Minha Vida Em Contos
1 #Cap1 - Mudança.
Notas iniciais
“Eu sou um cérebro, Watson. O resto é mero apêndice.” Foi com esta celebre frase da mente mais peculiar que fechei o livro em minhas mãos, e por ventura o digo ser melhor de todos. Sem dúvida eu era extremamente fã daquele raciocínio perfeito, observações meticulosas. Conheci esta figura elementar pelos filmes, mas já boa amante de leituras me apaixonei com mais profundidade por seus contos e romances.
Porque idolatro uma história? Porque tudo é história, e está mudou a minha.
Me desanimava, por vezes, ler e saber que eu jamais teria aquela capacidade, isto somado ao fato de que tudo é mais complicado nos tempos atuais. Eu queria desesperadamente fazer parte daquele mundo, mas nem ao menos conseguia tentar por me achar incapaz. Como toda ideia e vontade de adolescente isso passou, terminei meus estudos, tive uma passageira época complicado que durou dentre sete meses e comecei mais estudos e a trabalhar, uma pequena imobiliária no litoral aonde eu morava. Nada de diferente, nada de histórias emocionantes e de filmes de hollywood. Tinha um dia-a-dia comum, rotineiro, e após algum tempo sem dúvida isso tornou-se tedioso, mas a falta de autonomia e conhecimento me fez permanecer neste mesmo ritmo por quase três anos. Foi quando tudo desmoronou, e esta parte eu prefiro pular... Entre tanto não posso deixar de mencionar que este incidente do destino me transformou por completo e também à minha vida, não vendo mais condições psicológicas de continuar naquela cidade procurei se não a cidade mais pequena e distante que tem neste país, e me arrisco a dizer que mais estranha também. Ao chegar na que costumo dizer ''Terra do nunca'', mais pro negativo, senti uma atmosfera pesada, triste e desconfiada, os moradores me lançavam mal olhares, como se eu fosse arquiteta de alguma grande catástrofe mas não me deixei intimidar, logo percebi que este olhar não era lançado somente para mim mas de um para os outros, como se fosse um grande carcere. Porque eu escolhera esta cidade e como pude suportar? As vezes algumas coisas na vida não teem mais tanta importância após alguns acontecimentos, e além disso, aquele lugar era o único aonde eu tinha verdadeiras condições de viver, pelo menos em questão financeira. Mas, embora pareça assustador, a situação me foi muito memorável e acolhedora, ali eu teria ''tudo'' que eu sempre tive vontade de ter, ou melhor dizendo, fazer.
Foi quando minha mobília estava sendo descarregada que tudo aconteceu. Não pude pagar muitos homens, então tinha comigo apenas dois, dentre o qual apenas um ajudou, o outro se dizia apenas motorista, não me importei muito com a situação, dali em diante seria mesmo eu comigo e mais nada. O pobre e mirrado rapaz que me ajudava ao menos era educado e muito prestador, me lembro de ver seus olhos assutados no momento que viu a cinere da polícia rasgando a ''avenida'', aquilo nem parecia existir naquela cidade. Olhei para a rua e notei todos os vizinhos murmurando, alguns apenas para si, os que tinham algum tipo de coleguismo, comentavam com os vizinhos. Sem erro alguma coisa havia acontecido. A polícia parou um pouco mais a frente em um terreno de estilo bem rural, não demorou muito e havia um aglomerado em frente ao local. ''Parece algo sério'' disse o rapazinho que me ajudava. Olhei para suas mãos e vi uma caixa com alguns pertences meus, havia escrito na frente de cada uma o que carregavam, e logo está estava os livros de Holmes. Ri de mim mesma por um instante, era ridículo, mas estava certa de que aquele pensamento não me abandonaria, então apertei meu passo chamando a atenção do rapaz que ainda olhava o acontecido, e o fiz descarregar as coisas mais rápido. Dentro de dez minutos havíamos acabado o que no passo anterior demoraria uma hora, era o efeito do lugar, supus eu. ''Obrigado, tome este agrado, agora, Adeus.'' Foi com estas palavras que despachei os serviços e pude me concentrar no que eu queria, ao pisar para fora para tentar observar o incidente meus pensamentos foram rompidos por uma voz rouca.
'' — Está vendo? La se vai mais um.'' A vizinha, por sinal bem de idade, falava dirigindo-se a mim, estava com os braços cruzados, a mão esquerda segurando a direita, costumes idosos... Balançava a cabeça freneticamente como se não estivesse satisfeita com aquilo, mas quando me olhou pareceu assutada e sem dar explicações entrou para dentro de sua casa esbarrando na porta, toda sem jeito. Não pude entender nada naquele momento, e não era mesmo naquilo que queria manter minha atenção. Relutei até o último segundo em ir ao local de ocorrência, mas a curiosidade sempre fala mais alto. Tranquei a porta atrás de mim e caminhei até o local, tentando manter a calma e a aparência de uma pessoa de conhecimento, ao chegar de frente com a fazenda percebi que era impossível observar alguma coisa de fora, não havia jornal local ou Reports das redondezas, mas a curiosidade das pessoas o faziam parecer como tais, fui tocando, então, o ombro de cada um pedindo passagem, com o semblante e postura de alguém importante obtive sucesso, em alguns segundos estava mais a frente do baixo portão de madeira, agora chegava ao segurança, missão mais complicada, entretanto por consequência de meu fanatismo por algumas séries e filmes eu tinha um distintivo de pericia, uma réplica original que se parecia demasiado com uma verdadeira, como imaginado o guarda era tão leigo que nem se deu ao trabalho de me ignorar, do contrário, me tratou bem com muita simpatia Estava lucida e ciente de que aquilo que estava fazendo era arriscado e errado, eu não tinha nenhuma serventia ali e além de tudo era nova na cidade, poderia sujar definitivamente a minha imagem, se é que alguém tem imagem boa neste lugar. Caminhei até chegar em algum lugar que tivesse movimento, e então me deparei com uma horda de polícias que me olharam automaticamente.
'' — Quem foi que a deixou entrar aqui, quem é você?'' Disse um deles, um outro o pediu calma, alertando-o que podia ser a pericia ou um detetive.
'' — Ah, se é assim seja muito bem-vinda, sinta-se em casa, e resolva isso o mais rápido que puder, é muito escândalo para uma cidade só''. Completou o primeiro policial Nem sabia o que responder, fiz menção e a única atitude que tomei foi levantar o distintivo, como o primeiro guarda eles pareceram aceitar e me dar passagem para algumas cenas, não havia muito, não havia nenhum corpo, nenhuma marca de sangue.
'' — Não se decepcione, o acontecimento não foi aqui, foi mais a frente perto de um rio, em instantes estaremos lá.'' Explicou o policial
Assenti com a cabeça e continuei a observar, mas ali não continha muitas infirmações, além de alguns pertences dá vítima e dos adjacentes que também habitavam o local. Dentre dez minutos pude conhecer o verdadeiro local do acontecimento, como se imagina a terra próxima à um rio é densa, úmida, mato alto, talvez também a parte mais fria daquela cidade. Um dos polícias me olhou e perguntou '' — Então, quer começar?'' Eu estava em estado de ''choque'', porque estava ali? O que faria? Embora aquela cena me fosse muito familiar e eu nem sei porque, continuava insegura e incerta. Para não desfazer tudo que tinha sido mantido até ali assenti com a cabeça novamente e comecei a andar, agora era indispensável que eu tomasse os métodos que eu conhecia muito bem de Mr Sherlock Holmes, se alguma coisa me safaria daquilo, seria isto. Pela primeira vez naquele momento virei para o policial e pronunciei algumas palavras. '' — Seria de grande avalia que seus homens não destruíssem o local, tudo que se tem a saber sobre o caso está aqui e somente aqui, seria quase como uma perda um passo se quer destas enormes botinas nesta terra úmida e já demais remexida''. Ele pareceu ficar perplexo, rezei para que ele não conhecesse nada sobre Sherlock Holmes tão bem quanto um fã e nem reconhecesse uma boa mentira como um bom policial. Tentei não ficar branca com estes pensamentos e logo o vi seguir meus conselhos, suspirei aliviada e voltei a me concentrar naquilo que seria a missão mais complexa de minha vida, por um lado estava empolgada, por outro completamente perdida. Não podia me desesperar, perder o controle que tinha tomado até ali, fechei os olhos brevemente, suspirei e tentei me lembrar do conselhos fictícios de Holmes, ''Nada confundi mais do que um fato óbvio''. De fato, deveria começar levando em consideração qual a dimensão do problema para tal consequência em uma cidade tão pequena, dentro milhões de possibilidades, eliminar possíveis causas de cidades grandes já era muito proveitoso, tinha plena certeza de que não envolvia acontecimentos políticos, o alarde seria extremamente maior, existiria ao menos um nome conhecido por todos, daqueles que não se precisa de informações adicionais. Mas nada me foi dito, os polícias devem pensar que por eu ser pericia deveria estar por dentro dos fatos. Difícil. Foi quando a segunda melhor solução do dia me aconteceu, vi se aproximar uma rapariga, nova e bonita, bem vestida e com o olhar por vezes seguro, percebi que se aproximava do policial para acrescentar algo e então me acheguei mais.
''- Tenho certeza de que não foi ele, senhor. Certeza maior que não existe outra. O tire desta situação, por favor.'' Disse a moça ao policial que parecia descrer nela por completo.
''' — Com licença — disse eu — poderia interroga-la, se não fosse muito inconveniente?''
Ela nem ao menos pareceu assustada, me afastei um pouco para que ela ficasse perto apenas o suficiente para somente eu a escutar. Por não fazer ideia do que se passava ali fiz a pergunta mais óbvia que poderia existir.
'' — Você conhecia a vítima?''
– Sem dúvidas, e ainda até bem. Como deve ter conhecimento, a vítima era pai do meu futuro noivo, que esta preso por ser considerado culpado. Aquela menina disse o que viu, não a culpo. Ela estava do outro lado do rio bem no momento que tudo aconteceu, mas afinal o que foi que aconteceu? Ela apenas ouviu um tiro e concluiu, como toda e qualquer mente faria. Pai e filho estavam discutindo, o filho trazia consigo uma arma, inevitável o que se concluí, não? Entretanto em seu depoimento ele diz que, antes do fato consumado, digo por isto, a morte de seu pai, ele havia pegado o caminho de volta para casa, e foi nisso que escutou o pai gritar, voltando desesperado e o encontrando caído quase sem vida, ainda acrescentou que ouviu um murmurinho de seu pai a respeito de um rato, e bom... A relação entre pai e filho era por vezes complicada, mas nada que levasse um a fazer isso com o outro, olhe a cidade aonde moramos...''
– Certo, até ai está bom. Qual era a relação deles em sua vida, além de seu noivado? Havia mais algum?
– Ah sim, meu pai era muito amigo do pai dele, talvez seu único amigo, a relação era tão profunda que meu pai fez questão de o ajudar sempre na vida financeira, tudo que ele tinha era graças a meu pai.
– Amigos... E seu pai tinha que posição em relação ao seu noivado com o garoto?
– Não demonstrava nem satisfação nem relutância
– Hm... E porque você acha que ele não é o culpado?
– O conheço muito bem, mesmo. O conheço desde pequena, sempre estivemos juntos, e eu não estou falando que eu não acredito que não foi ele, doutora, eu estou afirmando que não o foi!
– Certo, muito obrigada pelas informações, volte para casa agora, descanse e dentro de poucos dias terá a solução do caso. Aliás, seu pai, ele se encontra disponível para interrogação?
– Infelizmente não, a situação de saúde de meu pai esta mais grave agora, com tudo isso, e... Me desculpe não poder ajudar mais do que até aqui. Aguardarei notícias ansiosamente.
Foi com estas informações que a dama me deixou, em cada palavra dela a situação me parecia mais familiar, e eu não tinha ideia de como isso era possível. Enfim, finalmente com algum tipo de informação, fui atrás de pistas, eis que observei pegadas, três diferentes, o que significava que ali realmente existiu uma terceira presença. Na fazenda, aonde os polícias me pediram que observasse notei os calçados de dois homens, visivelmente com alturas e tamanhos diferentes, pude distinguir então que tais pegadas eram do pai e tais eram do filho, as do filho seguida uma vez em direção ao rio, uma vez em direção à estrada e outra vez em direção ao rio, por vezes mais espaçadas. As do pai tinha somente uma direção, e ainda a marca de onde caiu, mas a terceira... Não tinha nem um nem outro tamanho das que pude observar, e seguiam para um lado extremamente contrário. À esquerda se levantavam algumas arvores, por sinal bem altas e rentes uma as outras, um pequeno bioma. Olhei para os polícias e vi que conversavam entre si distraídos ou muito concentrados, não me importei no que concluir, e então sem constrangimento fui adentrando o local, aquela altura já estava anestesiada, tudo me parecia normal, quase como um transe. Fui até aonde haviam pegadas, elas faziam uma parada em frente à uma arvore, e continuavam até chegar a estrada, o que não me seria mais de grande avalia. Parei então na arvore, e me pus como um observador, tinha uma visão perfeita para o local do crime, esbarrei a mão na parte mais baixa do troco, com um certo nojo olhei-a e antes de limpa-la na roupa notei que não havia apenas musgo e pequenos fiapos de madeira, mas também um pó peculiar, que certamente não fazia parte dali, levei ao nariz e, mesmo sem conhecimentos em química pude ter certeza de se tratar de um tipo de cigarro. Por mais algum tempo fiquei a procura de algo significativo, mas nada mais além disso me foi compreendido, voltei ao local aonde estavam ainda os polícias e os comuniquei que partiria, e dentro de dois dias os entregava o caso resolvido, eles me olharam sem entender bem enquanto caminhava de volta para casa. Sim, era realmente peculiar, estranho e tenso, eu não tinha nada haver com aquilo, nenhuma especialidade, estava mais para ''enrascada'' e mesmo contudo me sentia a par e... Com aquela sensação de já ter passado por aquilo. Entrando em casa, sentei em um sofá que já havia sindo montado, quase ao centro da saleta, próximo a lareira, me acomodei e, praticamente sai deste mundo, tentando interligar os fatos. Conclui que deveria ter conhecimento das pessoas que eram mais próximas da vítima e se ele tinha inimigos, e nada seria melhor do que o pai daquela moça. Ao voltar a si, olhei diretamente para a caixa de mudança que levava os livros de Sherlock Holmes, balancei a cabeça dizendo como um ''não'' para eles, e que eu deveria fazer isso sozinha. Era loucura e insana aquelas ideias e pensamentos, mal tinha consciência de onde aquilo que criei podia me levar, mas estava ali, naquela altura e não abandonaria tudo agora. Me vesti com o que tinha em mão e fui a procura do pai daquela jovem, seria inconveniente forçar uma visita à uma pessoa ruim de saúde, mas não havia outra opção, era isso ou a não solução do caso, sai de casa novamente naquela mesma tarde, entre tanto ao meio do caminho fui parada por uma figura alta, de pele parda, vestia um avental que, não fosse por uma mistura de massa e farinha era branco.
– É a senhora responsável pelo caso do Bousk?
Pensei comigo que deveria ser o único caso daquela redondeza, ao menos. Assenti com a cabeça.
– Ah, por favor senhorita, resolva o caso, Bousk, para os mais íntimos, era muito querido, a perda foi grande. — Disse com uma voz triste, não pude deixar de prestar atenção nas palavras ''mais próximos''.
– Sr...?
– Benjamin, mas pode ser só Ben, para não delongar para seu lado.
– Muito bem, Sr Benjamin, poderia me conceder mais algumas informações adicionais? O Sr... Bousk, tinha muitas pessoas próximas de si?
– Na verdade não, além de seus criados, dos funcionários de estabelecimentos que frequentava as vezes, à exemplo tenho à mim, o Sr Bousk ia consideravelmente até a padaria. E seu velho amigo e sem dúvida mais próximo, Sr Marcus, pai da jovem que se casaria com o Bousk Junior. Lamentável não?!
– Muito obrigado pelas informações, Ben. Pretendia fazer uma visita ao Sr Marcus, mas a situação de saúde dele me parece impedir isto.
– Sem dúvida, seria muito antiquado, mas se a senhorita precisa de ajuda para obter mais informações, porque não pergunta à filha de Marcus? Já esteve com ela?
– É, já sim, me passou o necessário. Aliás, precisava de somente mais uma informação, o Sr Marcus tem hábitos de fumar?
Ben demonstrou em sua face a natureza estranha daquela pergunta.
– É, bom... Quando pelo menos lhe era permitido pela saúde manter esse vício, ele fumava sim. Agora creio que nem consiga mais movimentar os dedos.
– Muito obrigado Sr Ben, voltarei à meus aposentos com estas informações, já estão de bom grado, obrigada.
Voltei para casa em seguida, embora as informações fossem certeiras eu mal tinha como provar aquilo que estava concluindo. Me faltava uma visita... Ao filho de Mr Bousk, e eu deveria a fazer o mais rápido possível.
#CONTINUA#
Notas finais
Grata! Comente, é bom saber como esta meu desenvolvimento :)
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