueles que eram meus irmãos de tribo,pessoas que eu haviam me visto nascer e que eu havia ajudado a alimentar,me acusando de não me preocupar com o futuro de todos nós,de não tentar concertar o equilíbrio na natureza e até mesmo de amar humanos,mesmo eu nunca nem tendo visto um humano.

Mas o pior foi sem duvida o que Kota me disse."Se você não quer lutar pela sua vida,fique e morra".Todos então estenderam suas asas e foram embora.

Quando sai do estado de choque,corri desesperadamente pela floresta,procurando meu irmão.Foi fácil localizá-los quando cheguei ao penhasco: Um rastro de fogo e fumaça cobria onde provavelmente ficava a cidade dos humanos.

Aquilo era o inferno.Humanos gritavam que os monstros estavam atacando e imploravam a ajuda dos predadores, a quem chamavam de deuses.Alguns humanos portavam objetos estranhos, que disparavam projéteis de metal contra nós, o que era inútil, já que elas apenas nos atravessavam, sem causar dano algum.

Os humanos estavam em desvantagem, mas isso não significava que nós estávamos ganhando.Os predadores, aos quais os homens chamavam e saudavam como seus salvadores estavam acabando conosco e por todo o chão jaziam cadáveres de seres da minha espécie.

Eu procurava por Kota desesperadamente, percorrendo aquele cenário de cinzas e sangue, até sentir uma coisa estranha nas minhas costas.Mais tarde eu iria descobrir o termo humano para aquele sentimento desconhecido, dor.

Uma lâmina estranha, que irradiava magia estava cravada nas minhas costas.Um predador com olhos estranhamente azuis a embainhava.Enquanto sentia a vida deixando meu corpo eu apenas podia pensar em como era perfeito o disfarce dele,que o deixou tão parecido com os humanos e como seus olhos azuis pareciam puros, ao contrário dos olhos vermelhos que a minha espécie assumiu.

Foi então que eu a vi.A Morte,com uma aparência semelhante aos humanos, com seus belos olhos violetas,mais vibrantes do que os de qualquer espécie pura.Seus longos cabelos eram negros como a noite costumava ser,uma cor tão correta,tão diferente do vermelho daquela noite.Sua pele branquíssima estava coberta por suas vestes longas e pesadas e a única coisa que eu podia ver em seu rosto oculto por um véu era o brilho de seus olhos.

Ela segurou o meu rosto com suas mãos de gelo, olhou em meus olhos e levantou seu véu,revelando um sorriso triste naquele que deveria ser o mais belo rosto do universo e me disse,com uma voz impossivelmente profunda e melodiosa.

"Eu sempre sou contra a extinção completa de uma espécie, mas não posso fazer nada a respeito daqueles que foram corrompidos, mas para você, uma criança que se manteve pura, eu posso dar uma segunda chance".

E foi assim que eu me tornei uma Dama Fria.

Notas finais
Bom pessoal,vamos para a descrição de mais um personagem. Amma: nome real: desconhecido idade : desconhecida laços familiares: os Redwyne, a quem considera como sua família e seu irmão de sangue, Kota. Profissão: governanta. Características: sua forma natural não é fixa e ela possui habilidades de mudar um pouco suas características, como escolher se deseja ou não manter suas asas e se quer ser apenas uma sombra ou ficar em uma forma mais sólida. Após se tornar uma Dama Fria, Amma precisa adaptar sua aparência para cada planeta onde está, então sua aparência fica altamente modificável. Sua forma favorita é a aparência humana que ela assume no seu planeta natural.Nessa forma, ela possui seus olhos violetas, que a marcam como pertencente de uma espécie pura,pele morena como caramelo e longos cabelos brancos.Sua aparência é de uma mulher de aproximadamente 25 anos, alta e forte, apesar de magra.