Minha Vida Em Pequenas Escalas 2
1 Gostosuras ou Travessuras?
Notas iniciais

Trinta anos, pareciam tão longe quando eu tinha dezenove. Naquela época acreditava que aos trinta, estaria exatamente onde estou, com um carro clássico, com uma cerveja do lado, com uma casa quitada, uma mulher gostosa, viajando aos fins de semana para algum lugar interessante... Bom, eu tenho um carro clássico, mas no momento estou embaixo dele tentando consertar uma válvula do motor, a cerveja é uma limonada quente, a casa ainda está sendo paga, só viajo quando minha mãe me obriga a visitá-la e bom, ao invés de uma mulher gata eu tenho duas! Só que elas têm cinco e seis anos e me chamam de...
一PAPAIII! 一 Ouço gritos estridentes que me fazem dar um salto e bater a cabeça contra o motor.
Deslizo o skate o qual estou apoiado e encaro as duas figuras vestidas iguais na minha frente.
一 Qual o problema agora? 一 Questiono vendo a cara de emburrada das duas.
一 Juliet roubou a minha blusa de unicórnio 一 Diz Emma com cara de brava.
一 Mentira, essa é a minha. Foi o dindo Samy que me deu.
一 Mentirosa, ela é minha. 一 Diz Emma puxando a camisetinha.
一 Chega! Me dá isso 一 peço e juliet me entrega a blusa e eu a uso para enxugar o suor do rosto e pescoço, limpei a graxa das mãos e estendi novamente para elas.
一 De quem é a blusa mesmo? 一 questiono encarando uma depois a outra.
一 Você é muito cruel, papai. 一 fala Emma.
一 Bem vinda a vida dura, já disse que não quero briga por conta de roupa nessa casa 一 digo fazendo aquela cara de pai. E as vejo voltar para dentro de casa cutucando uma a outra. Reviro os olhos e as acompanho com o olhar através da janela, quando acham que saíram da minha visão, voltam a trocar puxões de cabelo.
Respiro fundo algumas vezes, conto até dez e quando abro a porta elas param de brigar e se abraçam, fingindo que nada estava acontecendo.
一 Estão de castigo 一 falo e vejo as duas saíram resmungando pro quarto.
Essa é a pior parte da paternidade, e olha que eu odeio lavar, passar, cozinhar, arrumar para ir à escola e trabalhar... e trabalhar... em casa para depois trabalhar mais um pouco fora dela. Mesmo assim a pior parte é ser o total responsável pela educação delas, afinal nunca fui sinônimo de moralidade. E cada dia que passa fica mais difícil. Criar filhos é tipo estar preso no mundo do Mario por 18 anos, você se fode pra passar de fase, se fazer alguma merda antes de chegar no checkpoint, volta pro começo (quem já desfraldou uma criança sabe o que eu to falando) e quando ela começa parecer fácil, vem outra pior, com ainda mais perigos, tartarugas voadoras, cogumelos malígnos etc.. E provavelmente depois que conseguir zerar o jogo, vai sentir falta e dizer que não devia ter jogado tão rápido, que devia ter eplorado mais e curtido um pouco mais cada fase.
Preparo o jantar, e vou até o quarto das duas, elas estão na cabaninha, montada com algumas cadeiras e um lençol cor de rosa, enfio a cabeça dentro da cabana e as duas estão deitadinhas sobre as almofadas, uma de frente para outra de mãos dadas. Uma coisa que admiro nas crianças é o poder de perdoar, elas podem estar querendo arrancar o fígado da outra e cinco minutos depois estão combinando de morar juntas pro resto da vida.
一 Hora do banho.
Emma me olha e põe o dedinho indicador entre os lábios e mostra que a irmã está sonolenta, quase caindo no sono.
Rastejo até elas e dou um beijo em cada uma, e depois iniciar uma sessão de cócegas para despertar Juliet, a mais nova. Juliet tinha cinco anos ou quase seis como ela preferia dizer, era carinhosa, gentil e muito educada, falava baixinho e andava na ponta dos pés. Tinha cabelos loiros e olhos azuis da cor do céu, desde que aprende a andar, se tornou a minha sombra e eu não conseguia ter um segundo sozinho quando ela estava em casa. Era eu olhar pro lado, lá estava a loirinha atrás de mim, fosse na cozinha, no quarto ou mesmo no banheiro, quando eu trancava a porta para ela não entrar, lá estava ela me espiando pela fresta no chão ou forçando a maçaneta
Emma era mais independente, digo até demais para pouca idade, mas mesmo assim era a que me dava mais trabalho. Com pouco mais de um metro de altura e sete aninhos, a garotinha de olhos castanhos amendoados e cabelos da mesma cor tinha uma língua afiada, um braço bem forte e pouquíssima paciência. Era eu, na embalagem doce e adorável da Carolina.
Ouço a risada gostosa delas, enquanto eu invoco o "monstro da cosquinha". As coloco na banheira visto seus pijamas e sirvo o jantar, só então vou tomar meu banho e me arrumar. Sairia com Sam, seu namorado da semana e Ella, uma jovem publicitária que eu conheci há algumas semanas e esse seria nosso terceiro encontro.
Me vesti, e quando estava passando um pouco de perfume, percebi as duas espiando-me pela fresta da porta.
一 Papai vai namorar 一 sussurra Julie.
一 Como? 一 Questiono intrigado e ela adentra o banheiro.
一 Como nas propagandas de perfume, o moço veste uma roupa bonita e depois passa perfume e dá 一 ela faz uma pausa e baixa o olhar com vergonha一 da uns beijinhos na mocinha com vestido vermelho一 ela diz e a Emma me olha com cara feia.
一 Eu não vou namorar, vou num bar com o Sam, a babá vai vir ficar com vocês.
一 Eu quero ir junto! 一 fala Emma.
一 Bar, não é para criança, por acaso eu me meto nas festinhas de aniversário que vocês vão? Não né? Eu as deixo na porta e depois vou buscar. Querem me ver brincando de cabra cega ou acertando a pinata dos seus amiguinhos?
一 Então a gente pode te deixar na porta e te buscar?
一 Não, primeiro porque você não tem carteira de motorista e segundo, quando tiverem idade para ir a bares, não vão me querer na porta. Então já sabem uma hora de Tv e depois cama 一 falo e vejo a carinha de decepção delas e me olho no espelho 一 Credo, eu to ficando velho, penso ao perceber que estou falando igual a minha mãe 一 Uma hora e meia de Tv porque é sábado, okay? 一 falo e elas saem correndo disputando quem vai pegar o controle primeiro.
Termino de me arrumar no meu quarto e olho as fotos das meninas sobre a cômoda, ao lado de uma delas com Lacey. Solto um suspiro e enfio a foto dentro da gaveta, eu ainda sentia a falta dela, mas precisava seguir em frente com a minha vida assim como a Lacey fez com a dela.
Me despeço das meninas quando a babá chega, vejo um barulho estranho no escapamento e decido descer e conferir, já que ultimamente, Emma tem enfiado tudo que é coisa no motor ou no escapamento do meu carro para evitar que eu saia de casa. A psicóloga da escola disse que era porque ela tinha medo que eu saísse de carro e não voltasse mais, assim como a Lacey, e que eu devia ser paciente, e não repreendê-la. Retirei uma banana e vi a fresta da porta se fechar. Contei até vinte e voltei ao carro. Aliás ter filhos em idade pré escolar é atualizar todos os dias os seus níveis de paciência.
Me encontro com Ella no Bar, seria nosso terceiro encontro e ela me recebe com um selinho, Sam e o novo namorado chamado Edgar, um inglês de cerca de 40 anos, magro e alto, chegam alguns minutos mais tarde e sentamos a uma mesa onde passamos horas bebendo e jogando conversa fora.
一 Hoje ela enfiou uma banana no escapamento, ontem ela colocou refrigerante no tanque de gasolina. Eu entendo o "trauma", mas não sei se fingir que não está acontecendo nada é a melhor solução 一 relato sobre os últimos acontecimentos com a minha primogênita.
一 Acho que devia conversar com ela, porque isso é sério. Ela pode acabar se machucando ou machucando você, mexendo no carro 一 fala Ella.
一 Bom, quando o Miguel era pequeno dar bronca só fazia ele piorar o comportamento. 一 Diz Sam.
一 É, eu não quero que ela se sinta pior do que está se sentindo, a Emma sempre foi muito apegada na Lacey. Todos esses anos eu fiquei para cima e para baixo com a Juliet, atrás de médicos e tudo e era a Lacey quem cuidava dela. A Julie... sentiu falta no começo, mas agora quase nem fala da Lacey, ela sempre foi mais grudada comigo mesmo, mas a Emma... para ela é como se a mãe dela tivesse a abandonado.
一 E você não descobriu o que deu com aquela maluca? De ir embora do nada?
一 Gente, porque a gente não para de falar em ex, enh?一 fala Ella incomodada com a conversa.
一 Tem razão Ella, perdoe a minha gafe 一 se desculpa Sam 一 Se ex fosse bom, não era ex! Brindamos a isso, a todos que tiveram a chance de usar e abusar desse corpinhos sexys aqui nessa mesa. 一 fala levantando o copo.
Lá pelas 2h da manhã decidi ir embora, afinal a babá só ficaria até às 3h. Ella me pediu uma carona, mas quando entramos no carro, bom, não era só uma carona que ela queria.
一 Que tal no meu apartamento? 一 ela fala de um jeito provocativo.
一 Ahh... eu tenho que ir para casa, as meninas lembra?
一 Então, eu posso ir para sua casa.
一 Eu não sei se é uma boa ideia...
一 Noah, o que? Vai dizer que não está a fim?
一 Ah.. eu tô muito a fim, mas as meninas...
一 Elas já estão dormindo, não estão? Prometo que saio antes delas acordarem amanhã. Se você ainda acha cedo para mim conhecê-las.
一 Não é isso, é que elas não entenderiam.
一 Eu entendo, mas então vamos ou não?
Concordo um pouco relutante, mas okay as meninas deviam estar na terra dos sonhos e desde que Ella, fosse embora antes delas acordarem tudo bem. Não que eu sentisse que fosse errado estar saindo com alguém, mas também não era sério o bastante para achar que devia envolver as meninas.
Deixei o carro estacionado frente a casa, para evitar que o ronco do motor as despertasse, dispensei a babá e só assim chamei Ella para entrar que olhou curiosa para minha casa.
一 Está meio bagunçada, com duas crianças é difícil manter um cômodo sem brinquedos... Quer beber alguma coisa?
一 Na verdade eu to impressionada, sério quando me disse que era um pai solteiro eu imaginava que ia ter caixas de pizza, brinquedos e bagunça até o teto 一 Ela fala com um ar brincalhão.
一 Bom, não posso negar que algumas vezes fica quase assim... Mas o serviço social daqui é um sufoco, e acho que eles gostam de pegar no pé dos pais, porque eu não os vejo batendo na porta das mães solteiras a menos que alguém denuncie ou que elas façam uma merda muito grande, já aqui qualquer "papai é feio"que elas falem no colégio, tem assistente social, polícia, swat, Interpol, na minha porta 一 digo abrindo a geladeira 一 Só tem meia garrafa de vinho, serve?
一 Eu não vim aqui para beber... ela fala abrindo o zíper do vestido.
一 Subindo as escadas, segunda porta, vou espiar as meninas e já subo.
一 Não demore.
Passo no quarto das meninas e espio a porta, elas dormem profundamente. Fecho a porta com todo o cuidado e subo as escadas nas pontas dos pés. Quando chego no quarto, Ella já esta de roupas intimas, me enreda num abraço e eu envolvi os meus em sua cintura. Era um pouco estranho estar com outra pessoa que não fosse a Lacey ali, ela escolheu toda a decoração a cor das paredes, até a cama com uma cabeceira de ferro onde se podia prender algumas pras noites em que as meninas estavam longe de casa.
一 Noah? 一 Elle me chama do meu devaneio 一 Está tudo bem?
一 Está, eu acho que esqueci de ligar o alarme.
一 Esquece o alarme, a única segurança que precisamos é de camisinhas, você tem, não tem?
一 Olha depois de ter de comprar fraldas para duas crianças ao mesmo tempo que não eram gêmeas, eu não assito nem filme porno sem camisinha. 一 falo e ela abre um sorriso.
一 Adoro o seu humor 一 fala me puxando a cama pelo colarinho.
Trocamos carícias e quando o clima estava nas alturas ouço o clac da porta e imediatamente puxo o cobertor, cubro Ella e coloco o braço por cima dela.
一 Emma! Que está fazendo fora da cama a essa hora? 一 falo tentando disfarçar o susto.
一 Eu fui fazer xixi, e vim ver se você tinha chegado. Posso dormir aqui?
一 Não, você é uma mocinha vai dormir no seu quarto com a sua irmã.
一 Mas pai.... Por favor? E onde está o seu pijama?
一 Decido dormir de calça e sem camisa, algum problema agora desce e vai pro seu quarto. Boa noite... vai...一 falo e ela me olha com aquela cara de desconfiada fecha a porta e eu corro até la para trancá-la.
一 Me desculpa, Ella.
一 Tudo bem, acontece 一 ela diz e ouço duas batidas na porta.
一 Com quem você tá falando? 一 ouço a vozinha de Emma e posso ver seus dedinhos em baixo da porta.
一 É o celular, vai dormir, Emma.
一 Tá bom! Tá bom! 一 Ela concorda, mas assim que penso em voltar a beijar Ella ouço um estridente papai vindo do corredor. Me levanto e visto a camisa e vou até a escada onde a Emma está paralisada agarrada a um corrimão. Tem um monstro eu vi! Um monstro enorme, passou ali. 一 Ela fala fingindo estar assustada e eu a pego no colo e a levo até seu quarto. A coloco na cama e beijo a sua testa.
一 Boa noite e não quero ver você me chamando de novo, entendeu?
Ela faz que sim com a cabeça e eu dou um beijo em Juliet que está ferrada no sono e retorno ao meu quarto.
一 Prontinho, ela não vai mais incomodar 一 falo me enfiando nas cobertas e dez minutos mais tarde ouço o bip do alarme de incêndio.
一 Que é isso? É aqui? 一 Fala Ella assustada.
Vou pro corredor e vejo o alarme anti incêndio disparado e molhando todo o andar de baixo.
一 A Meu Deus! A casa tá pegando fogo 一 falo e já saio desesperado. Vou até a sala munido de um roupão para apagar o incêndio e vejo algumas folhas de papel um pouco queimadas, já apagadas sobre um prato, e minha mobília e sofás sendo encharcados pelo alarme. Ella, desceu as escadas aflita e me olhou sem entender nada.
Fui direto pro quarto das meninas e Juliet está apavorada olhando pros lados enquanto Emma aparentemente continua a dormir.
一 Emma Carolina Smith Johnson 一 falo e ela tira as cobertas de cima da cabeça e esfrega os olhos na maior inocência.
一 Oi papai 一 Ela fala fingindo um bocejo 一 Porque você está molhado?
A tiro da cama e a levo até a sala, onde Ella tenta secar tudo com o roupão.
一 Pode me explicar o que aconteceu aqui?
一 Quem é ela? 一 questiona semicerrando os olhos.
一 É uma amiga do papai, mas não importa. O que você fez aqui?
一 Noah, eu acho melhor eu indo, posso usar o telefone para chamar um táxi?
一 Desculpa por tudo isso Ella.
一 Tudo bem, eu vou ligar da cozinha. 一 Ea diz e eu volto olhar para Emma.
一 Você acendeu os papéis?
一 Eu quero o meu advogado 一 ela diz convicta.
一 Você tá de castigo.
一 Eu já estava de castigo mesmo.
一 Ta de castigo, pelos próximos trinta anos!
一 Isso não é justo! 一 Ela protesta batendo o pé.
一 Reclama com o juiz então, a não pode porque você pode acabar presa por tentar por fogo na casa. Agora vai dormir e eu não quero te ver até amanhã de manhã.
Ela me olha, abaixa a cabeça e sai pisando firme. Reviro os olhos e coçei a nuca olhando aquele prejuízo todo. Segundos depois vi o táxi de Ella buzinar a frente da casa.
一 Desculpa mais uma vez, quando a gente pode se ver de novo?
一 Eu vou estar meio ocupada na semana que vem, sabe, trabalho. Mas a gente se vê por aí.
Dou um sorriso amarelo e espero ela entrar no táxi para fechar a porta, quando uma mulher diz "a gente se vê por ai" significa que ela vai mudar de calçada caso te encontrar. No dia seguinte acordei cedo e coloquei o sofá tomar sol. Emma foi a primeira a despertar e sentou na bancada da cozinha.
一 Ainda está bravo, papai?
一 O que você acha? Sabe o prejuízo que causou? E não só isso podia ter acontecido um incêndio de verdade Emma.
一 Você não devia trazer gente estranha para casa, são as regras. 一 Ela diz dotada de sabedoria e eu lhe sirvo uma tigela de cereal.
一 Ella é uma amiga, já falei.
一 Ela, se chama Ella? Isso nem é nome de verdade. Ela deve ser uma espiã russa, como a viúva negra. Eu posso ter salvo a sua vida. 一 Ela fala e eu tenho que segurar a risada para continuar bancando o pai zangado.
一 Bom, eu sou o adulto aqui, não sou eu que tenho que pedir autorização para trazer alguém em casa, certo? Ella é minha amiga e semana que vem, vou convidá-la para almoçar e você vai pedir desculpas para ela.
一 Porque?
一 Porque? Emma você quase botou fogo na casa só para expulsar ela daqui.
一 Eu não quero que tenha uma namorada 一 Ela fala me olhando seriamente.
一 Ella, não é minha namorada 一 digo e ela me olha com aquela cara de "conta outra" 一 E se fosse, você também ia ter de a tratar com respeito. E Emma, você é a garotinha mais esperta que eu conheço, então por favor pare de se comportar como um bebezinho birrento...
一 Minha amiga Margarida disse que o papai dela foi embora, e a mamãe dela tem outro namorado e o papai não pode mais vir na casa deles. Não quero que tenha outra namorada, porque se tiver, a mamãe Lacey nunca mais vai voltar 一 relata entristecida e eu sou incapaz de continuar com a bronca.
一 Filha, nós já conversamos sobre isso. A tia Lacey, decidiu seguir a vida dela e nós temos que seguir a nossa, certo?
一 Não! Ela vai voltar eu sei que vai, ela comprou aqueles tutus pro festival da primavera... ela vai voltar papai... 一 Ela diz e continua falando e falando um pouco sobre Lacey, ballet, de como as flores são lindas na primavera, me deixando tonto a ponto de eu nem mais conseguir acompanhar o raciocínio dela.
一 Emma come e fica caladinha só um pouquinho, sim? Meu Deus parece que engoliu uma vitrola.一 falo e ela faz um beicinho chateado一 Desculpa, o papai só ta com dor de cabeça, ela odiava quando a chamavam de tagarela e isso acontecia muito porque ela realmente tinha um rádio de bateria solar em meio ao deserto do saara, no lugar da boca.
一 Nunca mais vou falar com você 一 Ela diz irritada.
一 Ah, nunca mais vai falar?
一 Não, nunca. Nunca mais vou falar com o papai.
一 Tá bem, se você diz que não vai falar, não fala ué.
一 Você vai saudade de falar comigo, e eu vou ficar calada, não vou falar nadinha, nunca mais, vou ficar bem quieta e você vai querer falar comigo e eu não vou falar. Vou ficar muda igual a Hello kitty.
一 Ah já percebi que você está mudinha, já 一 Digo rindo.
一 Você ta rindo da minha cara?
一 Não, você acha que estou?
一 Acho que está, porque ta rindo minha cara?
一 Acho que porque você não ia falar e não fecha a boca. 一 digo e ela faz cara de brava 一 Come o cereal 一 digo e vou até o quartinho cor de rosa despertar a Juliet.
Cheiro seu pescocinho e ela se encolhe no travesseiro.
一 Hora de acordar dorminhoca 一 falo beijando sua bochecha.
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