Minha Vida É Um Shoujo
1 Prólogo - Fortaleza Única
Notas iniciais
Prólogo – Um Só Centro
“Qual o momento exato em que começamos a decidir a nossa vida? Quem testou nossos pais, para saber se seriam capazes de escolher o que é melhor para nós? Quando eles escolhem nosso colégio, será que tem a consciência de que esse lugar vai marcar a nossa história para sempre?”
Hall de entrada, CEPF (Conselho de Ensino Privado de Fiore), 8h20mim A.M
A pequena, porém adulta mulher apressava-se em correr pelos corredores, como se estivesse atrasada para alguma provação importante, o que de fato era verdadeiro. O silêncio reinava com exceção apenas das batidas causadas pelas sapatilhas de madeira, seus próprios saltos, tão baixa que era, se faziam preciosos.
Usava um vestido simples e branco, até os joelhos (nada de decotes para reuniões de trabalho). Os cabelos loiros, pouco escurecidos devido à idade, que compridos caiam-lhe sobre os ombros e desciam até a cintura. Podia-se dizer que, mesmo sendo dona de poucas curvas ou atrativos “adultos”, Mavis Vermillion não era exatamente uma mulher desprovida de beleza, desleixada talvez.
Avoada, atrasara-se para provavelmente a mais importante reunião do ano. Contudo, a redundância nos pede que comecemos pelo começo.
Magnólia, Alojamento Fairy Hills, 8h20mim P.M
Massageando as têmporas, sua dor de cabeça já estava no limite. O que 2.000 meninas não faziam em um dia, cinco delas conseguiam em uma noite. A idéia de “festa do pijama” partira dela mesma, mas também, quem imaginaria que garotas tão calmas conseguiriam fazer tanto barulho.
– Fadas, por favor, falem mais baixo – Tentava conter o tumulto sem elevar a própria voz – As outras estão dormindo, lhes dei esse privilégio por tanto, “please”, se comportem.
– Desculpe-nos mamãe, Levy está se gabando, diz ter tido várias experiências amorosas durante as férias de inverno. – Wendy costuma pedir desculpas estilo “a lá gato de botas”, talvez por isso Mavis nunca tenha conseguido dizer não a ela.
As outras meninas com exceção de Levy, fingiram risadinhas, enquanto outras lhe lançavam sorrisos maliciosos.
– Vamos Levy, se você teve tantas “experiências” assim, conte-nos então. – Lucy, outra das alunas, mas está não morava em Fairy Hills por, segundo ela, motivos próprios. Ela usou de um tom sugestivo, propositalmente deixando Levy mais envergonhada.
– I-isso não interessa! – Retrucou, como se de alguma forma as outras estivessem contando calúnias. A conversa felizmente ou infelizmente, não se estendeu muito no quesito amor ou garotos (garotas também, se fossem o caso).
– Mas e você Erza, nunca a vimos com nenhum menino... – Mirajane, a mais velha, alfinetou. Elas tinham esse relacionamento especial que poderíamos chamar (amigavelmente) de “entre tapas e beijos”.
– Porque a surpresa? Pensando bem, alguma de nós já teve algum relacionamento do tipo? – Mavis até quis levantar a mão, plenos 32, queria pelo menos já ter tido essa vitória. No fim, nenhuma delas pronunciou-se, Lucy e Levy remexeram-se envergonhadas, Mira suspirou e Wendy formou uma careta, como se a idéia fosse absurda demais. – Que seja, — Continuou – Tenho que estudar de qualquer jeito.
– Eu não deveria questionar isso, já que sou sua diretora mas, você só pensa nisso? – A mais velha interrogou, arrancando algumas gargalhadas.
– Só quero garantir o meu futuro. – Explicou; as outras apenas deram os ombros.
– Riqueza não garante o futuro de ninguém Erza, e sei que não lhe trará felicidade. – Rebateu Lucy. Talvez ela obtivesse a razão, a riqueza de seu pai certamente não lhe remeteu muitas coisas boas. Erza limitou-se a sorrir em consolação.
Mavis aproveitou os poucos minutos de silêncio para recolher sua pasta empresarial e organizar as folhas que pretendia apresentar as meninas.
– Ué, vai nos dar uma palestra senhorita diretora? – Provocou Wendy, e todas as outras murmuraram em protesto.
– Engraçadinha. – Tocou-lhe a ponta do nariz – Mas não. Estes papéis tenho que levar para o conselho amanhã. Lembram do projeto que eu contei estar arquitetando, o que disse que levaria tempo, mas que no final aconteceria de uma forma ou de outra? – Elas assentiram, Mavis falara da idéia um ano atrás.
– O que envolve a Dragon Tail? – Levy tirou a dúvida.
– Sim, o que envolve a Dragon Tail.
– O que tem ele?
– Bem... – Mavis pigarreou para continuar. – Na verdade não levou tanto tempo assim, felizmente, se tornará realidade a partir de segunda. – Ela sorriu amarela, e a reação de choque foi, praticamente, geral.
Levy deixou cair o livro que segurava, Erza engasgou-se com o pedaço de bolo de morango que sobrara do jantar, Mira e Wendy se olharam intrigadas, e Lucy cuspira parte do café na própria roupa. Mavis evitou rir, no final das contas era um assunto bem sério.
– Como? Tão rápido? – Lucy foi a primeira a disparar.
– Meninos, meninos, meninos! Essa não! – Wendy nauseava-se com os pensamentos, as mãos na cabeça em ato de desespero.
– Desde que eles não atrapalhem meus estudos – Erza fingiu indiferença.
– Er... – Mirajane nem sabia o que dizer.
– Mavis, pode explicar isso melhor. – Levy era a única que não parecia ter perdido a sanidade.
– Claro. Meninas acalmem-se. A idéia... Digo homens, não são monstros.
– Como não? – Wendy era de todas, a mais alarmada, tão grande era de fato, seu problema com o sexo oposto.
– A questão é: São apenas garotos, da mesma idade de vocês, que estudam a mesma coisa que vocês, com problemas semelhantes e gostos parecidos. Nada é tão preocupante quanto parece. O prédio da Academia Dragon Tail sempre esteve ao lado do nosso, recentemente a construção que era usada para as atividades acadêmicas foi demolida por questões de segurança. Os alojamentos continuam intactos e seguros para habitação, mas uma escola precisa de espaço de ensino. A junção e unificação da AFT e da ADT já eram certas, esses acontecimentos apenas antecederam o que já estava por vir.
– Mas Mavis, como as outras fadas vão lidar com isso, Fairy Tail é uma instituição para meninas desde meados do século XIX, de repente a Academia passa por um baque desses, você pensou que nem todas as meninas podem reagir da mesma forma? – Mira mantinha-se calma, tudo que lhe importava era de qualquer jeito preservar as garotas.
– Sim Mira, eu pensei muito sobre essas questões, por isso e outros muitos motivos a previsão para modificar o sistema da escola era de esperar-mos no mínimo mais cinco ou seis anos, mas com as obras na Dragon Tail, eu tive de ceder ao pedido da comissão. A academia dos dragões é junto à própria Fairy Tail, um dos internatos de maior prestígio em todo o país.
– Você conversou com o diretor de lá? – Perguntou Lucy.
– Não, vou conhecê-lo amanhã na reunião, mas já não posso revogar, nessa altura de campeonato, a união é certa. Além de tudo com o inicio das aulas começam também os treinos, os inter-colegiais iram vir, e como diretora não posso deixar que o rendimento da escola caia.
– Sabe... Se for o melhor a fazer, acho que não temos o que discutir. Tenho certeza de que você não tomaria nenhuma decisão que nos prejudique. – Erza tranqüilizou-as. Mavis sorriu.
– É... São só homens não é? – Lucy zombou.
– Está brincando? São meninos! – Levy possuía brilho nos olhos, romancista do jeito que era, talvez a que mais se agradara com a notícia.
– Meninos... – Wendy tremia.
– Tsk.
– Se eles mexerem com minhas meninas... – Mira tinha o dom de se assemelhar aos seres maléficos.
Mavis só queria rir de tudo aquilo, no fundo, ela também estava nervosa, podia ser adulta e ter muito mais experiência de vida, mas os homens nunca lhe pareceram seres “comuns”.
Satisfeitas ou insatisfeitas, apagaram as luzes e deitaram-se para dormir. No dia seguinte, além da grande reunião, seria também seu último dia de liberdade.
Corredores de CEPF, 8h25mim A.M
Mavis estava quase achando a sala correta quando ele apareceu. Sem notar a sombra de sua silhueta, virou-se apressada para o próximo caminho. O baque teria sido até mesmo surdo, não fosse seu encontro doloroso com o chão, e os papéis que carregava voando em todas as direções possíveis.
– Mas que droga! – Por alguns segundos, a raiva venceu a boa educação. – Será que você não presta atenção?
– Eu? Era a senhora que estava correndo pelo corredor feito uma destrambelhada, não lhe ensinaram a ter bons modos em lugares públicos? – A voz áspera do sujeito soava como um desafio, na realidade tudo fora apenas um mal entendido, mas Mavis não gostava de ser desafiada.
– Primeiro, com todo respeito, senhora é sua avó! É senhorita, e neste momento estou muito atrasada para discutir com petulantes. – Retrucou.
– Claro, se fosse pontual, já poderia estar casada... – Resmungou, mas para si mesmo do que como uma afronta, mas Mavis sentiu as bochechas ferverem num misto de vergonha e raiva.
– Pois a minha vida pessoal não lhe diz respeito!
– Nem a minha avó a você!
– Ótimo!
– Ótimo!
Olharam-se faiscando, um transmitindo a própria raiva ao outro, talvez apenas naquele momento Mavis tivesse parado para observá-lo. Vestindo blazer, calça e sapatos negros, a camisa branca e a gravata tão vermelha quanto os próprios olhos, os cabelos escuros, e a estatura média, não exatamente forte e nem magra ou fraca demais. Ele era um homem bonito, que certamente lhe chamaria atenção não fossem as frustrantes circunstâncias.
Bufaram ao mesmo tempo, e ele seguiu o caminho oposto ao seu. Com sua figura já no fim do cômodo estreito, Mavis suspirou e passou a recolher suas folhas que tanto teve o trabalho de organizar.
Segundos depois, ouviu passos e virara-se para trás. O homem voltara, ajoelhou-se ao seu lado, e passou a juntar seus trabalhos com ela. Mavis não pronunciou nada até que tudo estivesse no devido lugar, como um quebra cabeça refeito.
– Como se chama? – Ela perguntou já bem calma comparada a antes.
– Zeref, diretor da ADT, ou ex-Academia Dragon Tail. – Respondeu, e sorrindo fracamente, estendeu a mão para ela.
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